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quarta-feira, maio 11, 2011

Dar Uma Espreitadela Ao Baú Da Avozinha

 

Nós já sabemos que a época da adolescência é o período mais clip_image001tumultuoso das nossas vidas mas, estranhamente, esta é também uma fase da vida em que nada é do nosso agrado, a não ser sair à noite, namorar e viajar sem os pais por perto. Porém, e ao contrário do que se pensa, há um grupo de jovens que parecem acordar para todos os estímulos da vida e que adoram dar um pulinho ao passado, adoram escarafunchar a velha discoteca dos pais, avós e até bisavós. Há mesmo aqueles que se babam por filmes antigos que, se forem do tempo do cinema mudo, ainda melhor. E ainda há

quarta-feira, maio 13, 2009

Baú Da Avozinha

Injustamente Esquecido: Dune, de Frank Herbert

 

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Mesmo não tendo lido os livros, toda a gente já ouviu pelo menos falar de vários universos épicos como, por exemplo, O Senhor Dos Anéis, Eragon, Harry Potter, As Crónicas de Nárnia, entre outros. Todavia, em 1965 foi publicada uma obra, considerada a Bíblia da ficção-científica, de nome Dune (“Duna”, em Português), obra esta que, à excepção de alguns apaixonados pela verdadeira literatura, praticamente que foi esquecida.

O seu autor, Frank Herbert, imaginou toda uma história que poderá acontecer daqui a 22.000 anos. Trata-se, portanto, de um futuro muito distante. Neste mundo, as máquinas já não são bem-vindas. Os humanos já sofreram o que tinham a sofrer com elas, e usam-nas simplesmente para poderem viajar de planeta em planeta, cavar grandes superfícies de terra, ou então usam-nas como um sistema de defesa (é o caso dos escudos, por exemplo). Toda a tecnologia existente tem como única função tratar daquilo que é essencial e que pode facilitar a vida dos humanos. clip_image003Não há computadores, não há robôs, não há “quinquilharias” electrónicas que, no fundo, só poluem e só causam danos físicos e psicológicos à Humanidade. As batalhas são corpo-a-corpo, à maneira medieval como, aliás, todas as guerras deviam ser.

Neste universo, existem três “Casas” (nesta obra, o termo “casa” é o mesmo que dizermos “família poderosa”) de grande força e importância: a Casa Atreides, a Casa Harkonnen e a Casa Corrino, lar do Imperador Shaddam IV. Ora, acontece que o Imperador tem a certeza absoluta de que a Casa Atreides pode ser uma série ameaça ao seu poder. Porém, está de mãos atadas: se atacar abertamente esta família poderosíssima, arriscar-se-á a ser cilindrado por outras casas nobres, igualmente proeminentes. Se não fizer nada, poderá vir a perder clip_image004o seu trono. É então que Shaddam IV, inteligente e manhoso, toma a decisão de “dividir para reinar”: ao incentivar o Barão Harkonnen a destruir a família Atreides, não só garantirá o seu poder como nem sequer poderá ser acusado de nenhuma matança.

O plano tinha tudo para dar certo. Só que ninguém estava à espera da rebeldia de Paul, o filho de Leto Atreides. Ainda antes de esta personagem ter nascido, corriam rumores e profecias de um futuro Messias (o Kwizats Haderach) que iria repor a paz e o equilíbrio, neste mundo. De tal forma estas profecias assustavam, que a Irmandade das Bene Gesserit, uma ordem de mulheres guerreiras e também detentoras de grandes poderes psíquicos, exigiram que a mãe de Paul só concebesse meninas. É que, segundo os cálculos delas, a Casa candidata ao Messias era a Casa Atreides.

clip_image006E tinham razão: Paul escapa ao atentado, é acolhido por um estranho povo do deserto, os fremen e, a partir daí, a profecia começará a ser não um sonho, mas uma realidade…

Este grande romance sofreu uma explosão de êxito em 1984, quando um génio excêntrico chamado David Lynch decidiu transportar este universo para o cinema. Quem viu o filme, reconheceu de imediato o talento do realizador, mas a obra cinematográfica ficou muito, mas muito aquém da obra literária. Com efeito, para lhe ter sido feita uma justa homenagem, teriam sido necessários três filmes e não um, à semelhança da trilogia d’O Senhor Dos Anéis, de Peter Jackson. Mas Lynch, nessa altura, ainda era um nome quase desconhecido, e poucos quiseram investir no seu projecto, apesar de esta película estar cheia de estrelas famosas dos anos oitenta…

Estranho, bizarro, soberbamente escrito, eis um romance épico que devia estar nas bibliotecas de todo o mundo, privadas e pessoais…

S.C.

quarta-feira, março 11, 2009

Baú da Avozinha

Um Perfume Só Para Mim!!

clip_image003 Há cerca de duzentos atrás, o perfumista era considerado um artista de génio, alguém que criava fórmulas químicas que ofereciam o amor eterno, a fortuna imediata, os favores dos poderosos, a juventude perpétua. O perfumista, nos tempos das grandes monarquias, possuía um poder invejável, a ponto de ser temido na corte e de ter ele próprio a sua legião de admiradores. Mas foi nos princípios do século XX, que a indústria do perfume começou a contemplar também a mulher da classe média, cada vez mais independente e mais vaidosa.clip_image001

Actualmente, vivemos num mundo absolutamente massificado. Não importa se vamos visitar o Irão, o Japão, a Tailândia, a Rússia, a China ou os Estados Unidos da América. Acabamos sempre por encontrar as mesmas marcas de telemóvel, as mesmas boutiques, os mesmos restaurantes de fast food. Vemos os mesmos filmes, as mesmas séries de televisão, os mesmos anúncios publicitários, ouvimos as mesmas músicas, vamos aos mesmos espectáculos e às mesmas lojas. E, claro, compramos os mesmos perfumes.

Talvez seja por isso mesmo que cada vez mais pessoas, fartas de fazer parte de uma cultura de massas, tenha tomado a decisão de criar os seus próprios perfumes em casa. Aliás, quem quer que visite a Internet, depressa descobrirá que as perfumarias caseiras são hoje um fenómeno mundial sem precedentes, de tal forma que os famosos órgãos de perfumista (ver primeira foto) “ressuscitaram”, para alegria de todos os amantes da tradição e da ecologia. Os criadores de perfume voltaram a ser artistas de renome, eternos amantes dos aromas, alquimistas entre o céu e a terra. Nomes como Annick Goutal, Serge Lutens (foto à esquerda) e Patricia de Nicolai circulam pelos salões de beleza, cocktails, exposições, galerias, empresas de cosméticos. E voltaram a fazer algo que já não se fazia há muito tempo: criar um perfume por encomenda.clip_image005

Vamos imaginar que estamos em Paris ou Florença. Se entrarmos no Salon Du Palais Royal ou na Ofissina Farmaceutica de Santa Maria Novella, encontraremos mestres dos aromas que estarão disponíveis para criar o perfume dos nossos sonhos. Primeiro, testarão a nossa pele e averiguarão quais são as notas de perfume que mais se ajustam à nossa epiderme. Há seres humanos que se dão extremamente bem com cítricos, mas não suportam cheiros emadeirados; e há aqueles cujos aromas florais combinam na perfeição com o seu PH, mas não conseguem suportar tons marinhos. Passada esta primeira fase, o/a cliente escolherá o seu aroma. Poderá ser um manjar de canela e pau-rosa, poderá ser uma essência que faça lembrar as estrelas ou uma selva amazónica. E pronto! Aqui temos algo único e pessoal: uma fragrância só nossa, que não existirá em parte alguma do planeta! Sem dúvida que estes perfumes por encomenda serão mais caros do que aqueles que compramos nos supermercados ou perfumarias. Mas o chic é sempre caro…

Para quem não tem dinheiro, mas não lhe falta imaginação, pode começar por construir o seu próprio aroma (há imensos blogs que explicam como fazê-la). Os perfumes são uma ciência, uma arte e um prazer. Não exigem muito tempo (para os amadores, é claro), mas exigem paciência. E são excelentes presentes para oferecermos à família, aos amigos e à nossa cara-metade.

E não há nada mais divertido do que usarmos um perfume feito por nós, que combina com a nossa cara, e que mais ninguém no mundo inteiro tem!

Um Blog que adora perfumes

http://perfumes-etc.blogspot.com/search?q=

Fotos retiradas de:

http://www.mimifroufrou.com/scentedsalamander/2008/06/index8.html

http://memoryanddesire.typepad.com/blog/2008/03/mandy-aftel.html

terça-feira, janeiro 06, 2009

Baú da Avozinha

Florence Nightingale (1820-1910)
Poucos são aqueles que (infelizmente) ainda se lembram do nome desta extraordinária mulher, que mudou o mundo. Não, não foi uma grande compositora, actriz, cantora, política ou cientista. A sua herança neste mundo consistiu em revolucionar, de uma vez por todas, a imagem que as massas e os poderosos tinham dos hospitais e das próprias enfermeiras.
Custa a acreditar, mas antes de Florence, os hospitais eram lugares insuportavelmente sujos, cheios de ratos e de baratas; as janelas dos quartos nunca se abriam, pois havia a superstição de que o ar infectava os doentes (hoje sabe-se que é precisamente o contrário!); as ligaduras dos pacientes ficavam a apodrecer nos seus corpos e só eram trocadas, com muita sorte, uma vez por semana; os lençóis idem; banho, só lá para o fim do mês; os médicos nem se davam ao luxo de lavarem as mãos, o que explicava a gigantesca onda de mortes nestes lugares, particularmente nas salas de parto; fumava-se para cima dos enfermos; ofereciam-lhes álcool para acalmarem as dores; os doentes ficavam junto de outros doentes, espalhando as infecções e as mortes.
Como se não bastasse toda esta horrível descrição, as enfermeiras não eram nem um pouco profissionais: quase todas eram de uma classe muito baixa, sem instrução, analfabetas, e muitas eram mesmo prostitutas. Não é de espantar, portanto, que no século XIX, esta profissão tenha sido muitíssimo mal-vista. Por isso, quando a nossa Florence, uma senhora muito culta da classe alta, contou determinadamente aos pais que se iria dedicar para sempre à carreira da enfermaria, o choque foi tão terrível que, dizem as más-línguas, a mãe nunca mais lhe dirigiu palavra. As senhoras decentes casavam, tocavam piano e falavam francês. Ponto final.
Só que esta nossa heroína era uma mulher de fibra diferente: era uma apaixonada pela matemática e uma feroz defensora dos direitos dos pobres. Foi a sua tenacidade e perseverança que fez dela a mulher revolucionária que hoje conhecemos. Além disso, foi também um ser de muita coragem: quando ficou a par das condições dos soldados na guerra da Crimeia, comprou um bilhete de barco e, juntamente com mais trinta mulheres que conseguiu convencer, dirigiu-se ao campo de batalha. Os soldados deram-lhe um nome: The Lady With a Lamp, a senhora com uma lanterna.
Terminada a guerra, abriu uma escola de enfermagem, foi uma mulher política, estudou muitas novas teorias de saneamento e limpeza nos hospitais, e mudou de vez a reputação das enfermeiras.
Sem ela, os hospitais não seriam o que são hoje…

Para saberes mais sobre Florence Nightingale:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Florence_Nightingale
http://www.florence-nightingale.co.uk/cms/
Para saberes mais sobre a guerra da Crimeia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Crim%C3%A9ia

sábado, dezembro 13, 2008

Baú da Avozinha

Michelangelo Merisi da Caravaggio

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Se existe um artista que representa na perfeição o mito de “que só os loucos é que fazem Arte”, Caravaggio é o exemplo perfeito. Brilhante, genial, controverso, este pintor nasceu na cidade de Caravaggio, no ano de 1571 (daí o seu apelido: Miguel da cidade de Caravaggio) e morreu em 1610. Muito jovem, portanto. O que não é para espantar, tendo em conta o estilo de vida que levava.

Já desde a sua infância, levava a pintura muitíssimo a sério, e todos os estudiosos da sua vida concordam que era um perfeccionista. O seu estudo exaustivo do corpo humano fez com que ele pintasse todo o tipo de seres humanos: jovens e velhos, homens e mulheres, doentes e sãos, amputados e deficientes. Com efeito, a sua procura incessante pela perfeição gerou todo o tipo de boatos sinistros. Um deles foi acusarem-no de “pescar” uma prostituta morta no rio Tibre, para pintar uma das suas obras mais famosas: A Morte da Virgem. Se tal é verdade, não o sabemos. Porém, temos que admitir que a vida deste pintor convidava a todo o tipo de estranhos rumores: Caravaggio era um homem que, quando o desejava, conseguia ser bastante violento. Andava envolvido com pessoas muito duvidosas, frequentava os lugares mais duvidosos e, inclusivamente, teve a sua cabeça a prémio em Roma, por ter assassinado um jovem (não foram poucas as vezes em que ele esteve quase para ser morto por pintores rivais). Em suma: o seu génio e o seu carácter produziam inimigos em toda a parte e muitos poucos amigos.

Porém, ninguém lhe negava o génio e, embora toda a sua vasta obra reflicta o lado triste e amargurado da sua alma, ao mesmo tempo está cheia de uma luz imensa, que parece vir das profundezas. Caravaggio via beleza em tudo e todos, e até o corpo mais deformado, pintado por ele, parecia ter caído do céu. Aliás, o estilo Barroco, que surgiu no século XVII, pelas mãos de Itália, era perfeito para criar a atmosfera que ele desejava para as suas obras: um imenso mar de sombras, quase a engolir um pedaço de sol e um oceano de cores fortes e quentes.

Mas o sol vence sempre…

Deixamos-te aqui uma galeria de retratos deste grande génio.

 Marta e Maria Madalena (2) os jogadores de cartas (2)a negação de pedro (2) abundância Narciso (2)  a anunciação (2)

Link para saberes mais do estilo Barroco:

http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/historia/historia_trab/barroco.htm

sábado, dezembro 06, 2008

Baú Da Avozinha

Os Gabinetes/Armários Das “Curiosidades”

clip_image002 Nos inícios do século XXI, custa-nos a acreditar que museus, como o nosso Museu De História Natural ou o famoso e grandioso American Museum Of Natural History (Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque) tenham começado precisamente desta forma: com o contributo de uns tantos milionários ociosos e excêntricos.

No entanto, temos que perceber uma coisa: a Ciência, como hoje a conhecemos, ainda se encontrava no início. Não eram necessários diplomas e cursos profissionais para se fazer História. A Arqueologia, por exemplo, está cheia de historietas de condes, duques e milionários, que faziam descobertas fabulosas, porque eram uns apaixonados pelo Saber ou, simplesmente, porque estavam no sítio certo à hora certa. Mas o “bichinho” da aventura acabava por se entranhar no espírito destes aristocratas…

O que eram, então, os gabinetes ou armários das “curiosidades”? Em 1804, um jovem americano, de nome Delacourte, criou uma moda, entre as classes mais altas: expor as suas colecções “científicas” às visitas ou pessoas importantes. Mas estas colecções já existem desde o século XVI, graças aos Descobrimentos. Eram também conhecidas pelo nome de “Câmara das Maravilhas”.

No que consistiam? Era, no fundo, um enorme acumular de ossos de dinossáurios, corpos de sereias, aves embalsamadas vindas de países desconhecidos, olhos de espécies extintas, etc, etc. Normalmente, elas eram expostas numa espécie de montra em forma de armário (um bocado semelhante às cristaleiras de hoje, com uma pitada de escrivaninha) e causavam sensação e fascínio. Estamos, obviamente, a falar de um tempo sem televisão, Internet, telefone, cinema. Por isso, não é de espantar que o público ficasse emocionado ao ver um pica-pau embalsamado, um ovo de uma espécie já desaparecida, ou até a presença assustadora de uma múmia egípcia no seu sarcófago. Viajar era para os ricos, fim da história. As restantes classes trabalhavam e nunca chegavam a conhecer outras terras e outras gentes. Os nossos antepassados viajavam muito através dos livros, especialmente os de viagem.

clip_image003Obviamente que muitos destes “gabinetes” eram puro lixo: esta gente endinheirada, mas bem-intencionada, pouco ou nada sabia de Biologia, Geologia, Zoologia, etc. Daí o facto de serem facilmente enganados: os nativos dos países que eles visitavam não hesitavam em inventar as maiores petas aos senhores duques, com o objectivo de lhes sacarem uns bons dinheiritos. O que não quer dizer que só havia maus gabinetes: no meio de muita “tralha”, era possível encontrar importantes e fabulosos vestígios arqueológicos de outros tempos e de outras civilizações. Com o tempo, estes armários passaram a ser imensas salas cheias de “curiosidades” e raridades”, e muitos destes donos davam-se inclusivamente ao trabalho de estudá-las, desenhá-las e catalogá-las. A Ciência deve-lhes muito…

clip_image005Delacourte e os seus amigos eram também filantropos: quando se aperceberam de que as suas vastas colecções captavam a curiosidade de toda a gente, não hesitaram em criar “museus”, onde todos, pobres ou não, poderiam ter acesso a elas, a tronco de um cêntimo ou xelim. Houve mesmo autodidactas que criaram estes espaços nas zonas mais pobres da América ou da Inglaterra, na esperança de “educar” as massas mais desfavorecidas.

Porém, o tempo é impiedoso: quando os verdadeiros museus de História Natural começaram a abrir as suas portas ao público, e ainda por cima de graça, os “gabinetes” começaram a perder clientes. Um a um, foram desaparecendo. Ou melhor dizendo, as colecções foram doadas ou vendidas a estes novos espaços.

Nos andares mais baixos (e raramente visitados) do Museu Americano de História Natural, existem centenas de “gabinetes” doados. Esta grande instituição criou o hábito de acumular tudo o que tem adquirido, ao longo dos anos. Além disso, estes “armários de curiosidades” são uma parte da história do museu. Destruí-los, seria negar o seu passado.

Foi no ano de 2002 que dois escritores norte-americanos (Douglas Preston e Lincoln Child) criaram um livro policial, precisamente à volta destas colecções, de nome “O Gabinete das Curiosidades”. O sucesso foi tão grande, que muitos nova-iorquinos pediram ao seu Museu de História Natural para fazer uma gigantesca exposição, tendo como tema este pedaço fascinante da história do século XIX. Mas o seu desejo ainda não foi atendido…

Link para saberes mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabinete_de_curiosidades

S.C.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Baú da Avozinha

Syd Barrett- Antes de Enlouquecer de Vez

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É muito simpático da tua parte

Pensares que eu estou aqui

Mas sinto-me forçado a dizer-te

Que não estou aqui.

E nunca pensei

Que um quarto pudesse ser tão triste,

E nunca pensei

Que um quarto pudesse ser tão grande,

E agradeço-te o facto de teres deitado fora

Os meus sapatos velhos

E de me teres trazido para aqui

Vestida de vermelho.

E pergunto a mim mesmo:

Quem está a escrever esta canção?

Há músicas que nos arrepiam e que nos entristecem, no preciso instante em que as ouvimos. Como, por exemplo, All Apologies, dos Nirvana, canção esta escrita (hoje sabemo-lo) semanas antes de Kurt Kobain cometer suicídio. É como se, só depois da tragédia, todo o seu verdadeiro sentido fosse finalmente desvendado. São músicas com uma história e um final tristes. Ora, Jugband Blues, de Syd Barrett, é uma delas.

Extraordinariamente talentoso, extraordinariamente genial, extraordinariamente electrizante, Syd teria ido muito, muito mais longe do que foi como músico, se não tivesse escolhido o caminho das drogas, particularmente a LSD. Há quem diga que Barrett já possuía uma esquizofrenia latente, e que as drogas mais não fizeram do que despoletar um problema que já nascera com ele. Seja verdade ou não, Syd foi para férias e quando voltou, dias depois, estava à beira da loucura.

A partir daí, foi a queda. São inúmeras as testemunhas que assistiram horrorizadas a um génio que, no cimo do palco, ficava imóvel durante todo o espectáculo, não tocando um acorde da sua guitarra, não cantando, não fazendo nada. David Gilmour, que tinha sido contratado para o grupo com o objectivo de manter o seu amigo de infância “debaixo do olho”, não teve mesmo outro remédio se não substituí-lo de vez.

Jugband Blues foi a última canção escrita para o grupo que ele, ironicamente, fundou: os lendários Pink Floyd. Syd sabia que estava a enlouquecer de vez, sabia que a sua vida nunca mais seria a mesma, que gastaria os seus dias fechado na sua casa, hiper-protegido pelos seus familiares. Numa questão de meses, envelheceu anos, perdeu o brilho electrizante nos olhos. E tudo isto foi captado pela câmara que o filmou pela última vez.

Jugband Blues não é uma canção feliz, é uma canção de despedida. Syd está nitidamente a dizer adeus a tudo e todos. E a banda filarmónica que o acompanha no vídeo está tão louca como ele.

Termina, assim, a despedida:

Não me interessa se o sol não brilha,

Não me interessa se nada é meu,

E não me interessa se me sinto nervoso ao pé de ti,

Farei o meu amor no Inverno.

E o mar não é verde,

E eu amo o mar,

E o que é propriamente um sonho?

E o que é propriamente uma piada?

Syd Barrett morreu em 2006.

Pela segunda vez.

http://br.youtube.com/watch?v=yuL1CCJqHEc

sábado, novembro 15, 2008

Baú da Avozinha

It’s Oh!!! So Bollywood!!!

Quando os indianos dizem “Vamos passar a tarde no cinema!”, é MESMO passar uma tarde no cinema! Os filmes, até recentemente, costumavam ser bastante longos, e duravam no mínimo umas quatro horas.

Mas de onde vem o nome “Bollywood”? Quando a Índia decidiu criar a sua própria fábrica de filmes fez, obviamente, uma homenagem à cidade de Hollywood, em Los Angeles, terra do cinema americano. “Bolly” é um diminutivo da cidade de Bombai, também conhecida como Mumbai.

Esta indústria de cinema é a ÚNICA que é capaz de competir com a americana: a Índia é a única nação do mundo inteiro que consome mais filmes caseiros do que estrangeiros. De três em três meses, uma grande obra (estamos a falar, é claro, do tamanho!) sai para as salas, e tempos houve em que se fazia um filme por dia! Quanto aos actores, estes são venerados como se fossem deuses.

Um pormenor interessante: quase nenhum actor ou actriz canta. Quem o faz, é uma outra poderosa indústria de cantores, compositores e músicos, que dobram as vozes das estrelas.


Grandes e Geniais Filmes

À semelhança de Hollywood, 90% do que Bollywood faz é puro lixo, e serve para entreter e vender, nada mais. Porém, há obras cinematográficas que ficaram para a história da Índia. Conheçamos algumas:


Mughal-E-Azam (Príncipe dos Mogois) -1960


Esta foi uma das obras cinematográficas mais famosas, mais brilhantes e mais rentáveis da indústria de Bollywood. Baseada numa lindíssima história de amor entre um poderoso príncipe e uma simples dançarina, tudo neste filme é lindo: desde a perfeita banda sonora de Naushad, até à esplêndida câmara de Raj Kapoor (há muito de Eisenstein aqui), e terminando nas coreografias, vale a pena ver esta jóia do cinema. Ficou “no ar” durante 15 anos e, em 2002, foi apresentado, para grande delícia dos portugueses, no FantasPorto.



Apresentamos-te a famosa cena, em que as duas rivais do príncipe decidem fazer um duelo cantado. E claro que ganha a dançarina!


http://br.youtube.com/watch?v=yGDh4tPJov8&feature=related



Mother Índia (Mãe Índia) - 1957


Outra obra-prima do cinema indiano, este filme conta a vida trágica e injusta de muitos camponeses que, ainda hoje, lutam por um pedaço a mais de terra, de forma a poderem aliviar a sua pobreza e conseguirem, assim, alimentar a sua numerosa família. Esta Índia é encarnada pela personagem de Radha que, devido a um casamento azarado, entra num ciclo de pobreza que afectará todos os seus filhos. Futuramente, terá inclusivamente que matar um deles (agora um homem violento e vingativo) para salvar a honra da família. Uma espécie de “Mãe Coragem” indiana…

Deixamos-te uma das canções mais famosas deste filme.



http://br.youtube.com/watch?v=yNFPjvT5PJM



Kisna, O Poeta Guerreiro – 2005



A história toma lugar nos anos quarenta do século passado, precisamente na altura emque os nacionalistas indianos exigem a independência do seu país, e expulsam, assim, os ingleses.
No meio destes tumultos e revoltas, uma mulher inglesa torna-se vítima do racismo e da intolerância. É então que Kisna, contra tudo e todos, decide protegê-la e abrigá-la na sua própria casa. No entanto, ele sabe que a sua amiga não poderá ficar na sua vila para sempre. É então que decide fazer-lhe uma escolta e levá-la à embaixada inglesa mais próxima, em Nova Deli.

Nasce entre eles uma terna atracção…

A ouvir com atenção a excelente banda sonora, composta por A.R.Rahman.



http://br.youtube.com/watch?v=nC-5KJ2EGOo&feature=related



Paheli (Dilema) – 2005



Um pormenor interessante: aqueles que estão a narrar esta história são marionetas, não humanos.

Esta comovente narrativa fala de um fantasma que, vagueando pela terra, apaixona-se profundamente por uma bela mulher, cujo marido anda desaparecido. Ao saber de tal notícia, decide reencarnar num corpo igualzinho ao do cônjuge “desaparecido em combate”. Mas como a ama a sério, não é capaz de lhe mentir, e confessa-lhe a verdade. Ao princípio a sua amada sente-se confusa. Porém, ele é TÃO bom e delicado para ela, que decide aceitá-lo.

É então que o verdadeiro marido, ao saber que a sua esposa está grávida, retorna a casa…

Excelente banda sonora de MM Kreem.



http://br.youtube.com/watch?v=Mg5DkTicnyM



Sarkar Raj (O Reino do Chefe Supremo) – 2008



Para quem acha que Bollywood é só saris, repuxos, grandes dramalhões amorosos e lindas mulheres cantando, este filme pode ser uma surpresa para os europeus.

Digamos que é uma espécie de Padrinho indiano: Subhash, um mafioso, dono de um enorme poder, deixa-se convencer pelo seu filho Shankar acerca dos benefícios de uma planta poderosa, tão poderosa que pode diminuir fortemente a fome na Índia. Renitente, embarca neste projecto muito pouco comum para o seu tipo de negócios.

Mas as lutas entre famílias, assim como as ligações ao poder político, custarão a vida do seu filho…

Muitíssimo bem realizado, o compositor (Babi-Tutul) foi escolhido a dedo e imprime na película uma atmosfera de constante mal-estar e más premonições.



http://br.youtube.com/watch?v=mcxsOqpckPM


Se as sinopses destes filmes conquistaram a tua curiosidade, aconselhamos-te a ler um pouco da história do cinema indiano.




http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_da_%C3%8Dndia


quinta-feira, novembro 06, 2008

Baú da Avozinha




Os OVNIS Existem????





A análise de Mike Reed




Serão OVNIS? Os extraterrestres vieram à terra? Deus está a mandar-nos uma mensagem? Vem aí o fim do mundo?
Seja lá o que for, a verdade é que o mistério dos círculos nas searas continua a dar muito que falar, e tem vindo a confundir e maravilhar todos nós, desde o cientista até ao religioso, desde o céptico até aos mais indiferentes.
Toda a gente já os viu em fotografias: estranhos círculos maravilhosamente “desenhados”, maravilhosamente concebidos em searas, sabe-se lá como ou pela mão de quem. A verdade é que os cientistas estão confundidos: se fossem feitos pelos humanos, haveria sem dúvida, presença de pegadas nos círculos maiores (nenhum homem ou mulher ainda aprendeu a levitar!), nem conseguiriam nunca desenhá-los com uma perfeição prodigiosa e absoluta. Além disso, as espigas de trigo não foram cortadas, foram dobradas em forma de espiral. Segundo o Courrier Internacional, os caules apresentam deformações estranhas e o ar em volta das searas está, muitas vezes ionizado. Se existe um fenómeno que “talvez” possa explicar a existência de vida extraterrestre, este é um deles.
Claro que já vários cientistas tentaram dar as suas explicações: voos rasantes de helicópteros; adolescentes brincalhões que, à noite, decidem gozar com o pagode. Claro que alguns círculos mais simples são puras fraudes e os engraçadinhos já confessaram a sua partida, mas sabe-se hoje que não foram eles que desenharam os padrões mais complexos e mais belos.
Agora, um cientista chamado Mike Reed, após analisar matematicamente um destes círculos, chegou à extraordinária conclusão de que neles está integrado o número Pi, ou seja, o número mais matematicamente improvável e indivisível de toda a história do planeta e da Humanidade. Basicamente, o Pi consegue matematicamente explicar a razão porque um círculo nunca pode ser um quadrado. Em cada sector dele, e partindo do sentido dos ponteiros do relógio, Mike colocou uma cor e um número. Descobriu, maravilhado, que a sua teoria estava certa: os círculos das searas possuem esse estranho e indivisível algarismo!!
Este número é tão perfeito e tão irracional que, muitas vezes, está ligado a Deus. Dizem os religiosos (e também muitos filósofos) que este algarismo (3, 1415926) existe em todos os objectos do planeta Terra, desde a bela concha até à delicada folha de uma planta, desde a pedra até ao quadro da Mona Lisa.
Voltamos ao primeiro parágrafo: será que os OVNIS existem? Será que é uma mensagem de Deus? Será que são só adolescentes criativos? Será que o fim do mundo vem aí? Façam as suas apostas, senhoras e senhores. Mas, até lá, deliciem-se com este fenómeno. Pode ser estranho, mas lá que é belo, é!

Link para o número Pi:

http://www.esec-emidio-navarro-alm.rcts.pt/mar_da_palha_15/numero_pi.htm



S.C.