segunda-feira, dezembro 13, 2010

E Como Já É Tradição…

…A Feira do Livro começa amanhã. São três mesas cheiinhas de todo o tipo de novidades: literatura intemporal, livros novos que se lêem até no duche, edições de História e de ciências, livros para a clip_image002pequenada, suculentas edições de receitas rápidas, saudáveis e baratas, livros para vivermos melhor e tirarmos proveito das coisas belas da vida… Há romances de fazer chorar as pedras da calçada, há histórias de suspense e aventura; há obras de fantasia e de ficção científica, há livros de bolso ao preço da uva mijona, há agendas cheias de poesia e beleza, há obras que falam dos grandes temas da actualidade, enfim, há de tudo.

Os preços, esses, não podem ser mais convidativos e mais diversos. Podem optar por um pequeno livro de bolso ou uma requintada tradução d’ A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Podem oferecer um lindíssimo livro de luxo da obra O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, ou comprar a obra Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, a menos de 10 euros. Podem comprar um livrito para a pequenada ou o Livro, de José Peixoto, para os mais graúdos.

Mas a cereja no topo do bolo está no desconto: 20% mais barato do que numa livraria/supermercado normal! Se um livro custa, por exemplo, 6 euros, façam as contas, e vejam lá se não terão uma compra barata e com bom gosto para oferecerem a alguém.

A feira vai durar até Quinta-feira. Apareçam, encantem-nos com a vossa visita!

Pintura de L C Neill, 2007, Liquidação de Livro

RECOMENDAMOS :

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Obras Intemporais Que Deveríamos Ter Na Nossa Estante

 

Ler um livro é sempre uma coisa bastante subjectiva: aquela obra que nós achamos que é excelente pode muito bem ser vista pelo nosso amigo ou familiar como sendo uma monumental “chatice”, um “pincel” que, muitas vezes, foi engolido à força clip_image002(caso seja obrigatório ler na escola) ou algo que foi logo pousado para um canto (caso tenha sido comprado ou oferecido). Mas há livros que, por mais que os detestemos, temos que engolir em seco e admitir que, em termos de qualidade literária, são excelentes.

O que é, afinal, uma obra-prima literária? Talvez uma das suas grandes características resida no facto de que uma obra-prima, não importa quantos séculos lhe passem à frente, continua a ser lida e publicada por sucessivas gerações de ávidos leitores. É o caso de clarões de génio como, por exemplo, A Arte de Amar, de Ovídio; Crime e Castigo, de Dostoievsky; Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Romeu e Julieta, de William Shakespeare; entre muitos outros exemplos, inclusivamente de autores portugueses. Aquilo que é bom é sempre eterno. Pode até ser temporariamente esquecido mas, anos depois, é redescoberto e volta a brilhar como mil cometas fulgurantes.

Hoje iremos falar de uma grande obra-prima que se encontra, infelizmente, esquecida por muitos. E trata-se de um pequeno gigantesco conto.

O Silêncio do Mar, de Vercors

Escrito durante a II Guerra Mundial, O Silêncio do Mar conta a história enternecedora mas muito triste de um soldado alemão que, após a invasão à França, tenta estabelecer um diálogo cheio de afecto com um tio e a uma sobrinha. Os seus camaradas de armas, à boa maneira dos povos invasores, limitam-se a tomar uma casa que não lhes pertence e passam a morar ali, sem sequer pedir licença. Orgulhosos e patriotas, esta pequenina família composta por apenas dois seres, toma uma decisão: continuarão a fazer a sua vida como se os alemães não estivessem lá. Ele fuma tranquilamente o seu cachimbo, ela borda e tricota como se nada fosse. E é neste silêncio rebelde que se estabelece uma estranha comunicação entre dois franceses e um oficial nazi.

Werner não é igual aos outros: sonhador e músico, ele sente uma verdadeira paixão pela França. Acredita muito ingenuamente que a união entre a França e a clip_image003Alemanha irá criar um futuro radioso para o mundo, Porque a Alemanha possui a ordem, a disciplina e a música, mas a França possui a sensibilidade, o génio e a Literatura. Serão o casal perfeito, a união sacralizada por Deus. E, todas as noites, Werner sentar-se-á ao lado do tio e da sobrinha. Falará, falará, falará. Contará a história da sua vida, a história da sua querida Alemanha, o amor intenso que sente pela França. Não esperará deles uma única palavra, um único aceno. E sentirá que as coisas devem ser assim mesmo. Trata-se de um namoro, fazer a corte à amada. É preciso conquistar os franceses, convencê-los. Dominá-los, nunca.

Chega, finalmente, a hora de conhecer todos os camaradas que irão ocupar a França. Ele parte, entusiasmado, deslumbrado. Vai conhecer a sua querida “capital das luzes”, o mundo nunca será o mesmo… E quando volta, volta diferente. E volta de tal forma diferente que, em vez de continuar a tentar comunicar com os dois franceses, começa a evitá-los, cheio de tristeza e decepção. O que viu e ouviu destruiu os seus sonhos: a Alemanha não quer conquistar a França, quer destrui-la.

E, antes de partir, Werner desce à sala. E confessa tudo o que lhe vai na alma.

Escrito por um francês em plena época da Resistência, Werner não é uma personagem inteiramente ficcional: o autor da novela (o seu nome verdadeiro é Jean Bruller) inspirou-se num oficial verdadeiro que também ocupou a sua casa e, através de um diálogo cheio de silêncios, Bruller apercebeu-se que o soldado também amava a sua nação e não desejava destruí-la.

Esta novela emociona-nos até às lágrimas e marca-nos a ferro e fogo para o resto das nossas vidas. Já foi adaptada para dois filmes (vejam o cartaz acima. Não sabemos se o filme tem legendas em Português) mas, é claro, não há nada que substitua a leitura desta obra-prima. Além disso, está ao gosto de muitos leitores portugueses, que têm horror ao tamanho dos livros: é pequenina e lê-se no máximo em duas horas.

O Silêncio do Mar é um Hino ao Amor e à Resistência sem sangue e sem vingança. O ódio só gera o ódio. E, por vezes, um silêncio profundo como o mar impõe-se mais do que uma arma.

Imagens retiradas de: 1 e 2

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Um Livro Num Só Minuto

Sim, nós sabemos que os vampiros estão na moda. Mas no meio de muito sangue e dentadinhas, os bons livros deste género acabam ignorados nas prateleiras. Este é um deles…

Trilogia Nocturnus, de Rafael Loureiro

terça-feira, dezembro 07, 2010

Lição De Vida – O Fim Levará Ao Esquecimento

SONETO XIX


Tu também morrerás, cinza adorada.clip_image002
Essa beleza é certo que pereça,
essa mão, essa esplêndida cabeça,
esse corpo de argila iluminada.


Sob o gume da morte, ou sob a geada,
serás mais uma folha que estremeça
e com as outras te vás, verde e travessa,
depois morta, sem cor, desintegrada.


De nada o meu amor terá valido,
apesar deste amor, tu chegarás
ao fim do dia e tombarás vencido,


obscuro como a flor que cai, por mais
que tenhas sido belo, e tenhas sido
mais amado que todos os mortais.


Edna St. Vincent Millay

Imagem Retirada daqui

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Livro Da Semana

A Dama Negra Da Ilha Dos Escravos, de Ana Cristina Silva

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos
.

Luís Vaz de Camões, Endechas a Bárbara Escrava

Antes de um movimento chamado Nouvelle Histoire, o conhecimento da História circunscrevia-se única e exclusivamente aos grandes momentos, datas e figuras que clip_image001mudaram o nosso mundo e sociedade. A História era sempre olhada de cima, relegando para último plano as massas anónimas que a ajudaram a criar. Não se falava do “peixe miúdo”, como vivia, o que pensava, em que acreditava. Dir-se-ia que os “grandes homens” dos nossos manuais escolares foram capazes de fazer tudo sozinhos, sem precisarem da ajuda de ninguém, o que não é bem assim: estar no lugar certo na altura certa depende muito de uma série de circunstâncias do momento e, muitas vezes, lutar por uma ideia certa num mundo que ainda não a compreende e não a apoia é meio caminho andado para a exclusão e o anonimato (quase) eterno. Como dizia Álvaro de Campos, O mundo é para quem nasce para o conquistar, e não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.

No meio desta glorificação dos “grandes” muitas pequenas grandes personagens acabam por ser quase esquecidas, e só um verdadeiro rato de biblioteca e eterno apaixonado dos velhos documentos poeirentos, que já ninguém quer ler, esbarra por acidente, nestas pequeninas jóias que, muitas vezes, são elas que dão cor e sabor à história com “H” grande. De repente tudo ganha vida, porque todos nós, como é óbvio, identificamo-nos mais com o “Zé Ninguém” que limpa a nau, varre o chão ou trata da plantação do senhor, do que com o Rei, a Rainha ou até o grande cientista que mudou o mundo com o seu génio. E a história maravilhosa de D. Simoa Godinho é uma delas.

Personagem quase esquecida da nossa História, o seu papel foi, no entanto, muito importante: filha mestiça de uma família de fazendeiros, este ser humano que conhece o mundo dos negros mas já vive no mundo dos brancos, irá encantar a Lisboa do século XVI, muito cosmopolita mas, ao mesmo tempo, muito fechada. Ao casar-se com o fidalgo Luís de Almeida terá, ao longo da sua vida, muitas oportunidades para praticar o bem e fazer deste mundo um lugar melhor para se viver.

Tanto ela como o seu marido, foram donos e senhores de escravos. Porém, ao contrário de muitas famílias, tratavam os seus “servos” com respeito e dignidade, de acordo com os costumes daquele tempo. Interessaram-se pelos pobres, pelos enfermos, pelos problemas de higiene, pelo sofrimento dos outros. Além disso, a sua influência na corte irá marcar Portugal: bela, bondosa, culta, inteligente, imaculadamente limpa e doce, contrastava com as “brancas” fidalgas sujíssimas, ignorantes e cruéis. Nesta biografia imaginária, D. Simoa afirma: Sendo eu a selvagem que tinha a ousadia de me exibir entre os poderosos do reino, parecia ser ao mesmo tempo a única pessoa suficientemente educada para apreciar os requintes da civilização”.

D. Simoa foi esquecida durante muito tempo. Mas os seres de luz voltam sempre a brilhar. Aquilo que é puro e belo retorna sempre para nos dar lições de vida e de bondade.

sábado, dezembro 04, 2010

A Vida É Mais Estranha Do Que Nós Pensávamos

clip_image001

Que o diga a equipa liderada por Felisa Wolfe Simon, do Instituto de Astrobiologia da NASA: foi recentemente encontrada no lago Mono da Califórnia uma bactéria muito estranha, que desafia tudo o que nós conhecemos sobre a Vida nesta planeta. Este “bichinho”, em vez de ter fósforo no seu ADN, tem arsénio, uma substância que pertence obviamente à categoria dos venenos e, precisamente por ser bastante tóxica, não devia gerar nenhum tipo de vida.

clip_image003Relembremos a matéria que nos foi dada nos bancos da escola: todas as formas de vida de que até agora temos tido conhecimento são compostas por carbono, hidrogénio, nitrogénio, oxigénio, enxofre e fósforo. Mas este lago Americano (foto à esquerda) deu origem a um tipo completamente de Existência. Tal leva-nos imediatamente a especular todo o tipo de questões que antes nem eram postas em causa: e se, num planeta distante, a Evolução terá optado precisamente por este ADN cheio de arsénio, em vez de fósforo? Será que a Vida pode aparecer das maneiras mais estranhas e mais imprevisíveis, e até agora não demos por ela precisamente porque, até agora, não a tínhamos descoberto? Para a farmacêutica Simone Piccoli (na foto), a possibilidade de vida noutros planetas é cada vez mais um facto a ter em conta, e não uma história de ficção científica: Acredito que a descoberta revelada aponta para vida extraterrestre apenas pela constatação de que não devemos seguir procurando formas de vida tal qual conhecemos".

clip_image005Ao contrário do que se pensou inicialmente, esta bactéria não veio do espaço. É orgulhosa e honradamente terrestre. Mas a sua mera existência já é o suficiente para darmos pulos de entusiasmo e de aceitarmos cada vez mais a probabilidade de não estarmos sós no universo. Se uma substância altamente mortífera como o arsénio também consegue contribuir para a origem da vida neste planeta, que diremos de outros cenários e outros climas em planetas distantes? Para já, muitos cientistas, assim que tropeçaram nesta bactéria, já andam a maquinar maneiras práticas de a utilizar e que possam beneficiar o Ser Humano, a medicina em geral, o meio ambiente ou até mesmo ajudar a diminuir níveis de poluição em rios, por exemplo.

E depois ainda há quem diga que se gasta muito dinheiro nestes projectos!

Imagens retiradas de: 1  2  e 3

quarta-feira, dezembro 01, 2010

E do Desassossego Fez-se Um Filme

clip_image002

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa.

In Livro Do Desassossego

Esta estranha obra que, segundo muitos “entendidos”, só podia ter sido escrita por um Português, tem sido lida com paixão, com enfado, com fascínio, tem sido obsessiva e sistematicamente lida por sucessivas gerações de jovens e velhos. E, goste-se ou não dela, marcou o nosso país para sempre. Aliás, já não conseguimos pensar no que significa a “Alma Portuguesa” sem lermos Fernando Pessoa.

Por que motivo se chama O Livro do Desassossego? Bernardo Soares, a personagem inventada por este grande génio da Literatura Mundial, é um guarda-livros que olha atentamente o mundo. Tenta compreendê-lo, tenta compreender-se. Analisa tudo o que experiencia ou pensa. A sua mente inquieta, desassossegada, escreve e pensa compulsivamente. Bernardo Soares é um pensador, um filósofo ansioso e desejoso de conhecer a resposta para as grandes questões da Humanidade: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Que fazemos Aqui? Por que existimos? Para quê, a nossa existência?clip_image004

Na tentativa de procurar as respostas para estas questões, o realizador João Botelho decidiu transformar este “diário” num filme. E, como ele próprio afirmou numa entrevista, é um livro que dá para fazer 50 filmes diferentes, ou um filme de cem horas… Eu fiz duas horas e aproveitei três indicações fundamentais de Fernando Pessoa, que estão escritas no livro. Uma que tem a ver com luz, em que ele diz que «a luz que ilumina a cara dos santos deve ser a mesma que ilumina os sapatos (ou as polainas) das pessoas normais». Deu-me uma ideia enorme, porque eu gosto muito da luz e das sombras”.

Sendo um realizador orgulhoso do seu país e da sua História, João Botelho interessa-se sobretudo por autores da nossa nação: Agustina Bessa-Luís, Almeida Garrett, e agora Bernardo Soares. Através deles, podemos entender quem somos nós, Portugueses, e que papel o futuro nos reserva. E, acima de tudo, o cinema, tal como a literatura, é uma celebração da vida: O cinema de que eu gosto é um cinema de celebração. Isto está a ser uma experiência notável para mim porque, de repente, as pessoas regressam ao cinema, às salas normais, vestem-se para ir ao cinema, encontram uma celebração, pensam um bocadinho, falam umas com as outras.

Provocador como sempre foi, João Botelho não quis que o seu filme fosse parar aos centros comerciais: Eu não podia pegar num texto destes e nos meus actores que o dizem tão bem, e colocá-lo num sítio onde se come e bebe, se joga, se trocam telefonemas. Acho que é um insulto ao próprio texto. O cinema passou a ser uma coisa descartável. Mesmo quando se gosta, em cinco segundos diz-se ‘é giro’ e vamos à vida. Por isso, quem estiver interessado em ver este último capítulo de um dos melhores realizadores de cinema do nosso país, terá que ir, goste ou não, a salas construídas de propósito para este fim: salas onde se celebra o teatro e a sétima arte. Que vá jantar primeiro num restaurante ou na sua casa.

E não. Não há pipocas.

Filme do Desassossego (trailer 13)

Imagens retiradas de 12

terça-feira, novembro 30, 2010

Bibliomúsica – Harry Potter E Os Talismãs da Morte, Parte I

clip_image002

Pronto, já chegou. E numa só semana, 200.000 portugueses correram às salas em estado de euforia ou porque foram arrastados pelos amigos ou porque o amor das suas vidas é doido por este feiticeiro ou porque já se tornou um hábito “picar o ponto” ou…

As críticas têm-se dividido bastante: uns adoraram este filme de morte, outros odiaram-no de morte; uns afirmam que a parte de que mais gostaram foi a acção dos primeiros 40 minutos e detestaram as 500 horas de “campismo à força” dos três amigos; outros juram a pés juntos que a parte de que mais gostaram foi precisamente o “campismo à força” dos três amigos e detestaram a acção rápida demais para o seu gosto; uns acharam que o filme segue quase fielmente o livro; outros acharam que muitas partes importantíssimas do livro nem sequer chegaram a ser explicadas; uns dizem que o filme é muito claro para quem não leu o livro; outros juram a pés juntos que foram ao cinema com amigos ou membros da família que não leram o livro, e estes não perceberam nada. Qual é a opinião da nossa biblioteca? Nenhuma porque, até agora, ainda não tivemos ocasião de pousarmos os nossos cansados pés numa sala de cinema.

E, por muito estranho que pareça (é a primeira vez que ouço tal coisa!), foram várias as pessoas que se queixaram da banda sonora. Segundo as mesmas, estava alta demais e “expunha-se” demais, abafando, assim, a tensão de várias cenas e fazendo com que o público se distraísse da interpretação dos actores. Confesso que não posso dar a minha opinião, uma vez que, tristemente, ainda não vi o filme. Porém, quem me

conhece já sabe que eu tenho a mania de coleccionar bandas sonoras e a primeira coisa que me capta logo a atenção num filme é a música. Aliás, tenho o estranho hábito de ouvir as bandas sonoras ainda antes de ver os filmes em questão. Amei as composições musicais do filme Star Trek, e para mim foi uma verdadeira decepção descobrir que a trilha musical quase que não se notava no meio das explosões e dos efeitos especiais do filme.

clip_image004 Por isso mesmo, desconfio que vou delirar com esta escolha deliberada do realizador David Yates. Com efeito, diz-se para aí que Yates, à semelhança do Senhor dos Anéis, queria que a música desempenhasse não um “papel de fundo”, mas devia, acima de tudo, ser uma espécie de narrador escondido, que reflectisse os sentimentos das personagens. Daí o facto de a banda sonora estar muito exposta, em vez de servir de “abafa silêncios”.

Tem sido já um hábito os produtores desta série trocarem de compositores como quem troca de camisa: primeiro foi John Williams; depois passou-se para Patrick Doyle; Nicholas Hooper compôs aquela que (na minha humilde opinião) foi a melhor banda sonora de todos os filmes: a trilha musical de Harry Potter e o Príncipe Misterioso; e agora damos as boas vindas a Alexandre Desplat. Apesar de tudo, não importa qual é o vosso compositor preferido: todos são bons e foram escolhidos a dedo.

E Alexandre Desplat, como “verão” nos três exemplos em baixo, não é excepção.

Harry Potter 7 (Alexandre Desplat) – The Oblivation

Harry Potter 7 (Alexandre Desplat) – Farewell To Dobby

Harry Potter 7 (Alexandre Desplat) – Ron Leaves

Imagens retiradas de 1 e 2

segunda-feira, novembro 29, 2010

Livro Da Semana

O Monte Dos Vendavais, de Emily Brontë

clip_image002 De todos os sentimentos humanos, o Amor é, sem dúvida, aquele que mais facilmente se quebra e se destrói, à mais pequena aragem. É tão frágil que precisa de ser regado, adubado, acarinhado e estimulado com muita regularidade, não vá este sofrer de tédio e desaparecer, quase sem darmos por tal. Mas é também aquele que mais sofrimento, frustração e dor provoca. Até parece que todos nós possuímos uma veia masoquista e sentimos prazer em sentir um vendaval tão grande nas nossas vidas. Sim. O Amor tem sido, durante milénios, fonte de muita, muita dor. E se assim o é, por que motivo todos nós desejamos senti-lo? Não deveríamos antes fugir dele?

Uma pessoa apaixonada, segundo Francesco Alberoni, é uma pessoa doente, intoxicada, naturalmente drogada. Quando nos apaixonamos, vivemos num estado de alucinação e não há quem não se divirta com os nossos olhos de “carneiro mal morto” que todos os namorados apresentam assim que pensam, ouvem ou vêm o objecto dos seus desejos. Pode explodir uma bomba ao nosso lado e quase que nem damos por tal. Parecido com isto, só uma mulher grávida, completamente centrada na sua barriga e na nova vida que está a construir. Ora é precisamente por isto mesmo que não podemos estar eternamente apaixonados: passado o fogo e o prazer da novidade, as hormonas assentam e passamos à segunda fase: a fase do Amor genuíno, o Amor que não é cego e que aceita o outro tal e qual como ele é. E é nesta altura que muitos casais e namorados se separam, pois estes confundem muitas vezes paixão com amor.

Porém, há amores malditos, que nunca se apagam e que, longe de trazerem à tona o melhor que existe em nós, destroem-nos física e espiritualmente. Felizmente, estes casos são poucos, senão a Humanidade seria ainda mais infeliz do que é actualmente. Mas lá que eles existem, isso é verdade. E, por muito estranho que pareça, há muitos seres humanos que consideram estas relações doentias bastante fascinantes e apelativas. Secretamente, muitos de nós gostaríamos de as experienciar. Há um certo glamour na auto-destruição em nome de alguém que amamos…

Ora, O Monte dos Vendavais conta a história de um dos amores mais malditos da História da Literatura Mundial, figurando lado a lado com a Madame Bovary, Ana Karenina ou até Tristão e Isolda. Na altura em que este romance foi escrito, estávamos no auge do Romantismo e do “amar até à morte”. Lutava-se pelo casamento de amor e não por conveniência, e a força deste era glorificada por vezes num estado muito patológico. Mais ainda, o Romantismo Gótico dava aos sentimentos humanos um tom ainda mais sombrio e ainda mais mortífero do que já é.

Tudo começa com a chegada do Sr.Lockwood à herdade dos Tordos. Sabemos que ele está lá para usufruir dos bons ares do campo, mas depressa descobre que estes “bons ares” escondem uma longa história de loucura, paixão assolapada e muita auto-destruição à mistura. A história de amor demente de Catherine e Heathcliff é-nos relatada por uma simples governanta (podemos mesmo dizê-lo) mentalmente equilibrada. É ela quem toma conta da propriedade e que tem que “aturar” o terrível mau génio do seu patrão, é ela quem revela o passado do seu amo e senhor a um atarantado Sr. Lockwood, que veio para apanhar bons ares e saiu-lhe na rifa uma mansão negra, onde a loucura espreita em todas as frinchas das portas. E é interessante repararmos que os sentimentos que Nelly Dean nutre em relação a Catherine e Heathcliff oscilam entre a compaixão cristã e a falta de paciência para aturar “frescuras de gente rica”: sendo ela uma mulher do campo, prática, objectiva e habituada à dureza dos pobres, não tem lá muito tempo para amar, e muito menos para se aniquilar por causa do Amor.

Podemos concluir que este romance, longe de enaltecer o “amar-te-ei até à morte”, critica fortemente duas pessoas que egoisticamente arrastam toda uma família para a destruição. Aliás, o fim desta história apresenta uma moral bem clara: só através do arrependimento e da entrega da nossa alma a Deus é que o Homem conseguirá vencer o seu lado animal e superar-se a si mesmo. E vistas as coisas por esta perspectiva, a voz da Sabedoria vem da boca de uma simples e anónima criada de campo. Não vem dos filósofos, dos cientistas e dos artistas. Porque é da boca do povo, muitas vezes, que escutamos a Verdade.

Não há nada de belo neste “Amor Baixo”, como Camões dizia. Deixemos, portanto, estas histórias para os livros e para o cinema. A verdade é ninguém, na vida real, gosta de sofrer.

sábado, novembro 27, 2010

Seja Original: Neste Natal, Ofereça Sonhos!

Um livro é uma prenda que não envergonha ninguém: é sempre chic, nunca passa de moda, não se estraga facilmente, é eterna e, depois de apreciarmos a leitura, podemos clip_image001guardar o presente na nossa estante ou oferecê-lo a um amigo ou familiar, se estiver em boas condições.

É isso mesmo, poupem e reciclem: os tempos que aí vêm serão muito duros e a vida não está para iphones4 de 600 euros, que daqui a seis meses já estarão out e já não causarão sensação nenhuma, assim que chegar a versão 5. Tal não acontece com um livro: se for bom, será intemporal, e será sempre revisitado com prazer, quer a edição tenha 60 anos ou 6 dias. Por isso mesmo, e por muito estranho que vos pareça, está mais barato oferecer um romance do que, em certos casos, comprar uma peça de roupa, uma jóia ou um DVD. As livrarias e as editoras estão neste momento a oferecer promoções tão baratas e tão aliciantes, que só mesmo uma pessoa muito distraída ou muito “totó” não saberá aproveitá-las.

clip_image003Mas a festa de Natal é, acima de tudo, uma festa da família e dos amigos. Supostamente estamos a celebrar o nascimento de Jesus Cristo e, por isso mesmo, devemos manter a cabeça fria e ignorarmos a “feira das vaidades” que parece atacar ainda mais fortemente as sociedades de hoje, nesta altura do ano. E é com este pensamento que passamos às nossas sugestões.

A editora Saída de Emergência, para além dos packs promocionais (leve 2 e pague 1), anda a oferecer 44% de desconto em 77 das suas edições. Há livros que não chegam aos 11 €, por isso é para aproveitar. Para quem gosta dos géneros fantástico e de ficção científica, há aqui oportunidades a não perder. A título de exemplo, os dois volumes da obra Asteca, de Gary Jennings custavam 46.32€ e agora só custam 25.24€. É quase metade do preço!

clip_image005 A loja Fnac também passou ao contra-ataque e criou uma promoção baptizada com o nome (não muito criativo mas muito aliciante) Leve 4 Pague 3, e mais não precisaremos de dizer. Quanto à grande rival desta loja, a Bertrand não quer fugir da corrida: para além da promoção 3x2 (leve 3 pague 2), o cliente terá um desconto de 5 € nas compras superiores a 15. Mais ainda, muitos livros, por causa do Natal, baixaram os preços: havia obras no valor de 14 € e agora estão a 11. Três euritos aqui, três ali e, como quem não quer a coisa, já poupámos bastante.

Estejam atentos ao mês de Dezembro: quase todas as escolas aproveitam a época festiva para montar as já famosas e tradicionais feiras do livro. Excelente oportunidade para ir despachando as compras para os mais pequenos ou familiares que adoram ler, e a escolha tende até a ser bastante grande: há livros de bolso que podem ser adquiridos a cinco euros! Não nos venham dizer que cinco euros é uma prenda cara!

As pequenas livrarias também irão aproveitar esta época. Têm a vantagem de já conhecerem bem os seus clientes e de disporem de tempo para falar com eles, por isso não sejam tímidos e peçam conselhos e sugestões. Quase sempre os donos destas pequeninas lojas acertam nos seus palpites. Falando ainda em lojas pequenas, se clip_image006houver um alfarrabista na vossa zona, aproveitem e dêem uma espreitadela. Há edições completamente esgotadas que só se encontram nestes lugares, sem falar do facto de que um livro em 2ª mão, em bom estado, e comprado neste espaço é bastante mais barato do que numa livraria “normal”.

Para quem gosta de fazer compras na internet, o facebook está carregadinho de livrarias online que publicitam as suas novas encomendas e promoções. Mais ainda, a já lendária Amazon vende edições em 2ª mão, referindo sempre se estão em bom ou mau estado. É sempre agradável, nesta altura do ano, fugirmos da azáfama das multidões stressadas e, já agora, dos ladrões que proliferam nesta época natalícia.

Por fim, sejam criativos: se nas estantes da vossa casa há bons livros que estão como novos - e vocês já sabem que não voltarão a lê-los – que tal embrulhá-los com carinho e oferecê-los a alguém que ainda não os leu?

Como dissemos no início deste texto, um livro não envergonha ninguém. E a festa de Natal é uma festa da família e dos amigos. Ora, familiares e bons amigos não olham para o preço da prenda. Um presente é um acto de amor, uma dádiva que damos a alguém que amamos. Não deve ser uma obrigação, ainda por cima cara. Tirem proveito do melhor que existe neste dia: a chegada de Cristo a este mundo (para quem é religioso), a alegria, o convívio, familiares que não vemos há uma data de tempo, o ritual da decoração da casa, do embrulhar das prendas, da abertura das mesmas, o bom vinho na mesa, a boa disposição, a música da época, as brincadeiras com os primos, filhos e sobrinhos, o gato e o cão. O resto é supérfluo.

Muito mal estão as coisas se já nem no Natal podemos ser nós mesmos.

Como Incentivar Uma Criança a Ler

.

Imagens retiradas de 1  2   3   4

sexta-feira, novembro 26, 2010

Dia Mundial do Não Fumador

No âmbito da comemoração do Dia Mundial do Não Fumador,  a Equipa PES da nossa Escola, desenvolveu, com a Higienista - Vanessa Ferreira, do Centro Saúde de Serpa, no passado dia 19 de Novembro, 6ª feira, uma acção sobre tabagismo/consumos e saúde oral, destinada a alunos de 9º e 7º ano de escolaridade.
No final desta actividade foi realizada a observação/ rastreio oral dos referidos alunos.

Foi assim :Sorriso rasgado

1 2 3 4 5 6 7

quinta-feira, novembro 25, 2010

Já Chegaram!!!!

Novinhos, fresquinhos e convidativos. Os livros comprados graças ao orçamento de 900 euros, de que já tínhamos falado neste blog, já estão ao dispor de todos os alunos, funcionários e professores da nossa escola.

clip_image001Como já tínhamos também referido, este dinheiro parece, à partida, ser muito, mas bastaram umas quantas encomendas para este ter sido “torrado” numas “escassas” dezenas de obras. Por isso mesmo, a nossa escolha foi muito criteriosa, embora tivéssemos deixado também espaço para uns quantos pedidos de alunos. Convém também dizer que algumas edições propostas pelo Plano Nacional de Leitura encontram-se, de momento, esgotadas e, por isso mesmo, alguns livros aconselhados pelos professores não puderam ser atendidos. Por fim, falta-nos informar que muitos livros propostos na lista do PNL vieram em dose múltipla, para que possam ser usados pelo maior número de docentes e alunos.

A montra será exposta na próxima semana, para fechar com chave de ouro o final deste ano lectivo. Esperemos que estes livros estimulem a vossa imaginação, e que levem alguns para casa, para lerem durante as férias de Natal!

Segue-se a lista dos que já chegaram (ainda aguardamos a entrega de alguns):

· Alexandre O’ Neill, Anos 70: Poemas Dispersos

· Almeida Garrett, Falar Verdade a Mentir

· Ana Cristina Silva, A Dama Negra da Ilha dos Escravos

· Antoine de Sainte-Exupéri, O Principezinho

· António Lobo Antunes, Sôbolos Rios que Vão

· Banafsheh Serov, A Longa Noite de Teerão

· Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição

· Charles Dickens, Oliver Twist

· Charles Dickens, Um Conto de Natal

· Cormac Maccarthy, Este País Não É Para Velhos

· Daniel Defoe, Robinson Crusoe

· Eça de Queirós, As Minas do Rei Salomão

· Edgar Allan Poe, Histórias Extraordinárias

clip_image003clip_image004

· Emily Brontë, O Monte dos Vendavais

· Fernando Sabino, O Menino no Espelho

· Flannery O’Connor, O Gerânio e Contos Dispersos

· Frederico Lourenço, A Odisseia de Homero Adaptada para Jovens

· H. G. Wells, A Máquina do Tempo

· Italo Calvino, O Visconde Cortado ao Meio

· Jane Austen, Sensibilidade e Bom Senso

· Jorge Amado, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá

· Jorge de Sousa Braga, Pó de Estrelas

· José Luís Peixoto, Livro

· José Salgueiro, Ervas, Usos e Saberes

· Junichiro Tanisaki, Uma Gata, um Homem e Duas Mulheres

· Ken Follett, A Queda dos Gigantes e Os Pilares da Terra, volumes I e II

· Kenneth Grahame, O Vento nos Salgueiros

· Luís Sepúlveda, A Sombra do que Somos

· Luis Sepúlveda, História de Uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar

· Margarida Rebelo Pinto, Alma de Pássaro e Não Há Coincidências

clip_image006clip_image008

· Maria Alberta Menéres, À Beira do Lago dos Encantos

· Maria Teresa Gonzalez, Os Herdeiros da Lua de Joana

· Mia Couto, Venenos de Deus, Remédios do Diabo

· Michael Ende, A História Interminável

· Patrick Süskind, O Perfume

· Pau Miranda, Alexandre Magno

· Richard Matheson, Eu Sou a Lenda

· Scott Fitzgerald, O Estranho Caso de Benjamin Button

· Sir Arthur Conan Doyle, As Aventuras de Sherlock Holmes

· Somerset Maugham, O fio da Navalha

· Sophia de Mello Breyner Andresen, O Cavaleiro da Dinamarca

· Tim Flannery, Os Senhores do Tempo

· Victor Hugo, Os Miseráveis

· Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal

Aguardamos ainda a chegada de:

· Gabriel Garcia Marquez, Crónica de uma Morte Anunciada

· Carlos Maria Domingéz, A Casa de Papel

· Bram Stoker, Drácula

· Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira, Nem Tudo Começa com um Beijo

Imagens Retiradas de 1, 2, 3, 4, 5

quarta-feira, novembro 24, 2010

“DESCONECTADOS”–Ponto Electrão ( I )

Somos um grupo de Área de Projecto do 12.ºA - Ana Silva, André Santos, António Pica, João Torrão e Micael Pepe. Estamos a trabalhar no tema dos Resíduos Eléctricos e Electrónicos em Área de Projecto e temos o objectivo de sensibilizar alunos, pais, professores, funcionários e a comunidade em geral, para o correcto encaminhamento dos REEE, através da recolha de resíduos e desenvolvimento de acções de divulgação e de participação em projectos e concursos.

Elaborámos este vídeo que queremos partilhar convosco!!

.

E este é o nosso Facebook :

http://www.facebook.com/home.php?#!/profile.php?id=100001794681517

terça-feira, novembro 23, 2010

Paris Monumental

clip_image002A turma A do 7º ano, a propósito da sua futura visita à lendária Paris, realizou uma pesquisa dedicada a vários monumentos famosos da “cidade das luzes”, e todos os alunos escolheram para suporte de divulgação final o formato PowerPoint. Uma vez que alguns deles ainda não estavam completamente familiarizados com este software, a Biblioteca/Centro de Recursos deu uma ajudinha à la minute: um dos membros desta equipa esteve presente numa aula para tirar dúvidas, fazer sugestões e guiar passo a passo aqueles que ainda não sabiam lá muito bem como colocar música ou vídeos, fazer animação, inserir texto, etc.

A visita de estudo será da responsabilidade da professora Maria João Brasão. Até lá, muitas outras actividades dedicadas ao tema de Paris serão publicadas neste blog.

Imagem retirada daqui

Eco-Escola (2010) 2

A Tetra Pak lançou um desafio às escolas portuguesas com espírito natalício ecológico, sob a forma do concurso "Sim, este ano o Natal é amarelo". A ideia é que as escolas transformem o tradicional pinheiro de Natal numa árvore que tem por base a reutilização das embalagens de cartão da Tetra Pak. As seis escolas com as melhores árvores recebem prémios, e para ganhar cada estabelecimento de ensino só precisa de construir a árvore mais original, feita a partir de embalagens da Tetra Pak usadas. A árvore deve ainda ter o amarelo como cor predominante, e cada escola só pode concorrer com uma árvore.

As trezentas Eco-Escolas mais rápidas a enviarem a ficha de inscrição preenchida, seriam as escolhidas para participar no concurso. A nossa escola foi uma das seleccionadas!

Ainda antes de saber que estávamos oficialmente em concurso, e porque na nossa escola já vem sendo hábito a construção da árvore de Natal a partir de elementos reaproveitados, a professora Maria Ana César desafiou os seus alunos, das turmas A e B do 9º ano, a construir uma árvore de Natal com as características acima referidas. É neste ano de escolaridade que, na disciplina de Educação Tecnológica, os alunos são particularmente sensibilizados para os problemas ambientais e para a política dos 4rs’, embora esses conteúdos já tenham sido abordados nos sétimo e oitavos anos.

Assim sendo, cada aluno fez um projecto de árvore de Natal de acordo com as PROJECTO VENCEDOR (2)indicações supracitadas, como se pode observar nas imagens seguintes. Após reflexão, debate e votação, o projecto vencedor foi o número 15 ( ao lado) , que será composto por uma estrutura central de madeira reaproveitada e por espirais de arame revestidos por embalagens Tetra Pak, pintadas de amarelo. A decoração final irá ser feita com ramos de plátano, que circundam o espaço exterior da nossa escola.

Foi solicitada a colaboração da comunidade escolar para a recolha das embalagens, que foram posteriormente lavadas. Numa fase posterior estas têm vindo a ser preparadas para se poder início à sua pintura de amarelo.

Aqui ficam algumas imagens do que foi feito até ao momento.

.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Livro Da Semana

A Queda Dos Gigantes, de Ken Follet

clip_image002 É possível contar a história do século XX através das pessoas “comuns”? Sim, é possível, e os escritores e poetas são mestres nesta arte. Porém, o que torna o género do romance histórico tão poderoso é o facto de conseguir humanizar aquela “matéria chata” que aprendemos nos bancos da escola, e que ingenuamente nos leva a pensar que não nos servirá para literalmente nada, quando entrarmos na “vida real”, ou seja, o mercado de trabalho. De um momento para o outro, viajamos para um tempo que já não existe e que, estranhamente, ainda está presente. E dizemos isto precisamente porque todas estas personagens ainda nos são bastante familiares, ainda as entendemos muito bem, ainda sentimos empatia pelas suas lutas e desejos, ainda somos capazes de nos metermos na pele delas. A História com “T” grande ganha vida, ganha cheiros e cores, ganha sentimentos, ideologias. A História somos nós.

Com efeito, conhecermos o nosso passado é meio caminho andado para definirmos o nosso futuro. Os grandes momentos dos nossos antepassados e avós são verdadeiras lições de vida, lições estas que estão cheias de pistas e dicas de como construirmos um amanhã melhor para nós e os nossos netos. Vistas bem as coisas, o melhor livro de auto-ajuda que existe neste planeta é… a disciplina de História.

Ora, A Queda dos Gigantes, o nosso livro da semana, nada é mais é do que uma gigantesca trilogia, que começa no ano de 1911 e terminará no final deste século, e que acompanha o percurso, medos, esperanças, frustrações e desejos de cinco famílias estrategicamente colocadas em países que marcarão o século XX: Rússia, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos da América e Escócia, sendo esta última nação aquela que parece ser mais “imparcial”. E é fascinante olharmos para o mundo que existia há 100 anos: nada parece igual. Os continentes estão a abarrotar de pequenos “reinozinhos”, cujas fronteiras já estão mais que apodrecidas; as alianças políticas são relíquias do passado; as distinções de classes são tão marcadas, que mais parecem castas da Índia e não classes; os papéis do Homem e da Mulher estão mais que definidos desde a nascença; o poder das religiões é quase supremo; o mundo está parado; as sociedades estão cristalizadas, estagnadas, cheirando a bolor.

E quanto mais lemos esta gigantesca obra (928 páginas!!!!) mais nos apercebemos até que ponto o planeta Terra está cheio de pequenos planetas terras: as classes abastadas não entendem as classes pobres, os homens não entendem as mulheres, as elites não entendem as massas incultas, as minorias étnicas, religiosas e culturais não se entendem. Cada personagem vive no seu pequeno mundo, no seu pequeno planeta, no seu pequeno quintalinho, na sua pequena comunidade. Não há comunicação. Por muito que o rico queira, nunca entenderá o mineiro faminto e, por muito que o mineiro queira, nunca será capaz de sentir empatia e camaradagem pelo homem abastado. Estamos longe da internet, da televisão, do cinema, do documentário. O meu lado não sabe o que se passa no outro lado.

Entretanto, a História continua, criada pelos “grandes”, indiferentes aos zés-ninguém do outro lado da rua.

E há um cheiro ameaçador no ar, uma electricidade desconfortável, uma tensão que não se explica, uma dor no peito que parece não vir de lado algum, um céu carregado e silencioso antes da tempestade…

sábado, novembro 20, 2010

Eco-Escola (2010) - 1

Começamos este ano lectivo anunciando que temos um novo cartaz para divulgar o Eco-Código da nossa escola! Foi realizado por alunos do Curso Profissional de Técnico de Animação 2D e 3D, que teve início este ano lectivo, com a supervisão da Professora Lurdes Deodato. Ora vejam!

ecoCartaz

Hoje É O Dia Internacional Dos Direitos Da Criança

clip_image002

Os putos

Uma bola de pano, num charco

Um sorriso traquina, um chuto

Na ladeira a correr, um arco

O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança

Um pardal de calções, astuto

E a força de ser criança

Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta

Os putos, os putos

São como índios, capitães da malta

Os putos, os putos

Mas quando a tarde cai

Vai-se a revolta

Sentam-se ao colo do pai

É a ternura que volta

E ouvem-no a falar do homem novo

São os putos deste povo

A aprenderem a ser homens.

clip_image004

As caricas brilhando na mão

A vontade que salta ao eixo

Um puto que diz que não

Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola

Um pião na algibeira sem cor

Um puto que pede esmola

Porque a fome lhe abafa a dor.

José Carlos Ary dos Santos

Imagens retiradas daqui e daqui

quinta-feira, novembro 18, 2010

Toneladas De Ficção Científica Para “Downloadar”Grátis!!!

É isso mesmo: são toneladas de literatura, 33.000 obras de ficção científica para baixar à vontade, sem pagar o mais pequeno tostão, e que podem ser lidas no nosso clip_image001PC, e em diversos formatos para o nosso telemóvel. Nesta terrível época de crise mundial (e preparem-se para o ano!) não se podia desejar mais: livros grátis, oferecidos de bandeja, um vasto mundo de sonhos e “viagens à volta do nosso quarto”, que não nos ajudarão, é certo, a pagar as dívidas do mês, mas amenizarão o cansaço e o stress, por nos ajudarem a descansar o cérebro. É que a alma humana também tem fome, e a sua comida chama-se Arte e Sabedoria.

Este Pai Natal adiantado é muito generoso e chama-se Project Gutenberg (http://www.gutenberg.org/ebooks/) e foi o resultado de um grupo de carolas e editores que, juntamente com um grupo de voluntários anónimos, disponibilizaram e digitalizaram bona fide todas estas obras. Por isso, caso pensem que estão a fazer downloads ilegais, não se preocupem: estas 33.000 obras digitalizadas já não têm direitos de autor e, por isso mesmo, já são consideradas património mundial. E muitas delas vieram da famosa pulp fiction (livros e revistas que, para a época, eram considerados “literatura inferior”), publicada em magazines para adolescentes e jovens cheios de ideias visionárias e ansiosos para verem na capa uma bela mulher curvilínea a cortar ao meio polvos gigantes.

Muitas destas histórias são contos ou pequenas novelas de grandes escritores como, por exemplo, Philip K. Dick e Arthur C. Clarke. Podem ser inclusivamente um excelente material de trabalho e de apoio para os professores de Inglês, sempre que praticarem o mais que aconselhável “Contrato de Leitura”: há muito por onde escolher e, normalmente, a ficção científica (juntamente com as histórias de terror e o Género Fantástico) é geralmente muito apreciada pelos jovens.

E se pensam que as fanzines estão fora de moda, sugiro que dêem uma espreitadela ao site Saída de Emergência: o deles é grátis (chamam-se hoje e-books) e é um manjar para os olhos e para a mente. Por exemplo, podem descarregar este: http://www.saidadeemergencia.com/index.php?page=Books.BookView&book_id=420&genre=13

Fixem bem o link… e boa leitura!

Imagem retirada de:

http://bagofbeans.tsangal.org/

quarta-feira, novembro 17, 2010

Hoje É O Dia Mundial Do Não Fumador

O tabaco, como toda a gente sabe, é um veneno terrível, e todos deviam evitá-lo pura e simplesmente. Por isso mesmo, há cerca de dois anos, clip_image001criou-se a polémica lei de proibir o seu consumo em espaços fechados, considerados “públicos”. E após muito barafustar, muito grito, muito choro e ranger de dentes, o Português actualmente já estranha entrar num restaurante onde haja alguém a usufruir deste vício. Até os fumadores. No fim das contas, ficámos todos a ganhar.

Mas há quem chegue a extremismos: nos Estados Unidos da América, uma pessoa pode ser processada pelo vizinho do lado, por se atrever a fumar na sua própria casa! E, para cúmulo dos cúmulos, o governo da Califórnia pretende proibir o tabaco em todo o Estado desta parte dos EUA. Ora, como toda a gente também sabe, estas políticas histéricas acabam por gerar consequências exactamente opostas àquilo que se deseja. O fruto proibido passa a ser mesmo apetecível e o seu consumo tende a disparar, em vez de diminuir. Tome-se o exemplo histórico da Lei Seca, criada também nos Estados Unidos da América no início dos anos 20 do século passado, e que consistiu numa tentativa mais que falhada de acabar com a “maldição” do álcool nesta nação. O único que se conseguiu foi uma guerra violentíssima entre gangs do álcool, gerando um clima de terror absoluto. Estranhamente, ao mesmo tempo os Americanos sentiam um fascínio mórbido por estes vilões, que se vestiam bem, eram donos de cidades inteiras, desafiavam os presidentes, a polícia e até Deus, se fosse necessário. Al Capone (segunda imagem) foi um destes “grandes” e lendários carrascos das ruas, e as execuções e rixas nestes espaços públicos eram o pão nosso de cada dia. E se um inocente fosse morto a rajadas de balas, tanto pior. Ao mesmo tempo, bares clandestinos proliferavam, para alegria destes criminosos, que enriqueciam à margem da lei.

A Lei Seca foi um verdadeiro fracasso e terminou sem qualquer glória ou honra no ano de 1933. Se os Californianos forem para a frente com esta nova histeria colectiva, iremos assistir ao retorno do glamour do cigarro. Fumar voltará a ser um sinal de prestígio, de rebeldia, e quem consumir tabaco será chic e moderno.

clip_image003Sejamos, no entanto, optimistas: sempre será melhor do que as metanfetaminas, a Heroína, o binge drinking, a Cocaína e o Crack. É que as terras do Tio Sam enfrentam, actualmente, uma verdadeira praga de drogas ainda mais letais e viciantes, que vieram substituir o consumo do tabaco e preencher um vazio que ficou por resolver. Longe de educarem as populações, limitaram-se a sujar a honra dos fumadores e insultá-los nas ruas. O cigarro foi-se, mas o vazio continuou. E este está a ser “tapado” com vícios ainda mais sinistros e doentios.

Que os Estados Unidos da América nos sirvam de lição: não é pela repressão que se mudam as coisas. Tentemos, em vez disso, educar os nossos jovens a serem mais responsáveis, mais felizes e mais independentes.

Quem acredita em si mesmo não consome qualquer droga.

Imagens retiradas de:

http://www.bookhills.com/Al-Capone-and-His-Gang-Famous-Dead-People-0439211247.htm

http://mistersaly.blogspot.com/2008/08/dont-smoke.html