Os contos de fada são mais importantes do que a verdade. Não porque eles nos dizem que os dragões existem, mas porque eles nos dizem que os dragões podem ser sempre derrotados.
De: Neil Gaiman
Os contos de fada são mais importantes do que a verdade. Não porque eles nos dizem que os dragões existem, mas porque eles nos dizem que os dragões podem ser sempre derrotados.
De: Neil Gaiman
À Beira Do Apocalipse – O Princípio do Fim, de Tim LaHaye
O Mistério Dos Livros, de Fábio Fabrício Fabretti
O poema
antes de escrito
antes de ser
é a possibilidade
do que não foi dito
do que está
por dizer
e que
por não ter sido dito
não tem ser
não é
senão
possibilidade de dizer
mas
dizer o quê?
dizer
olor de fruta
cheiro de jasmim?
mas
como dizê-lo
se a fala não tem cheiro?
(...)
assim,
o poeta inventa
o que dizer
e que só
ao dizê-lo
vai saber
o que
precisava dizer
ou poderia
pelo que o acaso dite
e a vida
provisoriamente
permite.
De: Ferreira Gullar
Imagem retirada daqui
Eu acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém a liga, eu vou para a outra sala e leio um livro.
De: Groucho Marx
Os Meus Livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
Jorge Luis Borges, in A Rosa Profunda
Imagem Retirada daqui
Citação Do Dia
Esta expressão «Leitura», há cem anos, sugeria logo a imagem de
uma livraria silenciosa, com bustos de Platão e de Séneca, uma ampla poltrona almofadada, uma janela aberta sobre os aromas de um jardim: e neste retiro austero de paz estudiosa, um homem fino, erudito, saboreando linha a linha o seu livro, num recolhimento quase amoroso. A ideia da leitura, hoje, lembra apenas uma turba folheando páginas à pressa, no rumor de uma praça.
De: Eça De Queirós
… Segundo o jornal Brasileiro Folha de São Paulo.
Pois é: agora que o século XX já acabou, está na hora de fazer um balanço geral das obras literárias que marcaram o planeta, criaram discípulos e ainda hoje são periodicamente publicadas. Claro que quando entramos na velha
história d’”Os melhores dos melhores”, entramos no pântano dos gostos subjectivos. E convém lembrar que, todos os anos, milhões de escritores em todo o mundo dão a conhecer o seu talento e criatividade. Ficarmos para a História resume-se, por muito que isto nos desagrade, a estar no sítio certo no momento certo. Quantos autores romenos conhecemos nós? Quantos escritores da China ainda estão para ser encontrados? Quantos poetas de Moçambique foram atirados ao caixote de lixo ou se encontram amontoados num caixote de uma loja de livros em segunda mão, prontos para serem (re)descobertos? E quantos génios do Paquistão conhecemos? Adiante.
Citação Do Dia
Esta é, afinal, a grande vitória dos livros: mesmo depois de mortos ajudam-nos a compreender a vida.
De: Faíza Hayat
Ler implica um esforço: de atenção, de inteligência, de memória. Ler é uma actividade e a nossa cultura é quase inteiramente passiva. A televisão, o DVD, a música popular ou a conversa de computador não exigem nada, deixam a pessoa num repouso imperturbado e bovino.
De: Vasco Pulido Valente
Dharma é o caminho da justiça, é viver sua vida de acordo com os códigos de conduta como descrito nas escrituras Hindus. O Dharma é a lei moral combinada com disciplina espiritual que guia a vida de alguém. Os Hindus consideram o Dharma a fundação da vida. Ele significa “aquilo que guarda” as pessoas desse mundo e toda a criação. Dharma é “a lei do existir” sem o qual as coisas não podem existir.
In http://aguapotavel.blogspot.com/2008/06/o-que-dharma.html
A palavra Dharma também tem um outro significado: representa a lei natural das coisas,
Citação Do Dia
Nunca devemos batalhar
contra um livro que não nos diz nada, quando há tantos outros à nossa espera. Quanto muito, podemos revisitá-lo um dia mais tarde, porque um livro nunca se lê duas vezes da mesma maneira.
De: Isabel Stilwell
Para Aguçar O Apetite
Strange Angels, de Lili St. Crow (legendado)
O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy
Se vocês acham que os livros já não são objectos para serem temidos, sugiro que dêem uma espreitadela só aos últimos dez anos: desde o Caim de José Saramago até Gomorra de Roberto Saviano; desde o Quem Quer Ser Bilionário de Vikas Swarup até Descascando a Cebola, de Günter Grass; desde A Desilusão de Deus de Richard Dawkins até ao inenarrável Segredo; a verdade é que os livros estão de boa saúde, recomendam-se e até são capazes de derrubar governos e entidades poderosas, são capazes de mudar as nossas vidas e a percepção que temos do mundo. Por isso mesmo,
Se não os conheciam, ficaram a conhecê-los: dois irmãos “cromos” saídos de um álbum de caricaturas. Um tem patilhas, bigode, aspecto de macho latino e o outro, mais caladinho, acompanha-o à viola. A dupla irrita, provoca, faz rir uns e exasperar outros. Recentemente ganharam o Festival da Canção, perante o espanto de muitos, porque foi o próprio público quem votou neles, destronando, assim, a canção que estava para ganhar, de nome São os Barcos de Lisboa, de Nuno Norte. Receberam o prémio no meio de apupos e de gente a sair da sala, completamente furiosa.
É caso agora para nos perguntarmos: mas a música é assim tão provocadora? Estou-me a lembrar dos bons velhos tempos em que o Herman José era o rei da comédia portuguesa, e as suas entrevistas históricas no programa Humor de Perdição causaram uma enorme polémica e, aqui entre nós, eram bastante mais irreverentes e provocadoras do que a intervenção dos Homens da Luta. Ou os portugueses deixaram de saber rir de si mesmos ou o tipo de humor que estes irmãos fazem não é lá muito apreciado no nosso país ou então não têm graça nenhuma.
Actividades programadas:
1- 17 de Março, 9h.30 minutos no Centro de Saúde
Teatro de Fantoches O Rei Vai Nu, adaptação de um conto de Hans Christian Andresen, integrado no projecto Ler+ Dá Saúde, por parte de alunos da turma B do 9º ano.
2- 18 de Março, 21 horas, na biblioteca
Dharma: encenação teatral e musical de alunas do turma B do 9º ano (com a participação de uma aluna do 9ºA).
3- 21 de Março, às 14h 30m e às 21 horas, sala A1![]()
Sophia – Pequena homenagem à obra literária de Sophia de Mello Breyner Andresen, da autoria de José Gato e com a colaboração do grupo Baal 17.
4- 24 de Março, 20h.30 minutos, na biblioteca Abertura oficial do Clube de Leitura: traz um livro e vem falar dele!
Ao Longo das
Semanas:
1- Concurso O Que É Demais Não Presta: és capaz de construir uma história com 150 palavras no máximo? O prémio será um livro à tua escolha.
2- Feira do Livro Usado – atividade da turma A do 9º ano (na Biblioteca da escola ) : Livros ótimos em bom estado e a partir de 50 cêntimos!
3- Textos, citações e excertos de livros no blog Biblioteca Porta Aberta e na página do Facebook;
4- Actividade Eles Estão Aqui: um representante ou aluno da Biblioteca e do Plano Nacional de Leitura irá às salas de aula para mostrar aos alunos alguns livros que vale a pena ler.
Outras actividades encontram-se em forja! Fica atento!
Biblioteca/Centro de Recursos
Plano Nacional de Leitura
Estamos de tal forma habituados a ver só filmes americanos que já
quase nos esquecemos que também existem outras formas de filmar, outras maneiras de contar uma história, outros olhares muitas vezes até mais argutos e mais profundos do que o cinema vulgar vindo de Hollywood.
A Sétima Arte é um mundo rico de jóias do passado e do presente. Por isso mesmo, a estante deste mês vai ser dedicada não aos livros mas a génios que transformam uma simples máquina de filmar num livro transformado em imagens e palavras vivas.
Há de tudo: filmes franceses, eslavos, russos, espanhóis, filmes independentes vindos dos quatro cantos do planeta. É o outro cinema, aquele que só é visto por um punhado de verdadeiros cinéfilos.
Espreitem, que vale a pena!
Conheçam o som bem-disposto de uma das grandes bandas do género electrónico. Andam a fazer sensação desde 2008 mas foi a música What You Need que os catapultou para a fama. Apresentamos aqui a versão Hey Champ Remix que, segundo os entendidos, é ainda melhor do que a original.
Divirtam-se!
Priors – What You Need (Hey Champ Remix)
As Velas Ardem Até Ao Fim, de Sándor Márai
Há certos livros que não nos pertencem, nós é que lhes pertencemos enquanto viramos as páginas ou clicamos no ecrã do nosso ipad, para podermos continuar a história. Há certos livros que respiram sozinhos. Há certos livros que, à semelhança da História Interminável, possuem um coração pulsando, por entre as veias chamadas palavras.
Costuma-se dizer que uma obra que nunca foi lida é uma obra que nunca foi escrita. Todavia, isto não é bem verdade: o livro, no escuro de uma sala ou de um baú lá nos aguarda pacientemente. Pode esperar 100, 200, 500, 1000 anos até que alguém dê com o mesmo numa secção perdida de uma biblioteca ou um sótão fechado, nunca verdadeiramente visitado. Mas ele aguarda-nos, respira, espera pelo dia em que alguém folheie as suas palavras. Foi o que aconteceu com muitos leitores de todo o mundo, que só tomaram conhecimento do escritor Húngaro Sándor Márai quando o muro de Berlim, no ano de 1989, ruiu em festa e alegria. Meses antes, completamente deprimido, Márai dissera adeus ao mundo e acabara com a sua própria vida.
Como se Diz “Amo-te” Em…
Albanês -----Te dua
Alemão-----Ich lieb Dich
Árabe ------Ana Behibak
Arménio ------Yes kez sirumen
Bangladesh-------Aamee tuma ke bhalo aashi
Bielorrússia -------Ya tabe kahayu
Búlgaro -------Obicham te
Cambojano --------Soro lahn nhee ah
Chinês (na zona do Cantão) --------- Ngo oiy ney a
Catalão ----------T'estimo
Cheyenne ------------Ne mohotatse
Coreano ------------Sarang Heyo
Córsega -------------Ti tengu caru
Crioulo ------------Mi aime jou
Croata -------------Volim te
Dinamarquês --------------Jeg Elsker Dig
Holandês-----------Ik hou van jo
Inglês --------------I love you
Indiano ------------ Pyyar te Ka
Eslovaco-------------Lu 'bim ta
Esloveno-------------Ljubim te
Espanhol--------Te quiero - Te amo
Esperanto ------------Mi amas vin
Estoniano -------------Ma armastan sin
Etíope-----------Afgreki'
Farsi ----------Doset daram
Filipino ----------------Mahal kita
Finlandês ----------Mina rakastan sinua
Francês -----------Je t'aime - Je t'adore
Gaélico -------------Ta gra agam ort
Escocês ---------------Tha gra - dh agam ort
Georgiano --------------Mikvarhar
Grego ---------S'agapo
Gujarati ---------------Hoo thunay prem karoo choo
Havaiano------------Aloha wau ia oi
Hebreu ---------------Ani ohev otah
Hopi -----------Nu' umi unangwa'ta
Húngaro ----------Szeretlek
Islandês ------------Eg elska tig
Indiano -----------Hum Tumhe Pyar Karte hae
Indonesiano --------------Saya cinta padamu
Inuit --------------Negligevapse
Irlandês -----------Taim i' ngra leat
Italiano ------------Ti amo
Japonês -----------Aishiteru
Látvia ----------Es tevi miilu
Libanês ------------Bahibak
Lituano -------------Tave myliu
Malaio ------------Saya cintakan mu - Aku cinta pakamu
Mandarim (chinês do) -------------Wo ai ni
Marathi ----------------Me tula prem karto
Marroquino ---------------Ana moajaba bik
Mohawk --------------Kanbhik
Nahuati ------------------Ni mits neki
Navajo -----------Ayor anosh'ni
Norueguês -----------Jeg Elsker Deg
Persa ----------------Doo-set daaram
Polaco ---------------Kocham Ciebie
Português --------------Amo-te
Romeno -------------Te ubesk
Russo ------------Ya tebya liubliu
Sérvio --------------Volim te
Não gosto da escola. A escola é uma seca. Que chatice aprender, que chatice trabalhar. Se ganhasse a lotaria já não fazia nada. É uma pena não ser rico, que é para viver à grande. Quando é que chegam as férias grandes? Estou velho demais para isto.
Se estas citações não vos dizem nada, os nossos pêsames: bem-vindos a Portugal, a terra onde quase ninguém gosta de fazer nada, onde são poucos os que gostam de ler, de descobrir novas coisas. A terra onde a maioria das crianças só põem os pés num museu quando são os professores a marcar uma visita de estudo. A terra onde os cientistas são literalmente ignorados e o futebolista mais fraquito merece 10 minutos de atenção num telejornal.
O Senhor Dos Anéis, de J.R.R. Tolkien
O filme já foi visto, já toda a gente conhece a história, foram anos de histeria colectiva à volta da trilogia de Tolkien, já toda a gente tem uma palavra a dar sobre esta história e estas personagens, toda a
gente sabe quem é o Legolas e o Frodo… Então por que motivo esta grande obra-prima do género da Fantasia continua a ser lida e estudada (até nas faculdades!)?
Por uma razão muito simples: foi a primeira aventura de todas que fez da Fantasia um género maior e não apenas contos de fadas para a pequenada. Foi graças a Tolkien que um novo tipo de narrativa começou a ser valorizado: a criação de universos, de sagas de reinos perdidos. Sim, é verdade: histórias de aventuras, de fadas e bruxas, de cavaleiros valorosos e feiticeiros negros ligados a deuses do Mal sempre existiram. Mas o que Tolkien fez de absolutamente revolucionário foi criar tudo um universo do nada. Ele criou a História de todos os povos da Terra Média, desenhou do nada os mapas da Terra Média, criou quase do nada as línguas deste reino imaginário, inventou a comida, os hábitos, os costumes, os deuses e deusas da Terra Média, desenhou as genealogias dos reis e rainhas desse tempo perdido, descreveu as cidades caídas e as cidades ainda vivas deste planeta dos sonhos, inventou a flora e muitos animais imaginários, inventou superstições e medos de eras perdidas, deu alma e corpo a todo um universo distante que, segundo o autor, existiu ainda antes das pirâmides e que hoje se encontra injustamente esquecido.
E três filmes têm todas as condições para ganhar. Ora vejam:
O Discurso do Rei
Inception (A Origem)
Indomável
A Montanha Mágica, de Thomas Mann
Como é que uma história onde aparentemente não se parece passar nada pode ser tão interessante?? Como é que é possível escrevermos um romance gigantesco de 800 páginas à volta do nada?
No ano lectivo passado, a nível nacional, ficámos num bem honroso segundo lugar: mais de 40 toneladas de “monos” cheios de pó e ferrugem, que só estavam a empatar um canto da casa. Desta vez, quisemos subir a fasquia e, desde o início das aulas temos, tem sido um nunca mais acabar de tralha electrónica a ser descarregada no pátio da nossa escola. Será que conseguimos ultrapassar as 40 toneladas?
Pois bem, agora é a vez de as devidas instituições de reciclagem estarem a recolher tudo o que acumulámos. Todas estas velharias (algumas bem giras e bem nostálgicas…) serão transformadas em novos chips, peças para outras máquinas, e as que já não prestam para mesmo nada serão recicladas de vez. Entretanto, o meio ambiente agradece.
Ganhando ou não, o facto de já estarmos a livrar Serpa de tanto lixo (e quem diria que iríamos encontrar tanto!) já é meritório. Desta vez as honras cabem aos professores Paulo Amoroso e Ana Ângelo da Equipa Escola Electrão e ao grupo Desconectados (Área de projecto, 12º A).
Um bem-haja a todos e boa sorte para o concurso!
Ah: Já agora, já foram à papelaria comprar a t-shirt do grupo Desconectados? Aproveitem, que o logótipo é 5 estrelas!
Cântico da Esperança
Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.
Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.
Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.
Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.
Não seja eu tão cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mão
no meu fracasso!
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Crianças Com Cancro
Imagem retirada daqui
A Máquina Do Tempo, De H. G. Wells
Tem sido o sonho de inúmeras gerações de cientistas e, felizmente para muitos, viajar no tempo ainda é literatura de Ficção Científica. Felizmente? Talvez sim: imaginem o que aconteceria ao planeta se existissem fanáticos políticos que pudessem ter a possibilidade de resgatar o seu herói da morte conseguindo, assim, modificar o nosso futuro: Mussolini, Estaline, Hitler, o carrasco Torquemada, entre muitos outros. Tendo em conta que o mundo está cheio de doidos, nunca mais poderíamos descansar em paz pois, a qualquer momento, a qualquer segundo, teríamos que arranjar mecanismos de detectar quem visita o passado ou o futuro para o modificar. E tendo em conta que tal é impossível, teríamos que fechar as portas a estas viagens pouco tradicionais.
Porém, também existe o lado luminoso da máquina do tempo: quantos mistérios históricos e arqueológicos não seriam descobertos? Quantos livros, quadros, filmes e grandes composições musicais não seriam preservados das chamas e do esquecimento? Quantas vidas não seriam salvas, humanas ou não?
A História da ficção científica está cheia de estórias relacionadas com este tema e, de facto, não há uma série de Tv. neste género que não vá buscar inspiração ao invento mais desejado por muitos cientistas. Ora, H. G. Wells, um verdadeiro amante da Ciência, era um deles.
Tudo começa quando o “Viajante do Tempo” – é o nome pelo qual a personagem principal fica conhecida – mostra aos seus amigos o poder e eficácia da sua grande invenção: uma máquina do tempo. Por enquanto, mostra-lhes apenas um pequeno protótipo, que desaparece à vista de todos. Completamente entusiasmados, decidiu-se marcar uma outra demonstração, desta vez com a engenhoca original, para a próxima semana (podem ter uma ideia de como se parecia através da foto em baixo). Todavia, quando chegam na data e hora marcada, em vez de encontrarem um cientista triunfante e feliz, encontram um velho desgrenhado, de roupas esfarrapadas, completamente desorientado. Quando finalmente se acalma, conta a sua história à multidão expectante. E o que tem para contar não é nada agradável.
H. G. Wells, ao contrário dos Ingleses e intelectuais do seu tempo, não é nada optimista. Não acredita que a Humanidade caminhe para um paraíso na terra, até porque o mundo que está a ser criado – um mundo de terríveis injustiças sociais e económicas – não irá trazer o progresso, a paz, a cultura e educação para todos. O futuro
que Wells prevê é o de uma Humanidade dividida em duas: de um lado temos os Eloi, belos puros mas completamente infantis e estúpidos, e do outro temos os Morlocks, uma raça monstruosa e predadora, que vive nas profundezas e que se alimenta da carne dos Eloi, como se não fossem mais do que gado para a sua mesa.
Wells acreditava que as injustiças sociais iriam, cedo ou tarde, criar uma sociedade de monstros predadores e de vítimas estupidificadas. E não foi sempre assim?, perguntam vocês. Sim, foi sempre assim. Porém, se este padrão se mantiver, a Evolução seguirá o seu caminho e, no futuro, existirão duas raças humanas: os Morlocks, senhores do mundo e predadores e os Eloi, as crianças escravizadas. Aliás, se existe um tema que este escritor do século XIX tanto gosta de focar é a fragilidade do Ser Humano: na sua outra obra-prima A Guerra dos Mundos, a invasão dos marcianos é implacável e super-fácil de ser atingida. O Homem não está à altura do poder dos extra-terrestres e, por isso, sucumbe facilmente. Só a união, o trabalho de grupo e a solidariedade é que poderão dar força a esta espécie tão indefesa, mas suficientemente inventiva para dar a volta por cima. Escrito há mais de 100 anos, este livro é ainda hoje bastante actual.
Como são, aliás, todas as obras-primas da Humanidade.
Imagem retirada daqui
Desta vez vamos voar pelo mundo da fantasia, da imaginação, da ficção científica e até do horror! Temos contos de gelar o coração e que não nos deixam dormir à noite; temos máquinas que viajam no tempo; temos dragões e heróis de espada à cinta; temos anéis para derreter num vulcão poderoso; temos reinos encantados e criaturas assustadoras; temos extra-terrestres e estrelinhas caídas do céu…
Numa época de grande crise económica, eis a maneira mais barata de viajar: através da leitura.
Divirtam-se!!
Imagem retirada daqui
Ninguém gosta de ser velho. A velhice não só acaba com a nossa cara fresca e bem-disposta como destrói, acima de tudo, a saúde, debilitando-nos e arrasando a nossa independência e espírito livre. A velhice oferece-nos de bandeja o cansaço, as dores todas pelo corpo, os ossos emperrados, a fraqueza nas pernas, a falta de visão, a queda do cabelo, os quilinhos a mais, recordações confusas ou o desaparecimento das mesmas. Por isso mesmo, a História da Humanidade está cheia de lendas girando à volta de uma maravilhosa fonte de juventude, e bastava um pequeno golinho para restituir a força ao herói e a beleza à mulher.
Mas embora exista já um gigantesco exército de cientistas a trabalharem no mundo da cosmética – e palavra “maquilhagem” já deixou de fazer sentido, pois estamos a falar, para todos os efeitos, de medicina – a maioria está apenas interessada na “futilidade” das rugas e de um corpo aparentemente saudável. Até aqui, não há nada de errado nisto. Uma pessoa que gosta do que vê ao espelho tem mais auto-estima do que aquela que foge dele. O problema reside no facto de que a sociedade vive obcecada pela eterna juventude, e quem tem 30 anos em Portugal já não consegue arranjar emprego em lado algum, pois, por mais jovem que a sua aparência seja, o BI diz exactamente o contrário. E há alguma coisa de errado numa cultura onde uma pessoa entra em pânico se vê uma ruga no rosto ou já não consegue encher o frigorífico por causa da mesma.
Todavia, também existe um pequeno grupo de cientistas cujo objectivo não é dar uma cara bonita aos seres humanos mas criar qualidade de vida. E a melhor coisa que se pode fazer para se conseguir isso é… reverter o processo da velhice. Ficção científica? Não, já não é ficção científica, é neste momento a mais pura das realidades: uma equipa de cientistas da Escola de Medicina de Harvard, liderada pelo Biólogo de células cancerígenas Ronald dePinho conseguiu este feito extraordinário: a sua equipa de investigadores conseguiu artificialmente "ligar e desligar" o gene responsável pela reparação do ADN de ratos de laboratório. As cobaias foram primeiro sujeitas a envelhecimento prematuro, que causou a perda de capacidades cognitivas e sinais exteriores, e quando o gene "voltasse a ser ligado" esperava-se um "abrandamento do processo de envelhecimento ou estabilização". "Em vez disso, vimos uma inversão dramática dos sinais e sintomas do envelhecimento: o cérebro aumentou de dimensão, a memória melhorou, deixou da haver pelos grisalhos e regressou a fertilidade", disse à Lusa. "Isto ensina-nos que há uma tremenda capacidade de os nossos tecidos se rejuvenescerem por si próprios", adianta dePinho.
O artigo foi publicado no final de 2010 na revista Nature e tem causado sensação em todo o mundo (podem ler a notícia completa aqui. Independentemente das implicações éticas que esta descoberta pode trazer, duas coisas são certas: o que esta equipa criou foi extraordinário e, há 200 anos, seria considerado magia ou milagre. Além disso, caso esta investigação vá para a frente, veremos no futuro velhinhos a surfar, a ler sem problemas nenhuns, a participarem em desportos radicais, a ajudarem a família em vez de estarem dependentes dela.
Mas não há bela sem senão: agora que vamos ficar mais jovens, o que vai acontecer às reformas? Iremos trabalhar até aos 120 anos? Poderá o nosso planeta, cada vez mais populoso e com uma escassez cada vez mais gritante de água, oxigénio e alimentos, aguentar ainda mais humanos que parecem que nunca mais vão morrer? E para que é que nos serve a juventude se, ao batermos as portas à procura de emprego, os patrões só querem jovenzinhos até aos 28? Vale a pena sermos “velhos” num mundo assim?
A ver vamos.
O estranho mundo das number stations
São estranhas, bizarras, fascinantes, cheias de mistério e de muitos segredos escondidos. Não se sabe quem está do outro da linha a mandar mensagens, o que estarão a conspirar. Não se consegue quebrar o seu código, não se consegue detectar que estação de rádio está a passar estes intrigantes recados, e é extraordinário como, na era das internets e dos telemóveis, ainda hoje, mais de 30 anos depois da primeira vez que estas trocas de informação ultra-secreta entre espiões começaram a ser transmitidas, ainda hoje são usadas por tudo o que é círculos poderosos (segundo o Projecto CONET, uma gigantesca recolha em quatro cds de mais de 150 mensagens crípticas, estas transmissões já duram desde a II Guerra Mundial). Chamam-se Number Stations (estações de números) transmitem os seus códigos em algarismos falados nas mais diversas línguas, qualquer um pode tropeçar nelas numa noite de insónia e são às centenas!!!
Por que motivo são tão eficazes e ainda tão usadas, se vivemos numa era de computadores e passwords tão ultra-secretas e supostamente inquebráveis? Bom, mudar para quê?? As emissões de curta frequência não deixam rasto nem podem ser detectadas. De facto, um pequeno passeio no computador, como estou a fazer agora mesmo, deixa rasto no disco rígido, o que não acontece numa estação de rádio. Mais ainda, o código de números é super-simples e, por isso mesmo, brilhantemente eficaz (em mais de 30 anos, só foi quebrado duas vezes!). Mandar mensagens via curta frequência é bastante mais eficaz e barato do que pagarmos fortunas a hackers para nos blindarem as nossas conversas top secret. Por isso mesmo, nem sequer se importam se uma legião de fanáticos anónimos, ansiosos por serem os próximos a quebrar o código, estejam neste preciso momento a ouvir o “bate-papo” entre espiões.![]()
Mas há, de facto, uma série de mistérios à volta destas estações: por que motivo, em cerca de 30 anos, estas estações nunca foram anunciadas nas televisões e jornais? Por que razão as estações do leste da Europa continuam a transmitir números quando, supostamente, depois da queda da União Soviética, já deviam estar fora do ar? Por que motivo a number station da República Checa continua a operar 24 horas por dia? Por que razão elas podem interferir com o tráfico aéreo e com outros serviços de rádio básicos sem terem que dar explicações a ninguém? Quem está por detrás delas e quem as protege?
Mas aquela que indiscutivelmente mais fascina tudo e todos é a estação russa UVB-76, mais conhecida por The Buzzer (a zumbidora), devido ao facto de transmitir durante 24 horas consecutivas um zumbido estranho, que ninguém faz a mais pálida ideia do que pode ser (poderão escutá-lo aqui: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/UVB-76.ogg). De quando em quando, este estranho som é interrompido, para dar lugar a uma voz humana que, mais uma vez, fala por códigos muitas vezes numéricos (http://soundcloud.com/djoutcold/uvb-76-aug-23-2010-9-32ampst).
Criou-se uma lenda fascinante à volta UVB-76: diz-se que, no dia em que sair do ar, é sinal de que uma guerra nuclear vem a caminho e, quem sabe, os mísseis já estarão a chegar às nossas casas! Calculem, portanto, o pânico que muita gente sentiu quando, no dia 6 de Dezembro de 2010, a estação encontrava-se sinistramente silenciosa. Felizmente, horas depois, já estava a funcionar na perfeição do costume. Mas, desta vez, tinha um zumbido diferente… Que se terá passado? Alguém descobriu o código e, à pressa, arranjaram outro?
Para quem quiser escutar estas estranhas mensagens (e algumas são autênticas caixinhas de música!) podem clicar no seguinte link: http://www.archive.org/details/ird059. Ficarão a saber mais das number stations e do Projecto CONET. Há quem arranje teorias da conspiração ainda mais estranhas, ao afirmar que estes códigos numéricos são conversas entre os governos da Terra e os governos inter-galácticos. Mas são poucas as pessoas que acreditam em tal. É que as number stations são um dos pouquíssimos casos em que a realidade ultrapassa a ficção: são de tal modo fascinantes que nem é preciso ajuntarmos mais detalhes à história.
Number Stations
A História Interminável, de Michael Ende
Ora aqui está uma grande obra-prima do género fantástico que, durante quase vinte anos, esteve fora das estantes de Portugal. Há cerca de vinte anos, este romance de aventuras fez um sucesso de tal forma estrondoso que até virou filme (péssimo, péssimo, péssimo…). Os dois actores miúdos ficaram ricos e famosos de um momento para o outro, o Justin Bieber lá do sítio fez uma canção que, durante semanas, esteve nos tops de todos os países, não havia gato-pingado que não andasse com este romance na mão e depois… nada. Absolutamente nada. Se alguém quisesse comprar esta história incrível tinha que escarafunchar bem escarafunchado todos os alfarrabistas da nossa nação. Ou comprar na internet. Ou herdar dos pais. Mas agora já podemos redescobrir o prazer de entrarmos no reino dos sonhos, onde as imperatrizes são crianças e os dragões são parte desta realidade.
E quem não gostaria de ser como o Bastian, uma criança curiosa e tímida que entra num alfarrabista e dá de caras com um estranho livro que parece estar à espera dela? De facto, este objecto possui uma força de atracção tal que o menino não o hesita em roubar e, mal chega a casa, começa a devorá-lo. Porém, à medida que vai folheando as suas páginas, apercebe-se que este é uma porta dimensional para algo mais. É um chamamento, um convite para uma demanda: descobrirmos quem realmente somos nós. Bastian fica tão fascinado que não hesitará em entrar nesse mundo mas tudo dependerá das decisões que tomar: o lema “Faz o que Quiseres”, logo à entrada do reino Fantastica tem muito que se lhe diga. Mas Bastian depressa descobrirá que fazermos o que quisermos não significa “fazermos qualquer coisa”:
- Só podes descobrir os caminhos de Fantasia - disse Graograman - através dos teus desejos. E só podes ir de um desejo para outro. Aquilo que não desejas é inatingível para ti. É esse o significado das palavras perto e longe neste lugar. E também não basta quereres ir-te embora de um lugar. Tens de querer ir para outro. Tens de deixar que os teus desejos te conduzam.
Depois de vinte anos de ausência, finalmente alguém tem o bom senso e o bom gosto de reeditar esta belíssima história para crianças dos oito aos oitenta anos. A História Interminável pode figurar lado a lado com O principezinho. Estes livros são muitas vezes erradamente confundidos com contos de fadas para a pequenada, e tal não pode ser mais injusto: este livro fala-nos do crescimento interior e da descoberta de nós mesmos, fala-nos da importância da responsabilidade e do mal que as nossas acções podem fazer aos outros, fala-nos da importância dos sonhos, do quão importante é sonharmos de olhos abertos e preservarmos a criança que existe em todos nós. Porque sem ela estamos condenados a uma morte espiritual. Seremos máquinas esvaziadas de sentido, sem projectos e já sem chama.
Triste o adulto que já não consegue voar para o mundo dos sonhos.
Linda Martini – Quarto 210
Pluto – Só Mais Um Começo
Legendary Tiger Man, These Boots are Made for Walking
Poemas Sombrios: Cancro
Na vida, és coisa bruta.
Quando acamado por doença,
Todo aquele que contra ti luta,
Tu fazes com que não vença.
És como que uma sentença,
Depois de uma vida de labuta.
Já te pagaram a avença,
E tu fazes a permuta.
Contigo ninguém se ilude.
Tens um pacto com a morte.
E arruínas a saúde,
A todos os que não têm sorte.
É raro fazeres alarde.
É esse o teu ponto forte.
Quando te vêem já é tarde.
A seguir já vem a morte.
zeninumi 25/9/2007
Aquilo que me prende o pensamento,
Nos ciclos viciosos da lembrança
E me corrói, com o passar do tempo,
Cada traço do ser e da confiança,
Aquilo que me envenena as ideias
E por vontade minha me entristece,
Aquilo que me arrasta pelas teias
Da morte, ou assim parece,
Aquilo que me prende e me tortura,
Aquilo que me destrói sem cura,
E que me perde em sonhos irreais,
Aquilo que me mata a cada dia,
Aquilo que me sufoca e asfixia,
És tu, cancro, ou algo mais.
De: Pedro leitão
Para quem nunca ouviu falar deste tipo de poesia, o Haiku japonês nunca tem mais do que três versos de 5/7 sílabas cada (claro que esta harmonia perde-se com a tradução). O objectivo é atingir a perfeição e a paz através da simplicidade absoluta: menos é mais.
A primeira parte do poema é descritiva e contemplativa, ao passo que a segunda parte já se debruça sobre uma determinada acção/reacção. Quanto à conclusão, esta tem que criar impacto no leitor e transmitir-lhe a sensação de um definitivo ciclo que termina: início, desenvolvimento, fim. Um poema Haiku perfeito, lida a última estrofe, tem que representar um círculo sublime, sem falhas: se ficarmos a “chorar por mais”, então a obra poética não está equilibrada e a perfeição não se atingiu.
Apresentamos aqui as quatro estações vistas pelo poeta Basho (1644-1694), um dos nomes mais brilhantes da poesia japonesa e deste género de poesia.
PRIMAVERA
Apesar da névoa
Mesmo assim é belo
O Monte Fuji
Não esqueças nunca
O gosto solitário
Do orvalho
Brisa ligeira
A sombra da glicínia
Estremece
Debaixo de uma cerejeira
Tudo é servido
Decorado com flores
Extingue-se o dia
Mas não o canto
Da cotovia
Depressa se vai a Primavera
Choram os pássaros e há lágrimas
Nos olhos dos peixes
VERÃO
Preso na cascata
Um instante
O Verão
Um peixe
Nuvens arrastam-se
No leito da ribeira
Frescura
Os pés no muro
Ao dormir a sesta
Num atalho da montanha
Sorrindo
Uma violeta
Silêncio
As cigarras escutam
O canto das rochas
Ervas no estio
Eis o que resta
Do sonho dos guerreiros
OUTONO
A pequena lagarta vê passar
O Outono sem pressa
De se tornar borboleta
Trevos roxos ondulam
Sem deixa cair
Uma só gota de orvalho
Admirável aquele
Cuja vida é um contínuo
Relâmpago
Na escuridão do mar
Brancos gritos
De gaivota
Acabou-se o óleo da lamparina
Mas eis a Lua
Que entra pela janela
Outono
Empoleirado num ramo seco
Um corvo
INVERNO
Primeira neve
Basta um floco para vergar
A folha do junquilho
Um vento glacial sopra
Os olhos dos gatos
Pestanejam
Mesmo um velho cavalo
É belo de manhã
Sobre a neve
Oh, anda ver
Uma bola de neve
A arder
Primeiro aguaceiro de Inverno
Meu nome será
Vagabundo
Deixem-me caminhar
Até que tropece e desapareça
Na neve
Estes poemas foram seleccionados do livro "O Gosto Solitário do Orvalho" de Matsuo Basho, editado pela Assírio e Alvim em 1986. O texto introdutório retira informações do prefácio de Jorge de Sousa Braga.
Os poemas foram retirados do site
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