quinta-feira, maio 30, 2019

Da Palavra à Imagem – Ilustração de dois contos Infanto-Juvenis

Da Palavra à Imagem – Ilustração de dois contos Infanto-Juvenis

 Como contar uma história? Quais são as informações genuinamente importantes num conto/livro, e que não podem ser retiradas, sob pena de a narração ficar confusa e incompleta? O que é relevante e o que é supérfluo? Estas questões têm marcado a literatura mundial durante milhares e milhares de anos. Porém, os finais do século XIX trouxeram ao mundo um outro tipo de narrativa, algo que nunca ninguém tinha visto: a banda desenhada. Lado a lado com a massificação da ilustração em edições populares – antes, esta só existia em edições raras e caras, pois os livros eram escritos e pintados à mão – estas duas artes visuais criaram uma revolução na nossa maneira de contar uma história. No caso da banda desenhada, as grandes descrições passaram a estar limitadas ao desenho e não ao texto. Quanto aos livros ilustrados, o ilustrador respeita o texto, mas o desenho tem que “bater certo” com as ideias do escritor.
Foi este o desafio que as professoras Ângela Carvalho (Educação Visual) e Helena Reis (Português) lançaram aos alunos das turmas A e D do 7º ano: ilustrar um pequeno conto infanto-juvenil de duas autoras do século XX: Teolinda Gersão (imagem do lado esquerdo) e Irene Lisboa (imagem do lado direito). Esta atividade foi ouro sobre azul: não só as duas turmas aprenderam a retirar a informação relevante da informação “supérflua”, como também desenvolveram e aprimoraram técnicas de ilustração. O resultado são dois livros lindíssimos e originais, em forma de harmónio, e que podem ser vistos no espaço da entrada da nossa biblioteca.

Aqui estão eles, transformados em e-books. Espreitem e encantem-se!   

Clique nas imagens para ver.    
Da Palavra à Imagem – Livro Azul
Da Palavra à Imagem – Livro Vermelho

Imagens retiradas daqui e daqui .


quarta-feira, maio 29, 2019

O Tempo das flores – Exposição na Biblioteca

O Tempo das flores – Exposição na Biblioteca


Chegou a Primavera e, com ela, as flores, os frutos, o sol, o bem-estar, a cura. Está cientificamente comprovado que todos nós temos um relógio dentro de nós, em perfeita sintonia com o mundo à nossa volta.
Somos animais do dia, não somos criaturas da noite. Durante milhares de anos, nascemos, crescemos e envelhecemos sempre do lado do astro-Rei, e vimos as estações oferecerem à nossa mesa o melhor que têm. E, sim, o Inverno é tristonho, desolador. Mas é também graças a ele que muitas pragas, muitas doenças são praticamente erradicadas das plantas e árvores. Quando os primeiros raios de sol da Primavera começam a surgir, é como se a natureza tivesse “batido uma siesta” bem simpática e feliz e agora acorda renascida, revigorada, rejuvenescida.
Esta exposição estava programada para o mês de Março. Porém, a sua preparação durou muito tempo e esteve dependente da disponibilidade, da saúde e dos horários de todos os funcionários desta equipa. É daquelas coisas que só se fazem de dois em dois anos. E depois veio Abril, as avaliações, a interrupção letiva, a Páscoa. Assim, foi só no início de Maio que esta homenagem à Primavera foi concretizada.
Esta é uma homenagem de flores, de cores, de verde, de poesia. Rosas e jasmins flutuam no céu, a palavra do poeta brilha na parede. Com esta exposição também vieram as palestras sobre os benefícios do sol, das ervas e plantas (vejam o post de ontem!), da preservação do ambiente, o workshop de cosmética caseira e- se tudo correr bem – uma sessão de escrita criativa. Foi um inesperado e não planeado “Mês do bem-estar”. As ideias fluíram, a evolução foi orgânica, os pedidos dos professores para atividades na sala de aula explodiram. Porque é assim, a Primavera. Acorda-nos da dormência do frio e inspira-nos.
Deixamos aqui o testemunho da nossa exposição, através de um e-book dividido em duas partes: a exposição mais os poemas que foram selecionados.
Encantem-se!

E-book da exposição: Clique na imagem, abaixo, para ver.



segunda-feira, maio 27, 2019

O legado da cultura Árabe no nosso dia-a-dia




 Parece que foi de propósito, parece que estávamos bem sincronizados: enquanto Mértola se preparava para mais um Festival Islâmico, a equipa da Biblioteca Escolar- em colaboração com a disciplina de História, e focando-se nos conteúdos programáticos do 7º ano, A herança Árabe na Península Ibérica - tinha preparado também uma pequena palestra sobre a herança da cultura Árabe, especialmente no sul de Portugal.
Estava preparada para durar apenas 45 minutos, mas o entusiasmo dos alunos levou a que esta se estendesse à aula da professora Alice Félix, que também abraçou a atividade com interesse, dando também o seu testemunho pessoal sobre as propriedades de algumas plantas. Foi o suficiente para muitos alunos fixarem dois ou três factos importantes. Cada um deles recebeu um pequenino livrinho, que continha informações relevantes, desde a arquitetura dos jardins Árabes e o seu simbolismo, até dados relevantes sobre os benefícios de várias plantas que frequentemente temos nos nossos quintais ou varandas e que, muitas vezes, nem nos apercebemos dos poderes curativos que elas têm, apesar de as usarmos muitas vezes na nossa cozinha!
Por exemplo, sabiam que há imensas flores que podem ser comidas, como a Rosa? E que esta tem imensa vitamina C, o que é excelente para a pele e para combater o envelhecimento? Sabiam que o Tomilho tem imensa vitamina A, o que é excelente para combater problemas de olhos? Sabiam que o Alecrim é ótimo para combater a queda do cabelo e problemas de respiração? Sabiam que os Árabes criaram os chamados “Jardins Sensoriais/Terapêuticos”, e desejavam reproduzir o Paraíso do Céu na Terra? Tudo isto e muito mais foi transmitido nas turmas A e D do 7º ano.


E não faltaram perguntas, sugestões de mezinhas caseiras, testemunhos pessoais, muita brincadeira à mistura. A docente Antónia Guerreiro não se cansou de mostrar a sua sabedoria popular e erudita e aprofundou ainda mais algumas questões colocadas pelos alunos. Para o fim, ficou a promessa – caso ainda haja tempo, afinal os testes vêm aí – de realizar um workshop de cosmética e mezinhas caseiras. Interessados, já temos!


A equipa da Biblioteca e Centro de Recursos agradece, então, o apoio e entusiasmo da professora Antónia Guerreiro e agradecemos também a boa disposição das turmas A e D do 7º ano. Já estão planeadas futuras atividades com estas turmas, para o próximo ano letivo. Ficam aqui as fotos e o folheto que foi dado aos alunos, sobre o legado Árabe e propriedades de algumas plantas medicinais. Posteriormente, os alunos irão também preencher um simples questionário, de forma a avaliarem esta atividade.

FOLHETO E-BOOK: Plantas no mundo Árabe Medieval (Clique na imagem para ver)


sábado, maio 18, 2019

Dia do Autor Português

Caros colegas,
No dia 22 de maio celebra-se o dia do Autor Português. O Núcleo de Projetos e Clubes, conjuntamente com a Biblioteca Escolar está a organizar uma semana inteira dedicada ao autor português, realizando várias atividades.
Convidamo-vos a participarem. Gostamos de vos ver por cá!
Até 2ª feira!






segunda-feira, maio 13, 2019

Livro da Semana A Passo de Caranguejo: Guerras quentes e populismo mediático – Umberto Eco

Vão ser necessários muitos, muitos anos para voltarmos a ter na civilização Ocidental um génio semelhante a Umberto Eco: já em criança, escrevia as suas próprias histórias de aventuras, era capaz de olhar para um mapa antigo de Paris da Idade Média e ser capaz de visualizar a Idade Média na Paris Moderna. Era botânico, escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano. Sabia muito de tudo, sabia demais. Foi brilhante, irónico, sempre interessado na Humanidade e nos seus imensos contrastes sociais e culturais.

Tal como Noam Chomsky, o grande pensador americano, Umberto Eco vivia fascinado com o poder da persuasão e da propaganda. Fascinava-o a construção da Realidade – através de mil técnicas psicológicas e visuais - ditada pelos vencedores, pelos tiranos, pelas ideologias, pelas corporações. Especialmente o poder dos media e das suas relações incestuosas com os círculos de poder económicos e tecnológicos. Como comentador e cronista, este último poder - cada vez mais decadente e mais medíocre - compromete fortemente a democracia, e tudo o que a Humanidade andou a conquistar há cerca de, pelo menos, 300 anos. Não é de espantar, portanto, que este conjunto de ensaios, palestras e crónicas ganhem o título “A Passo de Caranguejo”. Para ficarmos ainda mais deprimidos, este livro já tem 12 anos. Foi publicado no ano de 2007, durante anos esteve esgotado, e agora voltou a estar na moda, graças à editora Gradiva. 12 anos passaram e continua a ser atual. Nada, literalmente nada mudou e, se mudou, foi para pior.
Não houve nada que não fosse do interesse de Umberto Eco: fala de Harry Potter e do choque cultural que este livro provocou; fala da Ciência, que é hoje vista como sendo uma espécie de “magia branca” ou “milagre”, e não um processo longo e calculado que nos leva a uma descoberta ou a um tratamento; fala do choque cultural entre muçulmanos e ocidentais; fala do politicamente correto e dos novos fascistas; fala das ideologias e do desprezo pelo senso comum; fala de um mundo onde já não há pais que entrem em choque com os filhos; fala da perda da privacidade, do antissemitismo popular e do antissemitismo intelectual; and so on and so on.
Parece um velhinho depressivo, que só diz coisas negativas do futuro da Humanidade. Não podíamos estar mais errados: o olhar deste escritor é vibrante e sábio, mas não pessimista. Num dos seus ensaios “Um sonho”, Eco fala de um mundo pós-global em ruínas. Não há um cenário Mad max, muito pelo contrário: os humanos redescobrem a simplicidade da vida, dos livros, dos animais soltos e gordinhos, das danças no adro da igreja, das orquestras de flautas, da simplicidade perfeita de um pombo-correio ou de uma antena de rádio. Umberto Eco é crítico em relação ao presente, não em relação ao futuro. Nota-se claramente que ele não tem muita fé neste “admirável mundo novo”. No entanto, é um tolerante que observa a humanidade, deixando-a respirar e seguir o seu caminho, e tenta sempre compreendê-la. Está aqui para aconselhar e alertar, mas mais não pode fazer. Nem deve fazer!
Afinal, ele próprio afirmou num congresso, Os intelectuais não resolvem crises, os intelectuais criam-nas.


" Parabéns aos vencedores do concurso "Vem Conhecer o Santiago"

" Parabéns aos vencedores do concurso "Vem Conhecer o Santiago". 

Felicitamos todos os participantes pelo empenho demonstrado. É bom conhecer a nossa região e aprofundar o conhecimento da fauna que nos rodeia. 
Recomendamos a leitura do livro Santiago- O lince da Herdade das Romeiras".
Boas leituras!
Classif. por Equipas
Equipa (nome)PontosEscola
"Lince Vivo"----E23,5/30Serpa
"Linces protegidos"---C23/30Serpa
"Conservação do Lince Ibérico"---A19/30Serpa
"Proteção do Lince"---B19/30Serpa
"Vamos proteger o Lince"---D19/30Serpa
"Equipa Lince"---E19/30VNSBento
"Lince Protector"---A18,1/30VNSBento
" O Lince da Amadora"---C18/30VNSBento
"Protegemos o Lince"---F17,5/30VNSBento


terça-feira, maio 07, 2019

Visita à Herdade das Romeiras.

"Era o dia mais chuvoso da semana e dos últimos tempos, mas nada nos demoveu de visitar o território do lince. Pelas 6:30h da manhã já o grupo dos alunos do 7º ano e os professores aguardavam o transporte até à Herdade das Romeiras. 
Por caminhos bem conhecidos dos técnicos do Parque do Vale do Guadiana e da Herdade das Romeiras foi possível avistar gamos, coelhos bravos, perdizes e outros bichos que partilham com o lince este território. Veja as fotos :

Após uma grande molha, fomos muito bem recebidos pelo administrador da Herdade, Sr. José Osório Severino. No aconchego da lareira conversámos com a escritora Isabel Mateus. Ficámos a saber mais sobre o lince e outros bichos sobre os quais a autora escreveu e que são tão caros dos portugueses.
Os vencedores do concurso "Vem conhecer o Santiago" viveram um momento especial com a escritora.
Ficámos a saber que no dia seguinte a autora Isabel Mateus iria fazer o lançamento de um novo livro sobre outro bicho já extinto em Portugal, o urso pardo. Aqui fica uma nova sugestão de leitura.
Boas leituras!

quinta-feira, maio 02, 2019

Tatuador de Auschwitz foi eleito livro do ano

Tatuador de Auschwitz foi eleito livro do ano


 Foi em 1945 que o fim finalmente teve lugar, e os soldados das nações libertadoras que fizeram parte do Dia D ficaram chocados com aquilo que viram e fotografaram. Setenta e quatro anos já passaram a ainda temos que estar a provar constantemente que este momento negro na História da Humanidade não é um mito ou uma fabricação ou uma teoria de conspiração judia. Como se a História da Humanidade não estivesse já cheia de períodos negros... Mais ainda: é graças ao crescimento da extrema-direita no Mundo Ocidental que o tópico Auschwitz – que já praticamente estava posto de parte – voltou em força no cinema, nos documentários, na literatura, nas escolas. Já cansa, sim, mas pelos vistos continua a ser relevante, quase um século depois. Até porque a poeira do tempo tende a assentar e as duas guerras mundiais já estão a ficar perigosamente “longinhas” das novas gerações...
As vítimas dos campos de concentração – que foram de todas as raças, culturas, géneros e sexualidades – foram tantas mas tantas mas tantas que ainda hoje, em pleno século XXI, continuam a vir à tona imensos relatos pessoais e comoventes. Ora, O Tatuador de Auschwitz, escrito por Heather Morris – é um deles. E recebeu o prémio “Livro do ano”, pelos leitores da Editora Bertrand, na categoria “Melhor livro de ficção de autores estrangeiros”.
Não vamos agora falar deste romance, pois esta obra será o livro escolhido para a próxima semana. Sabemos, isso sim, que é baseada numa história verídica (podem lê-la aqui).  Também sabemos que esta obra literária é um excelente presente para quem pouco sabe da Segunda Guerra Mundial, especialmente para aqueles que não gostam de ler. É que tem tudo para dar certo: conflito, medo, ação, vilões e heróis, romance, amor, um final – mais ou menos – feliz.
Na próxima semana, estejam atentos! 

Lição de Vida – A arte da paciência

 Lição de Vida – A arte da paciência

Imagem retirada daqui .



RESERVED/RESERVADO

Uma vez tentei sentar-me
em um dos assentos vagos da Esperança
mas a palavra “reserved”
me encarava como uma hiena

(Eu não me sentei, ninguém se sentou)

Os assentos da Esperança estão sempre reservados


Najwan Darwish, poeta Palestiniano

quarta-feira, maio 01, 2019

Estante do mês de Maio A sombra da Guerra. Outra vez.

Estante do mês de Maio
A sombra da Guerra. Outra vez.


Parece ser uma fotografia tão feliz, tão bem disposta. Uma fila de soldados desfila para o futuro campo de batalha, e uma menina saúda sorridente os “bravos heróis”. Hoje, olhamos para este registo fotográfico com tristeza, sabendo muito bem o que se passou na I Guerra Mundial. Mas naquela altura, toda a gente achava que esta “escaramuça” entre vizinhos não duraria mais do que dois meses. As mulheres despediram-se dos seus filhos, maridos, pais, tios e namorados com lencinhos brancos, sorrisos incandescentes. Cantavam-se canções gloriosas, cheias de patriotismo. E os bravos filhos da pátria chegariam risonhos, gordinhos e vitoriosos, prontos para os passeios de domingo, prontos para namoriscar, casar e recomeçar uma nova vida.
A guerra durou quatro anos e matou milhões de seres humanos dos dois lados da trincheira.
Foi o princípio do fim. Durante milénios, o olhar que se tinha da guerra, dos campos de batalha e dos heróis era sempre um olhar bélico, mas inocente. Heróis puros em cavalos brancos, a espada flamejante e o inimigo derrotado. Entretanto, chegou a máquina fotográfica, chegaram os tanques, os cavalos foram banidos da guerra, as trincheiras eram uma novidade. E, de repente, matar deixou de ter graça.
Hoje, a guerra parece-nos distante. E, no entanto, parece que nunca saímos da I Guerra Mundial. Olhando com atenção, é possível que daqui a 100 anos os séculos XX e XXI sejam olhados pelos historiadores como tendo sido uma segunda guerra dos 100 anos. Os protagonistas são praticamente todos os mesmos, os conflitos são quase os mesmos: Inglaterra, Estados Unidos da América, Rússia, Alemanha, França. Onde é que já ouvimos isto? Lutas económicas, xenofobia, corporações em conflito, comendo-se umas às outras. Onde é que já ouvimos isto? O Médio Oriente em chamas, luta por territórios e recursos energéticos. Onde é que já ouvimos isto? Por isso mesmo – e uma vez que caminhamos a passos largos para uma possível III Guerra Mundial – é bom que o passado não seja esquecido, e que aprendamos alguma coisa com ele.
Uma coisa é certa: o nosso olhar já não é inocente. Já não nos despedimos dos bravos “filhos da pátria” com lencinhos brancos, já não cantamos canções patriotas, já não pedimos às nossas crianças para darem beijinhos aos lindos soldados de uniforme.
E já não acreditamos em finais felizes.

Veja o eBook

Fotografia retirada daqui .

terça-feira, abril 30, 2019

Livro da Semana - Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira



Está muito esquecida, esta obra, e injustamente: num tempo em que a palavra “medo” está tão presente - ao ponto de a Humanidade começar a paralisar, a estagnar ou, pior ainda, desistir de lutar – este é o momento certo para ressuscitarmos obras-primas da literatura mundial, que nos ensinem a questionar, a pensar e a agir. Estes não são tempos para estarmos parados “a ver navios passar”. O Planeta Terra encontra-se neste momento numa encruzilhada: ou fazemos uma mudança radical de 180 graus ou estamos condenados ao fracasso. E não, não estamos a ser alarmistas, estamos a ser realistas.
Já toda a gente sabe – ou devia saber! – que Aventuras de João Sem Medo é claramente uma alegoria de um Portugal fechado, conservador, mergulhado na ditadura de Salazar. Escrito em 1963, José Gomes Ferreira inventou na sua cabeça uma aldeia onde os habitantes não fazem outra coisa senão reclamar ou choramingar. As desgraças da vida sucedem-se, mas ninguém está minimamente interessado em mexer uma palha e arriscar uma ideia nova.
Que este livro tenha sido escrito no Portugal do Estado Novo não é surpresa para ninguém. O problema reside no facto de que toda a Civilização Ocidental é hoje uma terreola “Chora-que-logo-bebes”: 60 anos depois, este livro continua a ser não só atual como, pior ainda, parece que o nosso mundo – antes tão ousado e criativo! – se transformou num Portugal fechado, escuro, infantilizado e cobarde.
Falta ao Ocidente “a espinha”, a maturidade, a ousadia, o estudo, o trabalho árduo, o questionar. Para quando, os Joões sem medo? Quanto tempo mais teremos de esperar para encontrarmos um homem e uma mulher que tenham uma ideia verdadeiramente revolucionária, capaz de galvanizar as massas? Lá de vez em quando aparece uma Greta subnutrida que se balda às aulas e fala dos direitos dos animaizinhos e do aquecimento global. Fala no palco de umas Nações Unidas que votaram em massa para que a Arábia Saudita - um país que odeia mulheres – comande a Comissão dos Direitos das Mulheres. Tudo isto é superficial, fútil, tão vago, tão vazio e tão frágil como bolhinhas de sabão. Vai-se às manifs para se tirar uma selfie e ficar catitota nas redes sociais. De preferência às sextas, para se baldarem às aulas. Como faz a Greta. E não se esqueçam do Ipad, feito por crianças escravas, e a t-shirt tão trendy, feita por crianças escravas, e os sapatinhos Nike, feitos por crianças escravas. E depois lá vamos para casa no nosso pópó. Feito por crianças escravas. E sempre a reclamarmos, sempre a choramingarmos da nossa vidinha tão triste e tão sem sentido.No entanto, esta história satírica oferece-nos precisamente uma pista para que o Ocidente triunfe mais uma vez: a revolução é sempre individual, nunca coletiva. Compete a nós – e só a nós – regularmos as nossas vidas. O resto virá por si. Talvez os outros vejam o nosso sucesso e tentem imitar-nos. Muitas vezes, tudo começa com um joão sem medo que se farta, que sai do rebanho e que, involuntariamente, acaba por ser um “role model” para todos aqueles que também estão cansados de viver uma vida constantemente adiada. Nem sempre acontece e o cinismo vence. Como, aliás, aconteceu com o protagonista deste livro. No entanto, a mudança nunca é feita para mudarmos o mundo, é feita para mudarmos a nossa vida. Mas a nossa mudança poderá inspirar os outros que estão perto de nós. E é assim que um verdadeiro movimento começa: alguém tem uma ideia fenomenal, outros começam a imitá-lo. Devagarinho, silenciosamente, grão a grão, o grupo vai crescendo. E um dia, décadas depois, toda a gente repara nele.O cinismo também tem o seu lado positivo: a partir do momento em que deixamos de acreditar nos outros, nada mais nos resta do que acreditarmos em nós mesmos. Longe dos holofotes e das redes sociais, da fogueira das vaidades, os verdadeiros joões sem medo estão a plantar árvores, a recolher cães abandonados, a inventarem fornos solares, a viver no campo. Estão a conversar com os velhos, a distribuir comida para os sem-abrigo, a construir uma casa ecológica, a restaurar livros antigos, a conservar filmes clássicos, a contar histórias a crianças, a tocar um antigo instrumento musical. Esses não vão falar para a sede das Nações Unidas. Nem querem.Brilhante, acutilante, hilariante e moderno, eis um livro que merece ser lido por todos os cidadãos deste planeta. Esta sátira a Portugal não é geográfica, esse é o lado bom de uma alegoria, pode ser lida e entendida por todos.Afinal, quem é que nunca desejou largar tudo e começar tudo de novo?

terça-feira, março 12, 2019

Livro da semana : O Jardim dos Segredos, Kate Morton

Muita polémica tem sido gerada à volta daquilo que se chama nos círculos académicos a “paraliteratura”. E agora vocês estão neste momento a coçar a cabeça e a dizer “paraQUÊ”???????
Expliquemo-nos melhor: “Paraliteratura” é o nome que geralmente se dá a histórias que não são consideradas “obras de arte” literárias. O seu propósito é, de uma forma geral, entreter e oferecer horas de prazer ao leitor. A linguagem é objetiva, não há muita descrição e é escrita de uma maneira que “agarra” o leitor e obriga-o a virar páginas atrás de páginas, ansioso pelo desfecho da narrativa.
Ou não?
A descrição que fizemos da mesma é muito, muito vaga. Geralmente é assim e, no entanto, há livros que começaram por ser paraliteratura e hoje são considerados obras-primas. É o caso da Dama das Camélias, de Alexandre Dumas ou O Crime no Expresso Oriente, de Agatha Christie. E há mesmo obras que – não sendo consideradas artísticas – marcam uma época. O Código Da Vinci é a mais recente de todas. E depois ainda existe outro problema: o preconceito das elites académicas. Foi preciso quase um século para que a literatura policial começasse a ser respeitada nas faculdades e jornais literários. O que se entende por “género menor” ou “género maior” depende muito do contexto sociocultural do mundo em que vivemos. Para piorar, os escritores de obras paraliterárias têm que lidar com acusações estilo “estes livros afastam os leitores da verdadeira literatura”, “estes livros tornam os cérebros preguiçosos”, “estes livros são fast food”...
Uma coisa tem que ser dita: este género de histórias é concebido especificamente para atrair as massas e podem ou não ter uma mensagem social. É o caso da invenção da “literatura de folhetim”, inventada no século XIX para uma burguesia em ascensão, e que foi crucial na mudança de mentalidades. A título de exemplo, Camilo Castelo Branco foi muito influenciado por ela.
Kate Morton não é Virginia Woolf. O seu mundo é um mundo de mulheres para mulheres leitoras: a casa, os filhos, o amor, segredos de família, uma narrativa rápida, simples, feita de propósito para “agarrar” as leitoras e fazê-las esquecer por um momento das suas vidas “mundanas” e super ocupadas. Não tem quaisquer pretensões de mudar o mundo da literatura, escreve porque gosta, ponto final. Apesar de tudo, é também uma escritora ousada, pois usa muito a técnica de “saltar tempos”: assistimos quase simultaneamente às histórias de duas mulheres em tempos diferentes, uma no início do século XX e outra no início do corrente século. Não é fácil escrever desta maneira e, no entanto, Kate Morton fá-lo com profissionalismo e facilidade.
Há dias na nossa vida em que não desejamos “puxar pela cabeça”. Só queremos estar num canto, embrenhados num livro que tenha uma boa história, uma caneca de leite quente na mão e um sofá confortável. É para isso que a paraliteratura serve. E Kate Morton oferece ao leitor precisamente o que ele/a deseja: horas infindáveis de entretenimento.
Afinal, a vida não é feita só de Dostoievskis.

segunda-feira, março 11, 2019

Estante do mês de Março: Terra, animal, flor, água – Quando as palavras ganham um novo sentido

Ao longo dos anos, têm sido muitas as “estantes do mês”, e tentamos o mais possível abranger todo o tipo de tópicos: Ciência, Arte, Poesia, Direitos Humanos, etc.
Mas às vezes sabe bem brincar com as palavras, nada mais.
Ora uma das coisas que mais nos fascinam em todas as línguas é a plasticidade da mesma: é extraordinário como as palavras, dentro de um determinado contexto, passam a ter um sentido completamente diferente do simples “pão-pão-queijo-queijo”: uma árvore azul transforma-se numa metáfora da tristeza, a maçã-de-adão passa a ser uma parte localizada no corpo masculino, abrir a rosa representa alguém que finalmente mostra a seu verdadeiro eu, tempestade num copo de água remete-nos para alguém que se irrita com facilidade. É por isso mesmo que os computadores não conseguem nem traduzir nem compreender a poesia ou a alegoria ou a ironia ou o sarcasmo. A Alma Humana vive nas palavras, reflete-se nos sons e fonemas. A língua não é um privilégio da espécie humana, mas a nossa língua só pode ser entendida por outros humanos.
E foi divertido repararmos até que ponto os títulos das capas dos livros estão cheios de referências ao mundo animal, à flora, aos espaços geográficos, a elementos como a água. Uns nada mais são do que um pretexto para começar uma história (A Ilha do Tesouro, Danúbio), outros são enigmáticos e atraem a nossa curiosidade (O Vasto mar de sargaços, O nome da Rosa). No entanto, todos eles prometem boas horas de entretenimento, quer seja a literatura com maiúscula, quer seja a paraliteratura. Porque há espaços para estes dois mundos.
Deem uma espreitadela à nossa seleção e passem pela biblioteca!

 Estante do mês- Ebook

Imagem retirada daqui .

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

Parlamento dos Jovens- Secundário

É com grande alegria que anunciamos que a escola secundária de Serpa venceu, ontem, a fase regional do Parlamento dos Jovens- Secundário, conjuntamente com a Escola Profissional de Cuba e a escola secundária de Castro Verde. O Programa do Parlamento dos Jovens-Secundário teve como tema central as alterações climáticas. Envolveu 13 escolas e 52 deputados/alunos. Após uma manhã intensa de trabalho foi aprovado o Projeto de Recomendação da Escola Profissional de Cuba, com alterações.
A nossa escola foi representada pelos alunos Leonor Coelho (10ºC), Bruno Correia (11ºA ), Mafalda Silva (10º A) e Ricardo Sargento (12ºD). No final, a aluna Leonor Coelho foi eleita, pelos seus pares, porta-voz do círculo de Beja. Os trabalhos decorreram com elevado sentido de civismo e participação democrática. 
Nos dias 20 e 21 de maio decorrerá a Fase Nacional do Parlamento dos Jovens, na Assembleia da República. A todos os participantes e em especial aos nossos deputados desejamos os maiores sucessos. 
Nesta sessão regional decorreu, também, o concurso Euroscola. As alunas Leonor Coelho e Beatriz Mestre apresentaram uma pequena peça. Por 8 décimas não nos sagramos vencedores, mas estamos muito orgulhosos. O Euroscola inicia-se todos os anos em janeiro, começando na sessão distrital ou regional, sendo escolhida uma escola para a sessão nacional e finalmente, para os vencedores do concurso Euroscola, na sessão nacional. O Parlamento Europeu acolhe estudantes de todos os estados membros da União Europeia, para passar um dia em Estrasburgo, tornando-se membros do Parlamento Europeu.  

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Parlamento dos Jovens 2019 - Básico, fase regional

Foi ontem que decorreu, em Beja, na escola secundária Diogo de Gouveia, a fase regional do Parlamento dos Jovens 2019 - Básico pelo Círculo de Beja. A nossa escola foi representada pelos alunos: Ricardo Palma (9ºA), Carolina Teixeira (7ºA), Mariana Teixeira (7ºD) e Rute Pedro (7ºD). 
Os nossos deputados participaram ativamente nas atividades e mostraram conhecer o tema com bastante profundidade. O encontro decorreu de acordo com as regras específicas da ocasião e os seus participantes revelaram um elevado espírito cívico. 
A liderança dos trabalhos coube à nossa aluna Isabella Lourenço, da turma 7ºA, que presidiu a mesa deste encontro. A Isabella correspondeu às expetativas dos seus pares que a elegeram, na passada semana, por reconhecerem o seu bom desempenho.
Foi aprovado com alterações o Projeto de Recomendação da escola secundária Diogo de Gouveia que vai ser apresentado na Fase Nacional pelos deputados das escolas básica e secundária de Ourique, escola básica Aviador Brito Paes de Colos, Odemira e Colégio Nossa Senhora da Graça, Vila Nova de Mil Fontes.
Felicitamos todos os participantes e desejamos aos vencedores os maiores sucessos.






quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Por que festejamos o dia de São Valentim?


Vem aí o dia tão esperado por muitas namoradas e tão temido por muitos homens: o Dia de São Valentim. É aquele momento em que os machos de barba rija engolem o orgulho gingão, e lá vão eles oferecer coisas pirosas e lamechas como almofadas em forma de coração, ursinhos de peluche cor-de-rosa, flores, postais piegas e jantares românticos. Elas, mal podem esperar pela hora em que a sua cara-metade lhes apareça à frente com um ramo de rosas e um bilhete fofucho, e ai deles se se esquecerem desta data! Quanto ao silêncio da solidão, os esquecidos, os feios, os velhos e os não-correspondidos odeiam este dia que parece insultá-los, que parece dizer “és um falhado e um perdedor, por isso ninguém está contigo”.
No entanto, como toda a gente devia saber, o dia 14 de Fevereiro nunca foi festejado pelos portugueses, se não muito recentemente: esta celebração é uma importação de Hollywood, lado a lado com as lojas das grandes superfícies. O verdadeiro dia dos namorados Lusitano festejava-se, em quase todo o país, no dia de Santo António, “o santo casamenteiro”, segundo o folclore popular (13 de junho). Era durante esta festa popular que os namorados trocavam lenços e beijos, atiravam moedas ao poço dos desejos e oferecia-se um vasinho de manjerico, com um versinho maroto para guardar para a posteridade. É só lá para os finais dos anos 80 do século passado que o dia de São Valentim – graças à pressão dos centros comerciais – passou a ser o dia dos namorados para uma nova geração de miúdos que estavam ansiosos para serem “europeus”, e detestavam tudo o que fosse “português”...

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Livro da Semana: Poesia Completa, Florbela Espanca

Se Florbela Espanca ressuscitasse, ficaria horrorizada com tudo o que veria: acharia odiosa a música “de amor” atual; ficaria chocada com a falta de flirt e sensibilidade dos namorados de hoje; ficaria triste ao saber que já ninguém escreve cartas de amor; acharia de um intenso mau gosto nenhum rapaz oferecer flores à sua amada; ficaria furiosa com toda esta “indústria do dia 14 de fevereiro” à volta de um sentimento tão nobre; não condenaria aquilo que chamamos hoje os “múltiplos parceiros”, mas acharia hediondo alguém procurar única e exclusivamente o ato sexual; e, por fim, não conseguiria compreender como é que as raparigas de hoje se submetem a tanta falta de respeito e carinho. Na verdade, por muito menos Florbela acabou com alguns dos seus namoricos!
É que Florbela Espanca viveu para o Amor e para a alegria da Vida. Viveu, viveu apaixonadamente. E, por isso mesmo, ardeu e consumiu-se demasiadamente depressa. Clinicamente louca (provavelmente bipolar), a sua loucura produziu poemas de amor – lado a lado com poemas de depressão e de crise existencial – que ainda hoje, ao serem lidos ou recitados, continuam a ressoar na nossa alma humana. Afinal, quem nunca cantou E é amar-te assim perdidamente...? Quem é que nunca se sentiu fascinado pela fotografia da bela mulher envolta em pérolas, penetrando-nos com o seu olhar esfíngico? Quem é que não sentiu admiração por esta extraordinária portuguesa, que vivia no século seguinte e não no presente pacato e fechado do Alentejo de então?
E, apesar de tudo, apesar desta pacatez, o ser humano ainda conseguia ser grande. Entre as árvores e os frutos, inventava-se a família, a comida, as lendas populares. Sonhava-se. No mundo de hoje - cada vez mais mecanizado e mais transhumanista - a voz desta mulher lembra-nos a glória da espécie humana, os tempos em que os Homens ascendiam à condição de deuses através da música, da dança, da poesia, da crença em outros mundos, outras dimensões. Uma árvore não era só uma árvore, era um ser vivo com uma fada que a protegia. Um poço não era só um poço, era um local onde moravam as mouras e os seres aquáticos. Estes eram os tempos em que a Humanidade não tinha medo, não era pequenina e reles, e não gastava os seus dias tolhida e curvada a olhar para uma chapa, indiferente ao choro de uma criança, à solidão de um avô ou um cão que tem fome. E quando finalmente chegar o dia em que todos já estarão fartos deste “admirável mundo novo”, Florbela retornará do Olimpo, mais forte e mais vibrante como nunca.
E, qual uma Némesis ou um Jesus no meio dos vendedores, acordará a chama em todos nós.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Estante do mês : Ai, o Amor, o Amor...



É assim mesmo!: o Amor quer-se piroso, lamechas, grandioso, inesquecível. Como dizia Álvaro de Campos, “todas as cartas de amor são ridículas”. E a vida, sem as pieguices do costume, os arrufos mundanos, a agitação antecipada do encontro muito esperado, as lágrimas na almofada, lavar os pratos depois de uma boa e feliz refeição caseira, um bom serão numa noite de chuva, enrolados num sofá, comendo pipocas e vendo um filme; tudo isto é Amor com letra grande.
E talvez seja isto que está a faltar no século XXI. Fala-se tanto tanto mas tanto de sexo... e não se fala deste estado de espírito tão belo. Aliás, basta abrir a rádio e escutarmos as músicas, para chegarmos à conclusão de que aquilo que hoje se chama “Amor” nada mais é do que atração sexual. Sejamos honestos: à exceção do povo português – que ainda é capaz de escrever belos poemas cantados – quando é que foi a última vez que ouvimos uma canção que abordasse esse sentimento, e só esse? Falta qualquer coisa. Eles, os jovens, sabem-no. Não sabem explicar porque são infelizes, não sabem explicar porque os romances deles nunca resultam, só sabem que falta qualquer coisa. Mas ninguém lhes ensinou que o Amor está ligado à rotina acompanhada, às piadas partilhadas, às tarefas aborrecidas que se tornam leves quando há uma boa conversa a dois. O resto é paixão, o resto é desejo. E este estado de espírito não dura para sempre.
Que o digam os poetas! Muito gostam eles de cantar este sentimento e, no entanto, quase ninguém foi bafejado por essa dádiva chamada “cara-metade” que, pelos vistos, parece ser tão rara como o Euromilhões. Pois bem: deixemo-nos embalar pela ilusão das palavras, os sons das emoções fingidas, os relâmpagos de génio que não semearam nada, os caminhos que nunca se percorreram, a felicidade que durou um instante e não voltou mais. Por um instante, a Alma Humana voa, brilha, solta-se, é livre.
É uma ilusão, sim.
Mas faz tão bem...
Ficam aqui os livros escolhidos para a nossa estante do mês. Boa leitura!


Imagem retirada daqui .

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

Sucesso!!


 O nosso génio da lâmpada fez milagres: até à data em que escrevemos, dezenas de pessoas passaram pela biblioteca para fazer parte da atividade “A caixa das respostas”. O desafio consistia em pensarem num desejo ou numa dúvida/problema que quisessem resolver, tiravam um pergaminho da caixa mágica, e o livro que saísse seria a resposta para a pergunta que fizeram.
Obviamente que nem todos levaram obras para casa: uns entraram na brincadeira só por curiosidade, outros não gostaram muito do título do livro. Mesmo assim, dentro das 100 obras escolhidas, mais de 20 alunos e professores até à data aceitaram participar na atividade e acabaram por requisitar o livro que lhes “calhou na rifa” (na foto, duas alunas mostram os seus). Para a nossa biblioteca, esta ideia foi um grande sucesso pois, no espaço de apenas quatro dias, o nosso espaço esteve super movimentado, gerou curiosidade e atraiu muita gente para a leitura.
Para a semana – uma vez que estamos a entrar no dia dos namorados – o próximo “alvo de ataque” vai ser a poesia de amor. Por isso mesmo, a nossa montra do mês de fevereiro é dedicada à poesia, e servirá para realizarmos uma nova brincadeira, de nome “Este poema de amor é mesmo a tua cara!”.
Estejam atentos!

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Para que serve a escola?



Esta é a pergunta que estamos a colocar às turmas A e D do 7º ano: a biblioteca escolar, em conjunto com a professora Susana Laneiro - professora da disciplina de Cidadania – aceitaram o desafio lançado pelo docente Jorge Ferreira (ensinar os jovens a valorizar a escola pública) e estão neste momento a realizar um workshop de três sessões, cujo objetivo é mostrar aos nossos alunos o quanto a escola é importante para o seu futuro.
Aliás, nunca a escola foi TÃO importante como é agora: ao longo desta atividade, as duas turmas foram confrontadas com profissões do passado que já não existem e profissões que darão cartas num futuro próximo. Cada um dos alunos escolheu ao acaso um envelope que tinha dentro um emprego do tempo dos nossos avós… e foi uma risota generalizada. Muitos não sabiam o que era um tanoeiro, um moço de fretes, um “pica do sete”. E depressa perceberam, já na segunda sessão, que praticamente todos os empregos que existem à volta deles desaparecerão no espaço de 10-20 anos. “Vocês vão ser a geração que terá de inventar novos empregos”, disse a responsável da biblioteca às turmas presentes.
A experiência tem sido interessante, mas tem sido sobretudo didática: a escola pode ser, sem dúvida, “uma seca”, mas é graças a ela que muitas crianças pobres saem da pobreza, e têm uma oportunidade única de subir na hierarquia social.
O livro que serviu de mote a esta atividade chama-se Do Cinzento ao Azul Celeste, de Ana Oliveira, e será mais tarde usado na terceira sessão para servir de inspiração a um trabalho de equipa.
Fica aqui uma lista de profissões do passado, algumas do presente… e do futuro!

Imagem retirada daqui .