terça-feira, dezembro 14, 2010

O Tangram e a Matemática !

O Tangram é um puzzle (quebra-cabeças) chinês muito antigo, formado por 7 peças (5 triângulos, 1 quadrado e 1 paralelogramo). Os triângulos são rectângulos isósceles e têm três tamanhos diferentes: dois grandes, um médio e dois pequenos. Os ângulos agudos do paralelogramo medem clip_image0024 e o lado menor mede o mesmo que o lado do quadrado.clip_image004

 Com as suas peças podemos formar várias figuras, utilizando-as todas e sem as sobrepor.

Há várias versões sobre a origem do Tangram mas parece aceitar-se que o jogo surgiu na China em finais do século XVIII, onde se popularizou.

Não se sabe ao certo como surgiu o Tangram, apesar de haver várias lendas sobre a sua origem. Uma diz que uma pedra preciosa se desfez em sete pedaços, e com elas era possível formar várias formas, tais como animais, plantas e pessoas. Outra diz que um imperador deixou um espelho quadrado cair, e este se desfez em 7 pedaços que poderiam ser usados para formar várias figuras. Segundo alguns, o nome Tangram vem da palavra inglesa "trangam", de significado "puzzle". Outros dizem que a palavra vem da dinastia chinesa Tang, ou até do barco cantonês "Tanka", onde mulheres entretinham os marinheiros americanos. Na Ásia o jogo é chamado de "Sete placas da Sabedoria".

No âmbito da disciplina de Matemática, módulo B5-Jogos e Matemática, os alunos do curso Técnico de Organização de Eventos, ilustraram algumas passagens de contos infantis, com imagens construídas com as peças do Tangram.

 

 
 

 

Serpa Mostra Os Seus Artistas

clip_image002 Vários professores e alunos da Escola Secundária de Serpa participaram na gigantesca exposição dedicada à obra do grande escritor Hans Christian Andersen. Uns criaram peças de teatro e outros fizeram trabalhos alusivos aos contos deste autor. O resultado tem sido do agrado de todos e, por isso mesmo, Serpa está de parabéns.

Apresentamos aqui a exposição que neste momento se encontra na biblioteca da nossa escola, cujos trabalhos são da autoria dos alunos dos 7ºs e 8ºs anos. A professora Maria Ana César foi a responsável por este maravilhoso projecto. Ora vejam lá se reconhecem algumas das histórias, aqui transformadas em escultura e pintura!

Por último, dêem também uma espreitadela à nossa árvore de Natal (na foto), inserida no projecto Eco-Escolas, também da responsabilidade da professora acima referida. Desta vez, foram os alunos do 9º ano, em particular os da turma A, que deram largas à imaginação e criaram uma árvore de Natal super simples, mas também super original!

segunda-feira, dezembro 13, 2010

E Como Já É Tradição…

…A Feira do Livro começa amanhã. São três mesas cheiinhas de todo o tipo de novidades: literatura intemporal, livros novos que se lêem até no duche, edições de História e de ciências, livros para a clip_image002pequenada, suculentas edições de receitas rápidas, saudáveis e baratas, livros para vivermos melhor e tirarmos proveito das coisas belas da vida… Há romances de fazer chorar as pedras da calçada, há histórias de suspense e aventura; há obras de fantasia e de ficção científica, há livros de bolso ao preço da uva mijona, há agendas cheias de poesia e beleza, há obras que falam dos grandes temas da actualidade, enfim, há de tudo.

Os preços, esses, não podem ser mais convidativos e mais diversos. Podem optar por um pequeno livro de bolso ou uma requintada tradução d’ A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Podem oferecer um lindíssimo livro de luxo da obra O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, ou comprar a obra Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, a menos de 10 euros. Podem comprar um livrito para a pequenada ou o Livro, de José Peixoto, para os mais graúdos.

Mas a cereja no topo do bolo está no desconto: 20% mais barato do que numa livraria/supermercado normal! Se um livro custa, por exemplo, 6 euros, façam as contas, e vejam lá se não terão uma compra barata e com bom gosto para oferecerem a alguém.

A feira vai durar até Quinta-feira. Apareçam, encantem-nos com a vossa visita!

Pintura de L C Neill, 2007, Liquidação de Livro

RECOMENDAMOS :

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Obras Intemporais Que Deveríamos Ter Na Nossa Estante

 

Ler um livro é sempre uma coisa bastante subjectiva: aquela obra que nós achamos que é excelente pode muito bem ser vista pelo nosso amigo ou familiar como sendo uma monumental “chatice”, um “pincel” que, muitas vezes, foi engolido à força clip_image002(caso seja obrigatório ler na escola) ou algo que foi logo pousado para um canto (caso tenha sido comprado ou oferecido). Mas há livros que, por mais que os detestemos, temos que engolir em seco e admitir que, em termos de qualidade literária, são excelentes.

O que é, afinal, uma obra-prima literária? Talvez uma das suas grandes características resida no facto de que uma obra-prima, não importa quantos séculos lhe passem à frente, continua a ser lida e publicada por sucessivas gerações de ávidos leitores. É o caso de clarões de génio como, por exemplo, A Arte de Amar, de Ovídio; Crime e Castigo, de Dostoievsky; Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Romeu e Julieta, de William Shakespeare; entre muitos outros exemplos, inclusivamente de autores portugueses. Aquilo que é bom é sempre eterno. Pode até ser temporariamente esquecido mas, anos depois, é redescoberto e volta a brilhar como mil cometas fulgurantes.

Hoje iremos falar de uma grande obra-prima que se encontra, infelizmente, esquecida por muitos. E trata-se de um pequeno gigantesco conto.

O Silêncio do Mar, de Vercors

Escrito durante a II Guerra Mundial, O Silêncio do Mar conta a história enternecedora mas muito triste de um soldado alemão que, após a invasão à França, tenta estabelecer um diálogo cheio de afecto com um tio e a uma sobrinha. Os seus camaradas de armas, à boa maneira dos povos invasores, limitam-se a tomar uma casa que não lhes pertence e passam a morar ali, sem sequer pedir licença. Orgulhosos e patriotas, esta pequenina família composta por apenas dois seres, toma uma decisão: continuarão a fazer a sua vida como se os alemães não estivessem lá. Ele fuma tranquilamente o seu cachimbo, ela borda e tricota como se nada fosse. E é neste silêncio rebelde que se estabelece uma estranha comunicação entre dois franceses e um oficial nazi.

Werner não é igual aos outros: sonhador e músico, ele sente uma verdadeira paixão pela França. Acredita muito ingenuamente que a união entre a França e a clip_image003Alemanha irá criar um futuro radioso para o mundo, Porque a Alemanha possui a ordem, a disciplina e a música, mas a França possui a sensibilidade, o génio e a Literatura. Serão o casal perfeito, a união sacralizada por Deus. E, todas as noites, Werner sentar-se-á ao lado do tio e da sobrinha. Falará, falará, falará. Contará a história da sua vida, a história da sua querida Alemanha, o amor intenso que sente pela França. Não esperará deles uma única palavra, um único aceno. E sentirá que as coisas devem ser assim mesmo. Trata-se de um namoro, fazer a corte à amada. É preciso conquistar os franceses, convencê-los. Dominá-los, nunca.

Chega, finalmente, a hora de conhecer todos os camaradas que irão ocupar a França. Ele parte, entusiasmado, deslumbrado. Vai conhecer a sua querida “capital das luzes”, o mundo nunca será o mesmo… E quando volta, volta diferente. E volta de tal forma diferente que, em vez de continuar a tentar comunicar com os dois franceses, começa a evitá-los, cheio de tristeza e decepção. O que viu e ouviu destruiu os seus sonhos: a Alemanha não quer conquistar a França, quer destrui-la.

E, antes de partir, Werner desce à sala. E confessa tudo o que lhe vai na alma.

Escrito por um francês em plena época da Resistência, Werner não é uma personagem inteiramente ficcional: o autor da novela (o seu nome verdadeiro é Jean Bruller) inspirou-se num oficial verdadeiro que também ocupou a sua casa e, através de um diálogo cheio de silêncios, Bruller apercebeu-se que o soldado também amava a sua nação e não desejava destruí-la.

Esta novela emociona-nos até às lágrimas e marca-nos a ferro e fogo para o resto das nossas vidas. Já foi adaptada para dois filmes (vejam o cartaz acima. Não sabemos se o filme tem legendas em Português) mas, é claro, não há nada que substitua a leitura desta obra-prima. Além disso, está ao gosto de muitos leitores portugueses, que têm horror ao tamanho dos livros: é pequenina e lê-se no máximo em duas horas.

O Silêncio do Mar é um Hino ao Amor e à Resistência sem sangue e sem vingança. O ódio só gera o ódio. E, por vezes, um silêncio profundo como o mar impõe-se mais do que uma arma.

Imagens retiradas de: 1 e 2

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Um Livro Num Só Minuto

Sim, nós sabemos que os vampiros estão na moda. Mas no meio de muito sangue e dentadinhas, os bons livros deste género acabam ignorados nas prateleiras. Este é um deles…

Trilogia Nocturnus, de Rafael Loureiro

terça-feira, dezembro 07, 2010

Lição De Vida – O Fim Levará Ao Esquecimento

SONETO XIX


Tu também morrerás, cinza adorada.clip_image002
Essa beleza é certo que pereça,
essa mão, essa esplêndida cabeça,
esse corpo de argila iluminada.


Sob o gume da morte, ou sob a geada,
serás mais uma folha que estremeça
e com as outras te vás, verde e travessa,
depois morta, sem cor, desintegrada.


De nada o meu amor terá valido,
apesar deste amor, tu chegarás
ao fim do dia e tombarás vencido,


obscuro como a flor que cai, por mais
que tenhas sido belo, e tenhas sido
mais amado que todos os mortais.


Edna St. Vincent Millay

Imagem Retirada daqui

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Livro Da Semana

A Dama Negra Da Ilha Dos Escravos, de Ana Cristina Silva

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos
.

Luís Vaz de Camões, Endechas a Bárbara Escrava

Antes de um movimento chamado Nouvelle Histoire, o conhecimento da História circunscrevia-se única e exclusivamente aos grandes momentos, datas e figuras que clip_image001mudaram o nosso mundo e sociedade. A História era sempre olhada de cima, relegando para último plano as massas anónimas que a ajudaram a criar. Não se falava do “peixe miúdo”, como vivia, o que pensava, em que acreditava. Dir-se-ia que os “grandes homens” dos nossos manuais escolares foram capazes de fazer tudo sozinhos, sem precisarem da ajuda de ninguém, o que não é bem assim: estar no lugar certo na altura certa depende muito de uma série de circunstâncias do momento e, muitas vezes, lutar por uma ideia certa num mundo que ainda não a compreende e não a apoia é meio caminho andado para a exclusão e o anonimato (quase) eterno. Como dizia Álvaro de Campos, O mundo é para quem nasce para o conquistar, e não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.

No meio desta glorificação dos “grandes” muitas pequenas grandes personagens acabam por ser quase esquecidas, e só um verdadeiro rato de biblioteca e eterno apaixonado dos velhos documentos poeirentos, que já ninguém quer ler, esbarra por acidente, nestas pequeninas jóias que, muitas vezes, são elas que dão cor e sabor à história com “H” grande. De repente tudo ganha vida, porque todos nós, como é óbvio, identificamo-nos mais com o “Zé Ninguém” que limpa a nau, varre o chão ou trata da plantação do senhor, do que com o Rei, a Rainha ou até o grande cientista que mudou o mundo com o seu génio. E a história maravilhosa de D. Simoa Godinho é uma delas.

Personagem quase esquecida da nossa História, o seu papel foi, no entanto, muito importante: filha mestiça de uma família de fazendeiros, este ser humano que conhece o mundo dos negros mas já vive no mundo dos brancos, irá encantar a Lisboa do século XVI, muito cosmopolita mas, ao mesmo tempo, muito fechada. Ao casar-se com o fidalgo Luís de Almeida terá, ao longo da sua vida, muitas oportunidades para praticar o bem e fazer deste mundo um lugar melhor para se viver.

Tanto ela como o seu marido, foram donos e senhores de escravos. Porém, ao contrário de muitas famílias, tratavam os seus “servos” com respeito e dignidade, de acordo com os costumes daquele tempo. Interessaram-se pelos pobres, pelos enfermos, pelos problemas de higiene, pelo sofrimento dos outros. Além disso, a sua influência na corte irá marcar Portugal: bela, bondosa, culta, inteligente, imaculadamente limpa e doce, contrastava com as “brancas” fidalgas sujíssimas, ignorantes e cruéis. Nesta biografia imaginária, D. Simoa afirma: Sendo eu a selvagem que tinha a ousadia de me exibir entre os poderosos do reino, parecia ser ao mesmo tempo a única pessoa suficientemente educada para apreciar os requintes da civilização”.

D. Simoa foi esquecida durante muito tempo. Mas os seres de luz voltam sempre a brilhar. Aquilo que é puro e belo retorna sempre para nos dar lições de vida e de bondade.

sábado, dezembro 04, 2010

A Vida É Mais Estranha Do Que Nós Pensávamos

clip_image001

Que o diga a equipa liderada por Felisa Wolfe Simon, do Instituto de Astrobiologia da NASA: foi recentemente encontrada no lago Mono da Califórnia uma bactéria muito estranha, que desafia tudo o que nós conhecemos sobre a Vida nesta planeta. Este “bichinho”, em vez de ter fósforo no seu ADN, tem arsénio, uma substância que pertence obviamente à categoria dos venenos e, precisamente por ser bastante tóxica, não devia gerar nenhum tipo de vida.

clip_image003Relembremos a matéria que nos foi dada nos bancos da escola: todas as formas de vida de que até agora temos tido conhecimento são compostas por carbono, hidrogénio, nitrogénio, oxigénio, enxofre e fósforo. Mas este lago Americano (foto à esquerda) deu origem a um tipo completamente de Existência. Tal leva-nos imediatamente a especular todo o tipo de questões que antes nem eram postas em causa: e se, num planeta distante, a Evolução terá optado precisamente por este ADN cheio de arsénio, em vez de fósforo? Será que a Vida pode aparecer das maneiras mais estranhas e mais imprevisíveis, e até agora não demos por ela precisamente porque, até agora, não a tínhamos descoberto? Para a farmacêutica Simone Piccoli (na foto), a possibilidade de vida noutros planetas é cada vez mais um facto a ter em conta, e não uma história de ficção científica: Acredito que a descoberta revelada aponta para vida extraterrestre apenas pela constatação de que não devemos seguir procurando formas de vida tal qual conhecemos".

clip_image005Ao contrário do que se pensou inicialmente, esta bactéria não veio do espaço. É orgulhosa e honradamente terrestre. Mas a sua mera existência já é o suficiente para darmos pulos de entusiasmo e de aceitarmos cada vez mais a probabilidade de não estarmos sós no universo. Se uma substância altamente mortífera como o arsénio também consegue contribuir para a origem da vida neste planeta, que diremos de outros cenários e outros climas em planetas distantes? Para já, muitos cientistas, assim que tropeçaram nesta bactéria, já andam a maquinar maneiras práticas de a utilizar e que possam beneficiar o Ser Humano, a medicina em geral, o meio ambiente ou até mesmo ajudar a diminuir níveis de poluição em rios, por exemplo.

E depois ainda há quem diga que se gasta muito dinheiro nestes projectos!

Imagens retiradas de: 1  2  e 3

quarta-feira, dezembro 01, 2010

E do Desassossego Fez-se Um Filme

clip_image002

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa.

In Livro Do Desassossego

Esta estranha obra que, segundo muitos “entendidos”, só podia ter sido escrita por um Português, tem sido lida com paixão, com enfado, com fascínio, tem sido obsessiva e sistematicamente lida por sucessivas gerações de jovens e velhos. E, goste-se ou não dela, marcou o nosso país para sempre. Aliás, já não conseguimos pensar no que significa a “Alma Portuguesa” sem lermos Fernando Pessoa.

Por que motivo se chama O Livro do Desassossego? Bernardo Soares, a personagem inventada por este grande génio da Literatura Mundial, é um guarda-livros que olha atentamente o mundo. Tenta compreendê-lo, tenta compreender-se. Analisa tudo o que experiencia ou pensa. A sua mente inquieta, desassossegada, escreve e pensa compulsivamente. Bernardo Soares é um pensador, um filósofo ansioso e desejoso de conhecer a resposta para as grandes questões da Humanidade: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Que fazemos Aqui? Por que existimos? Para quê, a nossa existência?clip_image004

Na tentativa de procurar as respostas para estas questões, o realizador João Botelho decidiu transformar este “diário” num filme. E, como ele próprio afirmou numa entrevista, é um livro que dá para fazer 50 filmes diferentes, ou um filme de cem horas… Eu fiz duas horas e aproveitei três indicações fundamentais de Fernando Pessoa, que estão escritas no livro. Uma que tem a ver com luz, em que ele diz que «a luz que ilumina a cara dos santos deve ser a mesma que ilumina os sapatos (ou as polainas) das pessoas normais». Deu-me uma ideia enorme, porque eu gosto muito da luz e das sombras”.

Sendo um realizador orgulhoso do seu país e da sua História, João Botelho interessa-se sobretudo por autores da nossa nação: Agustina Bessa-Luís, Almeida Garrett, e agora Bernardo Soares. Através deles, podemos entender quem somos nós, Portugueses, e que papel o futuro nos reserva. E, acima de tudo, o cinema, tal como a literatura, é uma celebração da vida: O cinema de que eu gosto é um cinema de celebração. Isto está a ser uma experiência notável para mim porque, de repente, as pessoas regressam ao cinema, às salas normais, vestem-se para ir ao cinema, encontram uma celebração, pensam um bocadinho, falam umas com as outras.

Provocador como sempre foi, João Botelho não quis que o seu filme fosse parar aos centros comerciais: Eu não podia pegar num texto destes e nos meus actores que o dizem tão bem, e colocá-lo num sítio onde se come e bebe, se joga, se trocam telefonemas. Acho que é um insulto ao próprio texto. O cinema passou a ser uma coisa descartável. Mesmo quando se gosta, em cinco segundos diz-se ‘é giro’ e vamos à vida. Por isso, quem estiver interessado em ver este último capítulo de um dos melhores realizadores de cinema do nosso país, terá que ir, goste ou não, a salas construídas de propósito para este fim: salas onde se celebra o teatro e a sétima arte. Que vá jantar primeiro num restaurante ou na sua casa.

E não. Não há pipocas.

Filme do Desassossego (trailer 13)

Imagens retiradas de 12