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quarta-feira, outubro 23, 2019
Livro(s) da Semana Os Jogos da Fome, Suzanne Collins
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
Livro do Mês

Sempre que ouvimos falar das palavras “romântico” ou “romantismo”, a primeira coisa que nos vem à cabeça é uma série de cantores piegas e sentimentalistas, trauteando melodias cheias de corações farfalhudos, perante uma plateia de admiradores composta mais por membros do sexo feminino do que do masculino. E, de certa forma, é verdade: o movimento romântico esteve bastante ligado a este grande sentimento, que move toda a Humanidade, e que ainda hoje não consegue ser explicado e descrito.
segunda-feira, novembro 11, 2013
Novos e fresquinhos booktrailers!
Agora que o Natal está quase à porta, aconselhamos os nossos leitores a darem uma espreitadela a estas refrescantes novidades literárias. Num país mergulhado pela crise e pelas preocupações diárias, não há nada melhor do que proporcionarmos às pessoas que amamos a oportunidade de estas fugirem um pouco do marasmo da realidade e poderem visitar outros mundos e outras vivências, através da alegria da leitura!
A estratégia é simples: estimula-se a curiosidade da leitura através das técnicas cinematográficas. E embora muitos dos bestsellers acabem por ser adaptados para cinema, a verdade é que uma hora e meia de entretenimento numa sala escura não exclui o prazer de ler uma história ao pé de uma lareira ou numa praia.
Aqui vão três sugestões bem estimulantes para a nossa imaginação.
O Inverno do Mundo – Ken Follett
O orfanato da senhora Peregrine para crianças peculiares – Ranson Riggs
Jogos Vorazes – Suzanne Collins
Imagem retirada daqui
sexta-feira, novembro 02, 2012
Frankenweeniee
terça-feira, março 13, 2012
Livro da semana
Uma questão de cor, de Ana Saldanha
Eu não tenho nada contra os pretos, mas…
Eu até tenho amigos pretos, mas…
Enfim, eles lá são assim…
Está-lhes no sangue a música, não é? Isso já vem de longe, vem dos tambores das selvas…
Coitadinhos, eles precisam de quem tome conta deles. Os pretos até têm muitas qualidades, mas…
De todos os tipos de racismo existentes, o paternalismo é o pior de todos, e é sem dúvida o mais difícil de combater. “Racista, EU?????”, é a resposta chocada e indignada que este tipo de humanos profere, assim que são acusados de discriminar alguém que não seja da sua raça. Na verdade, a esta gente nem lhes passa pela cabeça de que estão de facto a discriminar: se vocês assistirem ao brilhante filme As Serviçais, do realizador Tate Taylor, encontrarão exatamente este tipo de mentalidade, e o mais chocante de tudo é verificarmos que estas mulheres americanas brancas de uma América (quase) desaparecida estão plenamente convencidas de que são muito “progressivas” e muito amigas dos “pretinhos”.
Ora Portugal não escapou nem escapa à regra: a memória de um império colonial português ainda está bem viva no nosso subconsciente, e não é por termos deixado as nossas colónias que, de um momento para o outro, passámos a ter uma mente mais aberta. Afinal, passaram-se menos de quarenta anos desde o 25 de Abril de 1974, e ainda precisamos de percorrer um longo, longo caminho. Com efeito, por detrás da aparência do “bom patrão branco”, a história do século XX está cheia de relatos de maus-tratos aos negros em nações como Angola ou Moçambique. Os portugueses foram, sem dúvida, mais moderados do que os ingleses ou os espanhóis, mas não fomos nem simpáticos nem igualitários.
Um Questão de Cor aborda precisamente estes dois tipos de racismo: o descarado, frontal e mais honesto (Vai para a tua terra! Estes pretos não fazem nada!, etc”) e o escondido, nunca assumido (Eu não sou racista, mas…). As duas personagens principais – Nina, a prima branca e Daniel, o primo negro – vão ter que aturar muito insulto e muita discriminação, e o racismo virá de todos os lados, até de quem menos se espera. É o caso de uma das professoras de Nina, que nem quer acreditar que uma branca possa ter um membro da família que seja negro, e virá também… da própria Nina, que se acha muito “práfrentex” e que, só muito mais tarde, se aperceberá que também ela é preconceituosa. Na verdade, a reputação de Portugal como sendo um país de brandos costumes e muito cosmopolita sai bastante chamuscada desta história. A imagem dos portugueses não é nem um pouco simpática.
Escrito para uma audiência de adolescentes, este pequeno livro é, no entanto, uma boa forma de abordarmos a questão da discriminação e deverá ser lido por todos, até por adultos. Ou muito me engano, ou muitos portugueses, já pais e mães, se reconhecerão facilmente em algumas das personagens que habitam esta obra literária juvenil…
As ilustrações são da autoria de José Miguel Ribeiro, um dos grandes ilustradores de nacionalidade portuguesa e que (nem de propósito…) estará na nossa escola até quinta-feira a realizar um workshop de animação à turma do Curso profissional de animação (2D3D).
terça-feira, janeiro 17, 2012
Livro da semana
O Misterioso mundo dos oceanos, de Frank Schätzing
A vida não teria sido possível sem os oceanos. E não seria possível, pois mais de 70% do oxigénio do nosso planeta provém dos mares e não das árvores. De facto, muito se fala da aniquilação da Amazónia, mas quando nos deparamos com esta verdade, o chão parece que desaparece dos nossos pés. É arrepiante pensarmos que estamos a destruir a vida nestas imensas águas e, por exemplo, os famosos corais – que se encontram em vias de extinção – são uns dos grandes pulmões da Terra.
Ecologias à parte, este é um livro que, embora também enfatize a necessidade de preservarmos o pouco que ainda resta da mãe natureza, dedica-se, acima de tudo, a relatar com paixão e emoção esse mundo maravilhoso e misterioso que são os oceanos. E que bem que ele narra a sua história!: Frank Schätzing, para quem adora ler livros de divulgação científica, já é um nome conhecido nas livrarias de todo o mundo. Foi ele quem escreveu a obra O Quinto Dia, que especula o que teria acontecido ao planeta Terra se este não possuísse um satélite chamado Lua. O autor bem que podia escrever argumentos para cinema: os seus livros são vívidos, sempre cheios de ação, mas nunca perdem a sua seriedade, baseando-se sempre em fatos científicos comprovados e aceites por carolas vindos de comunidades como a NASA ou o CERN.
Schätzing não brinca em serviço. O seu objetivo é educar as multidões, ao mesmo tempo em que as entretém. Esta obra é, com efeito, uma verdadeira injeção de sabedoria, e pode ser lida por qualquer um, desde a humilde dona de casa com apenas o quarto ano de escolaridade até ao físico genial que trabalha no LHC, a máquina mais gigantesca do planeta.
Provavelmente um dos capítulos mais fascinantes deste livro é aquele que é totalmente dedicado às profundezas do mar. E, caso vocês não saibam, sabe-se muito, muito pouco sobre esse estranho universo. De facto, foi só há cerca de 30 anos que a Humanidade conseguiu criar tecnologia suficientemente eficiente para estudar as zonas mais profundas dos nossos oceanos. E o que se anda a descobrir é fantástico: para quem gosta de ficção científica, o que se vê na escuridão total das águas é mais bizarro e mais belo do que as histórias da série Star Trek têm para nos encontrar! Não é por acaso que o filme Avatar está cheio de plantas e florestas que brilham no escuro: James Cameron, o realizador deste filme, foi buscar muita inspiração às espécies “alienígenas” que se encontram no fundo do mar (ver foto no cimo deste artigo).
Belíssimo e divertido, este livro é um must da divulgação científica.
Imagem retirada daqui
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Livro da Semana
A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick
Já tínhamos, há uns meses, falado no nosso blog de autómatos mágicos, verdadeiros brinquedos que causam sempre fascínio nos miúdos e graúdos. Desta vez, vamos falar de um livro que gira à volta de uma destas fantásticas máquinas.
O filme já está à porta e já foi estreado nos Estados Unidos da América, mas isto não é desculpa para não se “ler” o livro. E dizemos “ler” entre aspas porque A Invenção de Hugo Cabret é um livro em que a imagem e o movimento são tão ou mais importantes do que a palavra em si. Aliás, tendo em conta que esta maravilhosa obra-prima do género fantástico vive muito da imagem – para todos os efeitos, não passa de uma deslumbrante banda desenhada – quase que nem faz sentido transpor esta história para a sétima arte. Com efeito, as duas horas de cinema gastas numa sala 3D mais não são do que uma cópia decalcada deste romance fabulosamente ilustrado, romance este que, ironicamente, é uma homenagem à 7ªa arte, mais particularmente uma homenagem àquele que é considerado o pai do cinema fantástico, Georges Méliès. Daí que todas estas 500 páginas nos façam lembrar mais um filme do que propriamente a literatura no seu estado puro.
Falemos um pouco deste livro: Hugo Cabret vive no ano de 1931 e parece ser um menino como tantos outros, mas as aparências iludem: para além de adorar relógios e de querer sempre consertá-los, Hugo vive numa estação de comboios e é um ladrão. Rouba carteiras, faz favores, manda recados, enfim, pequenos crimes para crianças sozinhas e meio-abandonadas. Rouba, sobretudo, peças de relógios e de máquinas estragadas, pois o seu sonho é consertar um maravilhoso brinquedo que está avariado: um autómato sentado numa cadeira, de pena na mão, pronto a escrever uma mensagem qualquer num pedaço de papel. E Hugo é curioso, muito curioso. Por isso mesmo, não descansará enquanto não voltar a dar “vida” ao boneco, pois está ansioso para saber que “recado” é que esta máquina tem para lhe dar. É que, viremos a saber mais tarde, este androide está ligado ao seu passado…
Este é um livro de 500 páginas que se lê numa só tarde. É mais imagem do que palavra, porém, não se iludam: a boa banda desenhada é sempre aquela que está ligada a uma boa história. E este romance é uma excelente viagem ao mundo dos sonhos.
A Invenção de Hugo Cabret, Booktrailer
A Invenção de Hugo Cabret, Trailer do filme
terça-feira, dezembro 13, 2011
Livro da semana
Proteja o seu filho do Bullying, de Allan L. Beane
Finalmente este assunto começa a ser debatido em Portugal. Já não era sem tempo. Finalmente os pais já podem chegar a uma livraria ou biblioteca, e requisitarem leitura apropriada para este assunto. Finalmente as escolas já começam a fazer palestras e cursos práticos acerca deste tema para pais, professores, funcionários e alunos. Finalmente os jornais e as televisões já mencionam este problema. E estão a levá-lo a sério. Finalmente.
Deixemos uma coisa bem clara: “gozar com o colega”, “fazer queixinhas”, dizer piadas parvas e, de vez em quando, acabarem todos à batatada é, sem dúvida, “coisa de crianças”. É certo e sabido que todos os meninos e meninas deste mundo hão de, um dia, ter as suas quezílias com os amigos ou inimigos e, cedo ou tarde, haverá um ou outro confronto. Se isto já acontece com adultos, mais ocorrerá entre as crianças, que só agora é que estão a aprender as regras de bem conviver numa sociedade. Mas há uma diferença colossal
sábado, dezembro 03, 2011
Estante do mês – Religião e Moral
Uma vez que o Natal está à porta, esta é uma boa ocasião para nos debruçarmos sobre as religiões e várias fés que existem neste planeta. E na nossa biblioteca não faltam livros e videos relacionados com este tema: desde o Xamanismo ao estudo do Budismo; desde o Islamismo ao Judaísmo; desde o Hinduísmo aos deuses africanos; desde o Panteísmo ao Deísmo; desde o Ateísmo às grandes discussões morais e éticas da Humanidade; enfim, não nos falta nada.
Já agora, e a título de curiosidade: sabem quantas religiões existem atualmente no nosso planeta? Há 22 religiões “maiores” que se encontram de boa saúde, mas pensa-se que haja mais de 60, sem falarmos das mais de 100 fés que são consideradas “seitas”, e não “religiões”.
Para saberes mais… aqui:
Imagem retirada daqui
segunda-feira, novembro 21, 2011
Livro(s) Da Semana
As crónicas do gelo e do fogo, de George R.R.Martin
Já toda a gente deve ter ouvido falar da Guerra dos Tronos, mas é possível que muitos pensem que se trata de uma série de televisão e nada mais. Não podem estar mais enganados: As crónicas do gelo e do fogo, que já vão no volume V e terminam no VII, têm sido consideradas, na opinião de muitos, como uma das séries do género da Fantasia mais estupendas que alguma vez na vida foram concebidas.
Antes de torcerem o nariz à simples menção da palavra “fantasia”, convém que vocês reparem em alguns pormenores: o mundo de George R. R. Martin, ao contrário de muitas histórias fofinhas e quiduxas passadas em reinos mágicos, focam o lado mais negro de uma Idade Média imaginária: os reis são tudo menos exemplos a seguir; as princesas e rainhas não são nada purinhas e virgens; os cavaleiros, em vez de serem Aragorns e Harry Potters, são monstros que pilham, matam, violam e se engolem uns aos outros; a religião é motivo de problema e nunca motivo de prazer; o povo não passa de um conjunto de escravos servis, vítimas da fome e da guerra, e constante alvo da ganância e maldade dos senhores das terras; os casamentos não passam de jogos de xadrez, e as famílias reais devoram-se umas às outras. E no meio desta chacina imperdoável, - excetuando os sobreviventes da Casa Real Stark e os soldados desgraçados que vivem nas muralhas, e que tentam defender um mundo em ruínas – ainda ninguém se apercebeu que o Inverno está à porta, irá durar anos intermináveis, e ninguém se preparou para o inferno que aí vem, pois os vários reinos estão todos ocupados a morderem-se e ferirem-se uns aos outros, em vez de tomarem medidas sensatas para a sua sobrevivência.
As crónicas do gelo e do fogo são uma condenação feroz à maldade e estupidez humanas, mas são também um elogio a todos os humanos que, perante a barbaridade a maldade, conseguem, de alguma forma, manter um mínimo de pureza e de honra nos seus corações. É o caso da Casa Real Stark, que irá pagar um preço muito caro por tentar justa e honesta. No entanto, a esperança é a última a morrer: os filhos sobreviverão, separar-se-ão e cada um será uma peça-chave para a o futuro deste mundo imaginário.
Avisamos já que, no início, o leitor vai ter dificuldades em tentar descobrir quem é quem: as personagens são tantas que, por vezes, é necessário ir ao índex e apanhar o fio da meada. No entanto, há já muito, muito tempo que não se via uma saga tão bem escrita e tão profunda.
Ao contrário de muitas editoras, a nossa Saída de Emergência optou por dividir cada volume em dois, precisamente para evitar que o tamanho gigantesco dos mesmos pudesse assustar e afastar potenciais leitores. A nossa escola adquiriu apenas os primeiros três “capítulos”. Porém, se vocês estiverem interessados em continuar a ler a saga (ainda não terminou!!), peçam à biblioteca que compre os próximos.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Estante Do Mês - Matemática
Como já vem sendo hábito, todos os meses dedicamos uma série de livros a um determinado tema e, desta vez, escolhemos a disciplina de Matemática.
Por que motivo este assunto é sempre visto por todos nós como sendo uma coisa terrivelmente aborrecida? E por que é que tem que ser aborrecida? E, no entanto, os números estão em toda a parte. Caso não tenham reparado, não há conversa alguma no planeta que não mencione uma data, uma quantidade, um pensamento abstrato. E eles estão em toda a parte: nos elevadores, nos carros, nos telemóveis, no nosso frigorífico, no nosso computador, no nosso andar, na nossa bicicleta, nos nossos sapatos, no teto das nossas casas, entre muitos outros exemplos.
Por fim, a linguagem universal, a linguagem do Cosmos, é a Matemática. Por isso, se algum extraterrestre decidir contatar-nos, podem ter a certeza absoluta de que será através de números e não através de uma língua.
Por isso, goste-se ou não, a Matemática é um passaporte para a sabedoria. E impõe muito, muito respeitinho…
quinta-feira, novembro 10, 2011
Livro Da Semana
Oliver Twist, de Charles Dickens
Este artigo já vem tarde (normalmente publicamos o livro da semana às segundas-feiras) mas nunca é demais referir a importância de uma obra que mudou o olhar que temos das crianças.
Já foi há mais de cem anos que este romance foi publicado e, no entanto, ainda é bastante atual. De facto, só muito recentemente é que começámos a olhar para as crianças não como sendo adultos em ponto pequeno mas como seres que, por muito estranho que nos pareça, possuem um raciocínio próprio e olham para o mundo de uma maneira completamente diferente da dos adultos. As investigações e observações de Jean Piaget, no início do século passado, vieram confirmar precisamente aquilo de que os pedagogos há já muito tempo desconfiavam.
No caso de Oliver Twist, assistimos a uma Inglaterra miserável, inundada de pobres, pedintes, ladrões, toda a casta de criminosos. Mais grave ainda, as próprias instituições, que supostamente deviam contribuir para o conforto da criança, nada mais fazem do que deixá-la ao abandono ou tirarem proveito dela. Charles Dickens bem o afirma no seu prefácio: pretende mostrar a realidade crua do dia-a-dia, e não enveredar pela típica imagem romântica do criminoso, que tantas vezes era usada nas peças de teatro de então.
Charles Dickens escreve com uma lucidez perturbante e o seu olhar é o de um cirurgião moralista. “Atira-nos à cara” aquilo que os políticos e as classes favorecidas não querem ouvir, e explica, quase passo a passo, como é que se educa um ser humano para se transformar num criminoso. Demonstra a corrupção, estupidez e inaptidão dos asilos ingleses; critica a falsa moralidade das baby-sitters, que usam a desculpa esfarrapada de que “devemos disciplinar uma criança” para esconder o facto de que essa “disciplina” nada mais é do que meter dinheiro ao bolso; refere a incompetência ou até mesmo impotência das autoridades; e, por fim, termina o livro afirmando que a melhor maneira de educarmos uma criança é simplesmente dar-lhe o óbvio: comida, educação e amor.
Muito se pode dizer sobre os direitos de todos os meninos deste mundo. Este livro é uma prova do quanto já evoluímos… e do quanto ainda há para fazer.
terça-feira, outubro 18, 2011
Livro Da Semana
Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe
Continuando o nosso percurso no mundo do fantástico e do terror, não podíamos nunca ignorar aquele que é considerado, na opinião de muitos, como sendo o melhor escritor de contos de terror e de mistério da história da literatura: Edgar Allan Poe.
Conhecendo um pouco da sua vida pessoal, não é de surpreender que o seu olhar sobre a Humanidade tenha sido tão pouco otimista: foi abandonado pelo pai e, pouco depois, a sua mãe morreu de tuberculose, uma doença bastante comum no século XIX. A partir daí, passou a ser educado pela abastada família Richmond, um casal rico que, porém, nunca formalizou a sua adoção. Apesar de tudo, não se pode dizer que lhe tenha faltado nada, pelo menos em termos materiais: teve uma instrução requintada e foi aluno de excelentes professores. No entanto, o seu “pai” adotivo tanto mimava o seu filho como o castigava com muita agressividade. Não é de espantar, portanto, que este espaço chamado “casa” não seja nunca descrito nos seus contos como um lugar de refúgio e de paz: Muito pelo contrário, é nesse espaço privado que grandes horrores se escondem e rastejam no escuro.
O abandono do pai será, na opinião de muitos críticos, o maior trauma da sua vida, e Poe morrerá pensando sempre que “está a mais” neste mundo. Para esconder esta insegurança, “mascara-se” de jovem rebelde inquieto, algo que lhe trará muitos dissabores como, por exemplo, meter-se em constantes dívidas por causa do jogo. Aliás, o seu constante desnorte com o dinheiro será o pão nosso de cada dia: crivado de dívidas ao jogo, terá que abandonar a universidade, pois o seu pai adotivo já não está – e com toda a razão – disposto a aturar mais os caprichos do seu filho. Como consequência, esta “injustiça” por parte do seu tutor levará a um distanciamento entre os dois, que só será quebrado após a morte prematura da sua mãe… para, quase a seguir, voltarmos ao mesmo: é que John Allan, farto da solidão, casou-se com outra mulher, o que não agradou nada a Poe. Estas discussões foram de tal forma fortes que Edgar Allan Poe acabou por perder o direito à herança e foi viver com o seu irmão mais velho… que morreu de alcoolismo um ano depois.
Depenado e eternamente miserável, há que lhe dar valor numa coisa: Poe nunca fugiu do seu sonho de ser escritor e viveu precisamente disso. Os livros que vendia serviram-lhe para “sobreviver” com muita dificuldade e alguma dignidade. Teve alguns empregos. Porém, ou aborrecia-se e pedia demissão ou era demitido por conduta imprópria (num deles, foi apanhado a beber em serviço). Devagarinho, começou a afirmar-se no mundo da literatura, mas parece que a sua vida não estava destinada a ter sorte: a sua querida esposa Virginia sucumbiu em 1845 à tuberculose, e esta tragédia (mais uma!) na sua curta existência foi um dos grandes motivos da sua queda no mundo do álcool. A partir daqui, Poe caiu numa espiral de autodestruição, ao ponto de, três anos depois, ser encontrado a vaguear nas ruas de Baltimore faminto e delirante. Foi levado com caráter de urgência para um hospital, mas morreria quatro dias depois, a implorar perdão a Deus. Os últimos dias deste grande escritor encontram-se envolvidos em mistério: para começar, as roupas que estava usando não eram as suas. Por fim, antes de falecer, chamou repetidas vezes por um tal “Reynoulds”, e ainda hoje ninguém tem bem a certeza de quem era esse homem, e por que motivo parecia ser tão importante na sua vida. As suas últimas palavras foram: “Deus tenha piedade da minha pobre alma”.
Mesmo depois da sua morte, a sua vida foi fortemente difamada por um crítico, escritor e poeta rival de nome Griswold, que guardava há muito tempo um grande rancor contra Poe. Chegou ao ponto de não só mesquinhamente falsificar cartas supostamente escritas pelo seu rival - onde opiniões horríveis e histórias inventadas revelavam uma personalidade perigosa para a paz pública- como, ainda por cima, escreveu uma biografia fantasiada cheia de mentiras sórdidas, meias-verdades e infâmias que Poe nunca cometera.
Como é que se pode descer tão baixo, perguntam vocês? Mas esta mentira orquestrada, apesar de ter sido denunciada pelos amigos mais chegados de Poe, levou imensas décadas a perder poder. Com efeito, muita gente ainda hoje pensa que este grande escritor era um drogado inveterado, mentiroso convulsivo, destruidor de lares, viciado em prostitutas e em todo o tipo de drogas. Poe sofria, sem dúvida, de alcoolismo, um problema que, pelos vistos, corria nas veias da sua família natural. E, de certeza absoluta, lidava há bastante tempo com essa maldição chamada depressão/loucura iminente. Mas tirando esses dois problemas, era um homem pacato e inofensivo, com os seus ataques impulsivos de frustração e vivendo na constante tristeza de ser pouco amado e reconhecido como escritor. A vida trágica de Poe escorre em todos os seus contos: casas amaldiçoadas; mistérios estranhos; mulheres frágeis e inocentes, vítimas do destino; a presença asfixiante da loucura e do álcool; a injustiça e o medo da solidão; todos os seus fantasmas, com efeito, encontram-se presentes na sua escrita.
Só um homem com um passado destes poderia descrever com tanta mestria o horror do abismo e do medo.
Imagem retirada daqui.
quarta-feira, outubro 12, 2011
Livro Da Semana
Nómada, de Stephenie Meyer
Uma vez que estamos a chegar a passos largos ao dia do Halloween, continuamos a apresentar livros que estejam relacionados com o mundo do Fantástico, da Ficção Científica e do Terror. Desta vez, a obra que apresentamos está mais ligada ao género da Ficção Científica. E, para quem conhece o universo do Crepúsculo, o nome Stephenie Meyer não lhe é nada estranho, muito pelo contrário. Mas desta vez não é de vampiros que iremos falar.
Na opinião de muitos leitores – até dos seus próprios fãs!! – Stephenie Meyer não é uma grande escritora. Na verdade, para quem gosta de um bom romance, o seu estilo literário deixa muito a desejar. Porém, goste-se ou não, esta norte-americana sabe contar uma boa história e sabe prender o leitor da primeira à última página. Além disso, sabe pegar numa ideia velha e “modernizá-la” para os tempos modernos, o que explica a razão por que tantos adolescentes – e até adultos – se identificam com as suas personagens.
A invasão …
segunda-feira, outubro 10, 2011
Livros Recomendados Pelo PNL e Disponíveis Na Biblioteca
Parte II – Ensino Secundário
À semelhança do que foi feito com a lista de livros do 3º ciclo (e ainda falta falar dos livros recomendados pelos manuais do 7º ano!) disponibilizamos já a relação daqueles que foram recomendados pelo PNL no Ensino Secundário e que se encontram disponíveis na nossa biblioteca. Atenção!: o Plano Nacional de Leitura inclui também as obras sugeridas pelos manuais adotados nesta escola).
Estamos neste momento à espera da chegada de mais autores. Pedimos a todos que tenham paciência pois, apesar da grande ajuda monetária que o PNL tem dado às escolas deste país, ainda há muitas obras que precisamos de adquirir, e todos nós sabemos que os livros em Portugal são muito caros. De facto, a não ser que um jornal ou revista decida publicar um “brinde literário” ao preço da uva mijona, não é fácil renovarmos com muita frequência o nosso stock. Por isso mesmo, se houver alguém que queira doar edições à nossa biblioteca, acolheremos todos os vossos presentes com imensa satisfação.
Por fim, não nos esqueçamos também que há edições que se encontram esgotadas há 500 séculos: A Mãe de Máximo Gorki, Spartacus de Howard Fast, Clarisse de Erico Veríssimo e os Contos do Gin-Tonic de Mário Henirque Leiria têm andado neste limbo. Quanto à obra Inês de Portugal de João Aguiar, devido à sua constante procura tem-se mantido sistematicamente esgotada.
segunda-feira, outubro 03, 2011
Livro Da Semana
Aventuras Misteriosas, de Sérgio Franclim
Entrámos no mês de outubro, embora nem o pareça: continuamos a ir à escola com a mesma roupa que usávamos em julho, e continuamos a pedir no bar da escola a nossa fiel garrafinha de água fresca. Era suposto estarmos, neste momento, a antecipar o cheirinho agradável das castanhas e começarmos a fotografar as folhas caindo das árvores. Estes tempos estão estranhos, dizemos. Mas outubro é outubro. É o mês que pressente o outono, o frio… e o dia das bruxas. Por isso mesmo, a biblioteca da nossa escola dedicará estes trinta dias que aí veem ao mundo do fantástico e do misterioso.
Para começar, o livro da semana, durante este mês, dedicar-se-á ao mundo da fantasia, e nada melhor do que começarmos os festejos com um livro que pretende glorificar Portugal e as suas lendas mais entranhadas. Afinal, quem é que nunca ouviu falar dos Cavaleiros Templários, do Rei D. Sebastião, de Fernando Pessoa e os seus três heterónimos? Escrito para crianças entre os oito e os doze anos, esta história cheia de aventuras fala-nos de um rapaz muito especial, vindo de uma terra paralela, cujos governantes supremos têm sido sempre, durante séculos, a Ordem dos Cavaleiros Templários. Este mundo é partilhado por várias raças: anões, gigantes, fantasmas, humanos, todos eles fazem parte deste mesmo espaço e universo. Porém, o seu mundo até agora pacífico, encontra-se ameaçado pelo ódio e pelo desejo de destruição de um poderoso feiticeiro, “o feiticeiro sem nome”. Por alguma razão inexplicável, este inimigo odeia Portugal, e saberemos mais tarde que as terras onde os Cavaleiros Templários vivem foram-lhes ofertadas pelo Feiticeiro Sem Nome. Quem é ele e por que motivo mudou tanto? E o que o fez mudar?
Perante uma força quase invencível, apenas Dinis, o rapaz especial, pode fazer frente ao Feiticeiro: ele é o Cavaleiro Prometido, dono de uma força especial e também possuidor de poderes mágicos. Apenas ele, com a ajuda dos seus dois amigos fiéis – Leonor e Rafael – conseguirá derrotar o maior inimigo que alguma vez existiu neste universo paralelo. E pelo caminho descobrimos que o poeta Fernando Pessoa desempenha um papel muito importante nesta trama; que a Implantação da República prenuncia a tragédia que se abaterá em Mestral, a capital dos Cavaleiros Templários; e que a ilha do Encoberto é o lugar onde o “rei adormecido” repousa.
Escrito para crianças/adolescentes, esta é uma divertida introdução a alguns dos mitos mais famosos da nossa nação.
segunda-feira, setembro 19, 2011
Livro Da Semana
O Menino no Espelho, de Fernando Sabino
Longe vão estes tempos… A história passa-se no século passado, muito antes de existir a internet, o telemóvel, os jogos de computador. O mundo era (ainda) cor-de-rosa, a Humanidade ainda tinha esperança e acreditava em futuros melhores. E neste mundo (ainda) cor-de-rosa, um menino sonhador e apaixonado pela vida - como todas as crianças felizes devem ser – encontrava-se entretido a brincar com as poças de água quando um homem misterioso decide meter conversa com ele. Palavra puxa palavra, criança e adulto trocam adivinhas, riem, contam as suas vidas e estabelecem uma confiança instantânea. E é aí que o mistério se aprofunda:
O homem disse que tinha de ir embora — antes queria me ensinar uma coisa muito importante:
— Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida?
— Quero — respondi.
O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:
— Pense nos outros.
Na hora achei esse segredo meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando me lembrei de seguir, fazendo-me feliz como um menino.
Só no fim do livro é que percebemos quem foi este amigo de apenas um dia, pois este nunca mais voltou. Mas O menino no espelho é uma obra autobiográfica, com umas boas pinceladas de magia e ingenuidade infantil: Fernando Sabino guarda com saudades a criança que foi. Esta criança que ensinou uma galinha a falar, tinha uma sociedade secreta, voava e fazia milagres, falava e brincava com o seu sósia no espelho, apaixonou-se pela sua prima e quis “tramar” o seu namorado. Esta criança encantava-se com aquilo que só uma criança pode compreender e amar:
Quando chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas. (…). Os mais velhos ficavam aborrecidos, eu não entendia a razão: aquilo era uma distração das mais excitantes. (…) Os diferentes ruídos das gotas d’água retinindo no vasilhame, acompanhados do som oco dos passos em atropelo nas tábuas largas do chão, formavam uma alegre melodia, às vezes enriquecida pelas sonoras pancadas do relógio de parede dando horas.
Este livro não é um livro só para crianças, é uma homenagem à infância e a todos aqueles que se recusaram a matar o/a menino/a dentro de nós, e que ainda hoje se encantam com um teto cheio de goteiras ou um dia cheio de milagres. “Pense nos outros”, disse o misterioso homem, antes de desaparecer. E tinha razão: quando pensamos nos outros, aquilo que somos deixa de ser importante. E a criança (ainda) dentro de nós pode voltar a respirar.
Imagem retirada daqui
terça-feira, maio 17, 2011
Livro Da Semana
Eu Sou A lenda, de Richard Matheson
São imensas as histórias que lidam com o fim do mundo, e o chamado Apocalipse ou Revelação na Bíblia não escapa à regra. Mas não pensem que os Judeus/Cristãos são os únicos a sonhar com tal coisa: a data de 2012 vem do calendário Maia e, neste momento, há uma série de maluquinhos que preparam as suas trouxinhas para o mundo do Além. Nos estados Unidos da América, há quem ande a comprar bunkers para se refugiar da “vingança de deus”.
De facto, quase que chegamos a pensar que os seres humanos vivem numa imensa pressa de morrer ou talvez, simplesmente, vivem no terror de serem esquecidos e de passarem à extinção, como milhões de espécies que não conseguiram passar a barreira desse fenómeno chamado Evolução. Por outro lado,
segunda-feira, maio 09, 2011
Livro Da Semana
A Odisseia, Homero
Mas afinal quantas versões, quantos filmes, quantas séries de televisão, quantos peças de teatro já foram feitos para contarmos uma das mais conhecidas histórias da Humanidade, A Odisseia? E por que motivo devemos continuar a aconselhar a sua leitura aos mais jovens?
Em primeiro lugar, a razão é muito simples: esta é uma aventura que, ainda hoje, nos agarra. Tem tudo para dar certo: um herói incrível, fantasia quanto basta, coragem debaixo de fogo, um amor inquebrável, acção de fazer inveja a um filme 3D, deuses à bulha uns com os outros, paixão, perigos que devemos transpor, uma manha bem Humana, a astúcia feminina, monstros a “dar com um pau”…
Segunda razão:
quarta-feira, maio 04, 2011
Livro Da Semana
Manual da Escuridão, de Enrique de Hériz
Como será nascermos cegos? Não conhecermos as cores, o rosto das pessoas que nós amamos, não sabermos qual é o aspecto de um gato ou de um cão, não sabermos qual é a forma de uma árvore, desconhecermos o pálido brilho da Lua, não sabermos que a água cristalina possui uma luz única. Ninguém sabe, a não ser os cegos. E nem mesmo eles conseguem explicar o seu mundo. Este é um mundo de cheiros, sons tacto e olfacto. Tornam-se os seus olhos, à falta “de melhor”. Para eles, é motivo de tristeza mas não de tragédia. Nunca conheceram outro universo senão este universo de sombras e escuridão. Estão habituados.
Porém…


