Terça-feira, Fevereiro 9

50 Lições De Vida Que Todos Nós Devíamos Aprender

Quando a escritora de crónicas americana Regina Brett completou 50 anos de idade em 2006, decidiu fazer uma lista das 50 lições de vida que aprendeu, ao longo da sua já longa existência, uma para cada ano. Quatro anos depois, a sua crónica ainda é uma das mais lidas da internet.Leiam-na e enriqueçam a vossa alma.clip_image004

1. A vida não é justa mas, mesmo assim, ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é curta demais para perdermos tempo odiando alguém.
4. Não se leve tão a sério. Ninguém mais o faz.
5. Pague a factura do seu cartão de crédito todo os meses.
6. Ninguém tem que vencer todos os argumentos. Concorde para discordar.
7. Chorarmos com alguém é mais curativo do que chorarmos sozinhos.
8. Não há problema nenhum em ficarmos zangados com Deus. Ele aguenta.
9. Poupe para a reforma começando com o seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, a resistência é inútil.
11. Faça as pazes com o seu passado, para que ele não estrague o seu presente.
12. Está tudo bem em permitir que os seus filhos o/a vejam chorar.
13. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não faz ideia do que se passa na vida deles.
14. Se um relacionamento seu tem que ser um segredo, o melhor mesmo é não entrar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. A vida é curta demais para sentirmos longos períodos de pena. Ocupe-se vivendo, não morrendo.
17. Você pode começar qualquer coisa se hoje se sentir preparado para tal.
18. Um escritor escreve. Se quiser ser um escritor, escreva.
19. Nunca é tarde demais para termos uma infância feliz. Mas a segunda oportunidade depende de si e de mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que lhe agrada na vida, não aceite um não como resposta.clip_image006
21. Acenda velas, coloque lençóis bonitos, vista aquela roupa elegante, aquela lingerie cara. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é um dia especial.
22. Prepare-se bem, depois deixe-se levar pela maré.
23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, excepto você mesmo.
26. Encare cada um dos chamados “desastres” com estas palavras: "Em cinco anos, vai importar?"
27. Escolha sempre a vida.
28. Perdoe tudo e todos.
29. O que os outros pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.clip_image002
31. Independentemente de uma situação ser boa ou má, ela vai mudar.
32. Seu trabalho não vai cuidar de si quando estiver doente. Seus amigos vão. Mantenha contacto.
33. Acredite em milagres.
34. Deus ama-o porque é Deus, não o ama por causa de algo que você fez ou não fez.
35. O que não mata realmente fortalece.
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância. Torne-a memorável.
38. Leia os Salmos. Eles falam de toda a emoção humana.
39. Saia todos os dias. Milagres esperam-nos em todo o lado.
40. Se todos nós jogássemos os nossos problemas numa pilha de lixo e víssemos as dos outros, pegaríamos a nossa de volta.
41. Não faça auditoria em sua vida. Aproveite o melhor dela agora.
42. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
43. Tudo o que verdadeiramente importa no final é o que você amou.
44. A inveja é um desperdício de tempo. Você já tem tudo o que é necessário.
45. O melhor ainda está para vir.
46. Não importa como se sente: levante-se, vista-se e apareça.
47. Respire fundo. Isso acalma a mente.
48. Se não perguntar, nunca começará.
49. Produza.
50. A vida não vem embrulhada num laço, mas continua a ser um presente.

Imagens retiradas de:

http://portalmegaphone.com.br/press/wp-content/uploads/2009/08/escada-da-vida.jpg

http://oceanus-occidentalis.weblog.com.pt/arquivo/vida%20na%20margem.jpg

http://pensadora2.blogs.sapo.pt/arquivo/percorrendo%20o%20caminho%20da%20vida.jpg

Segunda-feira, Fevereiro 8

Livro Da Semana

Cultura: Tudo O Que É Preciso Saber, de Dietrich Schwanitz

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Já tínhamos mencionado, há alguns meses, acerca de uma nova moda que está a invadir as livrarias de todo o mundo: livros “dez em um” que, numas “escassas” centenas de páginas, conseguem a proeza de condensar matérias e conhecimentos de séculos ou até de milénios. Há até homens cultos e eruditos que se dedicam a isso mesmo: criar obras cujo objectivo é educar o “leitor preguiçoso”. É o caso

de pessoas como Harold Bloom, Paul Johnson ou Daniel Boorstin. São hoje conhecidos por Mestres-Escola e todos têm uma ideia catastrofista da nossa sociedade: a cultura está a desaparecer e é preciso preservá-la.

Alguns críticos afirmam que esta “mania mundial” não passa de um reflexo de uma sociedade cada vez mais preguiçosa, que quer o “agora e o já” e não está para ter a maçada de pesquisar e de procurar por conta própria. Como critica o brasileiro Jerônimo Teixeira (e muito bem!) De tão tradicional, o gênero já tem suas convenções. A mais importante delas é a lista. Nenhum livro dessa linhagem pode negligenciar os dez maiores filósofos ou os 100 grandes poetas. (…) Outra prática comum (...) é denunciar a decadência cultural. (...) Schwanitz deplora a influência da televisão na cultura contemporânea.

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Há muito de verdade nisto mas, sejamos honestos, obras destas sempre existiram ao longo dos tempos e têm tido sempre a virtude de enriquecer a alma de muitos amadores, ou seja, os leitores que amam o conhecimento (daí a palavra “amador”, aquele que ama) mas que, muitas vezes, nunca tiveram a possibilidade de ir mais longe. Assim, tornam-se auto-didactas, ou seja, aprendem sozinhos. Com muita, muita sorte, um ser humano tira dois, três cursos no máximo, e já sabendo que o segundo e o terceiro são feitos por pura e simples carolice. Não podemos aprender tudo mas podemos aprender um bocadinho de cada coisa. Desde que estes livros “dez em um” não sejam levados demasiadamente a sério (afinal, são sempre listas pessoais e subjectivas do que cada um considera ser “o essencial”), não há problema nenhum em lhes darmos uma espreitadela: (…) nunca antes a literatura, a filosofia, a arte estiveram tão disseminadas e acessíveis. As obras de Shakespeare e Darwin, por exemplo, podem ser encontradas em edição de bolso – ou lidas de graça on-line. Em vez de escorrer pelo ralo, a cultura está em toda parte. Por isso, os manuais da cultura são úteis – para quem souber tomá-los com um grão de sal e desconfiança, e como leitura introdutória, é claro ( vale a pena ler a sua excelente crítica a este livro: http://arquivoetc.blogspot.com/2007/08/cultura-geral-de-dietrich-schwanitz.html ).

O nosso livro da semana é um destes exemplos: Dietrich Schwanitz é um erudito alemão que quer, numa obra condensada, informar os leitores daquilo que nós devemos saber, antes de morrermos: Literatura, Ciência, Gramática, Política, História, etc. Apresenta, obviamente, falhas: aborda muito pouco a poesia, revela algumas lacunas científicas e as suas opiniões sobre o século XX são muito pessoais e nada imparciais. A imagem que este filósofo e professor alemão tem da televisão, por exemplo, é extremamente negativa. E, no entanto, a televisão ofereceu ao mundo verdadeiras pérolas que ficaram para a história: as séries Raízes, Balada de Hill Street, Star Trek, Ficheiros Secretos, Sete Palmos de Terra, 60 Minutos, Zip Zip, as novelas brasileiras O Casarão ou Roque Santeiro, etc. Mais uma vez, o que importa é saber escolher.

Não se pode pôr tudo num manual sobre “o essencial”. E, sendo o autor um alemão vindo de uma cultura 100% europeizada, não é de espantar que a Ásia e África quase que não sejam mencionadas neste livro, senão muito ao de leve, como uma nota de rodapé. Pela minha parte, adoraria que um chinês, um africano ou um indiano fizessem exactamente a mesma coisa que Dietrich Schwanitz: deve ser fascinante conhecer a História do Mundo, desta vez pela perspectiva de alguém que nasceu noutro continente. Apesar de tudo, Cultura- Tudo o que É Preciso Saber, merece ser lido como um “aperitivo” para voos mais altos.

A ilustração foi retirada do blog acima referido.

Domingo, Fevereiro 7

Quais Foram Os Livros Que Mais Marcaram O Mundo?

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É uma das perguntas mais velhas do mundo: “Se tivesses que ir para uma ilha deserta, que livro levarias? Não te esqueças que só podes escolher um!”. Claro que quem não gosta de ler, diria logo: “Nenhum!”. Porém, parem lá só um bocadinho para pensar: uma ilha deserta é uma ilha deserta. Não há internet nem televisão nem humanos nem festas de arromba nem Facebook nem desporto nem bares abertos ao Sábado nem nada. Se chegarmos a estas conclusões, um livro, afinal de contas, não parece ser uma companhia assim tão desagradável...

Voltemos à questão: que livro levarias? Pessoalmente, eu ficaria bastante indecisa entre três: O Nome da Rosa, de Umberto Eco, O Senhor dos Anéis, de Tolkien e Os Maias de Eça de Queirós. Que escolheria eu? A fantasia, o romance histórico-policial ou uma brilhante crítica ao Portugal de há cem anos atrás? Uns ter-se-iam decidido pela Ilíada, outros por Dom Quixote, outros por Romeu e Julieta, outros por O Admirável Mundo Novo, outros por A Lua de Joana. Cada ser humano tem a sua personalidade e gostos próprios e, por isso, há obras literárias que nos tocam mais do que outras.

Ora, a revista Veja (Brasil) decidiu fazer uma selecção (obviamente muito pessoal) dos dez livros que marcaram e influenciaram várias gerações, independentemente de serem melhores ou piores do que outros. Com efeito, faltam aqui obras de referência: O Ulisses, de James Joyce, As Flores do Mal, de Baudelaire, 1984, de George Orwell e até a já referida Ilíada, de Homero. E se existe uma obra literária que marcou para sempre o mundo, foi esta última... Porém, esta é apenas mais uma escolha pessoal. Nada mais.

Sugerimos que dêem uma espreitadela e digam se concordam ou não (podem aceder a esta lista, através do seguinte link: http://veja.abril.com.br/blog/10-mais/literatura/os-10-livros-que-marcaram-os-jovens-por-geracoes/10/#ancoratopo ). E, já agora, é interessante reparar que quatro das dez escolhas já foram livros da semana na nossa biblioteca...

Imagem retirada de:

http://www.urbanphoto.net/blog/wp-content/uploads/2007/04/reading01.jpg

Sábado, Fevereiro 6

Uma Pequenina Obra-prima

Estamos tão habituados a ver apenas filmes de animação americanos (neste caso, clip_image002dos Estados Unidos da América) que já quase nem reparamos na beleza do que se faz fora das terras do Tio Sam. E há verdadeiras jóias que merecem ficar nas luzes da ribalta. En Tus Brazos é uma delas: trata-se de uma curta animação, que narra a história de um casal de famosos dançarinos de tango, vítimas de uma tragédia que quase destruiu as suas vidas. O filme consegue captar maravilhosamente a beleza e ambiência do início do século passado, e deslumbrou o mundo.

Esta pequena obra-prima foi feita por um trio: François Xavier-Goby, Matthieu Landour e Edouard Jouret, tem corrido todos os festivais mundiais de animação e são a prova perfeita de que o sofrimento, o amor e a vontade de vencer são como a música, a pintura ou a fotografia: não necessitam de palavras para serem compreendidos.

En Tus Brazos

Quarta-feira, Fevereiro 3

Eterno, Sempre Eterno...

Se aceder à Internet através da Google (e em 99% dos casos é o que acontece) já ROCKWELL deve ter reparado no casal de crianças que está a embelezar a palavra “Google”. Pois é, hoje é o dia de nascimento de um dos mais fabulosos ilustradores do século XX: Norman Rockwell (foto à direita), um americano que gostava de ser americano, tinha orgulho do seu país e, durante décadas, assistiu às mudanças mais incríveis e mais fabulosas da sua nação, desde o fim da segregação racial à ascensão da mulher no local de trabalho, desde a chegada dos Beatles até à aterragem na Lua, desde o dia-a-dia feliz e bem-disposto de uma classe média branca, até ao poder dos presidentes.

Ao contrário de muitos colegas seus, Norman Rockwell preferia focar o lado feliz da nossa existência, os pequenos flagrantes da vida real. Preferia ilustrar o homem comum, como, por exemplo, a senhora professora, o camionista, a família que vai de fim-de-semana em viagem e que volta esgotada ao fim do dia. É verdade que Rockwell pouco ilustrou as minorias étnicas, mas tal não tem nada a ver com uma mentalidade racista. Este americano preferia pintar a realidade que conhecia, e o seu mundo, para todos os efeitos, era o mundo dos brancos da classe média. Porém, esteve sempre atento às mudanças do seu país e não esqueceu a pequenina menina negra que foi escoltada até à escola de brancos por polícias.

A sua América era a América feliz, inocente, optimista, a América das famílias unidas e dos grandes sonhos, o American Way of Life elevado à glória suprema. E, ao olharmos as suas imagens, chegamos a ter pena: como é que a terra do “Tio Sam” é hoje o lugar onde miúdos matam miúdos nas escolas? Como é que chegámos a este ponto?!

Deixamos aqui a nossa sincera e comovida homenagem e apresentamos quatro ilustrações da sua autoria, e que fizeram história. História com “H” grande.

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Ilustração 1: Cidade-Afro

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Ilustração 2: O Boato

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Ilustração 3: Ir e Chegar

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Ilustração 4: Rosie, Mulher de Armas

Segunda-feira, Fevereiro 1

Livro da Semana

 

O Nome Da Rosa, de Umberto Eco

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De uma coisa vocês podem podem ter a certeza absoluta: daqui a cem anos, 90% dos acontecimentos históricos, políticos nacionais e internacionais, livros escritos, pinturas feitas, filmes realizados e estrelas do mundo da música e do desporto estarão esquecidos. Os fãs da Lady Gaga poderão não gostar muito desta verdade, mas o Tempo é impiedoso. É uma espécie de vassoura que deita para o caixote de lixo toda e qualquer obra, feito ou descoberta científica que não seja minimamente revolucionário/a.

Daqui a cem anos, apenas os historiadores e os curiosos terão ouvido falar de casos como o Freeport ou o Apito Dourado. Daqui a cem anos, talvez os Xutos e Pontapés sejam uma simples nota de rodapé. Daqui a cem anos, Dan Brown poderá ser um ilustre desconhecido e o caso Madeleine Mccain será uma curiosidade um tanto ou quanto interessante para a História do Crime em Portugal. Daqui a cem anos, quem sobreviverá ao Tempo? Bill Gates, Barack Obama, José Saramago e um punhado muito pequeno de “felizardos”. Os outros acabarão como nós: esquecidos, como se nunca tivessem existido. Porque o Tempo é uma lady altamente exigente, uma senhora muitíssimo culta, que só enche as prateleiras da sua casa com o melhor do melhor. Para a Senhora Tempo, nem o “excelente” é interessante. Apenas o “genial” merece ser guardado.

Até agora, o romance O Nome Da Rosa tem sobrevivido à Senhora Tempo. Escrito há precisamente vinte anos atrás, ainda é um dos livros mais lidos e mais publicados do século XX. Vinte anos depois, a história, a intriga e as personagens ainda conseguem criar fascínio nos leitores. E este romance é um dos poucos que conseguiu vencer a “sétima arte”: apesar de ter sido adaptado para cinema, continua a ser lido anualmente por centenas de milhar de leitores em todo o mundo, algo que não acontece, por exemplo, com a saga do Harry Potter: agora que os filmes existem, as novas gerações já não lêem os livros. De facto, são muito, muito poucos os autores que, depois de verem as suas obras adaptadas para filmes, continuam a ser lidos. Muitas vezes, é preciso esperarmos cerca de vinte e cinco, trinta anos para que uma determinada obra seja redescoberta.

Mas, afinal, o que há de tão fascinante neste romance histórico-policial? Para começar... É literatura a sério. As primeiras quarenta páginas são uma espécie de “teste ao leitor”: se conseguir ultrapassar este barranco, estará preparado para ler o livro. O início, com efeito, é propositadamente lento, pois quem está a narrar esta história é um monge já bastante envelhecido da Idade Média/início do Renascimento. Aliás, todo este livro é escrito como se fosse um manuscrito perdido, recentemente encontrado num alfarrabista italiano. Ora, os monges têm tempo para escrever, para ler, para estudar, para investigar, para pensar, para meditar. Tempo é o que não lhes falta. Atenção, senhoras e senhores: vamos entrar no mundo fechado de uma fabulosa abadia. Aqui não há pens, nem mails, nem carros, nem televisão, nem jornais. Aqui o tempo pára. O mundo não muda a cada ano que passa, o mundo muda de cem em cem anos. Ou o leitor aceita esta verdade ou então o melhor mesmo é nem sequer entrar pelas portas imponentes desta abadia.

A trama “policial” é apenas um pretexto para falarmos de coisas mais importantes: como é que o Homem Medieval, particularmente o religioso e culto, vê o mundo? O Diabo existe ou é apenas uma mera imaginação dos homens? Como é que se distingue um santo de um bruxo, se as alucinações e os sinais divinos parecem ser precisamente os mesmos? Como pode a Igreja, cheia de luxo e de riquezas, tolerar um grupo de religiosos conhecidos como Franciscanos, homens estes que recusam as riquezas e acusam a própria Igreja de se ter afastado da palavra de Cristo? E por que motivo o riso é “coisa do demónio”?

Toda a história deste romance ocorre num tempo de encruzilhadas: a Idade Média como nós a pensamos está a chegar ao fim. As cidades dominam cada vez mais o mundo e os conventos e abadias são esquecidos. Crescem as universidades, cresce o comércio, fala-se de ideias que serão mais tarde conhecidas pela palavra “Humanismo”. E os monges desta abadia já não se identificam com este novo mundo, acham que o fim do planeta está a chegar, que a presença do Anti-Cristo é mais que certa. E no meio de tudo isto, há uma estranha, labiríntica e fascinante biblioteca e uma série de assassinatos que parecem girar à volta de um livro maldito...

O filme, que conta com as excelentes interpretações de Sean Connery e Christian Slate, nada mais é do que um pálido vislumbre do livro. Mas, francamente, em duas horas não se pode contar muito. Há todo um universo de sabedoria que se perde no grande écrã. Esta é, para todos os efeitos, uma obra literária que nunca resultaria no cinema. Porém, deixamos aqui o aviso: este não é um livro para qualquer leitor.

Façam o teste. Tentem ultrapassar as quarenta páginas. Se conseguirem, entrem na abadia.

E deslumbrem-se.

Domingo, Janeiro 31

Bibliomúsica

 

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São, neste momento, a banda do momento e os seus espectáculos têm provocado todo o tipo de reacções: aplausos entusiásticos, fãs apaixonados, críticas estrondosas e êxtase geral. E, para espanto de todos, a ideia do grupo Dead Man's Bones partiu de um actor e não de um músico: o novíssimo e talentoso Ryan Gosling, candidato a um óscar para melhor actor, pela sua prestação no filme Half Nelson. Este jovem canadiano é considerado uma espécie de “cavaleiro solitário”, que só faz aquilo que quer e não aquilo que pode. Escolhe a dedo os seus papéis, aparece nos écrãs de quinhentos em quinhentos anos e, de repente, desaparece, quase sem deixar rasto. Não gosta da fama, não gosta das luzes da ribalta, não gosta de groupies, não gosta de Hollywood... Em suma, gosta de representar e gosta de estar sossegado na sua casa, com os seus livros, o seu cão e os seus amigos. Voltaremos a vê-lo no cinema ainda este ano mas, por enquanto, o que ele quer mesmo fazer é... música.

Estávamos todos a estranhar a sua ausência mas, pelos vistos, já sabemos onde encontrá-lo: nos palcos (como era de se esperar) mas a cantar com uma banda muito estranha, que quer ser, como afirma, o Tim Burton da música. Os seus espectáculos são acompanhados por um lindíssimo conjunto de marionetas, casinhas de papel assombradas, luzes élficas, zombies, dráculas, fantasmas e muita boa disposição à mistura. E são bons. São muito, muito bons.

Ouvir estas canções sem ser ao vivo não é a mesma coisa. Mas como eles não podem vir ao nosso blog, deixamos aqui duas músicas à vossa disposição. Há aqui qualquer coisa de Arcade Fire e Blues.

Divirtam-se.

Dead Man's Bones – My Body Is A Zombie For You

 

Dead Man's Bones – Name In Stone

Sábado, Janeiro 30

Hoje É O Dia Escolar Da Não-Violência E Da Paz

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Sempre existiram filmes dedicados a professores e alunos, sendo o Clube dos Poetas Mortos o mais famoso de todos. No entanto, de há uns anos para cá, temos vindo a assistir a filmes relacionados com a escola que mostram este espaço como o reflexo de um mundo cada vez mais violento, cada vez mais intolerante, cada vez menos interessado no futuro e na vontade de aprender. O Dia da Saia é um desses exemplos emblemáticos: uma professora de uma “escola de periferia” perde a cabeça de vez, torna os alunos da sua sala de aula reféns e causa o caos na França. Outro filme que está na berra é o Depois das Aulas (na imagem), do brasileiro António Campos, que mostra, sem qualquer pudor, até que ponto a sociedade pode literalmente boicotar o bom trabalho dos professores: para que estamos nós a ensinar os nossos alunos a valorizar os livros, o saber, a partilha e a compaixão se, assim que saem da escola, o que eles fazem é exactamente o contrário, tudo isto com o “apoio” irresponsável dos pais e dos media? Afinal, que poderes é que os professores hoje em dia têm? Podem eles ajudar a mudar o mundo para algo melhor? Ou será que já é tarde demais? Ou será que nós próprios também já fomos “infectados” por esta violência globalizada e glorificada, e ainda não nos apercebemos de tal?

O Dia Escolar da Não-Violência e da Paz foi instaurado a década passada pela UNESCO. Esta instituição internacional deseja diminuir a violência através da escola, com a colaboração dos professores. Alguma coisa já está a ser feita. Já há escolas que promovem técnicas de respiração e de controlo de stress, várias já podem contar com um psicólogo fixo, muitas já promovem o desporto, as artes plásticas, o prazer da leitura, o teatro, entre muitas outras actividades. Mas, infelizmente, quem as pratica são os bons alunos, aqueles que não necessitam tanto destes “apoios para a alma”. Os alunos agressivos e desmotivados, vindos de famílias disfuncionais, são precisamente aqueles que mais poderiam ganhar com estes clubes e são sempre aqueles que dizem “não” e que nunca querem participar.

Que podemos fazer, então? Segundo muitos psicólogos, muita coisa na nossa escola deveria mudar: menos aulas, menos disciplinas, mais tempos livres e, sobretudo, todas estas actividades acima faladas devem ser inculcadas nos alunos ainda antes do primeiro ciclo. Ensinar as crianças a controlar a sua agressividade é meio caminho andado para o sucesso escolar, pessoal e profissional. Deixá-las respirar, deixá-las brincar e ensiná-las a amar a paciência e o trabalho.

Porque não é no sétimo ano que se fazem milagres.

Dia da Saia (trailer Traduzido)

Sexta-feira, Janeiro 29

E Não Seria Bom Olharem-se Ao Espelho?

A notícia já é do conhecimento de todos, e mesmo aqueles que clip_image002não lêm jornais nem ouvem rádio nem vêm o Jornal das oito já sabem que na nossa muito competente e profissional TAP há pilotos que andam às caneladas e pontapés, não por causa de dinheiro ou injustiça no local de trabalho, não por excesso de horas de trabalho, não por causa de ameaça de despedimentos, não por causa de cortes orçamentais, mas por causa do... Facebook.

Tudo começou com uma queixinha online: um piloto e a sua família sentiram-se picados por terem levado a viagem toda em classe turística, em vez de irem para a primeira classe, como é do direito de qualquer piloto desta companhia aérea. Vai daí... toca a criticar a própria agência que os contratou, numa rede social assistida por milhões e milhões de seres humanos. “Cheguei hoje de Maputo. Foi tão bom ter vindo 10 horas na penúltima fila. Eu, a minha mulher e a mulher do co-piloto apesar de haver lugares em Executiva”, desabafou.

A guerra não se fez esperar, e colegas do piloto, também no Facebook, entraram na táctica de guerrilha, e foi um nunca mais acabar de “lavar a roupa suja” em público. E não estamos a falar de críticas amargas e lúcidas, estamos a falar mesmo de insultos: Outros colegas do piloto indignado por viajar em económica decidiram comentar e apelidaram o comandante e o co-piloto do voo de Maputo de 'filhos da p...', 'labregos', 'atrasados mentais' e 'montes de m...'. Chocada com a “falta de chá” dos seus trabalhadores, a TAP obrigou-os a tirar um curso de ética profissional, castigo esse que, na nossa opinião, até é bastante suave: numa outra companhia, os “meninos rabinos” já teriam levado um bom tau tau no rabiosque (esta capa do Lucky Luke é muito inspiradora...) e, de seguida, teriam sido chutados para o olho da rua. Mas não!!!!! Os autores desta brincadeira de mau gosto não só não se sentem minimamente envergonhados das figuras tristes que fizeram e da má imagem que trouxeram à TAP como, ainda por cima, agora até ameaçam os patrões com uma valente greve, caso tenham que ir para a frente com o curso!

Em primeiro lugar, as redes sociais não são espaços privados. Eu posso ter inicialmente 10 amigos na minha página do Facebook, mas basta os amigos dos meus amigos e os amigos dos meus amigos dos meus amigos adicionarem-me também (pessoas que eu, muitas vezes, nem sequer conheço mas que, por delicadeza, acabo por aceitar o convite) e, imediatamente, terão acesso a tudo o que eu digo. Aquela conversa, para todos os efeitos, não foi privada. Em segundo lugar, não é aquilo que se diz, é como se diz: o piloto que começou este “lavar da roupa suja” poderia ter dito exactamente a mesma coisa sem ironizar ou insultar ninguém. “Hoje, tivemos que ir em classe turística, apesar de haver lugares vagos na classe executiva. Ficámos surpreendidos mas acho que deve ter havido aqui um mal-entendido. Amanhã eu falarei com os responsáveis, para saber o que se passou”. Tivesse escrito algo assim e os problemas nem sequer teriam começado. Em terceiro lugar, viajar (ainda por cima grátis, quem me dera eu!) numa classe turística não é propriamente aquilo que nós consideramos um “problema maior”: se tivesse sido descoberta uma rede de grande corrupção na TAP, ou colegas que discriminam passageiros porque são de minorias étnicas, ou deficientes motores que estão proibidos de entrar em classes executivas... Bom, estes são casos que vale a pena investigar e denunciar. Mas criar uma guerra por causa de um detalhe estúpido não é inteligência, é mesquinhez pura e simples. No dia seguinte, não teria custado nada ao piloto ter-se dirigido ao seu superior, convidá-lo para um café e perguntar: “Ouve lá, explica-me lá por que cargas de água é que eu tive que ir na segunda classe, se havia lugares vagos na primeira. Confesso que não percebi nada...” Não há nada como uma conversa franca entre duas pessoas para que mais de metade dos problemas num local de trabalho desapareçam. É que muitos desses problemas, na esmagadora maioria dos casos, não passam de mal-entendidos entre colegas...

E se houver um leitor ou outro que ache que eu estou a fazer uma tempestade num copo de água, então façamos este exemplo: uma professora tem uma página no Facebook, certo? Ora, um dia, um pai de um dos seus alunos dá de caras com o conteúdo dessa página e descobre que o filho e os seus colegas estão a ser insultados online. Concordam com a postura desta professora? Acham que esta mulher tem perfil psicológico para educar crianças?

Vêm como eu não estou a exagerar?

Há adultos e adultos. Há aqueles que cresceram, que amadureceram, que têm consciência dos seus actos e que pedem desculpas quando cometem um erro. E há aqueles que só são adultos no Bilhete de Identidade. Por dentro, não passam de crianças mimadas que nunca saíram do recreio da escola e que ainda estão a precisar de um papá e de uma mamã que lhes puxem as orelhas e lhes cortem na mesada.

Por fim, um pequeno conselho: aprendam a ser humildes. A nossa vida não é importante. A cor das nossas cuecas, as birrinhas com os nossos colegas de trabalho ou a discussão com o nosso parceiro, nada disto irá mudar o mundo. Guardemos esses assuntos pessoais para as conversas de esplanada ou jantares em família. Porque o mundo não está minimamente interessado na nossa opinião e nas nossas crises existenciais. Se não têm nada de interessante para dizer, calem-se. Ou joguem Farmville.

Plantar rabanetes e nabiças que só existem no computador pode ser um passatempo um bocado parvo. Mas nunca fez nenhum mal ao mundo.

Sandra Costa

Quinta-feira, Janeiro 28

Excelente, Como Sempre

 

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Todos nós sabemos que os bons resultados de uma turma dependem bastante do entusiasmo, trabalho e empenho dos professores. Sabemos também que uma saudável relação entre professor e alunos é meio caminho andado para resultados positivos, quer a nível do aproveitamento quer a nível de comportamento. Sem isso, os alunos desmotivam-se, aborrecem-se e deixam de dar o seu melhor. Porém, convém também lembrar que se a turma não cumprir a sua parte não há docente que faça milagres. Também ele/a é um ser humano, também ele/a precisa de se sentir motivado/a, também ele/a precisa de ouvir um “obrigado” por parte dos alunos, também ele/a precisa de sentir que é bem-vindo e que não está a gastar tempo precioso da sua vida para nada. Não há nada que mais desmotive um professor do que uma turma preguiçosa, desinteressada ou até indisciplinada. E, mesmo que não o queira, já não irá empenhar-se tanto como desejava, “baixará os braços” e dedicar-se-á mais a turmas que o valorizem. É o típico “toma lá/dá cá” das relações humanas: se não te interessas, por que motivo irei eu interessar-me?

O blog que vos apresentamos é um perfeito exemplo daquilo que acabámos de falar: quatro alunas da turma 12ºC, Línguas e Humanidades, aproveitaram a disciplina da Área de Projecto para fazer algo original. Arregaçaram as mangas e decidiram criar um cantinho pessoal na internet, todo ele dedicado ao tema do preconceito. E em pleno século XXI, este assunto dá “pano para mangas”: até que ponto a nossa escola é racista ou preconceituosa? Até que ponto aceitamos as diferenças dos outros? Será que somos assim tão “modernos” ou, no fundo no fundo, somos mais conservadores do que nós próprios pensamos?

Há de tudo: notícias, filmes, sondagens, anúncios, filmes, todos eles relacionados com o tema. O blog chama-se Diferenças e Preconceitos e foi inaugurado há quatro dias atrás. Podem consultá-lo aqui: http://diferencasepreconceitos.blogspot.com/. A equipa da Biblioteca/Centro de Recursos deseja-lhes bom trabalho e aconselha as quatro autoras desta página da internet a publicarem com muita regularidade diversos posts, pois é assim que irão ganhar um público fiel, que dará valor ao seu projecto. Para já, o blog é promissor, bem-disposto e é de chorar por mais. E, já agora, aproveitamos para alertar os senhores futuros deputados do projecto Parlamento dos Jovens: há aqui muitos artigos que poderão ser do seu interesse!

É mesmo caso para dizermos: com alunas como estas, dá mesmo gozo sermos professores!

Quarta-feira, Janeiro 27

Uma Quarta-feira Quente

Eram cerca de dez e poucos da manhã, quando a sala do Centro de Inovação e Aprendizagem foi “invadida” por todas as turmas do Terceiro Ciclo. Objectivo? Lançar e clip_image002promover o debate por parte das listas concorrentes, apoiar e votar na lista preferida, por parte dos alunos. O projecto, como a escola já sabe, chama-se Parlamento dos Jovens, e o tema escolhido para este ano lectivo foi o Debate sobre a Sexualidade (o Secundário tinha outro tema).

Os alunos já sabiam o desafio que iam enfrentar: durante mais de um mês, prepararam com entusiasmo propostas e medidas de prevenção, que pudessem ser aprovadas na Assembleia da República. As turmas que participam neste projecto também já ficaram a saber que só no Alentejo há quinze escolas que irão concorrer e apenas duas serão escolhidas para a fase final: a honra de o nosso estabelecimento de ensino ser representado por um aluno/deputado, que terá o privilégio único de se sentar numa cadeira do plenário da Assembleia da República e de ser ouvido pelos nossos governantes. O desafio é puxado mas... a julgar pela boa prestação dos nossos alunos, durante o debate, não é impossível. Mas, antes de tudo, a escola tinha de escolher a melhor lista, bem como os futuros “deputados” que nos irão representar em Beja, durante a segunda fase. Para isso, como exigia o regulamento, foi realizado um debate na escola.

Ao princípio, os cabeças-de-lista estavam enervados. Tropeçavam nas palavras, esqueciam-se de ler uma linha ou outra, cada um olhava o colega de lado, ansioso. Porém, não demorou muito para que os ânimos aquecessem. E quem lá esteve sabe que a lista A foi a mais “atacada” e aquela que mais teve que enfrentar as questões das listas “rivais” e do público. Apesar de tudo, os representantes mantiveram-se de pé e cal e souberam justificar os seus pontos de vista. As “respostas prontas” das alunas Carolina Valente e Filipa Engrola receberam muitos elogios dos professores e do público, mesmo aqueles que não votaram nelas. A lista B foi a que mais levou tempo a “aquecer” mas, ao fim de meia-hora, a cabeça-de-lista, Jessica Correia, soube contra-argumentar com bastante eficiência, e sempre cheia de boa disposição. Quanto à lista C, claramente a preferida do público, contou com a excelente prestação da Susana Diogo e do apoio dos seus colegas.

No fim, contaram-se os votos e, como muitos já esperavam, ganhou a lista C. Contudo, convém lembrar agora que estes quatro futuros deputados (contando com a suplente) já não representam uma turma, representam a Escola Secundária de Serpa. Conseguiremos convencer catorze escolas a votar em nós? É possível! Por agora, os alunos/deputados prometeram juntar-se todas as semanas, para poderem preparar a “guerra”.

É que agora vai ser mesmo a doer!

Segunda-feira, Janeiro 25

Livro Da Semana

Erva-Do-Diabo, de Teresa Moure

Escreve assim Francisco Clamote no seu lindíssimo e apetitoso blog O clip_image002Botânico Aprendiz na Terra dos Espantos (http://obotanicoaprendiznaterradosespantos.blogspot.com/): A Erva-Do-Diabo(Datura stramoniumL.) é também designada pelos nomes comuns de Castanheiro-do-diabo, Erva-dos-bruxos, Erva-dos-mágicos, Estramónio, Figueira-brava, Figueira-do-inferno e Pomo-espinhoso. É originária da Amércia do Norte, mas quanto à sua distribuição, é considerada actualmente como espécie cosmopolita. É tóxica.

De facto, a Erva-Do-Diabo é uma planta maldita: é capaz de dar cabo do melhor jardim, é um excelente veneno e há quem diga ainda que, em doses curtas, pode criar óptimas alucinações. Originária do continente americano, os índios usavam-na para comunicarem com os grandes espíritos e os seus antepassados. Porém, também é excelente para combater dores persistentes e é um milagre para as dores de cabeça. Levada para a Europa pela mão de amadores de Botânica, depressa passou a ser usada nas nossas farmácias. Ainda hoje, os laboratórios mais sofisticados a usam, mas todos os remédios à base destas plantas só podem ser comprados por receita médica, tal é o poder desta pequena maravilha da natureza.

Ora, basta lermos esta introdução para chegarmos logo à conclusão de que o nosso livro da semana está relacionado com a palavra "perigo". Mas... Que perigo? Se nós dissermos que este livro tem como uma das personagens o filósofo francês Descartes, já ficamos um bocado confusos: afinal, Descartes falava do poder do raciocínio sobre os sentimentos que habitam no ser humano. A Razão é a raíz da nossa personalidade. "Penso, logo existo" é uma frase que ficou para a História da Humanidade e, pelo menos uma vez na vida, iremos citá-la. Mas Descartes tinha um medo terrível de amar e de revelar os seus sentimentos. Por isso mesmo, amou sem saber amar a sua querida holandesa Hélène Jans. E é já no fim da sua vida que este grande filósofo confia à rainha Catarina da Suécia um pequeno testamento: uma carta de amor lindíssima, dirigida a Hélène, e é finalmente nesta que ele revela o que sempre existiu na sua alma: um amor sincero. A partir desta missiva, rainha e amada tornam-se amigas. Mas é uma terceira mulher, Inês Andrade, que irá reconstituir, através de cartas, poemas e desabafos encontrados, este bonito romance entre um filósofo que tinha medo do corpo e uma "feiticeira" que amava as ervas aromáticas e medicinais.

Teresa Moure escreve com paixão e sentimento. Escreve uma história de três mulheres que giram, fascinadas, à volta de um homem que tem medo do "belo sexo" e que é quase incapaz de o compreender. Há que controlar as mulheres, domá-las, cortar-hes a raíz, não vão elas destruir o jardim do pensamento. Elas estão para além da razão, para além do raciocínio. São perigosas, instáveis, trazem o caos.

São a Erva-Do-Diabo.

Quinta-feira, Janeiro 21

Hoje é o Dia Mundial das Religiões

Há quem não acredite em Deus, há quem necessite de falar com Ele (ou Ela ou Eles, consoante a fé). Há quem nunca tenha sentido essa força, há quem a ache o grande mal do planeta Terra, há quem duvide da sua existência, há quem desista de tudo para se dedicar a Ele (ou Ela ou Eles). Em todo o caso, quer gostemos ou não, as religiões estão em todo o lado e marcam-nos, para o bem ou para o mal.

Hoje, comemoramos este dia com cinco fés: a Hindu, a Muçulmana, a Cristã, a Budista (não é bem uma religião, mas bilhões de seres humanos vêm Buda como um Deus) e a Islâmica. São canções religiosas, quais delas mais diferentes do que a outra. E, no entanto, todas elas falam do amor ao Criador do Universo. Ou Criadores.

E todas elas têm o seu quê de estranho, de alienígena e de belo. Para cantar a Deus, nada como a paz e a voz humana.

Canto Gregoriano de monges beneditinos

Dança Sufi

Música judaico-aramaica (Deus é o Senhor do Mundo)

Prece Hindu a Deus

Cântico Budista (corrente Zen)

Terça-feira, Janeiro 19

Lisboa Voltou A Ficar Alfacinha!!

 

Começou por ser uma simples necessidade das classes mais pobres: estava ali clip_image002mesmo ao lado um terreno deserto e, pelos vistos, abandonado. Vai daí... toca a agarrar na enxada e a cavar. Não demorou muito para que a paisagem começasse a ficar não só bonita mas também comestível. Quem passasse pela zona do aqueduto de carro, ficava siderado a olhar para o que via: o que raio estão ali, à beira da estrada, a fazer um montão de nabos e couves???? E, pouco a pouco, os netos começaram a juntar-se aos avós e ganharam o gosto à comida feita pelas suas próprias mãos. Actualmente, a Câmara Municipal de Lisboa, entusiasmada com o retorno da capital “alfacinha” (os lisboetas eram conhecidos por esse nome porque esta cidade esteve, durante muito tempo, cercada de hortas), já criou um plano de protecção e preservação destes novos e engraçados espaços verdes. Com efeito, Lisboa precisa como de pão para a boca de “cápsulas de oxigénio”, capazes de limpar a sua atmosfera altamente poluída. Ora, não há melhor amigo do lisboeta do que o legume: é que estes devoram dióxido de carbono como o ser humano devora chocolate ou bolas de berlim, ou seja, papam-no com prazer e crescem felizes e saborosos. Veja-se o caso de uma horta em plena Mouraria (foto acima), plantada por gente de todas as classes e gerações.

Mas para quem acha que plantar uma horta é coisa de “campónio” ou de “pobre”, o melhor mesmo é deixar de pensar à século XX: Por este mundo fora (e também até no nosso país), está clip_image004em curso uma “revolução verde”, um reencontro com a Mãe Terra e as coisas simples da vida. Cada vez mais desconfiados daquilo que lhes vai parar à mesa - a galinha doente dos aviários, a vaca feita em série das grandes ganadarias, os pesticidas chupados pelos legumes e frutas – são cada vez mais as pessoas que tomam a iniciativa de plantarem nas suas varandas, terraços e até telhados, pequenas ou micro-hortas para uso pessoal. Poupa-se na carteira, poupa-se no stress (a terra pode ser um hobby muito relaxante), as crianças tomam contacto com a vida, o ar puro, o ar livre e a saúde. E se as convencermos a entrar na brincadeira, é com prazer que comem legumes, em vez de os rejeitar. Afinal, foram elas que os plantaram!

Agora vejam só o que uma simples família americana de Los Angeles conseguiu fazer com apenas 400 m de espaço no seu quintal. O seu desejo é tornarem-se autónomos, auto-suficientes, para que possam, assim, ser livres e não dependerem de ninguém.

Horta orgânica em casa – Família Dervaes, legendas em português

Imagens Retiradas de:

http://lisboaemuitagente.blogspot.com/2009_05_01_archive.html

http://pimentanegra.blogspot.com/2008/04/destruio-em-lisboa-das-hortas-urbanas.html

Segunda-feira, Janeiro 18

Livro Da Semana

Dezanove Minutos, de Jodi Picoult

No mês de Abril de 1999, o mundo acordou em estado de choque: dois jovens da cidade de Columbine, nos Estados Unidos da América, decidiram vingar-se da maldade e desprezo dos seus colegas e, munidos de um pequeno exército de clip_image002munições, mataram a sangue frio 15 alunos e professores e feriram mais de vinte, inclusivamente um docente, que se pôs à frente de um aluno e pagou caro pela sua boa acção. No fim, viraram as armas às suas cabeças e partiram deste mundo vingados. Desde então, começa a tornar-se um hábito abrirmos a televisão e sermos confrontados com mais um tiroteio numa escola, mais um aluno que perdeu a cabeça e decidiu fazer justiça pelas suas próprias mãos, mais um oceano de vítimas que estavam no lugar errado na hora errada.

O mundo, eternamente estúpido, levou tempo a perceber as razões de tal violência. Porém, à medida que se foi tomando conhecimento dos seus diários e das suas entradas na internet, chegou-se à conclusão de que estes dois rapazes eram desprezados e gozados pelos adolescentes mais populares da escola, quase todos ligados ao desporto e às festas de arromba. Mais ainda, um deles sofria de depressão crónica. Na verdade, os dois amigos sofriam de perturbações mentais e não estavam a ser devidamente tratados.

Questão número um: onde é que estavam os adultos, quando a sua presença era mais do que necessária? Ninguém reparou nestas “crianças”? Ninguém reparou que elas não eram bem tratadas pelos colegas? Que fez a escola para tentar reintegrá-los? Onde estavam os pais? Onde estavam os professores? Onde estavam os funcionários da escola?

Questão número dois: serão eles culpados ou vítimas de uma sociedade, que fecha os olhos à violência e que acha que o bullying é uma coisa normal, “uma brincadeira de rapazes”?

O bullying sempre existiu desde que as crianças são crianças. Que o digam (por exemplo) as centenas de jovens dos colégios internos, especialmente os ingleses. Porém, assistimos a dois fenómenos completamente novos: em vez de as vítimas se calarem e acatarem a maldade dos outros, planeiam a vingança e levam-na à prática, mesmo que esta termine com o fim das suas próprias vidas. Em segundo lugar, o bullying não está a aumentar mas está a tornar-se cada vez mais perverso e sórdido. Há cinquenta anos atrás, gozar com os colegas resumia-se a uma série de socos no recreio da escola, briga essa que quase sempre acabava no gabinete do Director, com os pais aos berros a pregarem bofetadas e puxões de orelhas aos filhos. Ou, quanto muito, era o “caixa de óculos” ou alcunhas ofensivas. Os adultos estavam presentes, toleravam uma certa maldade na hora do recreio. Porém, quando esta começava a atingir proporções doentias, era o “pára já, senão levas um sopapo”. E é precisamente aqui que a sociedade do século XXI falha: assim que os adultos viram as costas, as crianças, completamente sozinhas, dão asas à sua imaginação, quer para o bem quer para o mal. E não há ninguém que as controle. E quem leu O Deus das Moscas, sabe muito bem do que estamos a falar (já foi nosso livro da semana: http://bibliotecaportaberta.blogspot.com/2009/04/livro-da-semana_27.html ).

O livro da semana, como já devem ter adivinhado, aborda precisamente este tema: um adolescente vinga-se de anos e anos de maus-tratos e de “indiferença” por parte dos professores, funcionários da escola e pais da maneira mais inesperadamente violenta que se possa imaginar. A escritora deste romance de cortar à faca tenta ser o mais imparcial possível: todos mas todos têm culpas no cartório e todos são inocentes. Nem Peter Houghton merecia ser tão mal-tratado nem as vítimas mereciam ser vítimas. Acima de tudo, ficamos com a sensação de que a Sociedade, quando quer fazer justiça, já chega e sempre tarde demais.

Terminamos este texto com uma das músicas mais emblemáticas do grupo Pearl Jam, em homenagem a Jeremy Wade Delle, um adolescente de quinze anos que se matou na sala de aula, à frente de alunos e professores. Veio-se a descobrir que os pais pouca atenção lhe davam e Jeremy era um rapaz solitário, mal-compreendido pelos seus colegas.

A solidão, como já reparámos, está sempre presente em todos estes miúdos...

Pearl Jam – Jeremy (legendado)

 

Domingo, Janeiro 17

Ninguém, Ninguém É Cidadão!

clip_image002Corria o ano de 1969 quando no Brasil, em plena ditadura, Caetano Veloso e Gilberto Gil construíam uma das “músicas” mais fortes e mais brilhantes contra o racismo: Haiti ou O Haiti É Aqui. Não é propriamente uma música, mas sim, um rap falado em português, e a mensagem é clara: Muitos dos negros que agora são vítimas de racismo no Brasil vieram de antepassados raptados, metidos em “navios negreiros” e escravizados pelos portugueses. O Haiti era um desses “hipermercados” de escravatura: com a ajuda de muitos chefes tribais (que, assim, facturavam às custas do sofrimento de muitos seres humanos), eram às centenas de milhar os nativos que perdiam a sua honra e a sua vida.

Duzentos anos depois, o Haiti continua a existir na terra do samba. Como diz esta canção, no Brasil ninguém é cidadão!

Muita atenção ao poema, que é de cortar a respiração.

O Haiti – Caetano Veloso (Ao vivo)

Sexta-feira, Janeiro 15

Haiti: Uma Tragédia Há Muito Anunciada

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Haiti e República Dominicana: um contraste chocante (fotografia da revista National Geographic)

Logo no início deste ano lectivo, a equipa da biblioteca tinha proposto aos nossos leitores a espreitadela de uma obra de divulgação científica: Colapso, de Jared Diamond (poderão (re)lê-lo neste link: http://bibliotecaportaberta.blogspot.com/2009/09/vinte-anos-para-salvar-o-planeta.html). Parece coincidência, mas não é: o capítulo 11 (Uma Ilha, Duas Nações, Duas Histórias) é exclusivamente dedicado ao chocante contraste entre a República Dominicana e o Haiti. Ambas são, de facto, nações muito pobres. Porém, enquanto que o lado direito soube ter visão e apostar no futuro (República Dominicana), o lado esquerdo desbaratou o melhor que tinha, ou seja, o seu Ecossistema (Haiti) e agora vive na total e absoluta miséria. E tinha sido várias vezes avisado de que caminhava para a destruição.

Por mais que isto nos desagrade, é a um ditador com visão que temos que agradecer: quando Joaquín Balaguer (oficialmente considerado “Presidente” desta metade da ilha) tomou posse do governo da República Dominicana no ano de 1966, o seu país estava a caminhar tal e qual para a destruição que hoje assistimos no Haiti. Este homem, horrorizado com o poder total das indústrias madeireiras, que estavam literalmente a desertificar e a emprobrecer a sua pátria, considerou crime público matar uma árvore. O seu extremismo foi tal que retirou a gestão das florestas ao Ministério da Agricultura e entregou a sua guarda e preservação aos militares. Estes foram práticos e funcionais: criaram um plano de preservação, que consistia em fazer sobrevoações diárias e atirar para matar em qualquer homem ou mulher que estivesse a fazer “coceguinhas” com o machado a algo semelhante a um arbusto. Esta guerra entre as indústrias da madeira e as tropas culminou num massacre em 1967: ao detectarem um campo clandestino de abate de árvores, as forças do exército meteram-se a caminho e mataram a sangue frio dezenas de madeireiros. O aviso estava dado: tocam numa árvore, pagam com a vida.

E parece que resultou: a República Dominicana continua a ser ainda hoje uma nação bastante pobre, mas devido à “bio-muralha” das suas florestas, as catástrofes naturais (bastante comuns naquela área do planeta, esta foi apenas mais uma) só vitimam umas escassas dezenas. Do outro lado, são às dezenas ou centenas de milhar. Pensando bem, a Mãe Natureza não é nada estúpida: os gigantescos e imponentes jardins daquela ilha não foram criados para enfeitar as fotografias da revista National Geographic. Foram criados precisamente para atenuar o impacto das mais que comuns devastações climáticas nesta zona do planeta. E sem essa barreira a terra ficou nua, morta e indefesa.

Ao destruirem o seu ecossistema, os Haitianos destruíram o seu futuro. E, como sempre, são os inocentes que pagam caro a factura: esta gente, que agora jaz nos escombros de uma capital pulverizada pelo impacto de três bombas atómicas, não teve nada a ver com a estupidez dos seus pais e avós. Resta-nos agora apoiá-los, alimentá-los, curar os vivos e enterrar os mortos, limpar as cidades e convencê-los a replantar as áreas das suas extintas florestas.

Vejam este video da Sic Notícias, que relata brevemente muito do que dissemos acima, e que foi emitido precisamente ontem:

Haiti – Desflorestação, Pobreza e Instabilidate Política

Quinta-feira, Janeiro 14

Lição De Vida – O Inverno Entristece A Nossa Alma...

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Paisagens de Inverno

Passou o outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.


Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?


Ficai, cabelos dela, flutuando,
E, debaixo das águas fugidias,
Os seus olhos abertos e cismando...


Onde ides a correr, melancolias?
- E, refratadas, longamente ondeando,
As suas mãos translúcidas e frias...

in Clepsidra

Pintura de John Everett Millais, Ofélia

Quarta-feira, Janeiro 13

Qual Foi A Maior Invenção Da Humanidade?

Em apenas vinte anos, o mundo mudou radicalmente: há vinte anos atrás não existia o Youtube, nem o Facebook, nem o Twitter, nem a Wikipedia, nem as escolas online, os quadros interactivos eram coisa de FBI e da CIA, os computadores portáteis eram dez vezes mais caros do que são agora, não era assim tão fácil espiar o vizinho do lado, a pen era um monstro gigantesco que só dava para armazenar 30 mb clip_image002de arquivos, o tele-trabalho era uma miragem de poucos, o DVD competia com a velhinha cassette de video.

Há vinte anos atrás, não se tinha descoberto ainda um par de óculos que nos permitisse restituir a visão a cegos, a guerra contra o cancro estava quase perdida, 120 exo-planetas ainda não tinham sido descobertos (e alguns deles, segundo vários cientistas, podem muito possivelmente abarcar algum tipo de vida), a existência da anti-matéria ainda não tinha sido provada em laboratório, o teletransporte era ficção-científica e não existia tal coisa chamada “efeitos especiais feitos em computador”. O computador caseiro era um luxo de poucos e o melhor mesmo é nem falar da internet e dos telemóveis. Nasciam os primeiros anti-vírus, o muro de Berlim tinha acabado de ser demolido, palavras como “aquecimento global” ou “reciclagem” só eram sussurradas por alguns loucos e cientistas, a Genética era um ramo da ciência que começava a ter impacto na vida de todos os seres humanos, a tvcabo era uma coisa que só existia “lá fora” (usavam-se antes as antenas parabólicas) e era um luxo de poucos. O Jaccuzzi era um capricho dos grandes abastados (ainda é, mas já não tanto), fumava-se em todos os lugares, inclusivamente nos autocarros e salas de aula (eu tive professores que fumavam na sala de aula!), os solários eram desconhecidos em Portugal, a Feira Popular ainda mexia...

Se continuarmos a pensar em todas as mudanças que ocorreram no mundo e no nosso país, no curtíssimo espaço de apenas vinte anos, nunca mais saímos daqui. Porém, fazendo um balanço geral, quais terão sido as 50 invenções que realmente mudaram a face deste planeta? O jornal Expresso aceitou este desafio tão difícil e fez a sua lista muito pessoal e subjectiva. Muitas destas descobertas/invenções são já um consenso geral: não nos passa pela cabeça não incluir nesta lista as invenções da roda ou da televisão ou da internet. O que torna esta síntese interessante é o grau de importância que todos nós damos a cada uma delas. O que marcou mais a Humanidade? A imprensa (imagem no cimo) ou o preservativo? O frigorífico ou a pilha? A electricidade ou o avião? A Agricultura ou a invenção do relógio solar?

Cada um tem a sua lista pessoal. E se me perguntarem qual foi a mais perfeita invenção do Homem, a minha resposta está pronta: o cão.

E tu? Se tivesses que escolher apenas uma, qual seria? Dá uma espreitadela à fotogaleria do Expresso.pt (http://aeiou.expresso.pt/50-invencoes-que-mudaram-a-nossa-vida=f554598) e vamos lá a ver se concordas ou não com as escolhas da equipa deste semanário.

Já agora, diverte-te com “As dez piores invenções do Homem”. A revista inglesa Focus realizou em 2007 um inquérito a mais de 4164 pessoas, perguntando-lhes qual teria sido a pior invenção da Humanidade, e alguns resultados foram, no mínimo, surpreendentes...

As dez piores invenções da Humanidade

Imagem retirada de:

http://blog.projetovida.com.br/up/p/pr/blog.projetovida.com.br/img/Buchdrucker_1568_ok.gif

Terça-feira, Janeiro 12

As estrelas Vieram e Encantaram!

clip_image002[6] Na sexta-feira passada, a nossa escola recebeu a visita do planetário móvel da Escola Secundária Diogo Gouveia. O objectivo consistia em ensinar a várias turmas, de uma forma divertida e pedagógica, a melhor maneira de encontrarmos as constelações no céu. Por fora, parecia um gigantesco iglo insuflado (para entramos no mesmo, tínhamos que o fazer de gatas, o que provocou muitos risos bem-dispostos entre todos os participantes). Mas, por dentro, um céu bem estrelado e límpido aguardava a chegada de todos. E nestes dias tão cheios de chuva e de cores cinzentas, soube bem matar saudades dos astros...

De início, o professor Luís Miranda explicou aos alunos presentes a razão porque algumas constelações se chamam Cassiopeia ou Orion, ou por que motivo os nossos horóscopos incluem figuras como o Capricórnio, os Gémeos, Balança ou Peixes, em vez do Galo, do Cão, do Rato ou do Dragão, típicos do horóscopo chinês. Ficámos todos a saber que todas estas personagens astrais foram imaginadas pela antiga Civilização Grega.

 

clip_image004 Como era de se esperar, todas estas figuras apresentam uma lenda, e cerca de vinte minutos foram bem passados a ouvir histórias engraçadas dos deuses do Olimpo, as suas brigas, vinganças, “espertezas saloias”, paixonetas e eternas guerras. Quando finalmente as histórias mais conhecidas foram relatadas, passou-se ao “teste de avaliação”: olhando para o céu estrelado (que, por fora, nada mais era do que uma bola de plástico), perguntou-se aos alunos se conseguiam detectar as várias constelações, desta vez sem a ajuda de desenhos. Quase todos passaram o teste e muitos ainda se lembravam onde estava o cão Sirius, companheiro de Orion ou onde estava o seu signo.

O sucesso desta actividade promovida pelo Plano Nacional de Leitura foi tão grande que vários professores do Secundário, que não tiveram oportunidade de assistir a este evento, pediram um segundo round. Se a tua turma não foi contemplada desta, pede ao teu professor para que inscreva os teus colegas da próxima vez!

E, já agora, por que motivo o horóscopo chinês é tão diferente do nosso? Reza a lenda que Buda, um dia, convidou todos os animais deste planeta para festejarem a chegada de doze meses novinhos em folha. No entanto, só apareceram doze. Por isso mesmo, em agradecimento pela boa vontade destes “amigos não-humanos”, baptizou cada novo ano com o nome de cada um deles...planeta