segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Livro Da Semana

 

As Velas Ardem Até Ao Fim, de Sándor Márai

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Há certos livros que não nos pertencem, nós é que lhes pertencemos enquanto viramos as páginas ou clicamos no ecrã do nosso ipad, para podermos continuar a história. Há certos livros que respiram sozinhos. Há certos livros que, à semelhança da História Interminável, possuem um coração pulsando, por entre as veias chamadas palavras.

Costuma-se dizer que uma obra que nunca foi lida é uma obra que nunca foi escrita. Todavia, isto não é bem verdade: o livro, no escuro de uma sala ou de um baú lá nos aguarda pacientemente. Pode esperar 100, 200, 500, 1000 anos até que alguém dê com o mesmo numa secção perdida de uma biblioteca ou um sótão fechado, nunca verdadeiramente visitado. Mas ele aguarda-nos, respira, espera pelo dia em que alguém folheie as suas palavras. Foi o que aconteceu com muitos leitores de todo o mundo, que só tomaram conhecimento do escritor Húngaro Sándor Márai quando o muro de Berlim, no ano de 1989, ruiu em festa e alegria. Meses antes, completamente deprimido, Márai dissera adeus ao mundo e acabara com a sua própria vida.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Hoje É O Dia Internacional Da Língua Materna

 

Como se Diz “Amo-te” Em…

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Albanês -----Te dua
Alemão-----Ich lieb Dich
Árabe ------Ana Behibak
Arménio ------Yes kez sirumen
Bangladesh-------Aamee tuma ke bhalo aashi
Bielorrússia -------Ya tabe kahayu
Búlgaro -------Obicham te
Cambojano --------Soro lahn nhee ah
Chinês (na zona do Cantão) --------- Ngo oiy ney a
Catalão ----------T'estimo
Cheyenne ------------Ne mohotatse
Coreano ------------Sarang Heyo
Córsega -------------Ti tengu caru
Crioulo ------------Mi aime jou
Croata -------------Volim te
Dinamarquês --------------Jeg Elsker Dig
Holandês-----------Ik hou van jo
Inglês --------------I love you

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Indiano ------------ Pyyar te Ka
Eslovaco-------------Lu 'bim ta
Esloveno-------------Ljubim te
Espanhol--------Te quiero - Te amo
Esperanto ------------Mi amas vin
Estoniano -------------Ma armastan sin
Etíope-----------Afgreki'
Farsi ----------Doset daram
Filipino ----------------Mahal kita
Finlandês ----------Mina rakastan sinua
Francês -----------Je t'aime - Je t'adore
Gaélico -------------Ta gra agam ort
Escocês ---------------Tha gra - dh agam ort
Georgiano --------------Mikvarhar
Grego ---------S'agapo
Gujarati ---------------Hoo thunay prem karoo choo
Havaiano------------Aloha wau ia oi
Hebreu ---------------Ani ohev otah
Hopi -----------Nu' umi unangwa'ta
Húngaro ----------Szeretlek
Islandês ------------Eg elska tig
Indiano -----------Hum Tumhe Pyar Karte hae
Indonesiano --------------Saya cinta padamu
Inuit --------------Negligevapse
Irlandês -----------Taim i' ngra leat
Italiano ------------Ti amo

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Japonês -----------Aishiteru
Látvia ----------Es tevi miilu
Libanês ------------Bahibak
Lituano -------------Tave myliu
Malaio ------------Saya cintakan mu - Aku cinta pakamu
Mandarim (chinês do) -------------Wo ai ni
Marathi ----------------Me tula prem karto
Marroquino ---------------Ana moajaba bik
Mohawk --------------Kanbhik
Nahuati ------------------Ni mits neki
Navajo -----------Ayor anosh'ni
Norueguês -----------Jeg Elsker Deg
Persa ----------------Doo-set daaram
Polaco ---------------Kocham Ciebie
Português --------------Amo-te
Romeno -------------Te ubesk
Russo ------------Ya tebya liubliu
Sérvio --------------Volim te

Fonte(s):

Imagens retiradas de: 1   2   e  3

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Quem Nos Dera Que Fossem Todos Assim…

Não gosto da escola. A escola é uma seca. Que chatice aprender, que chatice trabalhar. Se ganhasse a lotaria já não fazia nada. É uma pena não ser rico, que é para viver à grande. Quando é que chegam as férias grandes? Estou velho demais para isto.

Se estas citações não vos dizem nada, os nossos pêsames: bem-vindos a Portugal, a terra onde quase ninguém gosta de fazer nada, onde são poucos os que gostam de ler, de descobrir novas coisas. A terra onde a maioria das crianças só põem os pés num museu quando são os professores a marcar uma visita de estudo. A terra onde os cientistas são literalmente ignorados e o futebolista mais fraquito merece 10 minutos de atenção num telejornal.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Livro Da Semana

 

O Senhor Dos Anéis, de J.R.R. Tolkien

O filme já foi visto, já toda a gente conhece a história, foram anos de histeria colectiva à volta da trilogia de Tolkien, já toda a gente tem uma palavra a dar sobre esta história e estas personagens, toda a clip_image002gente sabe quem é o Legolas e o Frodo… Então por que motivo esta grande obra-prima do género da Fantasia continua a ser lida e estudada (até nas faculdades!)?

Por uma razão muito simples: foi a primeira aventura de todas que fez da Fantasia um género maior e não apenas contos de fadas para a pequenada. Foi graças a Tolkien que um novo tipo de narrativa começou a ser valorizado: a criação de universos, de sagas de reinos perdidos. Sim, é verdade: histórias de aventuras, de fadas e bruxas, de cavaleiros valorosos e feiticeiros negros ligados a deuses do Mal sempre existiram. Mas o que Tolkien fez de absolutamente revolucionário foi criar tudo um universo do nada. Ele criou a História de todos os povos da Terra Média, desenhou do nada os mapas da Terra Média, criou quase do nada as línguas deste reino imaginário, inventou a comida, os hábitos, os costumes, os deuses e deusas da Terra Média, desenhou as genealogias dos reis e rainhas desse tempo perdido, descreveu as cidades caídas e as cidades ainda vivas deste planeta dos sonhos, inventou a flora e muitos animais imaginários, inventou superstições e medos de eras perdidas, deu alma e corpo a todo um universo distante que, segundo o autor, existiu ainda antes das pirâmides e que hoje se encontra injustamente esquecido.

sábado, fevereiro 19, 2011

Vêm Aí Os Óscares

 

E três filmes têm todas as condições para ganhar. Ora vejam:

O Discurso do Rei

Inception (A Origem)

Indomável

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Obras Intemporais Que Deveríamos Ter Na Nossa Estante III

 

A Montanha Mágica, de Thomas Mann

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Como é que uma história onde aparentemente não se parece passar nada pode ser tão interessante?? Como é que é possível escrevermos um romance gigantesco de 800 páginas à volta do nada?

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

… E Já Estão A Recolher!

clip_image002 No ano lectivo passado, a nível nacional, ficámos num bem honroso segundo lugar: mais de 40 toneladas de “monos” cheios de pó e ferrugem, que só estavam a empatar um canto da casa. Desta vez, quisemos subir a fasquia e, desde o início das aulas temos, tem sido um nunca mais acabar de tralha electrónica a ser descarregada no pátio da nossa escola. Será que conseguimos ultrapassar as 40 toneladas?

Pois bem, agora é a vez de as devidas instituições de reciclagem estarem a recolher tudo o que acumulámos. Todas estas velharias (algumas bem giras e bem nostálgicas…) serão transformadas em novos chips, peças para outras máquinas, e as que já não prestam para mesmo nada serão recicladas de vez. Entretanto, o meio ambiente agradece.

Ganhando ou não, o facto de já estarmos a livrar Serpa de tanto lixo (e quem diria que iríamos encontrar tanto!) já é meritório. Desta vez as honras cabem aos professores Paulo Amoroso e Ana Ângelo da Equipa Escola Electrão e ao grupo Desconectados (Área de projecto, 12º A).

Um bem-haja a todos e boa sorte para o concurso!

Ah: Já agora, já foram à papelaria comprar a t-shirt do grupo Desconectados? Aproveitem, que o logótipo é 5 estrelas!

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terça-feira, fevereiro 15, 2011

Hoje É O Dia Internacional Da Criança Com Cancro

Cântico da Esperança

Não peça eu nunca clip_image002
para me ver livre de perigos, 
mas coragem para afrontá-los.


Não queira eu 
que se apaguem as minhas dores, 
mas que saiba dominá-las 
no meu coração.


Não procure eu amigos 
no campo da batalha da vida, 
mas ter forças dentro de mim.


Não deseje eu ansiosamente 
ser salvo, 
mas ter esperança 
para conquistar pacientemente 
a minha liberdade.


Não seja eu tão cobarde, Senhor, 
que deseje a tua misericórdia 
no meu triunfo, 
mas apertar a tua mão 
no meu fracasso!


Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"


Tradução de Manuel Simões

Crianças Com Cancro

Imagem retirada daqui

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Livro Da Semana

A Máquina Do Tempo, De H. G. Wells

clip_image002 Tem sido o sonho de inúmeras gerações de cientistas e, felizmente para muitos, viajar no tempo ainda é literatura de Ficção Científica. Felizmente? Talvez sim: imaginem o que aconteceria ao planeta se existissem fanáticos políticos que pudessem ter a possibilidade de resgatar o seu herói da morte conseguindo, assim, modificar o nosso futuro: Mussolini, Estaline, Hitler, o carrasco Torquemada, entre muitos outros. Tendo em conta que o mundo está cheio de doidos, nunca mais poderíamos descansar em paz pois, a qualquer momento, a qualquer segundo, teríamos que arranjar mecanismos de detectar quem visita o passado ou o futuro para o modificar. E tendo em conta que tal é impossível, teríamos que fechar as portas a estas viagens pouco tradicionais.

Porém, também existe o lado luminoso da máquina do tempo: quantos mistérios históricos e arqueológicos não seriam descobertos? Quantos livros, quadros, filmes e grandes composições musicais não seriam preservados das chamas e do esquecimento? Quantas vidas não seriam salvas, humanas ou não?

A História da ficção científica está cheia de estórias relacionadas com este tema e, de facto, não há uma série de Tv. neste género que não vá buscar inspiração ao invento mais desejado por muitos cientistas. Ora, H. G. Wells, um verdadeiro amante da Ciência, era um deles.

Tudo começa quando o “Viajante do Tempo” – é o nome pelo qual a personagem principal fica conhecida – mostra aos seus amigos o poder e eficácia da sua grande invenção: uma máquina do tempo. Por enquanto, mostra-lhes apenas um pequeno protótipo, que desaparece à vista de todos. Completamente entusiasmados, decidiu-se marcar uma outra demonstração, desta vez com a engenhoca original, para a próxima semana (podem ter uma ideia de como se parecia através da foto em baixo). Todavia, quando chegam na data e hora marcada, em vez de encontrarem um cientista triunfante e feliz, encontram um velho desgrenhado, de roupas esfarrapadas, completamente desorientado. Quando finalmente se acalma, conta a sua história à multidão expectante. E o que tem para contar não é nada agradável.

H. G. Wells, ao contrário dos Ingleses e intelectuais do seu tempo, não é nada optimista. Não acredita que a Humanidade caminhe para um paraíso na terra, até porque o mundo que está a ser criado – um mundo de terríveis injustiças sociais e económicas – não irá trazer o progresso, a paz, a cultura e educação para todos. O futuro clip_image004que Wells prevê é o de uma Humanidade dividida em duas: de um lado temos os Eloi, belos puros mas completamente infantis e estúpidos, e do outro temos os Morlocks, uma raça monstruosa e predadora, que vive nas profundezas e que se alimenta da carne dos Eloi, como se não fossem mais do que gado para a sua mesa.

Wells acreditava que as injustiças sociais iriam, cedo ou tarde, criar uma sociedade de monstros predadores e de vítimas estupidificadas. E não foi sempre assim?, perguntam vocês. Sim, foi sempre assim. Porém, se este padrão se mantiver, a Evolução seguirá o seu caminho e, no futuro, existirão duas raças humanas: os Morlocks, senhores do mundo e predadores e os Eloi, as crianças escravizadas. Aliás, se existe um tema que este escritor do século XIX tanto gosta de focar é a fragilidade do Ser Humano: na sua outra obra-prima A Guerra dos Mundos, a invasão dos marcianos é implacável e super-fácil de ser atingida. O Homem não está à altura do poder dos extra-terrestres e, por isso, sucumbe facilmente. Só a união, o trabalho de grupo e a solidariedade é que poderão dar força a esta espécie tão indefesa, mas suficientemente inventiva para dar a volta por cima. Escrito há mais de 100 anos, este livro é ainda hoje bastante actual.

Como são, aliás, todas as obras-primas da Humanidade.

Imagem retirada daqui

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Estante Do Mês de Fevereiro

 

clip_image002Desta vez vamos voar pelo mundo da fantasia, da imaginação, da ficção científica e até do horror! Temos contos de gelar o coração e que não nos deixam dormir à noite; temos máquinas que viajam no tempo; temos dragões e heróis de espada à cinta; temos anéis para derreter num vulcão poderoso; temos reinos encantados e criaturas assustadoras; temos extra-terrestres e estrelinhas caídas do céu…

Numa época de grande crise económica, eis a maneira mais barata de viajar: através da leitura.

Divirtam-se!!

Imagem retirada daqui

estante do mês de fevereiro 2011

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Quem Quer Ser Jovem Para Sempre?

clip_image002Ninguém gosta de ser velho. A velhice não só acaba com a nossa cara fresca e bem-disposta como destrói, acima de tudo, a saúde, debilitando-nos e arrasando a nossa independência e espírito livre. A velhice oferece-nos de bandeja o cansaço, as dores todas pelo corpo, os ossos emperrados, a fraqueza nas pernas, a falta de visão, a queda do cabelo, os quilinhos a mais, recordações confusas ou o desaparecimento das mesmas. Por isso mesmo, a História da Humanidade está cheia de lendas girando à volta de uma maravilhosa fonte de juventude, e bastava um pequeno golinho para restituir a força ao herói e a beleza à mulher.

Mas embora exista já um gigantesco exército de cientistas a trabalharem no mundo da cosmética – e palavra “maquilhagem” já deixou de fazer sentido, pois estamos a falar, para todos os efeitos, de medicina – a maioria está apenas interessada na “futilidade” das rugas e de um corpo aparentemente saudável. Até aqui, não há nada de errado nisto. Uma pessoa que gosta do que vê ao espelho tem mais auto-estima do que aquela que foge dele. O problema reside no facto de que a sociedade vive obcecada pela eterna juventude, e quem tem 30 anos em Portugal já não consegue arranjar emprego em lado algum, pois, por mais jovem que a sua aparência seja, o BI diz exactamente o contrário. E há alguma coisa de errado numa cultura onde uma pessoa entra em pânico se vê uma ruga no rosto ou já não consegue encher o frigorífico por causa da mesma.

clip_image004 Todavia, também existe um pequeno grupo de cientistas cujo objectivo não é dar uma cara bonita aos seres humanos mas criar qualidade de vida. E a melhor coisa que se pode fazer para se conseguir isso é… reverter o processo da velhice. Ficção científica? Não, já não é ficção científica, é neste momento a mais pura das realidades: uma equipa de cientistas da Escola de Medicina de Harvard, liderada pelo Biólogo de células cancerígenas Ronald dePinho conseguiu este feito extraordinário: a sua equipa de investigadores conseguiu artificialmente "ligar e desligar" o gene responsável pela reparação do ADN de ratos de laboratório. As cobaias foram primeiro sujeitas a envelhecimento prematuro, que causou a perda de capacidades cognitivas e sinais exteriores, e quando o gene "voltasse a ser ligado" esperava-se um "abrandamento do processo de envelhecimento ou estabilização". "Em vez disso, vimos uma inversão dramática dos sinais e sintomas do envelhecimento: o cérebro aumentou de dimensão, a memória melhorou, deixou da haver pelos grisalhos e regressou a fertilidade", disse à Lusa. "Isto ensina-nos que há uma tremenda capacidade de os nossos tecidos se rejuvenescerem por si próprios", adianta dePinho.

O artigo foi publicado no final de 2010 na revista Nature e tem causado sensação em todo o mundo (podem ler a notícia completa aqui. Independentemente das implicações éticas que esta descoberta pode trazer, duas coisas são certas: o que esta equipa criou foi extraordinário e, há 200 anos, seria considerado magia ou milagre. Além disso, caso esta investigação vá para a frente, veremos no futuro velhinhos a surfar, a ler sem problemas nenhuns, a participarem em desportos radicais, a ajudarem a família em vez de estarem dependentes dela.

Mas não há bela sem senão: agora que vamos ficar mais jovens, o que vai acontecer às reformas? Iremos trabalhar até aos 120 anos? Poderá o nosso planeta, cada vez mais populoso e com uma escassez cada vez mais gritante de água, oxigénio e alimentos, aguentar ainda mais humanos que parecem que nunca mais vão morrer? E para que é que nos serve a juventude se, ao batermos as portas à procura de emprego, os patrões só querem jovenzinhos até aos 28? Vale a pena sermos “velhos” num mundo assim?

A ver vamos.

Imagens retiradas de: 1  e  2

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Quando A Realidade É Mais Fascinante Do Que A Ficção!

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O estranho mundo das number stations

clip_image004São estranhas, bizarras, fascinantes, cheias de mistério e de muitos segredos escondidos. Não se sabe quem está do outro da linha a mandar mensagens, o que estarão a conspirar. Não se consegue quebrar o seu código, não se consegue detectar que estação de rádio está a passar estes intrigantes recados, e é extraordinário como, na era das internets e dos telemóveis, ainda hoje, mais de 30 anos depois da primeira vez que estas trocas de informação ultra-secreta entre espiões começaram a ser transmitidas, ainda hoje são usadas por tudo o que é círculos poderosos (segundo o Projecto CONET, uma gigantesca recolha em quatro cds de mais de 150 mensagens crípticas, estas transmissões já duram desde a II Guerra Mundial). Chamam-se Number Stations (estações de números) transmitem os seus códigos em algarismos falados nas mais diversas línguas, qualquer um pode tropeçar nelas numa noite de insónia e são às centenas!!!

Por que motivo são tão eficazes e ainda tão usadas, se vivemos numa era de computadores e passwords tão ultra-secretas e supostamente inquebráveis? Bom, mudar para quê?? As emissões de curta frequência não deixam rasto nem podem ser detectadas. De facto, um pequeno passeio no computador, como estou a fazer agora mesmo, deixa rasto no disco rígido, o que não acontece numa estação de rádio. Mais ainda, o código de números é super-simples e, por isso mesmo, brilhantemente eficaz (em mais de 30 anos, só foi quebrado duas vezes!). Mandar mensagens via curta frequência é bastante mais eficaz e barato do que pagarmos fortunas a hackers para nos blindarem as nossas conversas top secret. Por isso mesmo, nem sequer se importam se uma legião de fanáticos anónimos, ansiosos por serem os próximos a quebrar o código, estejam neste preciso momento a ouvir o “bate-papo” entre espiões.clip_image006

Mas há, de facto, uma série de mistérios à volta destas estações: por que motivo, em cerca de 30 anos, estas estações nunca foram anunciadas nas televisões e jornais? Por que razão as estações do leste da Europa continuam a transmitir números quando, supostamente, depois da queda da União Soviética, já deviam estar fora do ar? Por que motivo a number station da República Checa continua a operar 24 horas por dia? Por que razão elas podem interferir com o tráfico aéreo e com outros serviços de rádio básicos sem terem que dar explicações a ninguém? Quem está por detrás delas e quem as protege?

Mas aquela que indiscutivelmente mais fascina tudo e todos é a estação russa UVB-76, mais conhecida por The Buzzer (a zumbidora), devido ao facto de transmitir durante 24 horas consecutivas um zumbido estranho, que ninguém faz a mais pálida ideia do que pode ser (poderão escutá-lo aqui: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/UVB-76.ogg). De quando em quando, este estranho som é interrompido, para dar lugar a uma voz humana que, mais uma vez, fala por códigos muitas vezes numéricos (http://soundcloud.com/djoutcold/uvb-76-aug-23-2010-9-32ampst).

Criou-se uma lenda fascinante à volta UVB-76: diz-se que, no dia em que sair do ar, é sinal de que uma guerra nuclear vem a caminho e, quem sabe, os mísseis já estarão a chegar às nossas casas! Calculem, portanto, o pânico que muita gente sentiu quando, no dia 6 de Dezembro de 2010, a estação encontrava-se sinistramente silenciosa. Felizmente, horas depois, já estava a funcionar na perfeição do costume. Mas, desta vez, tinha um zumbido diferente… Que se terá passado? Alguém descobriu o código e, à pressa, arranjaram outro?

Para quem quiser escutar estas estranhas mensagens (e algumas são autênticas caixinhas de música!) podem clicar no seguinte link: http://www.archive.org/details/ird059. Ficarão a saber mais das number stations e do Projecto CONET. Há quem arranje teorias da conspiração ainda mais estranhas, ao afirmar que estes códigos numéricos são conversas entre os governos da Terra e os governos inter-galácticos. Mas são poucas as pessoas que acreditam em tal. É que as number stations são um dos pouquíssimos casos em que a realidade ultrapassa a ficção: são de tal modo fascinantes que nem é preciso ajuntarmos mais detalhes à história.

Number Stations

 

Imagens retiradas de: 1  2  e  3

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Livro Da Semana

A História Interminável, de Michael Ende

clip_image001Ora aqui está uma grande obra-prima do género fantástico que, durante quase vinte anos, esteve fora das estantes de Portugal. Há cerca de vinte anos, este romance de aventuras fez um sucesso de tal forma estrondoso que até virou filme (péssimo, péssimo, péssimo…). Os dois actores miúdos ficaram ricos e famosos de um momento para o outro, o Justin Bieber lá do sítio fez uma canção que, durante semanas, esteve nos tops de todos os países, não havia gato-pingado que não andasse com este romance na mão e depois… nada. Absolutamente nada. Se alguém quisesse comprar esta história incrível tinha que escarafunchar bem escarafunchado todos os alfarrabistas da nossa nação. Ou comprar na internet. Ou herdar dos pais. Mas agora já podemos redescobrir o prazer de entrarmos no reino dos sonhos, onde as imperatrizes são crianças e os dragões são parte desta realidade.

E quem não gostaria de ser como o Bastian, uma criança curiosa e tímida que entra num alfarrabista e dá de caras com um estranho livro que parece estar à espera dela? De facto, este objecto possui uma força de atracção tal que o menino não o hesita em roubar e, mal chega a casa, começa a devorá-lo. Porém, à medida que vai folheando as suas páginas, apercebe-se que este é uma porta dimensional para algo mais. É um chamamento, um convite para uma demanda: descobrirmos quem realmente somos nós. Bastian fica tão fascinado que não hesitará em entrar nesse mundo mas tudo dependerá das decisões que tomar: o lema “Faz o que Quiseres”, logo à entrada do reino Fantastica tem muito que se lhe diga. Mas Bastian depressa descobrirá que fazermos o que quisermos não significa “fazermos qualquer coisa”:

- Só podes descobrir os caminhos de Fantasia - disse Graograman - através dos teus desejos. E só podes ir de um desejo para outro. Aquilo que não desejas é inatingível para ti. É esse o significado das palavras perto e longe neste lugar. E também não basta quereres ir-te embora de um lugar. Tens de querer ir para outro. Tens de deixar que os teus desejos te conduzam.

Depois de vinte anos de ausência, finalmente alguém tem o bom senso e o bom gosto de reeditar esta belíssima história para crianças dos oito aos oitenta anos. A História Interminável pode figurar lado a lado com O principezinho. Estes livros são muitas vezes erradamente confundidos com contos de fadas para a pequenada, e tal não pode ser mais injusto: este livro fala-nos do crescimento interior e da descoberta de nós mesmos, fala-nos da importância da responsabilidade e do mal que as nossas acções podem fazer aos outros, fala-nos da importância dos sonhos, do quão importante é sonharmos de olhos abertos e preservarmos a criança que existe em todos nós. Porque sem ela estamos condenados a uma morte espiritual. Seremos máquinas esvaziadas de sentido, sem projectos e já sem chama.

Triste o adulto que já não consegue voar para o mundo dos sonhos.

sábado, fevereiro 05, 2011

Bibliomúsica – Três Grandes Nomes da Música Portuguesa

Linda Martini – Quarto 210

Pluto – Só Mais Um Começo

 

Legendary Tiger Man, These Boots are Made for Walking

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Hoje É O Dia Internacional da Luta Contra o Cancro

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Poemas Sombrios: Cancro

Na vida, és coisa bruta.
Quando acamado por doença,
Todo aquele que contra ti luta,
Tu fazes com que não vença.
És como que uma sentença,
Depois de uma vida de labuta.
Já te pagaram a avença,
E tu fazes a permuta.
Contigo ninguém se ilude.
Tens um pacto com a morte.
E arruínas a saúde,
A todos os que não têm sorte.
É raro fazeres alarde.
É esse o teu ponto forte.
Quando te vêem já é tarde.
A seguir já vem a morte.

zeninumi 25/9/2007

 

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Aquilo que me prende o pensamento,
Nos ciclos viciosos da lembrança
E me corrói, com o passar do tempo,
Cada traço do ser e da confiança,
Aquilo que me envenena as ideias
E por vontade minha me entristece,
Aquilo que me arrasta pelas teias
Da morte, ou assim parece,
Aquilo que me prende e me tortura,
Aquilo que me destrói sem cura,
E que me perde em sonhos irreais,
Aquilo que me mata a cada dia,
Aquilo que me sufoca e asfixia,
És tu, cancro, ou algo mais.

De: Pedro leitão

Imagens retiradas de: 1  e  2

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Semana SeguraNet

 

netSegura

Clicar na imagem para mais informação!

Sabedoria Oriental – O Mistério Da Poesia Haiku

Para quem nunca ouviu falar deste tipo de poesia, o Haiku japonês nunca tem mais do que três versos de 5/7 sílabas cada (claro que esta harmonia perde-se com a tradução). O objectivo é atingir a perfeição e a paz através da simplicidade absoluta: menos é mais.

A primeira parte do poema é descritiva e contemplativa, ao passo que a segunda parte já se debruça sobre uma determinada acção/reacção. Quanto à conclusão, esta tem que criar impacto no leitor e transmitir-lhe a sensação de um definitivo ciclo que termina: início, desenvolvimento, fim. Um poema Haiku perfeito, lida a última estrofe, tem que representar um círculo sublime, sem falhas: se ficarmos a “chorar por mais”, então a obra poética não está equilibrada e a perfeição não se atingiu.

Apresentamos aqui as quatro estações vistas pelo poeta Basho (1644-1694), um dos nomes mais brilhantes da poesia japonesa e deste género de poesia.

PRIMAVERA

clip_image002Apesar da névoa
Mesmo assim é belo
O Monte Fuji

Não esqueças nunca
O gosto solitário
Do orvalho

Brisa ligeira
A sombra da glicínia
Estremece

Debaixo de uma cerejeira
Tudo é servido
Decorado com flores

Extingue-se o dia
Mas não o canto
Da cotovia

Depressa se vai a Primavera
Choram os pássaros e há lágrimas
Nos olhos dos peixes

VERÃO

Preso na cascataclip_image004
Um instante
O Verão

Um peixe
Nuvens arrastam-se
No leito da ribeira

Frescura
Os pés no muro
Ao dormir a sesta

Num atalho da montanha
Sorrindo
Uma violeta

Silêncio
As cigarras escutam
O canto das rochas

Ervas no estio
Eis o que resta
Do sonho dos guerreiros

OUTONO

A pequena lagarta vê passarclip_image005
O Outono sem pressa
De se tornar borboleta

Trevos roxos ondulam
Sem deixa cair
Uma só gota de orvalho

Admirável aquele
Cuja vida é um contínuo
Relâmpago

Na escuridão do mar
Brancos gritos
De gaivota

Acabou-se o óleo da lamparina
Mas eis a Lua
Que entra pela janela

Outono
Empoleirado num ramo seco
Um corvo

INVERNO

clip_image007Primeira neve
Basta um floco para vergar
A folha do junquilho

Um vento glacial sopra
Os olhos dos gatos
Pestanejam

Mesmo um velho cavalo
É belo de manhã
Sobre a neve

Oh, anda ver
Uma bola de neve
A arder

Primeiro aguaceiro de Inverno
Meu nome será
Vagabundo

Deixem-me caminhar
Até que tropece e desapareça
Na neve

Estes poemas foram seleccionados do livro "O Gosto Solitário do Orvalho" de Matsuo Basho, editado pela Assírio e Alvim em 1986. O texto introdutório retira informações do prefácio de Jorge de Sousa Braga.

Os poemas foram retirados do site

Imagens retiradas de: 1  2   3  e   4

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Livro Da Semana

A Menina Que Não Sabia Ler, de John Harding

Vamos imaginar que estamos a viver na Inglaterra do século XIX. Os primeiros passos da Escola Pública começavam a ser dados. A sujidade era uma constante, clip_image001de tal forma que os esgotos de Londres tiveram de ser reformados do zero no ano de 1858, porque já não conseguiam sustentar o lixo, a urina e as fezes de milhões de cidadãos. Mais de metade dos Ingleses viviam no limiar da pobreza, e só uma pequena elite de ricos e burgueses endinheirados tinham acesso ao poder e à Educação. A cultura era um privilégio de poucos, e nem pensar em dá-la às mulheres. Com efeito, elas querem-se estúpidas, submissas e prontas para casar.

Florence é um exemplo disso: educada juntamente com o seu irmão numa gigantesca mansão, ninguém quer saber deles para nada. Andam “por aí” a vaguear de sala em sala, à solta e ao Deus dará como se fossem bichos. O tio, que supostamente devia desempenhar o seu papel de tutor, não se interessa por eles e entrega-os às mãos dos criados de uma casa que vive debaixo de regras muito rígidas. E, vá-se lá saber porquê, o tio não quer que Florence aprenda a ler… Porém, este homem, que nem sequer se dá ao trabalho de conhecer pessoalmente os seus protegidos, subestima a inteligência e fome de saber desta menina. Assim que descobre, numa das suas muitas deambulações, a gigantesca biblioteca secreta e proibida, não descansará enquanto não aprender a ler sozinha, para que possa ter acesso a esse mundo incrível que são os livros.

Quando Giles, o seu irmão, é rejeitado por um colégio interno, por ser descrito como sendo uma criança lerda que não aprende bem, o tio lá se dá ao trabalho de contratar uma preceptora que lhe dê as lições de acordo com o ritmo da criança. Até aqui, tudo bem. O problema, mais tarde, é que esta professora morre em circunstâncias bastante estranhas. E a história começa a tornar-se ainda mais sinistra quando a nova preceptora, uma mulher fria e estranha, começa a invadir a vida de Florence e seu irmão.

E, por fim, a atmosfera da própria casa… Fechada, gótica, decadente, carregada de fantasmas, carregada de segredos de família, carregada de sombras do passado…

Uma vez que esta história é-nos contada através dos olhos de Florence, perguntamo-nos se esta tem razão em desconfiar da srta. Taylor ou se não estará a enlouquecer. A preceptora é ou não uma criatura maléfica? E por que motivo Florence sonha com uma mulher a ameaçar Giles, o seu irmão? Que segredos esconde esta casa? Por que razão não a deixam aprender a ler?

Não larguem o livro porque o final é completamente inesperado.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Lição de Vida – O Poder Dos Livros Na Nossa Vida

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E Tudo Era Possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo

Imagem retirada daqui

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Balanço da Palestra “Os REEE”

No âmbito do projecto do grupo de trabalho “Os Desconectados” e Escola Electrão, com o objectivo se continuar a mostrar que com um simples gesto podemos mudar muita coisa. O meio ambiente apenas precisa de pequenas acções, actos de bondade, que não acarretam qualquer esforço, simplesmente o prazer de ajudar. Mas para que tudo isto se concretize, tem de ser feito algo, nem que seja uma simples chamada de atenção, que desperte a comunidade e a alerte para os benefícios da recolha e reciclagem dos REEE.

O impacte ambiental destes resíduos é incalculável, quando elevado à taxa global, e, por essa razão, o grupo Desconectados não ficou estático e tomou a iniciativa de organizar uma palestra sobre os REEE. Foi no passado dia 12 de Janeiro de 2011 que o Engenheiro da Amb3E, Guilherme Marcão, se dirigiu à nossa escola para falar um pouco sobre esta temática e mostrar que a recolha e o correcto encaminhamento de Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos é deveras importante. O espaço destinado a este evento foi o CIA, não só porque permite uma maior concentração de alunos, de várias turmas, como também porque é um local da nossa escola aberto a todos, permitindo aos docentes e não docentes assistir também.

Estiveram presentes cerca de 120 pessoas, quer as turmas que foram convidadas formalmente pelo grupo (T.G.A., T.G.E.I., 8ºB, 12ºA), quer outras turmas e respectivos professores que também quiseram estar presentes.

O engenheiro Guilherme mostrou-se uma pessoa muito esclarecedora, explicando de forma muito sucinta, todo o processo pelo que devem passar os REEE, tentando sempre focar a atenção da plateia para a necessidade de reciclagem destes equipamentos. Muito provavelmente, a maioria dos alunos que assistiu à palestra desconhecia que estes equipamentos (que todos temos em nossa casa) podem ser reciclados, reaproveitados e reutilizados. Foram colocadas algumas questões, que foram seguidas sempre de uma resposta elucidativa.

De um ponto de vista geral, a palestra foi um sucesso. A mensagem foi mais uma vez transmitida aos alunos restando agora esperar que eles não se deixem ficar e que ajam, pois é o ambiente quem mais necessita da nossa ajuda.

 

Hoje É o Dia Internacional Da Memória Do Holocausto

Chegada a Auschwitz

Eles fizeram-nos marchar pelo portão sob chicotadas, surras e cães pulando em cima de nós. Chegámos a uma grande construção de clip_image001tijolos, e eles empurraram-nos para dentro de lá. Havia prisioneiros e agentes das SS dizendo-nos o que fazer em seguida. Havia mesas, mesas muito compridas. Na primeira área nós tínhamos que nos despir, tirar todas as nossas roupas. Havia ganchos atrás de nós. A gente colocava as roupas em um pedaço de arame, pendurava, tirava os sapatos e os colocava no chão. Na próxima mesa estavam os barbeiros, os barbeiros do campo, que raspavam nossa cabeça, cortaram nosso cabelo, e raspavam todo o nosso corpo. Eles diziam que era uma questão de higiene. Então, nós passávamos para outra mesa onde era feita a tatuagem [OBS: com números, para identificar o prisioneiro], que era feita no antebraço esquerdo. Uma pessoa esfregava um paninho sujo embebido em álcool no braço, e a outra pessoa tinha uma agulha e um tinteiro, e ela tatuava os números em nós. Meu número foi 65.316, e isto significava que 65.315 pessoas haviam sido numeradas antes de mim, tatuadas antes de mim.

Após a tatuagem ser feita, eles levavam-nos para um lugar onde nos davam roupas, mas não as que a gente usava quando chegou. Eles deram, distribuíram para nós, um gorro castanho listrado, uma veste listrada, calças listradas, um par de tamancos de madeira e uma camiseta. Nenhuma meia ou roupa de baixo. Então, na última área, depois de nos darem o uniforme, davam-nos também duas tiras de pano. A tira, eu diria, tinha cerca de 15 centímetros de comprimento e talvez quatro centímetros de largura. E [tinha] a Estrela, trazia a Estrela de David, com o mesmo número que havia sido tatuado no nosso antebraço esquerdo, e ela era presa no lado esquerdo do peito e na perna direita da calça.

Então, o último item, que era o item mais importante que nós recebíamos, era uma tigela redonda. Aquela tigela era o elemento vital da nossa existência. Em primeiro lugar, sem ela você não podia receber as rações miseráveis que serviam, e, em segundo lugar, as instalações de banheiro eram quase inexistentes [a tijela era utilizada para comer e urinar].

Testemunho de Miso Vogel, sobrevivente de Auschwitz

Experiências Médicas em Auschwitz

Claro que tenho, infelizmente, muitas clip_image003lembranças do hospital e do consultório médico. Parece-me que passei muito tempo lá, e também de ficar no hospital e de estar muito doente. Sei que uma vez, quando fui para o consultório médico, eles tiraram sangue de mim, e doeu muito porque foi do lado esquerdo do meu pescoço. Esta é uma coisa estranha de lembrar. Eu também me lembro de tirarem sangue do meu dedo, mas isso não era tão ruim [quanto o pescoço].

Lembro, também, de ter que ficar sentada, imóvel, por longos períodos para ser medida ou pesada, ou para radiografias. Eu me lembro de radiografias e mais radiografias, e injecções. Lembro me das injecções (porque depois eu ficava doente) e ficava naquele hospital. Lembro de ter tido febre alta, porque sei que eles estavam tomando minha temperatura, alguém estava. Eu realmente passei a odiar médicos. Passei a ter medo, eu costumava ter muito medo de médicos, eu ainda tenho. Eles são um pesadelo. Os hospitais estão fora de questão e as doenças são inaceitáveis [para ela, como resultado do sofrimento pelo qual passou].

Testemunho de Irene Hisme, sobrevivente de Auschwitz

Todos estes testemunhos foram retirados do site United States Holocaust Museum (tradução do Português do Brasil)

Para Leres Com Atenção:

Auschwitz, O Testemunho de um Médico, de Miklos Nyiszli (livro online)

Auschwitz, O Testemunho de um Médico - Dr. Miklos Nyiszli

Imagens retiradas de: 1 e 2

terça-feira, janeiro 25, 2011

Como É Que Chegámos A Este Estado???

O preço do petróleo não pára de crescer, a crise mundial espalha-se pelo mundo como se fosse um cancro clip_image002incurável, o desemprego é um flagelo na Europa e nos Estados Unidos da América, o FMI anda devagarinho e com pezinhos de lã a invadir um a um os países do Sul da Comunidade Europeia, a comida começa a faltar, as multidões assaltam os supermercados para sacar o último pacote de açúcar racionado, os orçamentos de estado de muitos países vão roubando o futuro e a esperança das futuras gerações, o Japão é hoje uma nação de velhos abandonados e de jovens mimados e egoístas… E, no entanto, há cinco anos atrás, tudo corria bem e nada parecia prever o futuro terrível que se aproximava!

Nada? Bom… Não é bem assim. Hoje, o cidadão comum sabe que todos os sinais de alarme estavam bem presentes, mas ninguém, desde o corretor ao banqueiro, desde o político ao próprio cidadão anónimo, quis saber. É verdade que, de vez em quando, tínhamos um rebate de consciência: como é que eu, que só ganho 900 euros, posso ter três cartões de crédito na mão, um empréstimo para um carro, os filhos na escola privada e um empréstimo para uma casa? Mas como a vida era bela e o dinheiro sabe sempre bem, sacudíamos estes maus agoiros das nossas cabeças e continuávamos a esbanjar, a esbanjar, a esbanjar… Até que um dia a bolha estourou e entrámos no inferno.

Como foi que tudo começou? É precisamente essa questão que o realizador David Sington quis responder. E, por muito estranho que isso pareça, tudo começou com uma coisa: casas. Sobretudo casas ligadas aos subúrbios (ver imagem em baixo). Ora, esta invenção americana – que consiste em criar do zero uma aldeia nova afastada das cidades mais antigas – exigiu um enorme consumo de energia e de dinheiro e fez disparar os preços das habitações. Ter um lar, doce lar, graças ao crédito e prestações dos bancos, parecia estar ao alcance de todos os bolsos, o que fez com que o real valor de uma habitação estivesse bastante inflacionado. Como, infelizmente, o mundo de hoje é como um exército de peças de dominó, assim que a primeira peça caiu, tudo foi atrás.

O documentário é, no mínimo, original, e mereceu a atenção do festival de Sundance, clip_image004um dos mais famosos festivais de cinema mundiais, desde há uns bons anos para cá. A realização do filme foi complexa, depois de horas e horas de entrevistas, já chegar ao título terá sido o mais simples do processo. O realizador britânico inspirou-se nas declarações de Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal norte-americana, que admitiu uma "falha" no Congresso ao ter acreditado no poder de auto-correcção dos mercados. Sington teve também a ideia original de intercalar desenhos animados de propaganda anti-comunista (imagem no início do texto) com os testemunhos de banqueiros, corretores, vendedores de casas e vidas pessoais de americanos que se deixaram levar pelo sonho de que todos nós podemos ser ricos como o vizinho do lado.

Esperemos que este documentário chegue às nossas salas. Pode muito bem servir de aviso aos Portugueses, que ainda não acordaram lá muito bem para a crise que os espera e que acham que as futuras gerações deverão pagar a factura dos erros dos outros. Ou seja, dos nossos erros. E os avisos à navegação são sempre bem-vindos.

The Flaw ( A Falha, em Inglês) Trailer sem legendas

Imagens retiradas de:

http://www.aintitcool.com/node/48070

http://www.worldchanging.com/archives/011145.html

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Livro Da Semana

O Processo, de Franz Kafka

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Qualquer pessoa que tenha estado atenta às eleições de ontem deve ter ouvido falar da “bronca” do Cartão de Cidadão: milhares de pessoas não conseguiram votar devido a um erro informático, que impediu que muitos votantes ficassem a saber o seu número de eleitor. E o número não disparou porque muitos Portugueses, teimosos mas pacientes, esperaram horas para aceder à base de dados. Houve pessoas que chegaram a esperar mais de duas horas, sempre a resmungar mas sem arredar pé.

Se acham que esta situação é escandalosa, há histórias ainda mais bizarras e mais estranhas. Há cerca de duas semanas, o jornal Expresso noticiou um acontecimento bem surrealista: uma família, durante o velório de um ente querido, descobriu que o morto não tinha os olhos. É que, graças a um “pequeno lapso” informático, o defunto estava dado como dador de órgãos… E não era ele. E, já agora, quem é que ainda não recebeu ou viu no facebook a notificação dos Serviços do Ministério Público de Lagos, a pedir que uma certa pessoa apareça na qualidade de falecido para, no prazo de dez dias, levantar o cartão requerido (se não acreditam, podem ver com os vossos próprios olhos aqui: http://www.calinadas.net/na-qualidade-de-falecido/)?

Quantas pessoas não podem cumprir o seu sonho por causa da falta do “papelinho”? Quantos serviços, entidades e escolas são entupidos por causa do excesso da papelada? Quantos inocentes não estarão na cadeia por causa de um “erro técnico”? Quantas vezes não fomos tramados por causa de um obscuro ofício ou decreto ou alínea? E a quantidade esmagadora de processos em tribunal, à espera de serem resolvidos? E a papelada que temos que preencher só para comprar uma casa? E a quantidade de homens e mulheres que não conseguem arranjar um emprego nem pedir um préstimo porque lhes falta o “papelucho” comprovativo de uma morada que não têm?

A burocracia é sufocante, asfixia toda uma nação e é autora de injustiças gritantes. E o mais estranho de tudo é que ninguém é apanhado, ninguém é responsabilizado, ninguém tem culpa. A Burocracia é um monstro sem rosto, sem humanos, sem culpa nem remorsos. É uma “coisa” que ali está e não se pode culpá-la nem apanhá-la nem enganá-la nem destruí-la. E é tão fácil, nos dias de hoje, destruir alguém por causa da falta ou presença de um papel!

clip_image004 Ora todas estas histórias bizarras já foram “profetizadas” pelo escritor Franz Kafka, na sua obra-prima O Processo: Josef K, a personagem principal deste romance, vai parar à cadeia sem sequer fazer a mais pequena ideia do que fez. Não sabe porque está lá, não sabe que crime cometeu, não conhece os seus acusadores, anda de sala em sala, de pedido em pedido, de relatório em relatório, e acabará por ser executado pela máquina da Justiça por um crime que não cometeu. E… Já agora… Se não for muito incómodo… Qual crime?

Escrito no ano de 1925, esta história de terror – não se lhe pode chamar outra coisa – de alguém que acaba assassinado sem sequer saber o que fez faz-nos lembrar sinistramente os relatos de muitos prisioneiros da prisão de Guantánamo, que foram presos nas suas próprias casas e à frente das suas próprias famílias sem que lhes fosse dada qualquer explicação ou razão porque tal estava a ser feito contra eles. Porém este cenário não ocorreu somente em países a milhares de quilómetros de distância do Brasil. Temos histórias de torturas na maioria dos países da América do Sul e, não diferente, no Brasil também. Principalmente na ditadura militar, várias famílias viram homens com “traje negro e justo” retirarem seus pais, filhos, maridos e esposas de suas casas, antes mesmo do café, para serem torturados por acusações que nem conheciam. Igualmente a história de Josef K.

A justiça é cega? É cega, sim senhora. É cega demais. É pesada, lenta, arrogante, megalómana, fechada em si mesma, ineficaz, incapaz de resolver os problemas que vão surgindo. E falha precisamente porque tarda, porque é excessivamente burocrática, porque segue protocolos inúteis e antiquados, porque não consegue adaptar-se aos tempos modernos. E quando anda de mãos dadas com o poder, a Justiça não é apenas incompetente, é, acima de tudo, perigosa.

No fim, os Josef K deste mundo são esmagados como se fossem baratas que passeiam distraidamente por cima de um gigantesco processo, esquecido numa bafienta e suja prateleira de um enorme armazém. A nós todos, zés-ninguéns do planeta Terra, só nos resta esperar na sala de espera, à espera de que um funcionário mal-humorado nos atenda como se lhe estivéssemos a fazer um grande favor. À espera, eternamente à espera, olhando o relógio, bufando.

E, sem repararmos, uma mão invisível enfiou-nos uma corda no pescoço.

O Processo (BookTrailer)

Imagens retiradas de: 1 e 2

Citação retirada daqui

sábado, janeiro 22, 2011

Ontem Foi O Dia Mundial Das Religiões

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Se os homens são assim tão maus apesar da ajuda da religião, como seriam eles sem ela?

Bejamim Franklin

 

Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros.

Jonathan Swift

 

O Homem que criou a ideia de Deus foi um génio.

Eurípedes

A Ciência sem a religião é coxa, a religião sem a ciência é cega.

Albert Einstein

O Nascimento de Uma Religião

Evolução das Religiões

A Ciência Tenta Explicar A Origem Das Religiões

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Eco-Escola (2010) - 3

XVI OLIMPÍADAS DO AMBIENTE – ANO LECTIVO 2010/11

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À semelhança do ano lectivo transacto, também este ano a nossa Escola se increveu nas Olimpíadas do Ambiente, na modalidade Ambiente à Prova. A divulgação deste concurso foi feita pela Coordenadora, a professora Matilde Cardeira, em reunião de Directores de Turma, aos quais foi entregue documentação (regulamento, calendarização e ficha de inscrição) e solicitada a colaboração para que divulgassem o evento junto dos alunos. Este ano decidiu-se internamente que a inscrição neste concurso seria automática para os alunos das turmas do 11º ano, do TGA (Curso Profissional de Técnico de Gestão do Ambiente) e do 8º ano, uma vez que enquanto os primeiros integram um projecto internacional cuja temática é o Ambiente, os alunos do básico têm no programa curricular de Ciências Naturais conteúdos relacionados com o tema. Aos outros alunos, coube a inscrição junto do director de turma ou de uma das professoras responsáveis pelo concurso.

A 1ª eliminatória das Olimpíadas teve lugar na nossa Escola no dia 16 de Dezembro e contou com a participação de 26 alunos do 8ºano, na categoria de júniores, e de 105 alunos do secundário (do 10º ao 12º ano), na categoria de séniores. A prova, com a duração prevista de 45 minutos, consistiu num teste escrito individual, constituído por 30 questões de escolha múltipla e uma pergunta de desenvolvimento, tendo por tema principal a água.

A correcção da Parte I (escolha múltipla) foi feita na escola, obedecendo aos critérios e directrizes da Comissão Organizadora, os resultados foram afixados publicamente e enviadas as tabelas e provas dos melhores 25 classificados em cada categoria ao Secretariado das Olimpíadas, que irá escolher os melhores duzentos classificados a nível nacional para a 2ª eliminatória, a ter lugar em 22 de Fevereiro próximo.

A todos os alunos participantes foi atribuído um Certificado de Participação, bem como aos professores que coordenaram e colaboraram na aplicação da prova.

Dada a grande adesão ao evento e face a alguns bons resultados, resta-nos agora aguardar a decisão da Comissão Organizadora quanto aos alunos seleccionados para a segunda eliminatória.

A Coordenadora

Matilde Cardeira

 

Ambiente à Prova

1ª Eliminatória

Quinta, 16 de Dezembro às 14:30 horas

Duração da Prova: 45 minutos

TOP 25 – CATEGORIA DE JÚNIORES

TURMA

ALUNO (A)

PONTUAÇÃO

8ºB

MIGUEL SAIÃO ROCHA MÓSCA

26 pontos

8ºA

DIOGO PANAZEITE

23 pontos

8ºA

FLÁVIO ALEXANDRE MIGUEL

21 pontos

8ºA

CARLA SOFIA BARÃO FERREIRA

20 pontos

8ºB

RUI RODRIGUES

20 pontos

8ºB

JOSÉ MIGUEL SOARES

19 pontos

8ºB

ELOÍSA FALCATO

18 pontos

8ºA

FRANCISCO SAIÃO L. GALVÃO

18 pontos

8ºB

JOANA PICARETA ABRAÇOS

18 pontos

8ºB

ANA RITA SARAIVA DA PALMA

18 pontos

8ºB

ADRIANA SOFIA Q. GUERREIRO

17 pontos

8ºA

CAROLINA PIÇARRA LEISICO

17 pontos

8ºA

IRIS RAQUEL U. LA F. OLIVEIRA

17 pontos

8ºB

BEATRIZ LANZINHA SOUSA

16 pontos

8ºA

HELENA ISABEL M. SABALA

16 pontos

8ºB

MIGUEL ÂNGELO L. CLÁUDIO

16 pontos

8ºA

CHLOÉ LAURA SAYRIGNAC

15 pontos

8ºB

FILIPE CARLOS GONÇALVES

15 pontos

8ºA

JOANA ISABEL F. PEREIRA

15 pontos

8ºA

RITA ISABEL ESTÊVÃO BRAGA

15 pontos

8ºB

RITA BETTENCOURT PAIXÃO

14 pontos

8ºB

IARA BIRRA SANTOS SOUSA

13 pontos

8ºA

TIAGO FILIPE F. MARQUES

13 pontos

8ºB

VANESSA MAIA DE GODOI

12 pontos

8ºA

CRISTIAN CARACÓIS SOEIRO

07 pontos

A COORDENADORA:

 

1ª Eliminatória

Quinta, 16 de Dezembro às 14:30 horas

Duração da Prova: 45 minutos

TOP 25 – CATEGORIA DE SÉNIORES

TURMA

ALUNO (A)

PONTUAÇÃO

10ºA

ANDRÉ MANUEL AFONSO

21 pontos

11ºA

LUÍS ANTÓNIO M. BALEIZÃO

20 pontos

12ºC

GONÇALO ALVES MADEIRA

20 pontos

11ºA

JESSICA PAIXÃO ARRAIS

19 pontos

11ºB

RAQUEL PICA SOARES

19 pontos

12ºB

MARIA JOÃO NOGUEIRA TELES

19 pontos

12ºB

SARA DE GUADALUPE MADEIRA

19 pontos

12ºB

RODRIGO VAN UDEN CHAVES

18 pontos

12ºC

GONÇALO BRITO INFANTE

18 pontos

11ºA

ALBERTO MACHADO LAMEIRA

18 pontos

11ºA

FILIPA ALEXANDRA L. PEREIRA

18 pontos

11ºA

INÊS ISABEL DURÃO CAVACO

18 pontos

11ºA

PATRÍCIA MAN. X. CARVALHO

18 pontos

11ºB

CÉLIA CRISTINA M. GOMES

18 pontos

11ºB

MÁRCIA ALHINHO PENADO

18 pontos

11ºB

MARIA CRISTINA T. BARROSO

18 pontos

12ºB

INÊS DA CONCEIÇÃO CACHOLA

17 pontos

11ºA

MARIA BEATRIZ VAL. COSTA

17 pontos

11ºB

DAVID GONÇALVES CARVALHO

17 pontos

11ºB

EMANUEL SIMÃO SALVADINHO

17 pontos

10ºE

ÂNGELO CARRASCO

17 pontos

12ºB

JOEL MELÃO ALCÂNTARA

16 pontos

11ºA

MARIA S. PAIVA CAMELO

16 pontos

11ºA

MARIA TERESA G. S. E. COLA

16 pontos

11ºA

SANDRA CLÁUDIA G. SOUSA

16 pontos

A COORDENADORA:

Observações: Nos critérios de selecção considerou-se o resultado da escolha múltipla, bem como o facto de o aluno ter respondido à questão de desenvolvimento.