sexta-feira, outubro 31, 2008

Trick Or Treat!!!!!!

O estranho Mundo de Jack, Tim Burton

Quando soarem as badaladas da meia-noite, as bruxas e outros demónios andarão à solta!!! Mantenham-se atentos, porque umas ajudar-vos-ão e outras serão capazes de vos lançar um feitiço maligno!

Os ingleses e americanos chamam a este dia Halloween. Mas, de onde vem este nome? Halloween é a junção de duas palavras inglesas: All Hallows’ Eve, ou seja, Véspera de Todos os Santos. Como vês, nós também celebramos este dia, embora de uma forma completamente diferente: em vez de trick or treat, (doces e travessuras), os portugueses visitam a campa dos seus mortos e prestam-lhes homenagem.

Em tempos que já lá vão, visitar os nossos familiares já idos significava falar com eles, fazer-lhes uma grande festa, almoçar ao lado deles, cantar para eles, pedir-lhes conselhos… Além disso, e durante muito tempo, os cemitérios não estavam afastados do “reino dos vivos”. Muito pelo contrário, estavam dentro das cidades!

Mas… Como nasceu este ritual?


O Sétimo Selo, Ingmar Bergman

Os nossos antepassados não sentiam tanto medo da morte, como hoje sentimos: até há muito pouco tempo, a esperança de vida era de 36 anos, e era bastante comum os bebés não sobreviverem muito tempo. A fome, as doenças e as guerras, levavam-nos muito cedo para o reino de Hades. Por isso, as pessoas buscavam conforto na esperança de uma vida melhor, ou seja, no reino para lá desta existência terrena. A morte, muitas vezes, era descrita como alguém que gosta de jogar xadrez, e era até capaz de negociar a nossa alma por uma boa partida! Só no século XX é que a esperança de vida, graças às descobertas da Ciência, aumentou, e as pessoas passaram a viver mais tempo.

Esta festa não é cristã, mas sim, celta. A Igreja católica, para “apagar” o costume de as populações celebrarem ritos pagãos (isto é, não cristãos), optava por substitui-las por “festas católicas”. Assim, os habitantes de Portugal passaram a homenagear não as bruxas, mas os santos apoiados pela Igreja Romana!

Actualmente, apenas os ciganos ainda festejam o dia dos mortos à maneira antiga: a família inteira senta-se ao pé dos mortos, fala com eles, canta para eles… Não é uma homenagem bonita?



Link para a música alusiva ao Halloween


http://br.youtube.com/watch?v=xpvdAJYvofI


http://br.youtube.com/watch?v=Wv1HX80u5x4&feature=related


S.C.


quinta-feira, outubro 30, 2008

Mais Um para A Colecção!

Aqui vai mais um conto, escrito pelos alunos Miguel Soares e Vanessa Godoi, do 7º B.


O Cavaleiro A Madrasta e a Pomba

E Aonde Foram Buscar Toda Esta Inspiração???

Logo a seguir à exposição dos contos das turmas A e B do 7º ano, vários foram os meus colegas que me perguntaram qual tinha sido o material que fora utilizado, para criar estes textos narrativos. Com efeito, quem já leu as histórias, reparou que, em todos eles, há várias semelhanças: os objectos mágicos são, por exemplo, a ampulheta, o casaco, as botas e o búzio; os espaços da acção são o túnel e a casa, entre outros. Só as personagens é que variam.
Pois bem, esta onda de criatividade deveu-se a um cd interactivo, de nome O Imaginário Das Histórias, da autoria de Maria Teresa Meireles, Nuno Costa e Manuel Rodrigo. É uma excelente ferramenta de trabalho quer para miúdos quer para graúdos, e recomendo-a a qualquer professor de línguas, seja de Língua portuguesa seja de outra língua estrangeira. É também uma maravilhosa prenda de Natal para qualquer criança!
Quem estiver interessado em encomendar este material didáctico, poderá fazê-lo, através desta página:

http://www.oimaginariodashistorias.com/oscontos.swf

quarta-feira, outubro 29, 2008

Dia das Bibliotecas Escolares!

Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008... Finalmente chegou o momento da tão esperada intervenção com as crianças do 1.º ano do Pólo 2!
Começámos o dia com grande agitação, primeiro porque tínhamos receio que algo não corresse bem ou como previsto, depois porque as crianças podiam não vir e, por fim, porque havia aquelas borboletas na barriga a fazer cócegas. A ansiedade do momento era tanta que olhávamos sem parar para o relógio e, logo depois, umas para as outras soltando um sorriso cheio de nervosismo, mas, ao mesmo tempo, de carinho e apoio.
O momento estava próximo e o tempo continuava a passar, a passar… Só faltavam os últimos retoques e ZÁS! O momento chegara, as borboletas voavam de um lado para o outro a fazer cócegas e os sorrisos multiplicavam-se… Foi quando eles chegaram! “E agora? Irá correr tudo bem?”, pensávamos nós.
Pois é! A resposta é SIM! Correu tudo bem! Eles chegaram e trocámos as primeiras impressões. A pouco e pouco, as borboletas foram embora. Partilhávamos contos... O Capuchinho Vermelho e os Três Porquinhos vinham visitar-nos... Os sorrisos surgiam, sim, mas já não de nervosismo.
Pouco tempo depois, a nossa intervenção terminava... Passou num instante. E o que sobrou? Sobraram agradecimentos, à professora Emília Sarmento pelos conselhos, abraços e beijinhos de apoio, e à professora Sandra Costa pelas fotografias que tirou destes momentos com os mais pequenos. O nosso muito obrigado!

Curso Tecnológico de Acção Social – 11º E
Cátia Paixão, Carmen Orelhas, Denise Veiga e Carina Coelho


terça-feira, outubro 28, 2008

Lição de Vida V - Se Queres Algo, Não Sonhes: Age.

Tabacaria (excerto) Fernando Pessoa
(…)

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas,
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
(…)

E Quem Vos Disse que Vocês Não Têm Criatividade?!

Os alunos das turmas A e B do sétimo ano foram convidados a escrever um conto de fadas.
Tudo começou com um jogo didáctico, feito para motivar miúdos e graúdos para a prática da escrita. A turma teria de escolher um local, três personagens, e dois objectos mágicos. Cada espaço abria-nos a porta para três novos caminhos. Para onde iríamos? Para o lago? Para a casa? Para o túnel? E os sons? O que vos dizem os sons?
E foi assim, ao sabor da imaginação e de uma imensa tempestade de ideias, que os contos foram ganhando vida.
Aqui estão vários deles.
Leiam e divirtam-se!!


Sandra Costa, Profª de Português

segunda-feira, outubro 27, 2008

De onde é que vem a expressão…

Ir à Fava

Custa a acreditar mas é verdade: durante muito tempo, esta planta, bastante saborosa para a maioria dos portugueses, foi considerada “impura”, “suja”, “mortífera”.
Já na Grécia Antiga, as populações olhavam-na como algo que chamava a morte e, embora estas também fossem de vez em quando oferecidas ao Deus Apolo, os sacerdotes estavam virtualmente proibidos de as ingerir. O grande filósofo e matemático Pitágoras deixou bem claro aos seus discípulos: comer esta planta é comer a alma dos mortos. Ingerir este legume, para muitos sábios, era ingerir comida corrompida.
Na Idade Média, a desconfiança em relação à fava também era o pão-nosso de cada dia. Porque as favas se parecem com pequenos fetos, as populações achavam que estavam a comer alminhas de futuras crianças.
Mas… De onde virá todo este medo absurdo por uma simples planta?
Sabe-se hoje que existe uma doença chamada Favismo. Trata-se de uma alergia fortíssima, e muitas vezes mortal, a este legume. Mas os nossos antepassados não sabiam como explicar cientificamente a súbita morte de um dos seus familiares ou amigos. Tudo o que viam à sua frente era alguém sentir-se, de um momento para o outro, terrivelmente mal e acabar, consequentemente, na cova. Daí o medo de a ingerir.
Então… Por que razão a comiam? Bom, a resposta é simples: a fome aperta. A fava é um legume extremamente resistente ao clima mediterrâneo. Em tempos de seca, de cheias, de pragas na seara, de guerras e de abusos de poder por parte dos reis e dos nobres, o povo, graças ao desespero e à necessidade, a perdeu o medo, e começou a ingeri-la com bastante frequência. Obviamente que vários acabavam por morrer vítimas desta alergia, mas tal facto não impediu que as massas pobres continuassem a usufruir deste apetitoso legume.
“Mandar alguém à fava” era, portanto, desejar a morte a essa pessoa. Hoje em dia, é o equivalente a um “Vai Bugiar!”

Vai Bugiar!

Boa pergunta: de onde é que vem a palavra “bugiar”? E por que razão tal palavra é um insulto??
Precisamos, para já, de perceber uma coisa: a palavra “bugio” teve vários significados, ao longo dos tempos. No século XIII, um “bugio” era o nome que se dava a uma vela de sebo. No século XVI, a mesma palavra podia também significar “macaco”. Porquê? Porque quando o último rei de Granada foi deposto, passou o resto da sua vida numa cidade argelina chamada Bugia, onde habitavam muitos macacos. Por fim, “Bugio” também era o nome que se dava a um instrumento, que servia para pregar estacas em terras alagadiças (foi assim que o Terreiro do Paço foi construído!). Ora, quem “bugiava” (trabalho bem pesado, diga-se de passagem) eram os criminosos e os vadios que, gentilmente, eram “convidados à força” a desempenharem esta tarefa.
Talvez o sentido actual que atribuímos a esta palavra esteja no meio destes dois últimos significados: “bugiar” é coisa de macaco e de escravo. Em todo o caso, “mandar bugiar” era tão ofensivo para os nossos antepassados, como hoje em dia é utilizar certos palavrões……

Recomendamos também…

Flores na Tempestade, de Laura Kinsale

Para quem adora romances históricos e histórias de amor (especialmente aquelas que têm um final feliz), este é um livro que merece a pena ser lido.
Estamos no século XIX e pouco ou nada se sabia da loucura humana. Palavras como “Psiquiatria” ou “Psicologia” eram virtualmente desconhecidas para a maioria das pessoas. Não havia medicina eficaz para as doenças, não havia quase esperança para a demência, a não ser a fé em Deus. De facto, os únicos tratamentos que se conheciam eram, por exemplo, atirar baldes de água gelada para cima dos doentes, para que estes se “acalmassem” (daí a expressão levar com um balde de água fria), ou recorrer a uma espécie de operação ao cérebro, que consistia em retirar partes do mesmo, nas zonas onde se achava que a loucura estava instalada. Os loucos, esses, eram despejados em manicómios, e lá ficavam a apodrecer até à morte. Todos nós estamos gratos às imensas descobertas científicas que ajudaram a diminuir ou a curar distúrbios mentais, mas a história da psiquiatria está cheia de episódios verdadeiramente sinistros e brutais.
Pior ainda, o que era um louco, naquele tempo? Bom, “louco” era aquele que tinha qualquer coisa de diferente. Por exemplo: bastava uma pessoa de repente perder a voz, para ser considerada imediatamente louca.
E foi isto que aconteceu com a personagem de Christian: belo, inteligente, culto, aristocrata e rico, Christian era, no entanto, um homem que provocava paixões avassaladoras e abusava dos seus encantos, para conquistar todas as mulheres que lhe apareciam à frente. Até que, um dia, um trágico ataque o condena a um mundo de silêncio, sombras e loucura. A família decide, então, despejá-lo para um manicómio achando, assim, que o assunto ficará resolvido. Esta personagem é, então, sujeita às mais incríveis humilhações. Para ela, o “médico” que toma conta do asilo não é um ser humano, é A Besta, ou seja, o demónio…
Mas o destino de Christian muda quando, já no asilo para loucos, uma jovem humilde e simples, de nome Maddy, sente compaixão por ele, e decide ajudá-lo. Ao princípio, a alma cruel de Christian rebela-se contra esta mulher, e não faz outra coisa senão magoá-la. Porém, o tempo é bom juiz…

domingo, outubro 26, 2008

Lição de Vida IV - Não Tenhas Medo das Emoções

Casa de Hóspedes
Isto de ser humano é como uma casa de hóspedes
Todas as manhãs uma nova chegada
Uma alegria, uma depressão, uma maldade,
Alguma consciência súbita que surge
Como uma visita inesperada.
Dêem-lhes as boas vindas e divirtam-nas!
Mesmo que sejam uma multidão de lamentos,
Que nos varrem subitamente a casa
Despojada da sua mobília,
Continuem a homenagear cada convidado.
Ele pode estar a prepará-lo para uma nova maravilha.
Ao pensamento obscuro, à falsidade, à malícia,
Recebam-nos à porta com um sorriso,
E convidem-nos a entrar.
Fiquem gratos por quem quer que entre,
Porque todos foram enviados
Como um guia do Além.

Rumi, poeta sufi (século XIII)
S.C.

Para saberes mais sobre o Sufismo:
http://fundacaomaitreya.com/artigo.php?ida=403
Para conheceres mais poesias sufi:

http://www.sertaodoperi.com.br/poesiasufi/

sábado, outubro 25, 2008

Ai, que bonzinhos que eles eram!!!!

Colecção Reis Malditos, da editora Gótica


Estamos no dia 8 de Março, de 1314. Jacques de Molay, o Grão-Mestre dos cavaleiros Templários, encontra-se na cadeia, à espera de morrer na fogueira. Filipe IV O Belo, rei de França, armou uma brilhante e complexa emboscada: forjou provas contra os Templários e, numa sexta-feira 13 em 1307, capturou e prendeu praticamente todos os membros franceses desta ordem religiosa. Por que razão o fez? É muito simples: a coroa francesa estava falida e devia-lhes imenso dinheiro. Então, Filipe O Belo teve uma excelente ideia: se quero livrar-me da dívida, o melhor não é pagá-la, é livrar-me do devedor!
Parecia de facto uma ideia brilhante. Mas as pessoas, no século XIV, acreditavam na magia, na bruxaria e nas maldições. E Jacques de Molay, também: em cima do cadafalso, e à frente do público que lá estava para assistir à sua morte, lançou a maldição mais famosa da história mundial:
Malditos! Malditos! Sereis malditos até à décima terceira geração!

A partir daí, parece que a coroa francesa ficou realmente embruxada: rei após rei após rei, o azar perseguiu-os, e tudo o que tentaram fazer deu para o torto. Mais: todos eles morriam cedo, e de morte trágica! E como se não bastasse este azar, o gigantesco tesouro dos Templários desapareceu misteriosamente! Tanto trabalho para nada!
Ora é precisamente destes reis e desta maldição que a colecção fala: Maurice Druon, o autor desta série de sete volumes, retrata uma monarquia cruel, pouco inteligente, capaz de assassinar os próprios filhos, mulheres e irmãos para chegar ao poder, e que viveu até à décima terceira geração aterrorizada, por causa desta maldição.
Recomendamos estes livros a todos os leitores que adoram a História tal como ela é: nua e crua, violenta e grandiosa. E avisamos já: lemos um, papamos todos!!

Link para os templários e Jacques de Molay:

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ESTEVAO&id=deb0102

Livro da Semana

Cartas Para Sam, de Daniel Gottlieb







Daniel e o seu neto




Na semana passada, apresentámos-te uma obra muito pouco optimista, em relação ao futuro da Humanidade. Desta vez, partilharemos contigo uma história real.
Há vinte e cinco anos que Daniel Gottlieb está paralisado do pescoço para baixo, devido a
um acidente de viação quase fatal. No entanto, o seu sentido de humor e o seu amor à vida ajudaram-no a superar os seus medos e frustrações. Mas quando descobre que o seu neto sofre de Perturbação Desintegrativa do Desenvolvimento, uma forma grave de Autismo, decide escrever-lhe trinta e duas cartas íntimas, esperando que, um dia, o seu neto seja capaz de as ler e de, através delas, conhecer a personalidade do seu avô.
Escreve assim, a editora: não vai encontrar nestas cartas nenhum tipo de amargura ou auto-piedade. Estas transmitem a pureza do amor, compreensão, preocupação e a sabedoria de um avô, e abrangem lições de vida universais: lidar com os pais, enfrentar a escola, apaixonar-se, enfrentar desilusões, desfrutar da alegria e atingir o sucesso pessoal. (…) A voz apaziguadora de Dan, repleta de tolerância, esperança e experiência, é inspiradora e serve-nos como uma lembrança maravilhosa de que, independentemente das nossas capacidades e limitações, todos partilhamos a condição humana.
Num mundo cada vez mais cheio de pessoas insatisfeitas, deprimidas, consumistas e frustradas, Daniel Gottlieb é uma lufada de ar fresco e é também um exemplo de vida que todos nós merecemos conhecer. Por isso mesmo, será sempre digno do nosso respeito e admiração.
A não perder as seguintes e belíssimas cartas: Os que Flutuam, A Viagem Interior, O Cheiro da Paz e Algo a Lembrar sobre Rufias.
Imperdível !!
S.C.

Lição de Vida III - Nunca Desistir

Até o Fim
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque


Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
"inda" garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim


S.C.

Lição de Vida II ou A arte de desmoralizar

Há cerca de uns meses atrás, uma amiga minha ofereceu-me por mail uma história que, na minha opinião, é uma verdadeira lição de vida. Ora oiçam:
No tempo em que os animais falavam, um grupo de rãs olhou para um gigantesco muro ao pé do seu laguinho, e decidiram que seriam capazes de trepá-lo até ao cimo. Acima de tudo, estavam curiosas: o que raio havia do outro lado, pensavam? Entusiasmadas, meteram mãos à obra, e iniciaram a grande e árdua tarefa de escalar mais de um metro de pedras, com as suas pequenas patitas.
Ainda nem tinham passado cinco minutos, uma multidão de rãs juntou-se para assistir ao espectáculo. Ao princípio, olhavam curiosas, mas o silêncio delicado ia dando lugar a todo o tipo de comentários jocosos:
-Não vês que não é por aí? Tens que ir para aquela fenda!
-Oh, parva, estica mais as pernas!
-Olha para as convencidas!
-Há rãs que não têm mais nada para fazer nas suas vidas, não é?
-Vão para casa bordar ponto-cruz!
-Mas oiça, cara colega: na minha opinião humilde e sincera, tem que desistir. Repare na sua resistência, minha querida, como conseguirá chegar lá?
-Pois, esta gente não faz nada…
-Aqueles pulos estão muito mal dados.
-Passaram-se…
-Olha as maluquinhas!!
-VÃO TRABALHAR, MALANDRAS!!
Uma a uma, e já cansadas de tantos insultos ou conselhos (que mais não eram do que insultos disfarçados), foram desistindo. Porém, para espanto de todos, apenas uma rã continuava teimosamente a escalar o muro.
- EH, PÁ, DESISTE, IDIOTA!!
-Cada teimoso, nesta terra…
-Há gente muito convencida, francamente!
- Mas cara colega, eu sou de opinião de que…
E de repente… EI-LA NO CIMO!! Tinha conseguido, estava do outro lado!!
O espanto foi mais que muito: como é que ela conseguiu, perguntavam-se umas às outras? E assim que a pequenina, exausta e contente rã voltou, todas cercaram-na com perguntas. Como era o outro lado? Havia lá sapos? Como conseguira?
-HÃÃÃÃÃÃ???????- Perguntou a heroína, esticando o ouvido.

Era surda.

S.C.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Lição de Vida I



Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

Bertolt Brecht, Escritor alemão


SC


Seis Dicas para Leres Muito e Não Gastares Quase Nada


Os livros são caros? São, sim, mas com um pouco de “cabecinha”, podemos poupar imenso dinheiro e continuarmos a usufruir do prazer da leitura. Aqui vão algumas sugestões.
1- “Assalta” as bibliotecas – Municipais ou da tua escola, são excelentes para que toda a gente possa ter acesso a livros ou revistas, sem ter que pagar um só tostão. Além do mais, ajudam-te a seleccionar os livros que futuramente irás comprar: se te agradou a leitura, adquirirás a obra; se não gostaste, limitas-te a entregá-la à biblioteca. Sempre é melhor do que gastares dinheiro num livro que não te deu qualquer prazer!
2- Tira proveito dos alfarrabistas – Talvez a capa do livro possa ser um pouco “fatela” e as folhas já andarem um bocadinho amareladas, mas vamos lá a falar a sério: se podes comprar uns Maias a dois euros, por que razão vais pagar pelo mesmo romance o triplo ou o quádruplo do preço? Afinal, o que interessa é o que está dentro da capa!!
3- Tira Vantagem das feiras dos livros – Especialmente as feiras do “Livro Usado”: são sempre mais acessíveis ao bolso e, se procurares bem, encontrarás sempre algo que te agrade. Quase todas as escolas deste país, pelo menos uma vez por ano, montam uma feira do livro. Aproveita esta vantagem para ficares com obras a preços mais convidativos.
4- Aposta nos “Clássicos”- Uma Madame Bovary ou uma Viagem ao Centro da Terra são romances intemporais. Mais ainda, quase todos eles já se encontram em livro de bolso, a preços bastante convidativos.
5- Mantém-te atento aos jornais e revistas – Tornou-se uma moda a Imprensa vender ou oferecer grandes obras da literatura portuguesa ou mundial, com o objectivo de atrair mais leitores. Ainda há muito pouco tempo, a revista Sábado andava a “oferecer” livros a um euro!!
6- Encontra pessoas que também gostem de ler – Desta forma, poderás partilhar livros e leres à vontade sem pagares um tostão. Melhor ainda: os teus amigos não se aborrecerão se te atrasares no prazo de entrega!
S.C.

Mês Internacional da Biblioteca Escolar

Na nossa Escola vamos-nos juntar a esta comemoração no dia 27 deste mês com:

- Animação de leitura - Contos Infantis e Tradicionais, às 10,30 h, com os alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, por alunos do 11ºE do Curso Técnico de Acção Social.


- Distribuição pela comunidade de dois textos narrativos sobre a biblioteca - Actividade "Um poema para um dia especial" Turma 7ºB


A magia do Pré-Rafaelismo

É sempre assim: sempre que algum aluno ou professor deseja ilustrar alguns dos seus trabalhos com gravuras e imagens deslumbrantes, cedo ou tarde acaba por “tropeçar” neste movimento artístico da história da pintura. Mulheres belíssimas, cavaleiros puros de alta espada erguida, fontes e rios reflectindo virgens e deusas, histórias do Rei Artur e do feiticeiro Merlin, São Jorge e o Dragão, todo o universo pré-rafaelita possui uma beleza de cortar a respiração. Mas… Quem foram eles?
Custa a acreditar que estes pintores tenham causado escândalo, na época. Nós, que vivemos no século XXI e já vimos e ouvimos (quase) tudo, não podemos deixar de sorrir, quando ficamos a saber que a Royal Academy considerou as suas obras “perturbantes”. E, no entanto, eles foram, de facto, revolucionários: em vez de pintarem retratos de burgueses ricos e maçadores, os pré-rafaelitas pintavam sonhos, lendas, histórias do povo e a suprema beleza. A sua inspiração vinha das histórias do rei Artur, romances de cavalaria, amores trágicos e proibidos e, acima de tudo, este movimento de artistas buscava a pureza perdida do ser humano. Mais ainda, a forma como amavam Deus era muito pouco comum: acreditavam mais na energia da terra, na sabedoria dos antigos, do que em Deus ou Jesus Cristo. Por fim, estamos a falar de homens (e mulheres!) que, embora respeitassem o progresso e a Ciência, achavam horrível a produção em série, preferindo, em vez disso, o artesanato. Foram fotógrafos, poetas, escritores, ourives, oleiros, vidreiros.
É importante que nos lembremos que o século XIX, na Inglaterra, não era um século bonito e feliz: as centenas de fábricas à volta de Londres empestavam o ar e, anualmente, matavam dezenas de milhar de seres humanos. A esperança de vida era de 36 anos (para quem tivesse muita, MUITA sorte), e a esmagadora maioria dos londrinos vivia uma existência de escravo, enquanto que uma pequena minoria usufruía de uma vida cheia de luxo e de opulência.
Cansados de tanta fealdade, os pré-rafaelistas inspiraram-se na arte antiga, vinda do Renascimento. Imitavam a perfeição dos antigos, tentando ser melhor do que eles. Daí o nome “Pré-Rafaelita”, ou seja, antes do pintor Rafael.
Fizeram parte deste movimento génios como Edward Burne-Jones (dois quadros dele estão expostos no museu Gulbenkian), Dante Gabriel Rossetti, William Morris, William Blake, John Everett Millais, Christina Georgina Rossetti (excelente poetisa), entre outros.
Apresentamos-te uma galeria irresistível deste movimento. E se o visionamento destas obras te agradou, aconselhamos-te a visitar um site muito especial, criado por uma portuguesa, de nome Mariana. Chama-se Old Painting e trata-se de um blog que tem, como objectivo, expor uma obra de pintura POR DIA!!
É um verdadeiro jantar para os olhos!
S.C

http://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Real_Inglesa

O Baú da Avozinha

O Filme que Deus Protegeu com Unhas e Dentes

Há filmes que estão destinados a marcar a história da Humanidade e A paixão de Joana D’Arc é um deles. Realizado por Carl Dreyer há quase cem anos (1928), esta obra cinematográfica foi um verdadeiro fracasso de audiências. Era demasiadamente moderna para ser compreendida para a época.
Aliás, este filme tem histórias de bastidor verdadeiramente mirabolantes: conta-se que os actores quase que fizeram um motim, quando o realizador literalmente proibiu QUALQUER maquilhagem nos camarins; conta-se que a actriz principal Falconetti teve um ataque de choro convulsivo, quando se viu careca ao espelho (o seu cabelo foi cortado à frente das Câmaras!); conta-se que Dreyer nem sequer desejava que o seu nome e a ficha técnica constassem do filme. Para ele, o cinema era uma viagem ao mundo da imaginação e, por isso, queria que o público fosse imediatamente transportado para o mundo da fantasia. Por fim, todos os cenários seguiram escrupulosamente o modo de viver e de estar dos tribunais do século XVI. E Dreyer tinha razão: as pessoas daquele tempo não se lavavam, não trocavam de roupa a toda a hora, não se maquilhavam, cheiravam mal e as moscas existiam em toda a parte. Dreyer sempre detestou aqueles filmes ditos “históricos”, onde as personagens e os cenários são “limpos” demais para serem credíveis.
E o filme, cem anos depois, ainda nos maravilha! Passado apenas num único dia, esta obra cinematográfica conta o triste, injusto e infeliz julgamento da heroína e agora padroeira da França: Joana D’arc. Porém, há aqui um pormenor muito interessante: uma vez que este filme é mudo, como é que é possível gravar um julgamento num tribunal SEM SOM???? Para dar a volta a este “pequeno inconveniente”, Dreyer utilizou a câmara: quando queria transmitir sofrimento, dor, desgosto, optava por planos fixos; quando queria transmitir fúria, ódio, violência, a câmara movimentava-se com muita rapidez, ora focando a cara de uma personagem ora focando a cara de outra, tudo numa velocidade vertiginosa; por fim, quando queria inspirar devoção ou terror, Dreyer escolhia sempre filmar aquilo que hoje chamamos o close up, isto é, a única coisa que enchia o écran era a face da actriz ou actor.
Mas o destino do cinema mudo estava traçado: em 1927, surge o primeiro filme sonoro, chamado The Jazz Singer. A partir deste momento, centenas e centenas de milhar de filmes mudos foram queimados. Uma vez que já praticamente ninguém os via, passaram a ser um estorvo que só enchia os armazéns. Além disso, o cinema não era considerado arte, era visto como entretenimento, nada mais.
A Paixão de Joana D’arc foi uma excepção mas, embora as pessoas conseguissem compreender o génio desta obra, a verdade é que não fizeram outra coisa senão estragá-la, durante décadas. Foi queimada, cortada aos bocados, colorida através do computador, e chegaram inclusivamente a sonorizá-la com vozes de actores famosos da época. Enfim, no início de 1980, foram muitos os críticos que chegaram a duvidar que, alguma vez na vida, viessem a saber como foi a verdadeira e original Joana D’Arc.
Até que nos inícios dos anos 90, dá-se um verdadeiro milagre: uma cópia original e intocada é encontrada por acaso num antigo hospício da Dinamarca. Um estudante de psiquiatria estava a fazer uma pesquisa sobre personagens históricas que podiam sofrer de distúrbios mentais e interessou-se pelo julgamento de Joana D’Arc. Então, levou consigo uma cópia do filme… E nunca mais a entregou!
É mesmo caso para dizermos: Deus quis que esta obra sobrevivesse ao tempo, custe o que custasse!
Vê agora um pequeno excerto dela, na youtube, nomeadamente a sequência que mostra Joana D’Arc frente aos objectos de tortura da Santa Inquisição.
S.C.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Por que razão Serpa se chama “Serpa”?????

A lenda de Serpínia

Há muitos, muitos anos, vivia, numa longínqua terra para lá dos Pirinéus, uma jovem e formosa princesa, de seu nome Serpínia. Seu pai, Cófilas, era rei dos Túrdulos, uma tribo Ibérica.
Um dia, Serpínia e seu pai foram visitados por Rolarte, um rei celta de um país vizinho. Este,assim que viu Serpínia, imediatamente se apaixonou por ela e pediu a sua mão em casamento a Cófilas. Mas Serpínia, que sabia que Rolarte era mau, ambicioso e vingativo,declinou o pedido e seu pai acatou a sua decisão. Furioso, Rolarte partiu, jurando vingar-se.
Algum tempo depois, Serpínia e seu pai tiveram nova visita, desta feita do príncipe Orosiano. Este e Serpínia depressa se encantaram um pelo outro e resolveram casar. Rolarte, assim que soube, tratou de reunir os seus soldados e invadiu o reino de Cófilas. Orosiano morreu e Rolarte ficou ferido. Mas, ainda não satisfeito, jurou matar o pai e Serpínia que, prevenido a tempo,resolveu fugir para a outra banda da Península Ibérica.
Depois de muito andarem, chegaram a um local encantador. Campos verdes, flores inebriantes,água em abundância e oliveiras a perder de vista. Serpínia ficou maravilhada e Cófilas, depois de examinar a região, agradou-se da amenidade do clima e das terras férteis que prometiam abundância. Logo ali acamparam, nas margens do Rio Ana (hoje Guadiana) e escolheram local para construir uma cidade que viria a ser a capital do seu novo reino. Em homenagem a Serpínia, a formosa filha do rei Cófilas, a nova cidade ficou a chamar-se Serpa.

Isabel Lanzinha