quinta-feira, Outubro 16, 2014

Ebook da semana


Os Maias, de Eça de Queirós
As desculpas para fugir dos livros estão a ficar cada vez mais raras! Em tempos que já lá vão, os portugueses que não gostavam de ler justificavam-se com a célebre lamúria “Os livros são caros, não tenho dinheiro para tal”. Infelizmente, a era dos livros digitais veio estragar-lhes a festa: a esmagadora maioria das obras estudadas na escola já se encontram em formato pdf ou epub, o que quer dizer que basta um “pé rapado” ter um tablet, um smartphone, um kobo ou um computador normal para imediatamente ter acesso a milhões e milhões de obras literárias que já nem sequer são ao “preço da uva mijona”: simplesmente, são a preço zero.
Como é isto possível??!! É muito simples: ao fim de 70 anos após a morte de um escritor/poeta, a regra comum em muitos países é determinar que o mesmo passará a fazer parte do chamado “domínio público”, isto é, o leitor já pode ler as suas obras sem ser acusado de roubo de direitos de autor. E grandes sites dedicados à preservação de conhecimento (o Projeto Gutenberg é o mais famoso de todos) têm feito as delícias de todos os amantes da leitura pelo mundo fora. Resumindo e concluindo: quem quer que hoje em dia baixe os contos do famoso detetive Sherlock Holmes ou prefira ler os romances de Charles Dickens estará a exercer um direito importantíssimo que pertence a todos os cidadãos do século XXI: o direito de termos acesso à Informação e ao Conhecimento, independentemente de pertencermos a uma classe abastada ou não.
Os primeiros ebooks que serão aqui publicitados referir-se-ão (obviamente) a obras exigidas nas disciplinas de Português ou de línguas Estrangeiras: por muito baratos que os livros hoje possam ser adquiridos (a Porto Editora está a vender “Os Maias” em formato digital a 2.99 €!!!!), a verdade é que esta crise económica está a arrebentar com a carteira dos portugueses. Assim, toda a ajudinha que vier – no sentido de pouparmos uns trocados – é sempre muito bem vinda. Assim, e em jeito de introdução à nossa biblioteca digital, aqui vai o link dedicado a uma grande obra literária de referência mundial: Os Maias, de Eça de Queirós, no Português de Portugal.
Poderão descarregá-lo daqui
Boa leitura!
Imagem retirada daqui



quinta-feira, Outubro 09, 2014

Livro do Mês: Relatório do Interior, de Paul Auster

Livro do Mês
Relatório do Interior, de Paul Auster

Poucos autores americanos são tão amados na Europa como Paul Auster. De facto, existe um grupo de intelectuais dos Estados Unidos da América – pintores, cineastas, músicos, escritores, etc - que, ainda antes de serem respeitados nas terras do tio Sam, já são amados e seguidos pelos Europeus. É o caso, por exemplo, do realizador Clint Eastwood, que só começou a ser verdadeiramente respeitado quase dez anos depois de ter sido “descoberto” no festival de Cannes. Dir-se-ia que os americanos não valorizam o que é deles e – pior ainda! – desprezam os seus mestres e génios que são venerados na Europa. Para eles, qualquer artista ou pensador que merece a cotação de cinco estrelas no território Eurotrash não tem o direito de ganhar um Óscar ou um Grammy. Felizmente, esta mentalidade já está a mudar, o que quer dizer que as gerações mais jovens já não parecem ter tantos complexos de inferioridade…

 Se estão à espera de histórias lamechas, estilo Nora Roberts ou Nicholas Sparks, podem tirar o cavalinho da chuva: Paul Auster é um escritor de génio, um dos poucos escritores que, neste século de literatura tão medíocre, merecem mesmo o nome de “escritor”. A sua obra literária não tem nada a ver com a paraliteratura que se vende hoje nas Bertrands e Fnacs. São livros que não só nos deleitam como também nos obrigam a pensar no mundo em que vivemos, e qual o papel que desempenharemos nele. E desta vez, Paul Auster embrenha-se uma vez mais no seu passado. De que fala ele? De tudo: de Deus, das flores, da natureza, da origem dos sentimentos, da sua família, da sua nação… Enfim, tudo aquilo que o fez crescer, que fez de Paul aquilo que ele é, como ser humano e como cidadão americano (Poderão ler um excerto desta obra clicando aqui ).

Reservado e tímido por natureza, Paul Auster possui o dom que todos os tímidos possuem: a capacidade de observar os outros e de os ver tal como são, despidos da máscara da classe social, do prestígio, da cor pele e do sexo. Porque a Arte genuína só pode ser criada através da introspeção e do silêncio. Por isso mesmo, num mundo onde o “já” e o “rápido” imperam, não é de espantar que sejam tão poucos os artistas do século XXI que venham a deixar alguma marca nos próximos anos.Brilhante e clarividente, eis uma obra que não só irá tocar o nosso coração como também nos transmitirá uma sensação de estranha familiaridade: é que muitos dos seus pensamentos, curiosamente, já nos ocorreram numa fase das nossas vidas, nem que tenha sido apenas uma única vez…