No âmbito das disciplinas Ordenamento do território e Conservação da Natureza, e acompanhados pelos professores Elizabete Cardoso, Fernanda Silva, Carlos Moreira e Leonor Paiva, os alunos do curso Profissional de Técnico de Gestão do Ambiente da Escola Secundária de Serpa, realizaram, no dia 30 de setembro de 2011, uma visita a locais ambientalmente degradados com o objetivo de elaborar projetos de melhoramentos das condições atuais.
segunda-feira, junho 25, 2012
domingo, junho 24, 2012
Eco-código
No âmbito do concurso eco-código 2012 foi elaborado e enviado um novo cartaz.
Memória descritiva
(1) Alunos do 7º ano foram desafiados pela professora de Português, Maria José Correia, a propor frases para o Eco-Código;
(2) Em Formação Cívica, um grupo de alunos do 10º ano, turma B, selecionou as frases mais apelativas;
(3) A coordenadora convidou o aluno João Pedro Santos, do 12º ano, que se dedica à fotografia, a propor uma das suas para ilustrar o Eco-Código
(4) A mesma responsável selecionou a fotografia que melhor obedecia ao requisitos pretendidos: refletir a desertificação do Alentejo, orientação na vertical, permitir a fácil leitura das frases.
Concepção técnica: aluno João Pedro Santos, 12ºA e professora Leonor Paiva
sábado, junho 23, 2012
Feira de produtos naturais e regionais.
No âmbito do projeto Educar para a Saúde e do programa Eco-Escolas, decorreu à porta da nossa escola, no dia 31 de maio, uma Feira de Produtos Naturais e Regionais, organizada pelos alunos das turmas A e B do 10º ano sob a orientação das professoras Leonor Paiva e Ana Cristina Baptista.
Vejam aqui as fotos do acontecimento !!!
sexta-feira, junho 01, 2012
Dia Mundial da Criança
Hoje decidimos divulgar esta causa porque afinal, e como disse o poeta, “…o melhor do mundo são as crianças.”
Vale a pena conhecer esta iniciativa e, já agora dê uma ajudinha
Descubra também o livro “Resgate” e, se tiver oportunidade, resgate-o para a sua biblioteca !!
segunda-feira, maio 21, 2012
Livro da semana
José Paulo Cavalcanti Filho
Fernando Pessoa - Uma Quase- Autobiografia
A OBRA VISTA PELO AUTOR
«Este livro, pois, não é o que Pessoa disse, ao tempo em que o disse; é o que quero dizer, por palavras dele. Com aspas é ele, sem aspas sou eu (...)»
SINOPSE
«Conheci Fernando Pessoa em 1966, pela voz de João Villaret. Foi o começo de uma paixão que até hoje me encanta e oprime.»
“Enamorado desta figura de romance por escrever e de uma obra imensa que dispensa apresentação, José Paulo Cavalcanti Filho partiu à descoberta do homem que aqui nos dá a conhecer, de corpo inteiro: um Fernando Pessoa multifacetado, homem vaidoso, com dons de inventor e astrólogo, de ambições desmedidas e existência modesta; uma vida banal e triste para uma obra verdadeiramente universal.
Da reconstituição das esferas culturais da época aos pormenores do quotidiano, Cavalcanti decifra a vida por trás das palavras, a solitária multidão de um só Pessoa.”
in Porto Editora a quem agradecemos a oferta desta obra à biblioteca da nossa escola.
segunda-feira, maio 14, 2012
Piza Saudável
No âmbito do projeto Educar para a Saúde, com o objetivo de promover uma alimentação saudável, e com a orientação da professora Leonor Paiva, os alunos da turma B do 10º ano da escola secundária de Serpa, aprenderam a fazer Piza caseira e saudável!
Passeio de BTT
No âmbito do Projeto Educar para a Saúde, com os objetivos de promover hábitos de vida saudáveis e uma alimentação equilibrada, os alunos da turma B do 10º ano da escola Secundária de Serpa, acompanhados dos professores Carlos Azedo e Leonor Paiva, realizaram um passeio de BTT pelos arredores de Serpa.
quinta-feira, maio 10, 2012
Skills Portugal
A nossa escola está a participar neste evento!
O aluno Bruno Madeira, do Curso Profissional de Animação 2D3D, intervém ao minuto e dezanove da reportagem.
quinta-feira, maio 03, 2012
Como seria a vida sem os media?
“No próximo dia 3 de maio, várias entidades ligadas à comunicação e à educação para os media vão lançar, pela 1ª vez, a iniciativa Um dia com os media, que visa promover o espírito crítico e a criatividade relativamente aos meios de comunicação.
A Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura associam-se a esta iniciativa convidando os alunos dos diferentes ciclos de ensino a responderem, através de um slogan, à questão Como seria a vida sem os media?”
Clica na imagem para saber mais!! Participa, alargamos o prazo de entrega, na Biblioteca da escola, até ao dia 10 Maio.
terça-feira, abril 24, 2012
SEMANA DAS LÍNGUAS
24 de Abril de 2012 (3º feira) – 9:45H BlocoD
CONCURSO “The best Apple Pie”
REGULAMENTO
1. Inscrição
§ O período de inscrição decorre entre 19 a 23 de Abril.
§ A inscrição é efetuada após o completo preenchimento da ficha de inscrição.
§ A ficha de inscrição está disponível para cópia e preenchimento na reprografia da escola.
A inscrição deverá ser entregue até às 12h30m do dia 23 de Abril, na Biblioteca da escola junto dos responsáveis da mesma.
2. Condições de admissão
§ Podem participar no concurso todos os elementos da comunidade educativa.
3. Amostras
§ As amostras (tartes) deverão ser entregues pelos inscritos na sala dos funcionários no bloco D, no dia 24 de Abril, pelas 9h45m.
§ A apresentação/ decoração das tartes é critério de avaliação.
4. Júri
§ O júri será constituído por seis elementos (comunidade educativa e convidado externo).
§ O júri analisará sensorialmente e classificará as amostras, preenchendo uma ficha de prova, sendo as amostras analisadas com a garantia de absoluto anonimato.
§ A decisão do júri é final e incontestável.
§ Em caso de empate, o presidente do júri terá voto de qualidade.
5. Prémios
§ A todos os participantes será atribuído um certificado de participação.
§ Será premiado o inscrito cuja amostra seja classificada em 1 lugar.
§ O prémio será divulgado pelas 16h do dia 24 de Abril (Afixado no Bloco D) e entregue na cessão de encerramento da semana das línguas (6ºfeira, 27 de Abril, 16H-CineTeatro de Serpa)
1º Prémio – Alta tecnologia para confeção culinária.
segunda-feira, abril 23, 2012
Hoje é o dia mundial do livro
Os Meus Livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
Jorge Luis Borges, in A Rosa Profunda"
Os Fantásticos Livros voadores
Imagem retirada daqui
quarta-feira, abril 18, 2012
Livro da Semana
O sal da terra, de Miguel Real
Muito já se tem dito e escrito sobre a vida e obra de Padre António Vieira. Aliás, Fernando Pessoa descrevia-o como sendo o “imperador da Língua Portuguesa”. A verdade é que, independentemente de gostarmos ou não dos seus livros e sermões, não podemos deixar de admirar um homem que nunca desistiu de lutar pela justiça e pela verdade, que nunca se calou perante os grandes, que esteve sempre do lado dos injustiçados e dos oprimidos e que confiou cegamente nos potenciais do seu país.
Este era um homem que acreditava ferozmente no papel preponderante da nossa nação, não como opressora bélica, mas como força transformadora e criadora da igualdade de todos, através do poder do Espírito Santo. O Quinto Império, com efeito, foi a grande obsessão da sua vida, a ponto de só lhe trazer dissabores e constantes ataques da Inquisição. Portugal era visto como um farol de luz e sabedoria, o centro do nosso planeta.
Miguel Real, o autor desta obra, decidiu escrever um livro que contasse a vida deste fabuloso jesuíta e, como a contra-capa deste romance afirma, O Sal da Terra descreve a vida aventurosa do padre António Vieira entre o Brasil e Portugal: uma vida farta de sonhos nacionalistas até 1667 e carregada de desilusões até à sua morte, em 1697. Em vida Vieira vê-se a si próprio como o português mais fracassado de todos os tempos – nada do que sonhara se cumpriu, todas as suas profecias se frustraram, todos os seus planos políticos se goraram. Afinal, toda a sua glória foi póstuma.”
Este é um livro que não pretende ser literário. O seu objetivo é proporcionar boas horas de entretenimento e prazer e, como quem não quer a coisa, ficarmos a conhecer o Portugal e o mundo do século XVII. Miguel Real tenta ser cuidadoso na forma como descreve as civilizações deste mundo já desaparecido, e tenta sempre colocar-se na pele de Vieira. Estamos ainda muito distantes da carta dos direitos humanos, do sonho da democracia, da igualdade das mulheres, da liberdade religiosa e do direito à nossa sexualidade.
Olhando para trás, apercebemo-nos que já percorremos um longo caminho, embora ainda falte muito para ser cumprido. O sonho de Vieira era um sonho de cariz religioso e político, o paraíso era cristão e “frescuras” como os direitos dos animais ou a concepção da reencarnação ser-lhe-iam completamente alienígenas. No entanto, ele foi para a sua época um homem que acreditava na dignidade humana, no poder do estudo e dos livros e foi, acima de tudo, um ser humano extremamente moderno e humanista. Como eram, aliás, os jesuítas.
Para quem está a estudar a História de Portugal ou a aventurar-se pelos caminhos do Sermão de Santo António aos Peixes, O Sal da Terra é um excelente cartão de boas-vindas à vida e obra deste grande “Imperador da Língua Portuguesa”.
segunda-feira, abril 16, 2012
Bibliomúsica – Justice
A letra desta canção só tem três palavras: Audio, Video, Disco. E, pelos vistos, chega para incendiar uma discoteca e acordar-nos às sete da manhã com speed para o resto do dia. Os justice são uma banda de dance music que já tem um grupo de ferozes seguidores, e o seu álbum AUDIO, VIDEO, DISCO é um dos poucos exemplos de que a música de dança também pode ter qualidade.
Para começarmos o terceiro período com muita, muita pedalada.
Justice – Audio, Video, Disco
domingo, abril 01, 2012
Experimenta energia
No dia 23 de fevereiro, elementos do Lógica E.M., no âmbito do projeto Experimenta Energia, vieram à nossa escola sensibilizar para a utilização da energia solar. O público alvo foram as turmas do básico da nossa escola, e consistiu numa apresentação de base teórica/fundamentação e outra de demonstração prática/experimental.
sábado, março 31, 2012
Os morcegos são nossos amigos!
Os alunos do curso profissional de técnico de gestão do ambiente da escola secundária de Serpa dinamizaram quatro sessões de sensibilização para a importância dos morcegos junto de quatro turmas do 1º ciclo. Aqui fica o registo da 1ª sessão.
sexta-feira, março 30, 2012
Pesca elétrica na ribeira do Vascão
Introdução: Com os objetivos de aferir o efeito que as barragens de Alqueva e Pedrogão estão a exercer na dinâmica populacional dos peixes que se encontram a jusante, conhecer as espécies autóctones e alóctones da bacia do Guadiana, e conhecer a técnica de pesca elétrica, os alunos do curso profissional de técnico de gestão do ambiente, acompanhados dos professores Carlos Moreira, e em parceria com técnicos do Parque Natural do Vale do Guadiana, participaram numa sessão de pesca elétrica na ribeira do Vascão.
Ficha de acompanhamento
Tal como ditam as regras do Programa Eco-Escolas, a coordenadora, Leonor Paiva, enviou, no passado dia 15 de março, para a coordenação nacional, a ficha de acompanhamento, que inclui o plano de ação para o corrente ano letivo. Assim se divulga o referido documento.
quarta-feira, março 28, 2012
Anilhagem em Serpa
Com os objetivos de identificar espécies de avifauna, compreender o papel ecológico das aves e conhecer a técnica de anilhagem, os alunos do curso profissional de técnico de gestão do ambiente, acompanhados dos professores Carlos Moreira e Leonor Paiva, e em parceria com técnico do Parque Natural do Vale do Guadiana, participaram numa sessão de anilhagem na Herdade do Peixoto em Serpa.
segunda-feira, março 26, 2012
Visita ao Jardim Botânico da Universidade de Lisboa
No âmbito das disciplinas de Filosofia e Biologia e Geologia, e acompanhados pelas professoras Laura Sarroeira e Leonor Paiva, os alunos da turma B do 11º ano visitaram o Jardim Botânico de Lisboa. Foram objetivos desta atividade salientar a importância da conservação da biodiversidade vegetal, realçando o papel fundamental dos produtores nos respetivos ecossistemas.
sábado, março 24, 2012
Observação de borboletas noturnas em Serpa
No passado dia 21 de março, os alunos do curso profissional de técnico de gestão do ambiente, acompanhados dos professores Carlos Moreira e Leonor Paiva, em parceria com os técnicos do Parque Natural do Vale do Guadiana e com um conhecedor de borboletas noturnas, Dinis Cortes, realizaram uma atividade de observação destes insectos. Aqui fica um pequeno filme que dá conta desta ação
Uma refeição saudável e energeticamente sustentável
No âmbito do projeto Eco challenge, promovido pela EDP, e em resposta a um 2º desafio, alunos da turma B do 10º ano propuseram uma refeição tradicional, saudável e energeticamente sustentável. Aqui fica o documento elaborado e um pequeno filme demonstrativo de como se prepara um gaspacho à moda de Serpa.
quinta-feira, março 22, 2012
Semana da Leitura – Citação e imagem do dia
A educação (...) criou uma vasta população capaz de ler, mas incapaz de reconhecer o que vale a pena ser lido."
Autor: G. M. Trevelyan, Historiador inglês
Ilustração da autoria de Elizabeth Shippen Green
quarta-feira, março 21, 2012
Semana da leitura – Citação e imagem do dia
O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.
Padre António Vieira, escritor e filósofo português
Pintura de Pietro Antonio Rotari
Hoje é o dia mundial da poesia
Oração
Pai, eu escolhi acreditar.
Escolhi sentir nas palmas das mãos aquilo que é o mundo.
Sentir no bater do meu coração
E no meu sangue encarnado
Os enganos deste mundo tão errado.
Escolhi ver e não olhar.
Pai, eu escolhi acreditar.
Do cimo da minha consciência resolvi olhar em redor
E ver outra vez o mundo que já conhecia de cor.
Decidi experimentar
E atirar-me desse penhasco que é a minha mente,
Atirar-me para o vazio inseguro,
Esperando só e somente que houvesse alguém,
No fim da queda,
Que me amparasse em ombros,
Que me visse seguro,
E que me dissesse o quão valente eu tinha sido por abandonar a minha casa.
O quão valente.
Por abandonar a segurança do meu lar
Para partir,
Fazer uma vida diferente.
Uma vida que fosse minha,
Só minha,
De mais ninguém.
Dos penhascos que me lancei
Nunca, porém, duvidei,
E sempre acreditei, pai, que houvesse lá alguém.
Lancei-me cego de loucura,
Tremores doentes e paixão,
Lancei-me
E (já não sei contar as vezes que,
Pai),
Caí e consumi-me no chão
Apenas para me atirar outra vez,
Com os olhos fechados,
A rezar,
Nesse voo que nunca é o último.
André Afonso, 11º ano
Imagens:
Fotografia 1 - Anka Zhuravleva
Fotografia 2 – Dieter Appelt
Fotografia 3- Lyubomir Sergeev
terça-feira, março 20, 2012
Semana da Leitura – Imagem e citação do dia
Se um livro é mau, nada o pode desculpar; sendo bom, nem todos os reis o conseguem esmagar.
Voltaire, escritor e filósofo francês
Pintura da autoria de Dean Cornwell, artista norte-americano.
O que acontece ao nosso cérebro quando lemos?
A reação do cérebro estimulado pela leitura foi tema de pesquisa realizada pelo Instituto Nacional da Saúde e Pesquisa Médica, na França. No lobo temporal esquerdo do cérebro, uma região atrás da orelha é ativada com a finalidade de levar a pessoa a entender o que lê, possibilitando sua viagem através das palavras. (…) De acordo com o coordenador da pesquisa, o psiquiatra Rafhael Gaillard, essa região é mais facilmente ativada quando o assunto dá ênfase à emoção.
Numa outra pesquisa, desta vez pela Universidade de Sussex, Inglaterra, descobriu-se que, através da leitura, é possível aliviar a tensão diária. A explicação para isso é também simples. O cérebro está totalmente voltado à interpretação do que está sendo lido. O corpo parece transferir toda sua atenção para as áreas cerebrais e visuais, deixando os músculos e coração mais relaxados. Quando se sente envolvido com um bom livro, o leitor desliga-se dos cinco sentidos físicos para um local e momento só dele, onde sua fantasia e criatividade possam atuar livremente. Como resultado, a sensação de prazer e de bem-estar aumenta. Isso repercute-se na saúde e pode evitar problemas futuros, consequências de preocupações e estresse.
O excerto deste artigo foi retirado daqui
Pintura da autoria de James Jebusa Shannon
A “Prima Vera” Já Chegou!!
E não há poeta que não tenha uma palavrita a dizer sobre o assunto…
Florbela Espanca – Primavera
É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!
.
Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!
.
Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...
.
Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...
Hölderlin – A Primavera
De antigas alturas descende o novo dia,
desperta dentre as sombras a manhã,
a humanidade sorri junta e alegre,
em gozo está humanidade suavemente reunida.
Nova vida deseja ao prevenir abrir-se,
com flores, sinal de alegres dias,
cobrir parece a terra e o grande vale,
Alegrando a Primavera todo signo doloroso.
Miguel Torga – Anunciação
Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.
Todas as ilustrações dos poemas são da autoria do pintor John William Waterhouse (século XIX, Movimento Pré-Rafaelita).
segunda-feira, março 19, 2012
Semana da leitura
“Cardápio” da semana da leitura
Como já vem sendo hábito na nossa escola, a semana da leitura tem vindo a ocupar um lugar de relevo, quer nas atividades dos alunos quer na participação da comunidade escolar. Por isso mesmo, é com grande satisfação que vos apresentamos o “menu” das atividades/eventos que serão realizados nestes últimos dias do segundo período.
E há de tudo: ajuda personalizada para qualquer aluno levar para casa um livro para as férias; palestras sobre o universo e o mundo da literatura espanhola; o prazer de ouvir uma história tradicional e eterna; poesia inglesa vinda da boca sentida dos nossos alunos; concurso de um mini mini mini conto; uma vasta galeria de gente VIP que não larga a leitura por nada deste mundo…
Aqui está uma bela maneira de terminarmos este período: no meio de mil capas coloridas, ilustrações belas e muito amor às palavras.
Cá estaremos para vos encher a vida de sonhos!
Imagem retirada daqui
quarta-feira, março 14, 2012
Lição de vida – quem são os verdadeiros donos do mundo?
Bertolt Brecht: Perguntas a um operário letrado
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a lendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos.
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias,
Quantas perguntas.
terça-feira, março 13, 2012
Livro da semana
Uma questão de cor, de Ana Saldanha
Eu não tenho nada contra os pretos, mas…
Eu até tenho amigos pretos, mas…
Enfim, eles lá são assim…
Está-lhes no sangue a música, não é? Isso já vem de longe, vem dos tambores das selvas…
Coitadinhos, eles precisam de quem tome conta deles. Os pretos até têm muitas qualidades, mas…
De todos os tipos de racismo existentes, o paternalismo é o pior de todos, e é sem dúvida o mais difícil de combater. “Racista, EU?????”, é a resposta chocada e indignada que este tipo de humanos profere, assim que são acusados de discriminar alguém que não seja da sua raça. Na verdade, a esta gente nem lhes passa pela cabeça de que estão de facto a discriminar: se vocês assistirem ao brilhante filme As Serviçais, do realizador Tate Taylor, encontrarão exatamente este tipo de mentalidade, e o mais chocante de tudo é verificarmos que estas mulheres americanas brancas de uma América (quase) desaparecida estão plenamente convencidas de que são muito “progressivas” e muito amigas dos “pretinhos”.
Ora Portugal não escapou nem escapa à regra: a memória de um império colonial português ainda está bem viva no nosso subconsciente, e não é por termos deixado as nossas colónias que, de um momento para o outro, passámos a ter uma mente mais aberta. Afinal, passaram-se menos de quarenta anos desde o 25 de Abril de 1974, e ainda precisamos de percorrer um longo, longo caminho. Com efeito, por detrás da aparência do “bom patrão branco”, a história do século XX está cheia de relatos de maus-tratos aos negros em nações como Angola ou Moçambique. Os portugueses foram, sem dúvida, mais moderados do que os ingleses ou os espanhóis, mas não fomos nem simpáticos nem igualitários.
Um Questão de Cor aborda precisamente estes dois tipos de racismo: o descarado, frontal e mais honesto (Vai para a tua terra! Estes pretos não fazem nada!, etc”) e o escondido, nunca assumido (Eu não sou racista, mas…). As duas personagens principais – Nina, a prima branca e Daniel, o primo negro – vão ter que aturar muito insulto e muita discriminação, e o racismo virá de todos os lados, até de quem menos se espera. É o caso de uma das professoras de Nina, que nem quer acreditar que uma branca possa ter um membro da família que seja negro, e virá também… da própria Nina, que se acha muito “práfrentex” e que, só muito mais tarde, se aperceberá que também ela é preconceituosa. Na verdade, a reputação de Portugal como sendo um país de brandos costumes e muito cosmopolita sai bastante chamuscada desta história. A imagem dos portugueses não é nem um pouco simpática.
Escrito para uma audiência de adolescentes, este pequeno livro é, no entanto, uma boa forma de abordarmos a questão da discriminação e deverá ser lido por todos, até por adultos. Ou muito me engano, ou muitos portugueses, já pais e mães, se reconhecerão facilmente em algumas das personagens que habitam esta obra literária juvenil…
As ilustrações são da autoria de José Miguel Ribeiro, um dos grandes ilustradores de nacionalidade portuguesa e que (nem de propósito…) estará na nossa escola até quinta-feira a realizar um workshop de animação à turma do Curso profissional de animação (2D3D).
segunda-feira, março 12, 2012
Como serão as mulheres no futuro? Um francês, em 1902, respondeu a esta questão.
Quando olhamos para estes cromos antigos, o único que fazemos é sorrir e achar que tudo isto é um disparate. Porém, e por muito estranho que hoje nos pareça, os homens, no início do século XX, estavam a lidar pela primeira vez com a libertação do sexo feminino e, como devem calcular, não se sentiam nada confortáveis com esta ideologia que começava a ganhar força, ideologia esta conhecida hoje pelo nome de Feminismo.
Há mulheres para tudo: soldados, bombeiras, tocadoras de tambor num exército, jóqueis, jornalistas, advogadas… No entanto, o comerciante, hoje desconhecido, que criou estes cromos não pretendia nem engrandecer nem criticar as mulheres. Muito provavelmente, o seu objetivo consistiu em pegar num assunto polémico no seu tempo e fazer dinheiro à custa dele. De facto, aos nossos olhos até pode ser ridículo, mas estas lindas e muito decentes cachopas do século passado eram o equivalente às nossas “boazonas” da revista Playboy: se nos lembrarmos que as distintas senhoras desse tempo arrastavam saias até aos pés, e que a exposição de um tornozelo era o suficiente para um cavalheiro ficar com “desejos carnais”, depressa verificamos que estas lindas meninas estavam um bocadinho descascadinhas para a época, especialmente as profissões que – vá-se lá saber porquê – estão ligadas a cargos militares. Será que este negociante achava que as fardas ficariam sexy nas mulheres?
Em todo o caso, não deixa de ser interessante repararmos num pequeno pormenor: 100 anos depois, as mulheres conseguiram de facto deixar uma marca em todas as profissões que aqui se encontram representadas.
E ainda falta o resto: presidente, arqueóloga, motorista, taxista, chef de cozinha fina, juíza, empresária, etc, etc, etc…
A coleção completa poderá ser vista no seguinte local.
quinta-feira, março 08, 2012
Hoje é o dia internacional da mulher
Sisters (are Doing It For Themselves) (tradução)
Houve um tempo em que se costumava dizer
Que atrás de um grande homem
Existia sempre uma grande mulher.
Bem, estes tempos de mudança
Vocês sabem que já não são reais,
Por isso saiam da cozinha
Porque existe uma coisa que esquecemos de vos dizer.
As irmãs (mulheres) estão fazendo por elas mesmas
Mantendo-se sobre os seus próprios pés
E badalando os seus próprios sinos
As irmãs estão fazendo por elas mesmas.
Esta é uma música feita para celebrar
A consciência da libertação da condição feminina
Mães, filhas e as filhas delas
De mulher para mulher, nós estamos cantando para vocês.
Agora o sexo frágil adquiriu um novo exterior, sim
Tornámo-nos doutoras, juízas e também políticas,
Olhem à vossa volta,
E poderão ver
que há sempre uma mulher perto de vocês.
Nós estamos a fazer História
Nós estamos fazendo planos
Mas o homem amará sempre a mulher
E a mulher amará sempre o homem
(O mesmo de sempre…).
Letra original de Dave Stewart e Annie Lennox (Eurythmics)
Sisters are doing it for themselves (Eurythmics), 1984
Eco-escolas
Em colaboração com a Câmara Municipal, e no âmbito da nossa atividade Eco-escolas e ainda no âmbito do Programa JRA, predispôs-se a escola a colaborar numa ação de voluntariado para limpeza de alguns espaços circundantes à nossa cidade.
Segue em anexo o cartaz da referida atividade com os contactos da nossa colega Leonor Paiva.
quarta-feira, março 07, 2012
Spot racista embaraça europeus.
A polémica estourou: o último anúncio publicitário da Comissão Europeia está a ser acusado de racismo grosseiro. Nesta pequena curta, um irado asiático, um assustador africano e um árabe façanhudo ameaçam de morte uma angélica, pura, indefesa e branca europeia que, sem qualquer arma, tentará, através do sorriso, da serenidade e do diálogo, convencer os “mastodontes” das civilizações “inferiores”, a criar um mundo de paz e de igualdade.
Através deste artigo de opinião, já ficaram a saber o que é que eu penso deste spot. A ideia original – segundo os responsáveis por este desastre televisivo - consistia em convencer outros países a aderir à Comunidade Europeia, em vez de estarem sistematicamente a atacá-la. Não sabemos muito bem em que faculdade é que esta gente tirou o curso de publicidade, mas o resultado final foi de um racismo claro e de bradar aos céus, tão racista que até os próprios europeus lourinhos de olhos azuis se sentiram incomodados: retratar “os outros” como sendo selvagens sedentos de sangue não é propriamente a melhor maneira de suscitar a sua simpatia. Isto é o equivalente a um político dizer horrores das mulheres… e depois pedir-lhes o voto para ganhar as eleições.
Há sem dúvida outras maneiras de “contar” a mesma história: se tivessem retratado a mulher deste anúncio como alguém que também carrega uma arma e também luta contra os “outros”, o spot teria tido uma reação completamente oposta. Afinal, nós, os europeus, também somos racistas e também não simpatizamos com a diferença. A intolerância existe em todos e não só em alguns. Teria sido bastante mais interessante colocar todas as personagens num cenário de luta para, no fim, todos chegarem à conclusão de que a paz e o diálogo são necessários para a criação de um futuro melhor.
As queixas foram mais do que muitas, e inclusivamente o público acusou a Comissão Europeia de dizer Amen a várias fações imperialistas, racistas e misóginas que, infelizmente, já estão em ascensão em vários países do continente europeu. Como dizia um comentário online do jornal inglês Telegraph, Não admira que o euro e a União Europeia estejam em colapso. Em vez de travarem a crise financeira estão a gastar dinheiro com propaganda racista".
A Comissão Europeia já pediu desculpas e a propaganda foi cancelada, mas o mal já está feito: vivemos no admirável mundo novo da internet e o que se diz e se faz hoje ficará gravado para a posteridade. Nunca foi tão importante, nos dias de hoje, mantermos a cabeça fria e pensarmos duas vezes. É que, por mais desagradável que isto nos possa ser, o que vemos no spot é exatamente a imagem que muitas fações extremistas têm dos povos estrangeiros, e estar a patrocinar estas ideias – mesmo que involuntariamente – é regar com gasolina um fogo que já está bem atiçado.
Esperemos que esta gaffe lhes sirva de lição.
Artigo de opinião de Sandra Costa
Crescendo Juntos, spot publicitário da Comissão Europeia
Imagem retirada daqui
terça-feira, março 06, 2012
Descobrimos a música do anúncio 4G, da PT Comunicações
Awolnation – Sail
Mina de S. Domingos
Na sequência de uma visita de estudo à Mina de S. Domingos, os alunos da turma TGEI09 da Escola Secundária de Serpa, elaboraram um pequeno texto, em anexo, que pretendem apresentar ao concurso JRA - categoria artigo.
quinta-feira, março 01, 2012
Hoje é o dia internacional da proteção civil
Nem de propósito: hoje a turma do 8º A, durante a disciplina de Formação Cívica, deu um passeio pela escola. Os alunos, acompanhados pela funcionária D. Maria do Carmo, percorreram todos os espaços e ficaram sabendo quantos extintores existem em cada bloco, que tipo de extintores devem ser colocados num refeitório ou numa biblioteca, e qual a validade dos mesmos. Para além disso, constatámos que as bocas de incêndio vão precisar de ser substituídas, e que há normas de segurança para tudo, como, por exemplo, verificar que o gás está desligado antes de sair do refeitório de uma escola. Estas pequenas prevenções podem fazer toda a diferença, quando se trata de salvar vidas em futuras situações de risco e de acidente.
Afinal, o que é então essa coisa chamada “proteção civil” e por que motivo precisamos de um dia anual para “festejar” este assunto? Como afirma – e muito bem – o site Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Proença- a – Nova, A proteção civil é a atividade desenvolvida pelo Estado, Regiões Autónomas e Autarquias Locais, pelos cidadãos e por todas as entidades públicas e privadas, com a finalidade de prevenir riscos coletivos inerentes a situações de acidente grave ou catástrofe, de atenuar os seus efeitos, proteger e socorrer as pessoas e bens em perigo quando aquelas situações ocorram. (podem ler o resto deste excelente post no seguinte link.
A prática de prevenir possíveis desastres tem salvado anualmente milhões de vidas no nosso planeta, e não é por acaso que desastres como o do famoso naufrágio do Titanic têm sido cada vez mais raros. Infelizmente, ainda há muito para fazer, e muitos cidadãos e muitos países continuam a não seguir as regras mais básicas de segurança como, por exemplo, colocar extintores numa escola ou instalar uma vedação à volta da piscina, para evitar que crianças, velhos e animais se afoguem.
E quando, damos pelo mal, muitas vezes já é tarde demais…
Deixamos aqui três vídeos que poderão – nunca se sabe! – salvar a vossa própria vida, ou a vida de alguém.
Quando a Terra tremer… (o que fazer num terramoto)
Evacuação de uma escola numa situação de emergência
Dicas que salvam: prevenção de incêndios
Imagem retirada daqui :
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Livro da semana
Homem na escuridão, de Paul Auster
Para quem não sabe – e deve ter andado muito distraído – Paul Auster é um dos poucos escritores deste planeta que escreve muito e escreve sempre bem, uma capacidade bastante rara nos artistas pois, como toda a gente sabe, na esmagadora maioria dos casos “mais é menos”. Mas há assim casos esporádicos que se contam pelos dedos: os compositores Bach e Mozart e o saudoso José Saramago faziam parte desta lista de génios felizardos, cujas musas particulares nunca estavam de férias.
Porém Paul Auster, como cidadão americano, vive seriamente perturbado e preocupado com o caminho que a sua nação está a seguir, e faz parte de um vasto grupo de artistas e analistas que tem vindo a alertar os americanos para o assustador crescimento da extrema direita ultrarreligiosa, cada vez mais dona e senhora dos direitos individuais de cada cidadão das terras do Tio Sam. Os seus livros, como é óbvio, não fogem a esta realidade, e descrevem sempre uma América asfixiada por regras, preconceitos e uma violência extrema e inexplicável. E no meio desta lavagem ao cérebro carregada de soundbytes e paranoias, as personagens vivem interiormente sozinhas e fazem os possíveis para manter ou recuperar a sanidade num mundo cada vez mais colapsado pela loucura. Neste ponto, Paul Auster não foge da linha de autores como Philip Roth ou Cormac Mccarthy, autores estes que não sentem pudor nenhum em nos descrever a realidade tal e qual como ela é e que, em certos casos, não se coíbem também de imaginar américas paralelas, no intuito de nos alertar para a ascensão de potenciais ditadores, que pacientemente aguardam a ocasião certa para destruir a Liberdade, sempre em nome de Deus ou de uma ideologia bem-intencionada. A Conspiração contra a América, de Philip Roth é um destes excelentes exemplos.
Neste contexto, O Homem na Escuridão não foge da regra: Augustus Brill, um velho que sofre de constantes insónias, esconde-se dos seus fantasmas através da escrita. Nos seus textos, imagina uma América onde as torres gémeas não caíram, mas esta está a desmembrar-se e vive uma violenta guerra civil. Porém, e por mais que tentemos, não podemos fugir da realidade, pois esta vem sempre bater à nossa porta, quer queiramos quer não. A sua escrita, longe de afastar as memórias angustiantes do seu passado, mais parece exorciza-las e chamá-las à pedra. Brill, juntamente com a sua neta, duas personagens sozinhas e feridas por uma América que esmaga seres humanos, tentarão resolver os seus medos através do amor entre avô e neta e através do poder curativo das palavras.
O livro é pequeno, perfeito, e nada mais há para acrescentar ou diminuir. Lê-se de um fôlego, e deixa saudades quando o largamos.
Paul Auster no seu melhor.
Imagem retirada de:
CATÁSTROFES PROVOCADAS PELO HOMEM
Os alunos do 8ºA, sob a orientação do professor Jorge Ferreira, realizaram PowerPoints relativos a catástrofes provocadas pelo homem, que apresentaram à turma. Aqui ficam dois exemplos.
terça-feira, fevereiro 28, 2012
Hoje é o dia mundial das doenças raras
Alguém já ouviu falar de uma doença chamada “Progeria”? O nome “Acondroplasia” diz-vos alguma coisa? E o “Síndrome de Tourette”? Já ouviram falar dele?
Para quem não sabe, a Progeria (primeira foto) pode ser caracterizada como uma maldição terrível: o ser humano envelhece a uma velocidade alucinante, e quem padece deste problema raramente ultrapassa a idade de 12-15 anos. A Acondroplasia é o nome científico para descrever o Nanismo (foto em baixo) e este problema genético afeta um em cada 15.000 recém-nascidos. Quanto ao Síndrome de Tourette, este pode ser descrito como uma desordem neurológica que provoca uma série de espasmos e “tiques” incontroláveis, sistematicamente repetitivos e esgotantes. E, como devem calcular, os desgraçados que sofrem deste descontrolo corporal são muitíssimo gozados e maltratados nas escolas, nas comunidades, nos locais de trabalho, em toda a parte (vejam os vídeos que vos apresentamos).
A lista de doenças raras chega aos milhares – a Mãe Natureza é muito criativa, quando se trata de “inventar” problemas para os humanos. Como consequência, não só não é fácil diagnosticá-las (falta de treino médico ou puro e simples desconhecimento) como, ainda por cima, raramente um laboratório ou empresa dedica o seu tempo a encontrar uma cura para as mesmas. Com efeito, a Ciência é muito cara, e obviamente prefere investir na investigação e cura de males mais corriqueiros, do que gastar tanto dinheiro em enfermidades que só afetam alguns. Devemos, portanto, tirar o chapéu aos cientistas “carolas” que, nos seus tempos livres e com a ajuda de associações não governamentais, lá conseguem fazer progressos no tratamento destas doenças.
Algumas enfermidades raras têm “sorte”: ou porque passaram a ser uma moda dos media (é o caso do Autismo) ou porque receberam de brinde a ajuda de um milionário humanitário (é o caso da Progeria) ou porque dão logo nas vistas (Nanismo, gigantismo, etc), já podem ser facilmente diagnosticadas, recebem apoios de muitos mecenas ou até mesmo já podem ser controladas. Mas há muitas que chegam a ser tão obscuras, que raramente os doentes que padecem delas chegam a sobreviver mais do que cinco anos.
Por isso mesmo, o Dia Mundial das Doenças Raras serve para alertar e informar todas as nações acerca deste problema. O objetivo deste dia consiste em sensibilizar as populações, especialmente aquelas que têm dinheiro e que podem fazer toda a diferença, no momento em que decidem financiar laboratórios e cientistas bem-intencionados. Portugal já dispõe de uma associação que informa o público acerca deste problema e que deseja também guiar e ajudar todas famílias que tenham um membro que padeça de uma delas. Chama-se Aliança Portuguesa de Associações de Doenças Raras e o seu site pode ser consultado aqui.
Conhecem alguém que sofra de uma enfermidade rara? Então arregacem as mangas, informem, divulguem as vossas comunidades. Vocês podem fazer a diferença: muito do sofrimento destes doentes vem simplesmente da ignorância da sociedade. É através da informação que se mudam as mentalidades.
Síndrome de Tourette (explicado no programa da Oprah Winfrey)
Doença Progeria (menina de 13 anos)
Nanismo e Gigantismo: inclusão social
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
Zeca Afonso morreu há 25 anos
Cada nação em período de revolução tem o/s seu/s escritor/es de canções: a França teve Léo Ferré, Juliette Greco, Georges Moustaki, entre outros; Os Estados Unidos da América tiveram Bob Dylan e Joan Baez; Espanha teve Patxi Andíon; o Canadá teve Leonard Cohen; o Egito teve a grande Oum Khultum… Se começarmos a enumerar todos os grandes senhores da música aliada à poesia e à luta dos direitos humanos nunca mais saímos daqui, e sabe-se lá quantos mais nomes a chamada “Primavera Árabe” não andou para aí a revelar, e que nós, ocidentais, desconhecemos completamente.
Portugal não escapou (e não escapa) à regra: desde Adriano Moreira até Sérgio Godinho; desde Mário Branco até ao Fernando Tordo; desde o grande Ary dos Santos até à Sophia de Mello Breyner… e Zeca Afonso, claro. Morreu há vinte e cinco anos, e ainda hoje deixa saudades. O país não o tratou bem – para não variar – mas deixou uma legião de fãs e uma marca inconfundível na música portuguesa.
Atualmente, em tempos de crise e de rutura com o velho sistema, uma nova geração de cantores/poetas deseja dar o seu contributo à “música de intervenção”, e há gostos para tudo: desde os Homens da Luta até aos Deolinda, desde os Xutos e Pontapés até ao Boss Ac, é só escolher e ouvir. Porém, Zeca Afonso será sempre Zeca Afonso, e a sua voz inconfundível, aliada a uma poesia clara e apaixonada, nunca será esquecida.
Deixamos aqui a nossa homenagem a este grande senhor, que bem falta faz ao nosso país.
Zeca Afonso – Traz outro amigo também
Zeca Afonso – Venham mais cinco
Zeca Afonso – Menina dos Olhos Tristes
Imagem retirada daqui.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Orlando Ribeiro, um nome a não esquecer
Faz este ano 101 anos que o mais famoso e mais brilhante geógrafo português nasceu. Chamava-se Orlando Ribeiro e mudou para sempre a forma como Portugal olhava para esse grande mar de conhecimentos que é a Geografia. Com efeito, antigamente este ramo da Ciência era “ensinado” aos bocadinhos, aqui e ali, enchouriçado em disciplinas como Ciências Naturais, Teologia, Literatura, Biologia, Estudo dos Fósseis, etc. Não existia propriamente um ramo de Saber exclusivamente dedicado à Geografia. Foi Orlando Ribeiro um dos primeiros grandes portugueses a dedicar a vida ao seu estudo. Para isso, percorreu o país, as ilhas e as colónias do império português de lés a lés, com o intuito de estudar, registar, fotografar, avaliar e ensinar a formação do território e os costumes de cada nação. O seu livro mais famoso – e ainda estudado – chama-se Portugal, O Mediterrâneo e o Atlântico, uma verdadeira pérola de um Portugal já quase desaparecido.
Para que os alunos conhecessem melhor a importância deste grande mestre, o professor João Carlos Garcia, da Faculdade de Letras da Univ. do Porto, deu uma palestra na biblioteca dedicada a Orlando Ribeiro (Orlando Ribeiro: Ciência e Humanismo), sua obra, os seus mestres e o seu legado. Esta sessão foi da responsabilidade dos docentes Manuel Baiôa e Elisabete Cardoso, do departamento de Ciências Socias e Humanas.
Aprendemos bastante. Por exemplo, descobrimos que Orlando Ribeiro não foi apenas um excelente geógrafo, foi também um excelente fotógrafo; descobrimos que o seu método de estudo era levado ao mais absoluto rigor e fanaticamente registado através da sua inseparável Laika e dos seus cadernos escritos e desenhados a letra miudinha; descobrimos que o seu grande mestre foi o brilhante Leite de Vasconcelos, e que é graças a Orlando Ribeiro que quase todo o seu espólio foi publicado e arquivado; descobrimos que outra das suas paixões era a música, especialmente a clássica; e, por fim, descobrimos que, ao longo da sua vida, revelou mais de 10.000 fotografias, carinhosamente preservadas e guardadas numa biblioteca com o seu nome.
Para aguçar o apetite, e ajudar os alunos a visualizar o seu percurso como geógrafo e cidadão português, foram também visionados alguns momentos do ótimo documentário Orlando Ribeiro, Itinerâncias de um Geógrafo, que pode ser visionado por inteiro neste link, pertencente à estação de televisão RTP.
A biblioteca agradece a presença do professor João Carlos Garcia e o empenho dos docentes Manuel Baiôa e Elisabete Cardoso. Aguarda-se provavelmente a repetição de mais uma sessão, pois há turmas dos 12ºs anos que já manifestaram o desejo de quererem saber mais da vida e da obra de Orlando Ribeiro. No entanto, enquanto esperamos por um possível bis, podem já consultar este site, exclusivamente dedicado ao espólio e estudo deste grande geógrafo.
Fotografia de Orlando Ribeiro (exposição):
Imagem do documentário retirada daqui .