quarta-feira, novembro 17, 2010

Hoje É O Dia Mundial Do Não Fumador

O tabaco, como toda a gente sabe, é um veneno terrível, e todos deviam evitá-lo pura e simplesmente. Por isso mesmo, há cerca de dois anos, clip_image001criou-se a polémica lei de proibir o seu consumo em espaços fechados, considerados “públicos”. E após muito barafustar, muito grito, muito choro e ranger de dentes, o Português actualmente já estranha entrar num restaurante onde haja alguém a usufruir deste vício. Até os fumadores. No fim das contas, ficámos todos a ganhar.

Mas há quem chegue a extremismos: nos Estados Unidos da América, uma pessoa pode ser processada pelo vizinho do lado, por se atrever a fumar na sua própria casa! E, para cúmulo dos cúmulos, o governo da Califórnia pretende proibir o tabaco em todo o Estado desta parte dos EUA. Ora, como toda a gente também sabe, estas políticas histéricas acabam por gerar consequências exactamente opostas àquilo que se deseja. O fruto proibido passa a ser mesmo apetecível e o seu consumo tende a disparar, em vez de diminuir. Tome-se o exemplo histórico da Lei Seca, criada também nos Estados Unidos da América no início dos anos 20 do século passado, e que consistiu numa tentativa mais que falhada de acabar com a “maldição” do álcool nesta nação. O único que se conseguiu foi uma guerra violentíssima entre gangs do álcool, gerando um clima de terror absoluto. Estranhamente, ao mesmo tempo os Americanos sentiam um fascínio mórbido por estes vilões, que se vestiam bem, eram donos de cidades inteiras, desafiavam os presidentes, a polícia e até Deus, se fosse necessário. Al Capone (segunda imagem) foi um destes “grandes” e lendários carrascos das ruas, e as execuções e rixas nestes espaços públicos eram o pão nosso de cada dia. E se um inocente fosse morto a rajadas de balas, tanto pior. Ao mesmo tempo, bares clandestinos proliferavam, para alegria destes criminosos, que enriqueciam à margem da lei.

A Lei Seca foi um verdadeiro fracasso e terminou sem qualquer glória ou honra no ano de 1933. Se os Californianos forem para a frente com esta nova histeria colectiva, iremos assistir ao retorno do glamour do cigarro. Fumar voltará a ser um sinal de prestígio, de rebeldia, e quem consumir tabaco será chic e moderno.

clip_image003Sejamos, no entanto, optimistas: sempre será melhor do que as metanfetaminas, a Heroína, o binge drinking, a Cocaína e o Crack. É que as terras do Tio Sam enfrentam, actualmente, uma verdadeira praga de drogas ainda mais letais e viciantes, que vieram substituir o consumo do tabaco e preencher um vazio que ficou por resolver. Longe de educarem as populações, limitaram-se a sujar a honra dos fumadores e insultá-los nas ruas. O cigarro foi-se, mas o vazio continuou. E este está a ser “tapado” com vícios ainda mais sinistros e doentios.

Que os Estados Unidos da América nos sirvam de lição: não é pela repressão que se mudam as coisas. Tentemos, em vez disso, educar os nossos jovens a serem mais responsáveis, mais felizes e mais independentes.

Quem acredita em si mesmo não consome qualquer droga.

Imagens retiradas de:

http://www.bookhills.com/Al-Capone-and-His-Gang-Famous-Dead-People-0439211247.htm

http://mistersaly.blogspot.com/2008/08/dont-smoke.html

terça-feira, novembro 16, 2010

Booktrailers Que São Obras De Arte

 

clip_image001 Há muitas maneiras de motivar alguém a gostar de ler ou simplesmente convencer alguém a comprar um determinado livro. Ora, os booktrailers são extremamente eficazes pois, não tendo mais do que 2, 3 minutos no máximo, usam e abusam da imagem e do som para “agarrar” o leitor. Como se os livros fossem um filme que ninguém pode perder.

Aqui estão três maravilhosos exemplos de como criar o bichinho da leitura, cada um com a sua maneira muito própria de captar a atenção do público.

Vejam e Leiam.

 

Era Uma Vez a República , da Editora Gailivro

 

Criaturas Maravilhosas, de Ethan Wate

 

The Wolves of Mercy Falls, Maggie StiefVater

Imagem retirada daqui

segunda-feira, novembro 15, 2010

Livro Da Semana

Olvidado Rei Gudú, de Ana María Matute

 

clip_image002 O século XIX corria de vento em popa, quando um naturalista francês chamado Henri Mouhot estava no Cambodja a caçar borboletas para a sua colecção. Reza a lenda que tropeçou num pedregulho enrolado nas lianas da estranha e exótica selva onde residia temporariamente e, para seu espanto total, o tal pedregulho era a escultura de uma gigantesca face. Depois de muita planta e raiz arrancada, deu com uma porta de pedra e entrou no reino riquíssimo, belíssimo antes próspero mas agora esquecido de Angkor, pertencente a uma civilização que hoje se sabe ter o nome de Império Khmer, e que durou séculos e séculos, até as guerras com os reinos vizinhos, a seca e a fome transformaram este paraíso na terra num paraíso de pedra abandonado, apenas habitada por alguns monges budistas.

Esta história é, de facto, muito bonita mas a lenda é apenas uma lenda: o primeiro homem europeu a escrever relatos sobre este povo foi um padre capuchinho português, de nome António da Madalena. Além disso, o império Khmer nunca caiu no esquecimento do povo do Cambodja. Podemos, apesar de tudo, dar bastante crédito a Henri Mouhot: foi ele que, deslumbrado com a sua “descoberta”, deu-a a conhecer ao mundo e fez tudo por tudo para angariar dinheiro para a restauração deste outrora gigantesco império.

Quando começamos a ler este genial romance que vos propomos, não podemos deixar de nos lembrar deste e de muitos outros reinos esquecidos e “ressuscitados” pela Arqueologia: é que a história deste livro narra precisamente uma nação que desapareceu virtualmente do mapa. Mas o seu desaparecimento não se deve à fome, às guerras, às catástrofes naturais. Aconteceu quando o seu rei derramou uma lágrima, e a profecia era clara: se o rei Gudú chorar, o reino de Olar passará ao esquecimento.

Como diz a sinopse desta obra-prima vinda da terra de “nuestros hermanos”, Olvidado Rei Gudú tem uma grande componente de fabulação e fantasia e narra o nascimento e expansão do Reino de Olar. Uma multidão de personagens, de aventuras e a própria paisagem absorvem o leitor numa trama em que tudo intervém: a ânsia de poder, o desconhecido, o medo, o prazer da conquista, o amor e a ternura. Como símbolos do inalcançável, o misterioso Norte, a inóspita estepe a Este, e o Sul, rico e opulento, limitarão a expansão de um Reino em cujo intrigante futuro intervirão a astúcia de uma menina do Sul, a magia de um velho feiticeiro e as regras do jogo de uma criatura do Subsolo.

Acima de tudo, este livro aborda dois grandes temas: a desumanidade que existe em todos nós, quando somos incapazes de amar e de sentir compaixão, e a inutilidade das nossas vidas: com efeito, tudo será esquecido, um dia. Por isso mesmo, não vale a pena pensarmos que somos “especiais”, que o mundo é incapaz de viver sem nós, não vale a pena entrarmos em guerrinhas estúpidas com o vizinho do lado, os amigos, os colegas de trabalho ou com a nossa família. Afinal, os cemitérios deste planeta estão cheios de homens e mulheres que se acharam senhores do universo e que agora são nada, estão votados ao esquecimento. São hoje um amontoado de ossos que não recebem uma flor há dezenas de anos.

Túmulos Olvidados.

domingo, novembro 14, 2010

O LHC Conseguiu!!!!

clip_image001

Há uns meses atrás, o nosso blog dedicou um dos seus artigos à maior máquina do planeta: o LHC (Grande Colisionador de Neutrões), propriedade do CERN (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear). Tínhamos também mencionado que o objectivo deste gigantesco projecto consistia em reproduzir a energia que foi despoletada no preciso momento em que o Big Bang “ganhou vida”, e que, durante essa extraordinária explosão, uma pequena partícula baptizada de “bosão de Higgs”, caso exista, podia ser a chave para descobrirmos toda a origem da vida neste planeta. Se quiserem ler ou reler o texto, poderão clicar neste link: http://bibliotecaportaberta.blogspot.com/2010/04/podemos-reproduzir-o-inicio-do-universo.html

clip_image003 Pois bem: até lá, muita água correu pela ponte, e os Americanos “entraram em guerra” com os Europeus, colocando na "corrida ao ouro" o Fermilab Tevatron (imagem à direita), localizado no Estado de Illinois, e construído há mais de dez anos. Trata-se também de um acelerador de partículas, mas mais pequeno (o que não quer dizer que seja menos ineficaz). Como devem calcular, os poderosos e os jornalistas não têm qualquer pejo em “politizar” uma potencial e revolucionária descoberta científica. Por isso, não é de espantar que a corrida ao prémio Nobel esteja, neste momento, a ganhar contornos pouco científicos. Afinal, qual é a equipa de cientistas que não quer ver o seu projecto e o seu nome imortalizado??

Mas, por enquanto, quem está a “ganhar a guerra” são os Europeus (tudo isto é ridículo: o CERN é um gigantesco grupo de cientistas vindos de todos os cantos do mundo!). Não, o LHC ainda não provou cientificamente a existência da “partícula de Deus” (é o nome mais popular dado ao Bosão de Higgs), mas já conseguiu a proeza de criar artificialmente mini Big Bangs (ver imagem no cimo)!!! Segundo a secção DN Ciência, O Grande Colisionador de Hadrões (LHC) conseguiu recriar, na terça-feira, um "mini-Big Bang". A conquista foi conseguida com a mudança da "receita" que vinha a ser usada: em vez de colidirem protões, os cientistas do CERN resolveram usar iões e conseguiram recriar uma versão "mini" do início do universo. Isto é, "mini" mas a gerar temperaturas um milhão de vezes superiores à do Sol. (o artigo completo pode ser lido aqui: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1706090).

A propósito: caso tenham curiosidade de ler os comentários abaixo do artigo acima mencionado, depressa se aperceberão que muita gente não sabe qual é a utilidade de tais projectos científicos, e queixam-se que tudo isto é “dinheiro mal gasto”. Esquecem-se que a internet, por exemplo, foi criada durante os anos sessenta do século passado, no tempo da Guerra Fria, para fins exclusivamente dedicados à espionagem e troca secreta de ideias entre governos, militares e cientistas. Mais tarde, este meio de comunicação acabou por ser útil para o mundo inteiro. Por isso, aquilo que hoje parece inútil e megalómano poderá dar frutos muito positivos a nível de novas tecnologias e bem-estar da Humanidade.

Pensem duas vezes, antes de criticarem o tal “dinheiro mal gasto” dos cientistas.

Um mini Big Bang criado pelo LHC

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Imagens retiradas daqui e daqui

quinta-feira, novembro 11, 2010

Salvem A Nossa Cultura Popular

clip_image002 A página do facebook Memoriamedia Histórias Do Mundo (na foto) foi criada com o objectivo de, diz a sua informação, fixar por meios multimédia momentos da tradição oral portuguesa e global, organizar e divulgar os conteúdos adquiridos no formato web-vídeo. É da autoria de cidadãos da bela cidade do Porto e já vai com 2.632 amigos.

Para já, quem quer que faça parte desta rede social pode e deve clicar na caixa “gosto”, para que os responsáveis deste projecto se sintam incentivados a continuar o seu trabalho. Mais ainda, todos estes conhecimentos do povo, que têm sobrevivido durante séculos, arriscam-se a desaparecer de vez, caso não sejam preservados e transmitidos às novas gerações. É que a “aldeia global”, com todas as suas excelentes qualidades, está rapidamente a “matar” as tradições de todas as nações do mundo. Usamos as mesmas roupas, ouvimos as mesmas canções, vemos os mesmos filmes, lemos os mesmos livros, comemos nos mesmos restaurantes, vemos as mesmas notícias… No fim, sobra o quê? A língua, um pouco de gastronomia e um resquício de “identidade nacional”. Não admira, portanto, que a Europa, África e Ásia estejam a sofrer aquilo que muitos chamam uma “crise de identidade”.

Mas há sempre espaço para o equilíbrio: sigamos exemplos do melhor que se faz lá fora, mas preservemos com orgulho aquilo que é nosso. Estes vídeos que se seguem foram todos gravados no Concelho de Vimioso, em colaboração com a Biblioteca Municipal de Vimioso e com o apoio da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas. E prestem atenção, muita atenção, ao lindíssimo poema da canção Vai Alta a Lua na Mansão da Morte.

Vale a pena ver e ouvir.

O Filho Pródigo

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Vai Alta A Lua Na Mansão Da Morte

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Venha O Copo, Venha O Vinho

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Eis Aqui A Nossa Primeira Errata!!!!!

 

clip_image002O nosso colega de História Guilherme Tanissa descobriu, no primeiro vídeo 100 Anos Depois, O Que Ganhámos Com A Implantação da República? que se chamava “Guilherme Caniça”. Bela gaffe “com três rrrrs”…

Já não dá para mudar o vídeo, por isso pedimos aqui desculpas pelo incómodo…

A Imagem veio daqui

quarta-feira, novembro 10, 2010

Lição De Vida – O Que O Medo Nos Pode Fazer

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudoclip_image002
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
clip_image004com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Alexandre O'Neill

Imagens retiradas de:

http://eduardoleite.blogspot.com/2010_05_01_archive.html

http://blogdopedronelito.blogspot.com/2010/08/o-medo-de-amar-e-o-medo-de-ser-livre.html

segunda-feira, novembro 08, 2010

Livro Da Semana

Revolutionary Road, de Richard Yates

A cena é velha, gasta e já cheia de bolor: lá temos nós o casalinho cheio de sorrisinhos, distribuindo “vivas” à porta de entrada, a dar abraços aos amigos e beijinhos às amigas. Tudo parece estar bem: os catraios andam aos pulos pela casa com as outras crianças; o casalinho anda bem vestido; ela acabou clip_image002de chegar do cabeleireiro e tem as unhas impecáveis; ele apresenta um ar de quem ganhou a lotaria; o bruto carro, aquela “celindrada” que faz inveja aos vizinhos lá está a reluzir na rua…

Mas o verniz não demora muito a estalar: ao fim de uma hora de convívio com os amigos, as pequenas “tacadinhas” e as “bocas foleiras” esvoaçam pelo ar. Nota-se que eles nunca se tocam. Nota-se que eles nunca se olham e, quando o fazem, há sempre uma certa tensão no ar. No fim do jantar, ele quer sair, mas ela “empurra-o” crispada para casa, monitorizando de sorriso ameaçador as desculpas do marido. Isto é-vos um bocado familiar, não é?

Pois bem, Revolutionary Road aborda precisamente este tema: por detrás da fachada de grande riqueza e de um presente “bem-sucedido”, o casal já não se suporta. Os dois têm todo o conforto material, têm tudo o que um ser humano deseja: uma bela casa, uma boa vizinhança, um emprego muito bem pago, mas tudo isto já não chega para tapar o imenso buraco espiritual que existe nas suas almas. Foram adultos muito cedo, e a sociedade, desde muito cedo, exigiu tudo deles. Foram pais muito cedo. São crianças a cuidar de crianças e, por isso mesmo, não conseguem criar empatia com os seus próprios filhos. Agora, anos depois, perderam tudo o que tinham na mão.

Não deixa de ser um bocado triste que este livro, 50 anos depois, ainda seja tão actual e tão moderno: a vida não é só telemóveis e férias no Brasil. A vida é algo mais. Podemos fazer de conta que somos muito felizes, enquanto estivermos na faixa dos “vinte e tais” anos. Até podemos acreditar mesmo que somos felizes! Porém, assim que os “trinta es” começarem a pesar nos nossos corpos, não demorará muito para fazermos contas à vida, e fazermos um balanço geral do real sentido da nossa existência: o que faço eu aqui? Será que sirvo para alguma coisa? O mundo sentiria a minha falta se morresse? Estarei a aproveitar a minha estadia neste planeta? Ter-me-ei casado com o/a parceiro/a certo/a? Quantas oportunidades terei eu desperdiçado, sem sequer me ter dado conta de tal? A vida é só isto? Será que eu necessito de uma “estrada revolucionária” para que possa finalmente começar do zero e revolucionar a minha existência? E até que ponto estarei eu preparado para enfrentar o mundo? Será que os meus pais me prepararam para esta tarefa tão assustadora? Ou será que não passo de uma criança grande a brincar aos adultos?

O casal bem tentará encontrar um sentido para a sua vida. Mas será tarde demais. O mundo fez deles crianças egoístas mas, na hora de encontrar “culpados”, toda a gente foge. Para o bem e para o mal, eles estão entregues à sua sorte.

A América do século passado continua a ser igual a si própria: uma refeição de luxo, uma alma que tem fome e não é alimentada.

Estante Do Mês De Novembro

Nós E A Natureza A Olho Nu

No mês passado, dedicámos a nossa estante às comemorações do Centenário da Implantação da República. Desta vez, vamos ser um bocadinho mais zen: vamos analisar à lupa o Ser Humano e o Planeta Terra e deslumbrarmo-nos com esta maravilhosa máquina que é a Vida neste cantinho do Universo.

Aqui estão algumas sugestões bem aliciantes para a leitura:

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sexta-feira, novembro 05, 2010

O Que Ganhámos Com A Implantação da República?

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No dia 4 de Outubro, estivemos a colocar precisamente essa questão, há umas semanas atrás, a alunos, professores e funcionários da nossa escola. Como os testemunhos são longos em alguns casos, optámos por dividi-los em três mini-filmes, que serão aqui postados.

De uma forma geral, todos admitem que a República trouxe coisas positivas para o país mas a nossa nação também não teria perdido muito, caso continuasse a ser uma Monarquia Constitucional. Nota-se, acima de tudo, uma imensa desilusão: não sabemos se esta é por causa da crise actual ou se é mesmo uma opinião convicta, mas muitos não parecem estar muito optimistas em relação ao futuro que aí vem…

Mas antes de andarmos de handy camera a “caçar” depoimentos, o professor Manuel Baiôa (na foto) deu nesse mesmo dia, na nossa biblioteca, uma palestra bastante interessante e enriquecedora às turmas do 12ºC, curso de Humanidades e do 11º C (TOE), sobre o “antes” e o “depois” do fim da Monarquia, suas causas e efeitos, o que se esperava nesse tempo para o país, que sonhos foram conquistados, que sonhos ficaram desfeitos. As turmas presentes estiveram atentas e colocaram algumas questões. Porém, como estavam pouco a par deste episódio da História de Portugal, preferiram ouvir a falar. No fim, quatro alunos do 12ºC deram a cara e aceitaram falar para a nossa aterrorizante câmara, acerca do que pensam deste período histórico e o que ganhámos com ele.

A todos os que colaboraram nestas duas actividades (a palestra e os depoimentos), um bem-haja!

Errata com as nossas desculpas : Onde se lê Guilherme Caniça leia~se Guilherme Tanissa

 

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quinta-feira, novembro 04, 2010

Uma Divertida Canção, Um Excelente Vídeo

Todos nós temos pelo menos um vídeo de música na nossa memória. No caso da minha geração (e no clip_image002meu tempo, videoclip era traduzido por “teledisco”), pode ser o Like a Virgin, da Madonna, o Thriller de Michael Jackson ou vários dos Smashing Pumpkins.

O problema é que, actualmente, com tanta escolha e tantas maravilhas que os efeitos especiais conseguem produzir, é cada vez mais difícil impressionar um público que já viu muito e que se aborrece com muita facilidade. O outro lado da moeda é repararmos num arsenal de vídeos que segue sempre a mesma fórmula: mulheres sensuais a rebolar-se à frente da câmara ou brutos carros e muitos “iôs” à mistura.

Ora bem: o clip que se segue, da banda Hold Your Horses!, é no mínimo, original. Porém, aqui vai um aviso à navegação: só quem tem um bom conhecimento da História de Arte e dos grandes pintores da Humanidade é que consegue deliciar-se com este mini-filme. Ou será que não é bem assim? Será que guardamos no nosso inconsciente mais sabedoria do que pensamos? “Espera aí, eu acho que já vi este quadro…. Não terá sido no manual de História/Internet/livro/cartaz publicitário?”De facto, há aqui muitas piscadelas de olho a inúmeras obras-primas da Pintura, obras essas que são e serão sempre eternas.

Vamos lá a ver quantos quadros vocês têm no vosso cérebro.

 

Hold Your Horses! – 70 millions

quarta-feira, novembro 03, 2010

Um Presente Maravilhoso Em Tempos De Crise

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Graças ao Plano Nacional de Leitura, a nossa equipa acabou de receber 900 euros para gastar em livros. Ouviram bem: 900 euros. É uma soma considerável e dará para renovar o stock das nossas estantes.

clip_image003 Depois de darmos pulos de alegria, as nossas cabecinhas assentaram e começámos a fazer contas à vida: os pedidos e sugestões foram tantos que tivemos que fazer uma selecção criteriosa das páginas e páginas de obras recomendadas. É que 900 euros são, sem dúvida, muito dinheiro, especialmente nos tempos de hoje. Porém, tendo em conta o facto de que a literatura ainda é relativamente cara em Portugal, esta maquia não chega para responder a tantos pedidos.

Em primeiro lugar, deu-se (obviamente) destaque a livros recomendados pelo próprio PNL, desde o 7º ao 9º ano (no caso da nossa escola). Logo a seguir, teve-se em conta as grandes obras da literatura nacional e mundial, adequadas à faixa etária destes alunos. Por fim, deixámos espaço para podermos escolher algumas publicações recentes, e sempre respeitando o critério da qualidade. Para terminar, quisemos “agradar a Gregos e Troianos”: romances eternos e históricos, literatura policial, Ficção Científica e Literatura de Fantasia, poesia, contos. Não faltará por onde escolher e temos a certeza de que, no meio de tantas edições, pelo menos um livro será do agrado de cada aluno. A nova e gulosa montra clip_image004estará disponível provavelmente daqui a (pelo menos) 15 dias.

Não podemos terminar este texto sem agradecermos a todos os professores, pais e entidades que, ao longo de muitos anos, têm vindo a apostar no prazer da leitura. Em Portugal, motivar uma criança/adolescente para o prazer das palavras é tão ou mais difícil do que inventarmos a máquina do tempo. Enquanto que, na Islândia, cada cidadão dedica uma hora por dia à companhia dos livros – e quem não gosta de ler é olhado de lado – o desprezo por estes “objectos inúteis”, no nosso país, já dura há séculos. As constantes e insistentes feiras do livro, usado ou novo; as colecções quase oferecidas dos jornais e revistas; as promoções das livrarias; as actividades das bibliotecas municipais e escolares; os inúmeros (inúmeros!!) blogues dedicados ao prazer da leitura; tudo isto, pouco a pouco, lentamente, muito devagarinho, vai lançando o “bichinho das palavras” na nossa sociedade. Os hábitos de leitura estão, de facto, a crescer, como comprova este artigo do jornal Público, em versão online,  e muito por culpa do Plano Nacional de Leitura. E é preciso haver muito amor pelos livros, para se oferecer agora às escolas tanto dinheiro…

Ainda há muito para fazer, mas já há luz ao fundo do túnel.

 

Aos Missionários da Leitura

 

Gente que Lê

 

Histórias Que Acontecem

Imagens retiradas de: 1 2 e 3

segunda-feira, novembro 01, 2010

Hoje É O Dia De Todos Os Santos

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Para muitos portugueses, este dia é “cinco estrelas” apenas porque dá direito a termos um feriado. São já poucos os que olham para esta data com olhos religiosos e ainda menos os que sabem por que motivo o festejamos. O mundo está a mudar a olhos vistos, e muitas das crenças que antes clip_image003tomávamos como garantidas são hoje olhadas como sendo “coisas de velhos”. Actualmente, imitamos mais os Americanos com o seu Halloween do que propriamente irmos à missa e prestarmos atenção aos exemplos de Fé de muitos Cristãos. O folclore é sempre mais divertido do que a oração. Sinal dos tempos.

Mas afinal… O que é o Dia de Todos os Santos? Como o próprio nome indica, esta data comemorativa pretende homenagear todos os mártires e almas santas que lutaram e morreram em nome de Cristo. Inicialmente, havia um dia para cada santo, e este era celebrado com as suas devidas honras. Todavia, a partir do século IV, o número destes seres tocados por Deus eram tantos que, por uma questão de economia de tempo e espaço no calendário litúrgico, e precisamente para evitar que algum fosse esquecido, teve-se a brilhante ideia de celebrar todas estas figuras importantes num só dia. Os santos são, pois, um exemplo que deve ser seguido, alguém que desistiu das coisas inúteis do mundo para salvar a sua alma e a alma dos outros. E é precisamente por isso mesmo que alguns deles chegam a ser ainda mais amados do que o próprio Deus: foram humanos, estiveram mais perto de nós, conhecem as ânsias e sonhos que todos nós possuímos. E como nos entendem bem, são as entidades mais indicadas para, no Céu, falarem com o “Grande Chefe” e intercederem por nós.

Era costume (e ainda é lá para muitas aldeias do norte de Portugal) as crianças saírem à rua e pedirem “Pão Por Deus”. Eis o que devem cantar (retirado de http://www.junior.te.pt/servlets/Bairro?P=Sabias&ID=313):

Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.


Ou então:

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'stão mortos, enterrados
À porta daquela cruz.
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."

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Quando os donos da casa dão alguma coisa:

Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.


Quando os donos da casa não dão nada:

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.

Este costume, como já devem calcular, foi criado pelos pobres que, à laia de festejarem os santos, sempre acumulavam mais alguma comida para os próximos dias. Por questões obviamente comerciais, dá-se hoje mais importância aos festejos do Halloween (bem divertidos, diga-se de passagem) do que se dá a esta pequena celebração tão portuguesa. É pena…

Amanhã celebra-se o Dia dos Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos, data esta que pretende honrar todos os nossos mortos, amigos, familiares. Há quem use esta data para homenagear os seus “amigos fiéis de quatro patas”, embora a Igreja Católica ainda hoje não acredite que os animais tenham alma.

Dia de Todos os Santos em Portugal

Ladainha de Todos os Santos (Brasil)

 

Documentário Os Primeiros Cristãos -parte 1 de 7

Imagens retiradas de 1, 2

domingo, outubro 31, 2010

Hoje É O Dia Mundial da Poupança. 4 Sugestões…

 

Grão A Grão, Enche A Galinha O Papo …

 

clip_image001Ora bem: poupar é a palavra de ouro do ano de 2011. Os cortes salariais vêm aí, o preço de todos os bens de consumo vai disparar, o tempo não vai estar para despesas supérfluas e telemóveis trocados de seis em seis meses. Mas desde que não percamos os nossos empregos, há sempre luz no fundo do túnel. Até lá, vamos ter que reformular os nossos hábitos de vida e reaprendermos a viver com pouco.

Como? Seguem-se aqui quatro sugestões:

O Meu Querido Porquinho – “Mas para onde é que foram parar os 100 euros clip_image002que acabei de levantar???” Quantas e quantas pessoas não fizeram a si mesmas esta pergunta… A resposta é muito simples e pode até ser verificada: experimente, no fim do dia, despejar todas as moedas que tem na bolsa. Faça isto todos os dias. Ficará siderado/a ao descobrir que, a meio do mês, estarão lá cerca de 40, 50 euros no mínimo, dinheirinho esse que virá mesmo a calhar naqueles malditos dias em que o salário seguinte ainda é uma miragem. A maior parte do buraco nas contas vem do uso que damos aos trocos: um euro aqui, outro ali, um cafezinho, ali, um pastel de nata acolá… E quando nos apercebemos, já voaram 100 euros ou mais do nosso salário.

“Não te Esqueças do Farnel!”clip_image002[8]Os nossos avós tinham a sabedoria de trazer o almoço de casa e as lancheiras eram uma coisa bastante comum. Há mil e uma maneiras de se fazer uma boa e saudável sandes, e não é por comermos também uma peça de fruta no local de trabalho que os parentes nos caem na lama. Além disso, habitue-se a comer o pequeno-almoço em casa. É mais saudável, vai trabalhar com mais energia e o corpo não lhe pedirá tanta gordura logo no início do dia. No jantar, aposte na sopa. Metade da fome desaparecerá e, assim, poupará mais no prato principal. Seja criativo/a com os restos: um pedaço de frango pode dar, por exemplo, um bom esparguete ou uma boa lasanha. Por fim, faça a sua horta. Não tem quintal nem terraço? Consulte a internet, especialmente o Youtube: nem imagina o que se pode fazer com uma simples varanda!

Missão Casa: poupar clip_image002[10]Desligue todas as luzes que não esteja a utilizar; desligue todos os aparelhos eléctricos da ficha, pois o stand by consome muita energia; use lâmpadas ecológicas (Caso estas lhe provoquem muitas dores de cabeça, aposte nos candeeiros decorados com vidrinhos. Dão uma luz muito suave); use a lareira, caso a tenha; lave a roupa à noite; compre uma máquina de lavar loiça, pois está provado que gastamos menos água usando este electrodoméstico do que a lavarmos no lava-loiça; evite secar a roupa na máquina, sempre que possível, e só a lave quando tiver o suficiente para encher o tanque; tente calafetar portas e janelas, uma vez que 40% do calor desaparece por causa deste inconveniente; utilize os sacos de supermercado para o lixo (e recicle, por favor!); compre sempre produtos de marca branca (e aposte em produtos com o código 560, o código de Portugal); só precisamos de uma garrafa de lixívia, um detergente para a roupa, um detergente para a louça e, por fim, um detergente para o chão para mantermos uma casa limpa; livre-se do arsenal de produtos de higiene que não servem para nada. Há mais conselhos que poderíamos dar mas estes são os principais.

Para Quê gastar tanto?? – Pinta o cabelo? Aprenda a tingi-lo em casa. clip_image002[12]Depila-se no cabeleireiro? Faça-o em casa. Quer o carro limpo? Pegue num pano e detergente e convide os filhos para a festa. Conhece um sapateiro? Leve-lhe os sapatos em vez de comprar novos. Não sabe coser um botão ou bainha? Aprenda a fazê-lo (mais uma vez a internet está cheia de dicas para cuidar da roupa). O pão está caro? Aprenda a fazê-lo (e use o forno: as máquinas de fazer pão não são, por enquanto, um bom investimento). Está farto/a da sua casa e quer mudá-la? Compre mantas baratas, mude a disposição dos móveis, pinte você mesmo as paredes. Por muito pouco dinheiro consegue-se dar cara nova ao velho. Se fumar, acabe com o vício ou tente retirar cinco cigarros por dia. Gosta de fofoca? Vá à Internet: muitas revistas “cor-de-rosa” já têm páginas online. Gosta de ler? Vá a feiras do livro, alfarrabistas, inscreva-se numa biblioteca municipal. Não sabe o que fazer com os catraios no fim-de-semana e está nas lonas? Leve os filhos aos museus ou exposições, leve-os ao jardim zoológico, prepare um divertido piquenique em família: fica ao preço da uva mijona e eles adoram estes mimos. Não tem dinheiro? Não vá a centros comerciais. Em vez disso, passe o fim-de-semana com a família, convide os amigos para jantar. Tem dois carros? Veja se pode usar apenas um. E, mais importante de tudo, faça as contas em família e ensine os seus filhos a poupar. Só assim é que eles darão valor ao dinheiro e se aperceberão que ele não cai do céu.

Em suma: se pode poupar, poupe! Gastar dinheiro inutilmente não é prestígio social, é estupidez.

Terminamos este artigo com uma sugestão do site Chave Mestra. No link entre parêntesis, poderão consultar um artigo com excelentes conselhos para tirarmos proveito do nosso dinheiro e aprendermos a esticá-lo (http://www.chave-mestra.com/index.php?option=com_content&view=article&id=60:dia-mundial-da-poupanca&catid=39:familia&Itemid=114). Só para vos dar um cheirinho, este site deu-se ao trabalho de publicar uma grelha, onde se mostra mesmo o quanto se pode poupar numa só semana e os ganhos que adquirimos no final de um ano!

Vem aí o Natal: Como Poupar 300 Euros por mês (parte I)

Vem Aí o Natal: Como Poupar 300 euros por mês (parte II)

Imagens retiradas de: 1 2 3 4 5

Onde É Que Eu Estacionei A Minha Nave Espacial?? Parte III

Depois de termos falado de realidades alternativas e de doenças excêntricas vamos falar do futuro. O nosso futuro, o futuro que nos espera. Afinal, a Ficção Científica não fala apenas de naves espaciais e de alienígenas.clip_image002

Forças do Mercado, de Richard Morgan - Bem-vindo ao futuro. E este não é nada convidativo: a população humana não pára de crescer; a gasolina falta; as grandes corporações tomaram conta do planeta; todos os governos não são mais do que máfias à vista de todos e que servem as corporações; a televisão tomou definitivamente conta das nossas vidas; os satélites espiam a vida de cada ser humano; as nações são atacadas por hackers e por gangsters à moda antiga; já não se lê nada; as pessoas ou vivem num estado vegetativo ou descarregam a fúria e frustração no vizinho do lado; come-se, dorme-se, faz-se as necessidades, gasta-se dinheiro em compras, e o resto é bebida e sexo; quanto à Democracia… esqueçam. Não há sonhos, não há projectos, apenas o terror de se viver numa selva de humanos que nos espreitam à procura de um sinal de fraqueza, por mais pequeno que este seja.

E neste mundo tão maravilhoso e aconchegante, Chris Faulkner sabe muito bem que pode ter os seus dias contados. Executivo em ascensão numa espécie de negócio que se chama Investimentos em Conflitos (e ser-se executivo neste futuro é literalmente matar os rivais num duelo mortal), Faulkner chegou ao fim dos seus sonhos e conseguiu aquilo que quis: poder, fama, dinheiro, mulheres. O que o torna um alvo a abater muito apetecível e requisitado.

Inicialmente a nossa personagem, em vez de matar sem qualquer piedade, prefere ferir os seus inimigos em vez de lhes “limpar o sebo”, como toda a gente à sua volta faz. Esta compaixão, como devem calcular, não durará muito. E agora que chegou ao topo da cadeia alimentar, a ambição só é comparável à crueldade. E com o seu casamento a ruir, a consciência a pesar e os amigos a reduzirem-se, o nosso herói parece destinado a transformar-se num monstro ou num corpo mutilado. Este livro faz-nos lembrar mais um Sin City do que propriamente um Yes, We Can.

Toda esta história está escrita de uma forma muitíssimo visual, e não é leitura para crianças e estômagos fracos. Hollywood já comprou os direitos de autor, o que quer dizer que, não tarda nada, teremos nas nossas salas de cinema mais um filme de acção. Mas tendo em conta que um filme tem apenas duas horas (três no máximo), aquilo que verdadeiramente importa nesta obra – a crítica a uma globalização feroz – será esquecida ou ignorada, e lá teremos nós mais uma história cheia de sangue e pouco cérebro. Ou nós estamos muito enganados ou muita gente irá associar o nome “Richard Morgan” às palavras “violência gratuita”.

O que é um pena: Richard Morgan é um excelente escritor.

sábado, outubro 30, 2010

Onde É Que Eu Estacionei A Minha Nave Espacial??Parte II

clip_image002Ontem, mencionámos uma das grandes obras de Philip K. Dick. Desta vez, apresentamos mais um autor que, sendo completamente diferente do primeiro, é o exemplo perfeito de que “Ficção Científica” não rima apenas com “Homenzinhos Cinzentos” e “Naves Espaciais”.

Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas – Já que os Portugueses adoram queixar-se de doenças e maleitas, este livro devia estar nas cabeceiras de todos os que se consideram “portugas”. Foi editado pela primeira vez em 1915, numa altura em que as primeiras fotocópias a carbono custavam literalmente os olhos da cara, e estas cópias foram passando de mão em mão. Depressa a sua imaginação hilariante causou furor em tudo o que fosse consultório médico, e esta paródia aos medos e doenças imaginárias (várias delas são de chorar a rir como, por exemplo, o Síndrome de Download) tem deslumbrado sucessivas gerações. Pelo caminho, muitos outros artistas-faz-de-conta-que-sou-um-cientista divertiram-se a inventar as suas próprias maleitas, aumentando, assim, esta já longa e excêntrica colectânea.

Quase cem anos depois, este famoso almanaque ganhou vida em Portugal, mas desta vez a editora Saída de Emergência excedeu-se: uma parte desta obra é da autoria de escritores portugueses que, tendo sido convidados a “reportar” uma doença de que supostamente padeciam, depressa meteram mãos à obra e transformaram-na numa realidade (no papel, é claro). Chama-se O Compêndio Médico Calamar Trindade de Doenças Notáveis e Invulgares e, como se não bastasse, até existe uma história rocambolesca por detrás de toda esta colectânea, e que envolve um certo discípulo português do Dr. Lambshead: Este Compêndio é apresentado como fruto do trabalho de uma vida de Dr. Anófeles Calamar Trindade, já falecido, discípulo do Dr. Lambshead, que devido a desavenças, proibiu o mestre de publicar a sua investigação e, como tal, deu início ao seu próprio guia, baseado em enfermidades diagnosticadas em Portugal e nas Colónias Ultramarinas (citação retirada do excelente blog Bela Lugosi is Dead. Poderão consultá-lo aqui: http://belalugosiisdead.blogspot.com/2010/07/critica-almanaque-do-dr-thackery-t.html)

Cada doença encontra-se descrita como se, de facto, existisse: sintomas, tratamento, primeiro caso reportado, país de origem, operações e cirurgias, médicos envolvidos, referências a vários artigos científicos, etc. E só uma pessoa com muitíssimo pouca imaginação é que não vai achar graça nenhuma a este almanaque.

Para se devorar numa noite fria de Inverno (e vejam lá se não apanham nenhuma destas doenças!).

sexta-feira, outubro 29, 2010

Onde É Que Eu Estacionei A Minha Nave Espacial??Parte I

clip_image002 Há um estilo literário que foi relegado para segundo plano, por ser considerado “inferior”, e que só muito recentemente tem vindo a ganhar adeptos em Portugal. Estamos a falar, se ainda não tinham adivinhado, do género de Ficção Científica. E não: Ficção Científica não é só falar (ao contrário do que o título deste artigo diz) de naves espaciais e de extra-terrestres. Este tipo de literatura aborda vários assuntos como, por exemplo, a possibilidade de existirem universos paralelos, realidades alternativas, histórias que se passam num futuro bem terrestre, a velha concepção do Bem e do Mal, o perigo das tecnologias, entre outros temas sempre actuais e, muitas vezes, bastante proféticos.

E, para espanto de muitas editoras mais conservadoras, estes livros vendem que nem pastelinhos de Belém, quentinhos e acabados de sair do forno! Que o diga a editora Saída de Emergência (sim, eu sei que estou sempre a falar dela…), uma das verdadeiras “culpadas” por este boom de novas gerações viciadas neste género.

“Parece interessante. Mas agora que autores é que nos aconselha?”, deve estar a perguntar o/a leitor/a. Neste blog, já demos destaque a vários grandes “mestres” deste tipo de literatura: Frank Herbert (Duna, já traduzido pela mesma editora, o fantástico e arrepiante imaginário de H. P. Lovecraft, Keith Roberts, o português David Soares e George Orwell. Vamos hoje falar de três (não tão) honrados desconhecidos.

Philip K. Dick, O Homem do Castelo Alto – Muitos já viram o filme Blade Runner, mas poucos sabem que foi baseado numa obra de nome “Será que os Andróides sonham com carneiros eléctricos?” (tradução livre do título original: Do Androids Dream of Electric Sheep?). Também foram adaptados para cinema Relatório Minoritário, Total Recall, entre muitos outros. Philip K. Dick é apenas um dos maiores escritores vivos de Ficção Científica de todos os tempos e já não era sem tempo que um dos seus romances mais emblemáticos, O Homem do Castelo, fosse traduzido para o Português.

A História aborda uma realidade alternativa: e se o presidente Norte-Americano Franklin T. Roosevelt tivesse sido assassinado em 1933? A partir daí, entramos no mundo da imaginação: os Americanos não conseguem fazer frente aos Nazis e o mundo é mergulhado numa era de terror e de genocídios ainda mais violentos. A ditadura está instalada, ninguém fala, ninguém critica, tal é o medo de se morrer num campo de concentração. Mas há um estranho, anónimo e proibido livro que circula de mão em mão: este manuscrito maldito chama-se O Homem do Castelo Alto e imagina um mundo possível, onde os nazis não dominam e os Americanos venceram. Ou seja, fala do nosso mundo!

Imagem retirada de:

http://cadernosdedaath.blogspot.com/2010/09/proposito-de-o-homem-do-castelo-alto.html

quinta-feira, outubro 28, 2010

Lição De Vida - O que As Mãos Dizem De Nós

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As mãos pressentem

As mãos pressentem a leveza rubra do lume 
repetem gestos semelhantes a corolas de flores 
voos de pássaro ferido no marulho da alba 
ou ficam assim azuis 
queimadas pela secular idade desta luz 
encalhada como um barco nos confins do olhar


ergues de novo as cansadas e sábias mãos 
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e 
o amargor húmido das noites e tanta ignorância 
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva 
quase nada

Al Berto, poeta português

Imagem Retirada de:

http://www.indiaphoto.org/people/hand/hand1.html

quarta-feira, outubro 27, 2010

Hoje É o Dia Nacional Da Desburocratização!

E, para não chorarmos, nada melhor do que gozarmos com este grande defeito português!

Gato Fedorento – O Papel (Animação tipográfica)

Gato Fedorento – A Burocracia

A Burocracia Começou Em Roma!

segunda-feira, outubro 25, 2010

Livro Da Semana

Kôt, de Rafael Ábalos

clip_image002 Para muitos jovens que gostam de ler, Rafael Ábalos é mais conhecido no nosso país por ter escrito a obra Grimpow. Porém, e na opinião de muitos, Kôt é o seu melhor romance juvenil, precisamente porque é dedicado a um público mais “crescidinho” e também porque a intriga da acção é bastante mais complexa e melhor trabalhada. Com efeito, este livro aborda três histórias que parecem não ter inicialmente qualquer conexão entre elas, impressão essa que, obviamente, está errada.

Mas falemos do que interessa. A sinopse que aparece na contra-capa da edição portuguesa faz água na boca: Um e-mail que convida a um jogo infinito… Um homem numa Idade Média que nunca existiu… Um crime que anuncia um futuro inquietante… Tudo começa em Nova Iorque… Ou será numa cela medieval?... Ou será na Escola Experimental de Jovens Astronautas (EEJA)? Por que motivo um homem do século XXI acorda de repente acorrentado numa masmorra, em plena Idade Média? Por que motivo dois adolescentes sobredotados recebem um estranhíssimo e-mail que os convida a participar num complicadíssimo jogo cheio de operações matemáticas? Mas por que razão alguém haveria de se interessar por estes dois “putos”? Que ligação existe entre estes dois rapazes, o prisioneiro da masmorra e a morte de uma brilhante neurologista, marcada com a palavra Kôt?

O mais fascinante deste livro não é a história em si mas a forma como toda a acção é descrita e narrada: à medida que vamos virando as páginas, começamos a encontrar padrões que nos ligam directamente às outras personagens que, como já dissemos, não têm, aparentemente, nada a ver umas com as outras. Mas têm: Walter Stuck é um perigoso assassino ligado a uma seita secreta, de nome Kôt (“Gótico”) e tem procurado, ao longo da sua vida, a Essência do Mistério (leiam o livro, está lá tudo explicado); os dois adolescentes jogam um jogo cujo objectivo é chegar precisamente às mesmas respostas de Walter; e Aldous Fowler é um detective cuja missão é procurar um assassino talentoso que parece ter uma estranha predilecção por cientistas… E sempre, sempre, sempre a palavra Kôt…

Já encontraram o fio condutor destas três histórias?

E mais não diremos.

sábado, outubro 23, 2010

Bibliomúsica – Fringe, Banda Sonora, Temporada 1

clip_image002Já tínhamos há uns dias atrás feito a crítica a esta série de televisão. Agora aproveitamos para mostrar músicas compostas para esta excelente série de ficção científica. São três os compositores e um deles já é do conhecimento de todos os fãs de Lost e do recente filme Star Trek: Michael Giacchino.

“Espreitem” com os vossos ouvidos e reparem até que ponto esta gente se dá ao luxo de ser meticulosa, até nos “sons de fundo”!

Fringe – I See Frozen People (Michael Giacchino)

Fringe, The Equation (Chad Seiter)

Fringe, All Along the Bell Towers (Chris Tilton)

sexta-feira, outubro 22, 2010

Plano Nacional De Leitura – A Nossa Programação Para Este Ano

O novo ano está à porta e promete já muito trabalho e muitas actividades. A equipa da BE/CRE, juntamente com a clip_image001coordenadora do PNL, já programaram o seu calendário, havendo ainda algumas arestas para limar.

Mas já promete: tem teatro, tem palestras, tem aconselhamento personalizado para a escolha de livros a levar para férias, continua a apostar no blog e na estreita colaboração entre várias entidades de Serpa, irá ajudar a montar uma feira de medicinas alternativas, voltará a dar valor às questões que mais preocupam os adolescentes de hoje, apostará nas feiras do livro, usados ou novos…

Tudo isto para que os alunos se habituem cada vez mais à presença destes objectos de papel que, para muita gente, ainda são inimigos a abater, em vez de serem fontes de prazer e de sonho.

Caso tenham sugestões a dar, estas serão sempre bem-vindas!

Imagem retirada de:

http://erikahazzevedo.wordpress.com/

PNL 2010-2011 catálogo