quinta-feira, novembro 11, 2010

Salvem A Nossa Cultura Popular

clip_image002 A página do facebook Memoriamedia Histórias Do Mundo (na foto) foi criada com o objectivo de, diz a sua informação, fixar por meios multimédia momentos da tradição oral portuguesa e global, organizar e divulgar os conteúdos adquiridos no formato web-vídeo. É da autoria de cidadãos da bela cidade do Porto e já vai com 2.632 amigos.

Para já, quem quer que faça parte desta rede social pode e deve clicar na caixa “gosto”, para que os responsáveis deste projecto se sintam incentivados a continuar o seu trabalho. Mais ainda, todos estes conhecimentos do povo, que têm sobrevivido durante séculos, arriscam-se a desaparecer de vez, caso não sejam preservados e transmitidos às novas gerações. É que a “aldeia global”, com todas as suas excelentes qualidades, está rapidamente a “matar” as tradições de todas as nações do mundo. Usamos as mesmas roupas, ouvimos as mesmas canções, vemos os mesmos filmes, lemos os mesmos livros, comemos nos mesmos restaurantes, vemos as mesmas notícias… No fim, sobra o quê? A língua, um pouco de gastronomia e um resquício de “identidade nacional”. Não admira, portanto, que a Europa, África e Ásia estejam a sofrer aquilo que muitos chamam uma “crise de identidade”.

Mas há sempre espaço para o equilíbrio: sigamos exemplos do melhor que se faz lá fora, mas preservemos com orgulho aquilo que é nosso. Estes vídeos que se seguem foram todos gravados no Concelho de Vimioso, em colaboração com a Biblioteca Municipal de Vimioso e com o apoio da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas. E prestem atenção, muita atenção, ao lindíssimo poema da canção Vai Alta a Lua na Mansão da Morte.

Vale a pena ver e ouvir.

O Filho Pródigo

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Vai Alta A Lua Na Mansão Da Morte

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Venha O Copo, Venha O Vinho

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Eis Aqui A Nossa Primeira Errata!!!!!

 

clip_image002O nosso colega de História Guilherme Tanissa descobriu, no primeiro vídeo 100 Anos Depois, O Que Ganhámos Com A Implantação da República? que se chamava “Guilherme Caniça”. Bela gaffe “com três rrrrs”…

Já não dá para mudar o vídeo, por isso pedimos aqui desculpas pelo incómodo…

A Imagem veio daqui

quarta-feira, novembro 10, 2010

Lição De Vida – O Que O Medo Nos Pode Fazer

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudoclip_image002
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
clip_image004com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Alexandre O'Neill

Imagens retiradas de:

http://eduardoleite.blogspot.com/2010_05_01_archive.html

http://blogdopedronelito.blogspot.com/2010/08/o-medo-de-amar-e-o-medo-de-ser-livre.html

segunda-feira, novembro 08, 2010

Livro Da Semana

Revolutionary Road, de Richard Yates

A cena é velha, gasta e já cheia de bolor: lá temos nós o casalinho cheio de sorrisinhos, distribuindo “vivas” à porta de entrada, a dar abraços aos amigos e beijinhos às amigas. Tudo parece estar bem: os catraios andam aos pulos pela casa com as outras crianças; o casalinho anda bem vestido; ela acabou clip_image002de chegar do cabeleireiro e tem as unhas impecáveis; ele apresenta um ar de quem ganhou a lotaria; o bruto carro, aquela “celindrada” que faz inveja aos vizinhos lá está a reluzir na rua…

Mas o verniz não demora muito a estalar: ao fim de uma hora de convívio com os amigos, as pequenas “tacadinhas” e as “bocas foleiras” esvoaçam pelo ar. Nota-se que eles nunca se tocam. Nota-se que eles nunca se olham e, quando o fazem, há sempre uma certa tensão no ar. No fim do jantar, ele quer sair, mas ela “empurra-o” crispada para casa, monitorizando de sorriso ameaçador as desculpas do marido. Isto é-vos um bocado familiar, não é?

Pois bem, Revolutionary Road aborda precisamente este tema: por detrás da fachada de grande riqueza e de um presente “bem-sucedido”, o casal já não se suporta. Os dois têm todo o conforto material, têm tudo o que um ser humano deseja: uma bela casa, uma boa vizinhança, um emprego muito bem pago, mas tudo isto já não chega para tapar o imenso buraco espiritual que existe nas suas almas. Foram adultos muito cedo, e a sociedade, desde muito cedo, exigiu tudo deles. Foram pais muito cedo. São crianças a cuidar de crianças e, por isso mesmo, não conseguem criar empatia com os seus próprios filhos. Agora, anos depois, perderam tudo o que tinham na mão.

Não deixa de ser um bocado triste que este livro, 50 anos depois, ainda seja tão actual e tão moderno: a vida não é só telemóveis e férias no Brasil. A vida é algo mais. Podemos fazer de conta que somos muito felizes, enquanto estivermos na faixa dos “vinte e tais” anos. Até podemos acreditar mesmo que somos felizes! Porém, assim que os “trinta es” começarem a pesar nos nossos corpos, não demorará muito para fazermos contas à vida, e fazermos um balanço geral do real sentido da nossa existência: o que faço eu aqui? Será que sirvo para alguma coisa? O mundo sentiria a minha falta se morresse? Estarei a aproveitar a minha estadia neste planeta? Ter-me-ei casado com o/a parceiro/a certo/a? Quantas oportunidades terei eu desperdiçado, sem sequer me ter dado conta de tal? A vida é só isto? Será que eu necessito de uma “estrada revolucionária” para que possa finalmente começar do zero e revolucionar a minha existência? E até que ponto estarei eu preparado para enfrentar o mundo? Será que os meus pais me prepararam para esta tarefa tão assustadora? Ou será que não passo de uma criança grande a brincar aos adultos?

O casal bem tentará encontrar um sentido para a sua vida. Mas será tarde demais. O mundo fez deles crianças egoístas mas, na hora de encontrar “culpados”, toda a gente foge. Para o bem e para o mal, eles estão entregues à sua sorte.

A América do século passado continua a ser igual a si própria: uma refeição de luxo, uma alma que tem fome e não é alimentada.

Estante Do Mês De Novembro

Nós E A Natureza A Olho Nu

No mês passado, dedicámos a nossa estante às comemorações do Centenário da Implantação da República. Desta vez, vamos ser um bocadinho mais zen: vamos analisar à lupa o Ser Humano e o Planeta Terra e deslumbrarmo-nos com esta maravilhosa máquina que é a Vida neste cantinho do Universo.

Aqui estão algumas sugestões bem aliciantes para a leitura:

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sexta-feira, novembro 05, 2010

O Que Ganhámos Com A Implantação da República?

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No dia 4 de Outubro, estivemos a colocar precisamente essa questão, há umas semanas atrás, a alunos, professores e funcionários da nossa escola. Como os testemunhos são longos em alguns casos, optámos por dividi-los em três mini-filmes, que serão aqui postados.

De uma forma geral, todos admitem que a República trouxe coisas positivas para o país mas a nossa nação também não teria perdido muito, caso continuasse a ser uma Monarquia Constitucional. Nota-se, acima de tudo, uma imensa desilusão: não sabemos se esta é por causa da crise actual ou se é mesmo uma opinião convicta, mas muitos não parecem estar muito optimistas em relação ao futuro que aí vem…

Mas antes de andarmos de handy camera a “caçar” depoimentos, o professor Manuel Baiôa (na foto) deu nesse mesmo dia, na nossa biblioteca, uma palestra bastante interessante e enriquecedora às turmas do 12ºC, curso de Humanidades e do 11º C (TOE), sobre o “antes” e o “depois” do fim da Monarquia, suas causas e efeitos, o que se esperava nesse tempo para o país, que sonhos foram conquistados, que sonhos ficaram desfeitos. As turmas presentes estiveram atentas e colocaram algumas questões. Porém, como estavam pouco a par deste episódio da História de Portugal, preferiram ouvir a falar. No fim, quatro alunos do 12ºC deram a cara e aceitaram falar para a nossa aterrorizante câmara, acerca do que pensam deste período histórico e o que ganhámos com ele.

A todos os que colaboraram nestas duas actividades (a palestra e os depoimentos), um bem-haja!

Errata com as nossas desculpas : Onde se lê Guilherme Caniça leia~se Guilherme Tanissa

 

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quinta-feira, novembro 04, 2010

Uma Divertida Canção, Um Excelente Vídeo

Todos nós temos pelo menos um vídeo de música na nossa memória. No caso da minha geração (e no clip_image002meu tempo, videoclip era traduzido por “teledisco”), pode ser o Like a Virgin, da Madonna, o Thriller de Michael Jackson ou vários dos Smashing Pumpkins.

O problema é que, actualmente, com tanta escolha e tantas maravilhas que os efeitos especiais conseguem produzir, é cada vez mais difícil impressionar um público que já viu muito e que se aborrece com muita facilidade. O outro lado da moeda é repararmos num arsenal de vídeos que segue sempre a mesma fórmula: mulheres sensuais a rebolar-se à frente da câmara ou brutos carros e muitos “iôs” à mistura.

Ora bem: o clip que se segue, da banda Hold Your Horses!, é no mínimo, original. Porém, aqui vai um aviso à navegação: só quem tem um bom conhecimento da História de Arte e dos grandes pintores da Humanidade é que consegue deliciar-se com este mini-filme. Ou será que não é bem assim? Será que guardamos no nosso inconsciente mais sabedoria do que pensamos? “Espera aí, eu acho que já vi este quadro…. Não terá sido no manual de História/Internet/livro/cartaz publicitário?”De facto, há aqui muitas piscadelas de olho a inúmeras obras-primas da Pintura, obras essas que são e serão sempre eternas.

Vamos lá a ver quantos quadros vocês têm no vosso cérebro.

 

Hold Your Horses! – 70 millions

quarta-feira, novembro 03, 2010

Um Presente Maravilhoso Em Tempos De Crise

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Graças ao Plano Nacional de Leitura, a nossa equipa acabou de receber 900 euros para gastar em livros. Ouviram bem: 900 euros. É uma soma considerável e dará para renovar o stock das nossas estantes.

clip_image003 Depois de darmos pulos de alegria, as nossas cabecinhas assentaram e começámos a fazer contas à vida: os pedidos e sugestões foram tantos que tivemos que fazer uma selecção criteriosa das páginas e páginas de obras recomendadas. É que 900 euros são, sem dúvida, muito dinheiro, especialmente nos tempos de hoje. Porém, tendo em conta o facto de que a literatura ainda é relativamente cara em Portugal, esta maquia não chega para responder a tantos pedidos.

Em primeiro lugar, deu-se (obviamente) destaque a livros recomendados pelo próprio PNL, desde o 7º ao 9º ano (no caso da nossa escola). Logo a seguir, teve-se em conta as grandes obras da literatura nacional e mundial, adequadas à faixa etária destes alunos. Por fim, deixámos espaço para podermos escolher algumas publicações recentes, e sempre respeitando o critério da qualidade. Para terminar, quisemos “agradar a Gregos e Troianos”: romances eternos e históricos, literatura policial, Ficção Científica e Literatura de Fantasia, poesia, contos. Não faltará por onde escolher e temos a certeza de que, no meio de tantas edições, pelo menos um livro será do agrado de cada aluno. A nova e gulosa montra clip_image004estará disponível provavelmente daqui a (pelo menos) 15 dias.

Não podemos terminar este texto sem agradecermos a todos os professores, pais e entidades que, ao longo de muitos anos, têm vindo a apostar no prazer da leitura. Em Portugal, motivar uma criança/adolescente para o prazer das palavras é tão ou mais difícil do que inventarmos a máquina do tempo. Enquanto que, na Islândia, cada cidadão dedica uma hora por dia à companhia dos livros – e quem não gosta de ler é olhado de lado – o desprezo por estes “objectos inúteis”, no nosso país, já dura há séculos. As constantes e insistentes feiras do livro, usado ou novo; as colecções quase oferecidas dos jornais e revistas; as promoções das livrarias; as actividades das bibliotecas municipais e escolares; os inúmeros (inúmeros!!) blogues dedicados ao prazer da leitura; tudo isto, pouco a pouco, lentamente, muito devagarinho, vai lançando o “bichinho das palavras” na nossa sociedade. Os hábitos de leitura estão, de facto, a crescer, como comprova este artigo do jornal Público, em versão online,  e muito por culpa do Plano Nacional de Leitura. E é preciso haver muito amor pelos livros, para se oferecer agora às escolas tanto dinheiro…

Ainda há muito para fazer, mas já há luz ao fundo do túnel.

 

Aos Missionários da Leitura

 

Gente que Lê

 

Histórias Que Acontecem

Imagens retiradas de: 1 2 e 3

segunda-feira, novembro 01, 2010

Hoje É O Dia De Todos Os Santos

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Para muitos portugueses, este dia é “cinco estrelas” apenas porque dá direito a termos um feriado. São já poucos os que olham para esta data com olhos religiosos e ainda menos os que sabem por que motivo o festejamos. O mundo está a mudar a olhos vistos, e muitas das crenças que antes clip_image003tomávamos como garantidas são hoje olhadas como sendo “coisas de velhos”. Actualmente, imitamos mais os Americanos com o seu Halloween do que propriamente irmos à missa e prestarmos atenção aos exemplos de Fé de muitos Cristãos. O folclore é sempre mais divertido do que a oração. Sinal dos tempos.

Mas afinal… O que é o Dia de Todos os Santos? Como o próprio nome indica, esta data comemorativa pretende homenagear todos os mártires e almas santas que lutaram e morreram em nome de Cristo. Inicialmente, havia um dia para cada santo, e este era celebrado com as suas devidas honras. Todavia, a partir do século IV, o número destes seres tocados por Deus eram tantos que, por uma questão de economia de tempo e espaço no calendário litúrgico, e precisamente para evitar que algum fosse esquecido, teve-se a brilhante ideia de celebrar todas estas figuras importantes num só dia. Os santos são, pois, um exemplo que deve ser seguido, alguém que desistiu das coisas inúteis do mundo para salvar a sua alma e a alma dos outros. E é precisamente por isso mesmo que alguns deles chegam a ser ainda mais amados do que o próprio Deus: foram humanos, estiveram mais perto de nós, conhecem as ânsias e sonhos que todos nós possuímos. E como nos entendem bem, são as entidades mais indicadas para, no Céu, falarem com o “Grande Chefe” e intercederem por nós.

Era costume (e ainda é lá para muitas aldeias do norte de Portugal) as crianças saírem à rua e pedirem “Pão Por Deus”. Eis o que devem cantar (retirado de http://www.junior.te.pt/servlets/Bairro?P=Sabias&ID=313):

Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.


Ou então:

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'stão mortos, enterrados
À porta daquela cruz.
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."

clip_image005
Quando os donos da casa dão alguma coisa:

Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.


Quando os donos da casa não dão nada:

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.

Este costume, como já devem calcular, foi criado pelos pobres que, à laia de festejarem os santos, sempre acumulavam mais alguma comida para os próximos dias. Por questões obviamente comerciais, dá-se hoje mais importância aos festejos do Halloween (bem divertidos, diga-se de passagem) do que se dá a esta pequena celebração tão portuguesa. É pena…

Amanhã celebra-se o Dia dos Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos, data esta que pretende honrar todos os nossos mortos, amigos, familiares. Há quem use esta data para homenagear os seus “amigos fiéis de quatro patas”, embora a Igreja Católica ainda hoje não acredite que os animais tenham alma.

Dia de Todos os Santos em Portugal

Ladainha de Todos os Santos (Brasil)

 

Documentário Os Primeiros Cristãos -parte 1 de 7

Imagens retiradas de 1, 2

domingo, outubro 31, 2010

Hoje É O Dia Mundial da Poupança. 4 Sugestões…

 

Grão A Grão, Enche A Galinha O Papo …

 

clip_image001Ora bem: poupar é a palavra de ouro do ano de 2011. Os cortes salariais vêm aí, o preço de todos os bens de consumo vai disparar, o tempo não vai estar para despesas supérfluas e telemóveis trocados de seis em seis meses. Mas desde que não percamos os nossos empregos, há sempre luz no fundo do túnel. Até lá, vamos ter que reformular os nossos hábitos de vida e reaprendermos a viver com pouco.

Como? Seguem-se aqui quatro sugestões:

O Meu Querido Porquinho – “Mas para onde é que foram parar os 100 euros clip_image002que acabei de levantar???” Quantas e quantas pessoas não fizeram a si mesmas esta pergunta… A resposta é muito simples e pode até ser verificada: experimente, no fim do dia, despejar todas as moedas que tem na bolsa. Faça isto todos os dias. Ficará siderado/a ao descobrir que, a meio do mês, estarão lá cerca de 40, 50 euros no mínimo, dinheirinho esse que virá mesmo a calhar naqueles malditos dias em que o salário seguinte ainda é uma miragem. A maior parte do buraco nas contas vem do uso que damos aos trocos: um euro aqui, outro ali, um cafezinho, ali, um pastel de nata acolá… E quando nos apercebemos, já voaram 100 euros ou mais do nosso salário.

“Não te Esqueças do Farnel!”clip_image002[8]Os nossos avós tinham a sabedoria de trazer o almoço de casa e as lancheiras eram uma coisa bastante comum. Há mil e uma maneiras de se fazer uma boa e saudável sandes, e não é por comermos também uma peça de fruta no local de trabalho que os parentes nos caem na lama. Além disso, habitue-se a comer o pequeno-almoço em casa. É mais saudável, vai trabalhar com mais energia e o corpo não lhe pedirá tanta gordura logo no início do dia. No jantar, aposte na sopa. Metade da fome desaparecerá e, assim, poupará mais no prato principal. Seja criativo/a com os restos: um pedaço de frango pode dar, por exemplo, um bom esparguete ou uma boa lasanha. Por fim, faça a sua horta. Não tem quintal nem terraço? Consulte a internet, especialmente o Youtube: nem imagina o que se pode fazer com uma simples varanda!

Missão Casa: poupar clip_image002[10]Desligue todas as luzes que não esteja a utilizar; desligue todos os aparelhos eléctricos da ficha, pois o stand by consome muita energia; use lâmpadas ecológicas (Caso estas lhe provoquem muitas dores de cabeça, aposte nos candeeiros decorados com vidrinhos. Dão uma luz muito suave); use a lareira, caso a tenha; lave a roupa à noite; compre uma máquina de lavar loiça, pois está provado que gastamos menos água usando este electrodoméstico do que a lavarmos no lava-loiça; evite secar a roupa na máquina, sempre que possível, e só a lave quando tiver o suficiente para encher o tanque; tente calafetar portas e janelas, uma vez que 40% do calor desaparece por causa deste inconveniente; utilize os sacos de supermercado para o lixo (e recicle, por favor!); compre sempre produtos de marca branca (e aposte em produtos com o código 560, o código de Portugal); só precisamos de uma garrafa de lixívia, um detergente para a roupa, um detergente para a louça e, por fim, um detergente para o chão para mantermos uma casa limpa; livre-se do arsenal de produtos de higiene que não servem para nada. Há mais conselhos que poderíamos dar mas estes são os principais.

Para Quê gastar tanto?? – Pinta o cabelo? Aprenda a tingi-lo em casa. clip_image002[12]Depila-se no cabeleireiro? Faça-o em casa. Quer o carro limpo? Pegue num pano e detergente e convide os filhos para a festa. Conhece um sapateiro? Leve-lhe os sapatos em vez de comprar novos. Não sabe coser um botão ou bainha? Aprenda a fazê-lo (mais uma vez a internet está cheia de dicas para cuidar da roupa). O pão está caro? Aprenda a fazê-lo (e use o forno: as máquinas de fazer pão não são, por enquanto, um bom investimento). Está farto/a da sua casa e quer mudá-la? Compre mantas baratas, mude a disposição dos móveis, pinte você mesmo as paredes. Por muito pouco dinheiro consegue-se dar cara nova ao velho. Se fumar, acabe com o vício ou tente retirar cinco cigarros por dia. Gosta de fofoca? Vá à Internet: muitas revistas “cor-de-rosa” já têm páginas online. Gosta de ler? Vá a feiras do livro, alfarrabistas, inscreva-se numa biblioteca municipal. Não sabe o que fazer com os catraios no fim-de-semana e está nas lonas? Leve os filhos aos museus ou exposições, leve-os ao jardim zoológico, prepare um divertido piquenique em família: fica ao preço da uva mijona e eles adoram estes mimos. Não tem dinheiro? Não vá a centros comerciais. Em vez disso, passe o fim-de-semana com a família, convide os amigos para jantar. Tem dois carros? Veja se pode usar apenas um. E, mais importante de tudo, faça as contas em família e ensine os seus filhos a poupar. Só assim é que eles darão valor ao dinheiro e se aperceberão que ele não cai do céu.

Em suma: se pode poupar, poupe! Gastar dinheiro inutilmente não é prestígio social, é estupidez.

Terminamos este artigo com uma sugestão do site Chave Mestra. No link entre parêntesis, poderão consultar um artigo com excelentes conselhos para tirarmos proveito do nosso dinheiro e aprendermos a esticá-lo (http://www.chave-mestra.com/index.php?option=com_content&view=article&id=60:dia-mundial-da-poupanca&catid=39:familia&Itemid=114). Só para vos dar um cheirinho, este site deu-se ao trabalho de publicar uma grelha, onde se mostra mesmo o quanto se pode poupar numa só semana e os ganhos que adquirimos no final de um ano!

Vem aí o Natal: Como Poupar 300 Euros por mês (parte I)

Vem Aí o Natal: Como Poupar 300 euros por mês (parte II)

Imagens retiradas de: 1 2 3 4 5

Onde É Que Eu Estacionei A Minha Nave Espacial?? Parte III

Depois de termos falado de realidades alternativas e de doenças excêntricas vamos falar do futuro. O nosso futuro, o futuro que nos espera. Afinal, a Ficção Científica não fala apenas de naves espaciais e de alienígenas.clip_image002

Forças do Mercado, de Richard Morgan - Bem-vindo ao futuro. E este não é nada convidativo: a população humana não pára de crescer; a gasolina falta; as grandes corporações tomaram conta do planeta; todos os governos não são mais do que máfias à vista de todos e que servem as corporações; a televisão tomou definitivamente conta das nossas vidas; os satélites espiam a vida de cada ser humano; as nações são atacadas por hackers e por gangsters à moda antiga; já não se lê nada; as pessoas ou vivem num estado vegetativo ou descarregam a fúria e frustração no vizinho do lado; come-se, dorme-se, faz-se as necessidades, gasta-se dinheiro em compras, e o resto é bebida e sexo; quanto à Democracia… esqueçam. Não há sonhos, não há projectos, apenas o terror de se viver numa selva de humanos que nos espreitam à procura de um sinal de fraqueza, por mais pequeno que este seja.

E neste mundo tão maravilhoso e aconchegante, Chris Faulkner sabe muito bem que pode ter os seus dias contados. Executivo em ascensão numa espécie de negócio que se chama Investimentos em Conflitos (e ser-se executivo neste futuro é literalmente matar os rivais num duelo mortal), Faulkner chegou ao fim dos seus sonhos e conseguiu aquilo que quis: poder, fama, dinheiro, mulheres. O que o torna um alvo a abater muito apetecível e requisitado.

Inicialmente a nossa personagem, em vez de matar sem qualquer piedade, prefere ferir os seus inimigos em vez de lhes “limpar o sebo”, como toda a gente à sua volta faz. Esta compaixão, como devem calcular, não durará muito. E agora que chegou ao topo da cadeia alimentar, a ambição só é comparável à crueldade. E com o seu casamento a ruir, a consciência a pesar e os amigos a reduzirem-se, o nosso herói parece destinado a transformar-se num monstro ou num corpo mutilado. Este livro faz-nos lembrar mais um Sin City do que propriamente um Yes, We Can.

Toda esta história está escrita de uma forma muitíssimo visual, e não é leitura para crianças e estômagos fracos. Hollywood já comprou os direitos de autor, o que quer dizer que, não tarda nada, teremos nas nossas salas de cinema mais um filme de acção. Mas tendo em conta que um filme tem apenas duas horas (três no máximo), aquilo que verdadeiramente importa nesta obra – a crítica a uma globalização feroz – será esquecida ou ignorada, e lá teremos nós mais uma história cheia de sangue e pouco cérebro. Ou nós estamos muito enganados ou muita gente irá associar o nome “Richard Morgan” às palavras “violência gratuita”.

O que é um pena: Richard Morgan é um excelente escritor.

sábado, outubro 30, 2010

Onde É Que Eu Estacionei A Minha Nave Espacial??Parte II

clip_image002Ontem, mencionámos uma das grandes obras de Philip K. Dick. Desta vez, apresentamos mais um autor que, sendo completamente diferente do primeiro, é o exemplo perfeito de que “Ficção Científica” não rima apenas com “Homenzinhos Cinzentos” e “Naves Espaciais”.

Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas – Já que os Portugueses adoram queixar-se de doenças e maleitas, este livro devia estar nas cabeceiras de todos os que se consideram “portugas”. Foi editado pela primeira vez em 1915, numa altura em que as primeiras fotocópias a carbono custavam literalmente os olhos da cara, e estas cópias foram passando de mão em mão. Depressa a sua imaginação hilariante causou furor em tudo o que fosse consultório médico, e esta paródia aos medos e doenças imaginárias (várias delas são de chorar a rir como, por exemplo, o Síndrome de Download) tem deslumbrado sucessivas gerações. Pelo caminho, muitos outros artistas-faz-de-conta-que-sou-um-cientista divertiram-se a inventar as suas próprias maleitas, aumentando, assim, esta já longa e excêntrica colectânea.

Quase cem anos depois, este famoso almanaque ganhou vida em Portugal, mas desta vez a editora Saída de Emergência excedeu-se: uma parte desta obra é da autoria de escritores portugueses que, tendo sido convidados a “reportar” uma doença de que supostamente padeciam, depressa meteram mãos à obra e transformaram-na numa realidade (no papel, é claro). Chama-se O Compêndio Médico Calamar Trindade de Doenças Notáveis e Invulgares e, como se não bastasse, até existe uma história rocambolesca por detrás de toda esta colectânea, e que envolve um certo discípulo português do Dr. Lambshead: Este Compêndio é apresentado como fruto do trabalho de uma vida de Dr. Anófeles Calamar Trindade, já falecido, discípulo do Dr. Lambshead, que devido a desavenças, proibiu o mestre de publicar a sua investigação e, como tal, deu início ao seu próprio guia, baseado em enfermidades diagnosticadas em Portugal e nas Colónias Ultramarinas (citação retirada do excelente blog Bela Lugosi is Dead. Poderão consultá-lo aqui: http://belalugosiisdead.blogspot.com/2010/07/critica-almanaque-do-dr-thackery-t.html)

Cada doença encontra-se descrita como se, de facto, existisse: sintomas, tratamento, primeiro caso reportado, país de origem, operações e cirurgias, médicos envolvidos, referências a vários artigos científicos, etc. E só uma pessoa com muitíssimo pouca imaginação é que não vai achar graça nenhuma a este almanaque.

Para se devorar numa noite fria de Inverno (e vejam lá se não apanham nenhuma destas doenças!).

sexta-feira, outubro 29, 2010

Onde É Que Eu Estacionei A Minha Nave Espacial??Parte I

clip_image002 Há um estilo literário que foi relegado para segundo plano, por ser considerado “inferior”, e que só muito recentemente tem vindo a ganhar adeptos em Portugal. Estamos a falar, se ainda não tinham adivinhado, do género de Ficção Científica. E não: Ficção Científica não é só falar (ao contrário do que o título deste artigo diz) de naves espaciais e de extra-terrestres. Este tipo de literatura aborda vários assuntos como, por exemplo, a possibilidade de existirem universos paralelos, realidades alternativas, histórias que se passam num futuro bem terrestre, a velha concepção do Bem e do Mal, o perigo das tecnologias, entre outros temas sempre actuais e, muitas vezes, bastante proféticos.

E, para espanto de muitas editoras mais conservadoras, estes livros vendem que nem pastelinhos de Belém, quentinhos e acabados de sair do forno! Que o diga a editora Saída de Emergência (sim, eu sei que estou sempre a falar dela…), uma das verdadeiras “culpadas” por este boom de novas gerações viciadas neste género.

“Parece interessante. Mas agora que autores é que nos aconselha?”, deve estar a perguntar o/a leitor/a. Neste blog, já demos destaque a vários grandes “mestres” deste tipo de literatura: Frank Herbert (Duna, já traduzido pela mesma editora, o fantástico e arrepiante imaginário de H. P. Lovecraft, Keith Roberts, o português David Soares e George Orwell. Vamos hoje falar de três (não tão) honrados desconhecidos.

Philip K. Dick, O Homem do Castelo Alto – Muitos já viram o filme Blade Runner, mas poucos sabem que foi baseado numa obra de nome “Será que os Andróides sonham com carneiros eléctricos?” (tradução livre do título original: Do Androids Dream of Electric Sheep?). Também foram adaptados para cinema Relatório Minoritário, Total Recall, entre muitos outros. Philip K. Dick é apenas um dos maiores escritores vivos de Ficção Científica de todos os tempos e já não era sem tempo que um dos seus romances mais emblemáticos, O Homem do Castelo, fosse traduzido para o Português.

A História aborda uma realidade alternativa: e se o presidente Norte-Americano Franklin T. Roosevelt tivesse sido assassinado em 1933? A partir daí, entramos no mundo da imaginação: os Americanos não conseguem fazer frente aos Nazis e o mundo é mergulhado numa era de terror e de genocídios ainda mais violentos. A ditadura está instalada, ninguém fala, ninguém critica, tal é o medo de se morrer num campo de concentração. Mas há um estranho, anónimo e proibido livro que circula de mão em mão: este manuscrito maldito chama-se O Homem do Castelo Alto e imagina um mundo possível, onde os nazis não dominam e os Americanos venceram. Ou seja, fala do nosso mundo!

Imagem retirada de:

http://cadernosdedaath.blogspot.com/2010/09/proposito-de-o-homem-do-castelo-alto.html

quinta-feira, outubro 28, 2010

Lição De Vida - O que As Mãos Dizem De Nós

clip_image002

As mãos pressentem

As mãos pressentem a leveza rubra do lume 
repetem gestos semelhantes a corolas de flores 
voos de pássaro ferido no marulho da alba 
ou ficam assim azuis 
queimadas pela secular idade desta luz 
encalhada como um barco nos confins do olhar


ergues de novo as cansadas e sábias mãos 
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e 
o amargor húmido das noites e tanta ignorância 
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva 
quase nada

Al Berto, poeta português

Imagem Retirada de:

http://www.indiaphoto.org/people/hand/hand1.html

quarta-feira, outubro 27, 2010

Hoje É o Dia Nacional Da Desburocratização!

E, para não chorarmos, nada melhor do que gozarmos com este grande defeito português!

Gato Fedorento – O Papel (Animação tipográfica)

Gato Fedorento – A Burocracia

A Burocracia Começou Em Roma!

segunda-feira, outubro 25, 2010

Livro Da Semana

Kôt, de Rafael Ábalos

clip_image002 Para muitos jovens que gostam de ler, Rafael Ábalos é mais conhecido no nosso país por ter escrito a obra Grimpow. Porém, e na opinião de muitos, Kôt é o seu melhor romance juvenil, precisamente porque é dedicado a um público mais “crescidinho” e também porque a intriga da acção é bastante mais complexa e melhor trabalhada. Com efeito, este livro aborda três histórias que parecem não ter inicialmente qualquer conexão entre elas, impressão essa que, obviamente, está errada.

Mas falemos do que interessa. A sinopse que aparece na contra-capa da edição portuguesa faz água na boca: Um e-mail que convida a um jogo infinito… Um homem numa Idade Média que nunca existiu… Um crime que anuncia um futuro inquietante… Tudo começa em Nova Iorque… Ou será numa cela medieval?... Ou será na Escola Experimental de Jovens Astronautas (EEJA)? Por que motivo um homem do século XXI acorda de repente acorrentado numa masmorra, em plena Idade Média? Por que motivo dois adolescentes sobredotados recebem um estranhíssimo e-mail que os convida a participar num complicadíssimo jogo cheio de operações matemáticas? Mas por que razão alguém haveria de se interessar por estes dois “putos”? Que ligação existe entre estes dois rapazes, o prisioneiro da masmorra e a morte de uma brilhante neurologista, marcada com a palavra Kôt?

O mais fascinante deste livro não é a história em si mas a forma como toda a acção é descrita e narrada: à medida que vamos virando as páginas, começamos a encontrar padrões que nos ligam directamente às outras personagens que, como já dissemos, não têm, aparentemente, nada a ver umas com as outras. Mas têm: Walter Stuck é um perigoso assassino ligado a uma seita secreta, de nome Kôt (“Gótico”) e tem procurado, ao longo da sua vida, a Essência do Mistério (leiam o livro, está lá tudo explicado); os dois adolescentes jogam um jogo cujo objectivo é chegar precisamente às mesmas respostas de Walter; e Aldous Fowler é um detective cuja missão é procurar um assassino talentoso que parece ter uma estranha predilecção por cientistas… E sempre, sempre, sempre a palavra Kôt…

Já encontraram o fio condutor destas três histórias?

E mais não diremos.

sábado, outubro 23, 2010

Bibliomúsica – Fringe, Banda Sonora, Temporada 1

clip_image002Já tínhamos há uns dias atrás feito a crítica a esta série de televisão. Agora aproveitamos para mostrar músicas compostas para esta excelente série de ficção científica. São três os compositores e um deles já é do conhecimento de todos os fãs de Lost e do recente filme Star Trek: Michael Giacchino.

“Espreitem” com os vossos ouvidos e reparem até que ponto esta gente se dá ao luxo de ser meticulosa, até nos “sons de fundo”!

Fringe – I See Frozen People (Michael Giacchino)

Fringe, The Equation (Chad Seiter)

Fringe, All Along the Bell Towers (Chris Tilton)

sexta-feira, outubro 22, 2010

Plano Nacional De Leitura – A Nossa Programação Para Este Ano

O novo ano está à porta e promete já muito trabalho e muitas actividades. A equipa da BE/CRE, juntamente com a clip_image001coordenadora do PNL, já programaram o seu calendário, havendo ainda algumas arestas para limar.

Mas já promete: tem teatro, tem palestras, tem aconselhamento personalizado para a escolha de livros a levar para férias, continua a apostar no blog e na estreita colaboração entre várias entidades de Serpa, irá ajudar a montar uma feira de medicinas alternativas, voltará a dar valor às questões que mais preocupam os adolescentes de hoje, apostará nas feiras do livro, usados ou novos…

Tudo isto para que os alunos se habituem cada vez mais à presença destes objectos de papel que, para muita gente, ainda são inimigos a abater, em vez de serem fontes de prazer e de sonho.

Caso tenham sugestões a dar, estas serão sempre bem-vindas!

Imagem retirada de:

http://erikahazzevedo.wordpress.com/

PNL 2010-2011 catálogo

quinta-feira, outubro 21, 2010

Atenção, Atenção!

clip_image001O blog Páginas Desfolhadas está a lançar um concurso muito, muito especial! Ora vejam o seguinte texto, retirado da mesma fonte:

Começa Outubro e, com o inicio do novo mês, o Páginas dá inicio a mais um passatempo da Leitura à Criação! Este mês temos a honra de contar com a colaboração da Contraponto, tendo para oferecer um exemplar de "O Beco dos Milagres" e de "O Contador de Histórias"a um único vencedor.

   O desafio deste mês consiste na criação de uma pequena história cujo clip_image002tema central será "milagre"! Este texto não deverá ter mais de 300 palavras.

   O vencedor será escolhido por nós, com a ajuda da editora e o passatempo decorrerá até dia 24 de Outubro! O texto premiado será publicado no blogue.

   Aceitamos apenas uma participação por pessoa e, por questões relacionadas com o envio do prémio, só aceitamos participações de residentes em Portugal.

   Esperamos pelas vossas histórias! Inspirem-se e encham a nossa imaginação com os vossos milagres! Estes livros valem bem a pena!

Para poderem concorrer, deverão clicar no seguinte link (http://paginasdesfolhadas.blogspot.com/2010/10/passatempo-da-leitura-criacao-o.html) e dar asas à vossa imaginação. Atenção que o tempo está a acabar!

terça-feira, outubro 19, 2010

Livro Da Semana

Pavana, de Keith Roberts

Há uns meses atrás, demos destaque como livro da semana o excelente romance de título A Conspiração Contra A América, de Philip Roth, história esta que também se debruçava sobre um futuro alternativo. Mas a obra que agora apresentamos vai ainda mais longe. Reinventa todo um futuro, inclusivameclip_image001nte as máquinas, a sociedade, a religião, o mapa mundial. Porque tudo começa não no século XX mas no século XVI, mais precisamente em 1588, o ano em que a rainha Isabel I… foi assassinada.

A partir deste acontecimento completamente inesperado, que repercussões se sentirão no futuro? Para já, a Igreja Católica será a Fé todo-poderosa da Europa. Se o Protestantismo existe, este é feito às escondidas e debaixo de um manto de eterno medo. Em segundo lugar, os papas nunca foram, como toda a gente sabe, lá muito amigos da Ciência, do Saber, do Progresso. A primeira tentativa de industrializar a Inglaterra será brutalmente reprimida graças aos terríveis autos-de-fé e as caves do Vaticano encontra-se cheias de invenções heréticas como, por exemplo, a energia eléctrica e os motores de explosão. O mundo sofrerá um enorme atraso cultural, tecnológico e social, pois é da Revolução Industrial que nascerão todas as sementes da Liberdade e da Igualdade que hoje conhecemos e temos.

Neste futuro alternativo, Inglaterra é uma nação verdejante e de uma beleza de cortar a respiração. Mas as doenças, a pobreza, as desigualdades sociais e a ignorância generalizada são uma constante. Como diz o texto na contra-capa deste livro, o frenesim da História transforma-se numa lenta Pavana que agoniza através dos séculos. Porém, há rumores que começam a preocupar os poderosos. Ouve-se para aí que se conspira contra o Papa. Ouve-se para aí que os rebeldes estão de volta. Ouve-se para aí que um grupo de cientistas, homens de Letras e do Saber juntaram-se para derrubar este poder que nunca mais termina…

Antes de terminarmos… O que é uma Pavana? A Pavana era uma dança espanhola muito famosa, dançada precisamente no século da Rainha Isabel I (século XVI). Imita os movimentos do pavão e é suave mas lenta. Muitas foram as gerações que a usaram para conquistar o seu parceiro desejado (sobreviveu centenas de anos!). No vídeo em baixo poderão ter uma ideia de como se dançava… e depressa entenderão por que motivo o autor escolheu um título tão estranho para o seu livro.

Mais uma grande obra saída daquela que é considerada uma das melhores editoras portuguesas do momento: A Saída de Emergência, que já tem também a sua página no Facebook.

Pavana: Como se Dançava (dança do século XVI)

Imagem retirada daqui

domingo, outubro 17, 2010

Abracadabra!!!!

clip_image002 Nesta tarde esplendorosa de Domingo, encontro-me a ler um livro que tinha comprado há cerca de dois anos, e que foi ganhando pó nas prateleiras. Pois é, eu tenho este maldito vício: vejo um livro que me interessa e não resisto a comprá-lo, ainda por cima este, que estava em saldo na VOL. Talvez seja por isso mesmo que, ultimamente, ando a evitar livrarias a todo o custo e a visitar bibliotecas municipais com cada vez mais frequência: é que os tempos não estão para gastos – dizem os políticos – “supérfluos”. Mas como, felizmente, os livros não são como os papos-secos, não ganham bolor ao fim de seis horas e podemos guardá-los para uma outra altura.

A capa e o título cativaram-me: Carter Vence o Diabo, de Glen David Gold. Um ilusionista triunfante joga às cartas com um “mafarrico” muito pouco assustador, diga-se de passagem. Mas a capa reinventa muito bem os cartazes de antigamente, que retratam na perfeição as pessoas de há cem anos atrás: tão belos, tão ingénuos e tão inocentes. Porque este romance aborda um tema que é bastante fora do comum: Glen Gold decidiu escrever uma história centrada na vida incrível e fascinante de um ilusionista, história esta que tem lugar nos “loucos anos 20” do século passado, uma década em que se vivia uma obsessão por tudo o que fosse paranormal e mágico.

Obsessão, sim: na alvorada do século XX e da explosão da Ciência, o mundo de então andava numa de convidar espíritas, ler bolas de cristal, consultar tarólogas, e adorava falar de projecção astral, hipnotismo, fantasmas… Pois, quem é que não gosta de falar nisto? Mas talvez a diferença resida no facto de que os Americanos desse tempo acreditavam mesmo nestas coisas todas. Não, não era coisa de minoria, de maluquinhos, até os cientistas mais respeitáveis consultavam as cartomantes quando tinham dúvidas existenciais, e era chic termos um médium nas nossas vidas, à semelhança dos personal trainers de hoje. Não é, pois, de espantar que um mundo assim idolatrasse os mágicos e ilusionistas, uma espécie de pop stars daquela época.

Mas vamos ao que interessa: Carter, O Grande, sabe que o Presidente dos Estados Unidos da América faz tenções de não só ver o seu espectáculo, como também deseja participar num dos seus números. Por razões óbvias de segurança, todo um exército de guarda-costas quer inteirar-se do que irá acontecer no palco e, por uns breves minutos, o grande mágico e o Presidente ficam a sós, conversando. É durante esta troca de ideias que Harding lhe pede um conselho: se estivesse a par de um terrível segredo, seria capaz de o revelar a alguém? Carter fica intrigado e as confissões continuam. De momento nada será revelado ao leitor, mas de uma coisa ficamos a saber: os dois combinam um plano qualquer, que será do desconhecimento clip_image004da nação.

Quando chega o grande momento, o público assiste à morte de Harding no palco: o “diabo” mata o representante da nação, e pedaços do seu corpo vão caindo para o palco. Logo a seguir, um leão devora-os. Quando a sala começa a entrar em pânico absoluto, Carter abre o leão… e retira dele um presidente são e salvo, divertido e, ainda por cima, feliz! O público ovaciona os dois de pé.

Duas horas depois, Harding é encontrado morto.

Embora seja este o seu primeiro romance, Glen Gold escreve com muito talento, sentido de humor e ironia. Além disso, descreve com muita nitidez as mentalidades dos Americanos deste tempo. A título de exemplo, Carter, quando era criança, esteve quase para ser violado e morto juntamente com o seu irmão, e se não tivessem sido os truques de magia que ele andara há uns (abençoados!) dias atrás a treinar, não teria conseguido fugir do jardineiro, homem este contratado pelo seu próprio pai. Quando lhe contou o que se passou, ficou siderado por descobrir que o seu pai não só não acreditou na versão dos seus factos, como ainda por cima até achou muito bem que Jenks, o jardineiro, tivesse dado uma “lição de boas maneiras” aos seus petizes. Para o Sr. Carter, alguma coisa os seus filhos tinham feito para terem sido “castigados” pelo seu próprio jardineiro. Não o demitiu, pagou-lhe o salário do mês e ainda obrigou Carter e o seu irmão a pedirem-lhe desculpas pelo incómodo que lhe causaram.

Sem dúvida, eram mesmo outros tempos…

Por cá, o livro passou despercebido, mas vendeu milhões na Europa e nos Estados Unidos da América. Ainda restam alguns exemplares à venda na Amazon. Aproveitem!

Imagem retirada de:

http://www.goodreads.com/book/show/874028.Carter_Beats_the_Devil

http://www.goodreads.com/book/show/6323308-carter-vence-o-diabo

sábado, outubro 16, 2010

Mulheres Que Tentam Compreender Os Homens, Parte II

O Romance de Genji, de Murasaki Shikibu

clip_image001Considerada a Bíblia Literária do Japão (tem o mesmo valor que Os Lusíadas, para os Portugueses), custou muito aos Japoneses admitir que a sua maior obra-prima tenha sido escrita por uma mulher cortesã dos séculos XI e XX d.C..

Ao princípio, houve uma forte resistência para assumir este facto, e muitos afirmavam que o “belo sexo” era demasiadamente estúpido para conceber um romance tão belo e tão complexo. Todavia, estudiosos zelosos e apaixonados da obra não hesitaram em chamar a atenção para certos pormenores que comprovam o sexo do autor deste gigantesco épico. Para começar, os manuscritos originais estão escritos na linguagem Kananbugaku (imagem em baixo, à direita. Manuscrito preservado de um dos contos de Genji), uma espécie de escrita inventada pelas mulheres da Corte japonesa, e que não passa de uma imitação dos sons da fala. Com efeito, o sexo feminino estava proibido de ler e de escrever na “Língua Culta”, ou seja, uma língua fortemente influenciada pelo Mandarim e, por isso mesmo, eram muitas as palavras que elas desconheciam. Estavam autorizadas a falar uma linguagem vulgar e constituída apenas por palavras japonesas. Ora, se tivesse sido um homem a escrever o Romance de Genji, não só essa “Língua Superior” saltaria à vista como, melhor ainda, nem sequer teria sido transposto para uma escrita “reles”, que só o “mulherio” usava. Sabe-se também hoje que a parte final deste romance foi da autoria de várias pessoas, pois há uma enorme disparidade entre os estilos literários e até uma certa descontinuidade na própria história do livro.

O que há de mais extraordinário neste romance é o “olho de águia e ouvidos de raposa” que Murasaki deve ter tido, para escrever este colossal livro: as intrigas da Corte são uma constante e a nossa autora conhece muito bem os meandros da política, os joguinhos de poder, as guerras entre famílias feudais, a mentalidade masculina e os seus desejos clip_image003eróticos. Dir-se-ia que Shikibu levou a sua vida (cerca de cinquenta anos) a colar o ouvido às paredes do palácio, sequiosa de notícias e de “mexericos” imperiais. Mais ainda, a autora consegue mesmo sugerir muito subtilmente que muitas das intrigas sexuais e sensuais das personagens vêm detrás: da família do passado. A sexualidade neste romance está cheia de fantasmas e de assuntos que ficaram por resolver, algo que, diga-se de passagem, é bastante moderno para a época. Tivesse sido um homem, e Murasaki teria dado um excelente político. Mas como nasceu mulher, o mundo ganhou uma das maiores obras-primas da Literatura Mundial.

Outro factor a ter em conta é a forma como o tempo é tratado: ao contrário dos romances da época, os heróis e os vilões envelhecem e adoecem, uns mais devagar, outros mais depressa, tal como na vida real. São seres humanos: respiram, cheiram, choram, têm fraquezas e ataques de ira, amam e odeiam, os cabelos caem, as costas doem. Por fim, a vida do dia-a-dia também faz parte deste livro: come-se, bebe-se, dá-se um passeio, fala-se de coisas frívolas, sem importância. E, como o mundo stá cheio de milhares de seres humanos que se cruzam e interagem uns com os outros, O Romance de Genji está a abarrotar de centenas de personagens, o que torna a obra, ao princípio, bastante confusa para um leitor ocidental, acostumado àquilo que se chama a “economia da narrativa”.

Belo, esplendoroso, magistral, erótico, maquiavélico.

Nunca mais o mundo escreverá histórias como esta.

Imagem retirada de:

http://www.goodreads.com/book/show/6535924-o-romance-de-genji

http://classes.bnf.fr/dossisup/jpeg/3/124.jpg

sexta-feira, outubro 15, 2010

Mulheres Que Tentam Compreender Os Homens,Parte I

clip_image002 “Os homens falam de tudo, as mulheres só falam de mulheres”. Esta é uma das citações mais famosas do planeta, apesar de não sabermos quem é que a inventou. Porém, há um certo grãozito de verdade neste cliché: se procurarmos com muita atenção a nossa estante de livros, são bastante poucas as escritoras que se centram no universo masculino ou que fazem um esforço sequer para o tentar perceber, algo que, de facto, não acontece com os escritores, que falam muito da segunda metade da Humanidade e tentam sempre compreender a mente feminina.

Por que motivo as mulheres são assim? Terá sido o facto de, durante milénios, terem estado fechadas para o mundo exterior, e o melhor que hoje sabem fazer é falar do espaço feminino, de “cozinha e filhos”? Será que os homens são “básicos” e pouco interessantes, e por isso não vale a pena falarmos deles? Ou será que - dizem as más-línguas - elas não têm imaginação e criatividade suficientes para entenderem e descreverem “o outro lado”?

Polémicas à parte, deixamos aqui dois (raríssimos) exemplos de escritoras que não centraram a sua imaginação apenas no mundo feminino. Hoje, falaremos da obra de uma escritora portuguesa. Amanhã daremos a conhecer aos nossos leitores um dos maiores génios do Japão. Que, por acaso, usava saias.

Os Íntimos, de Inês Pedrosa

É o seu último romance e causou surpresa, espanto e excelentes críticas de quase tudo o que é jornal e blog. Sendo a típica escritora “que só fala de mulheres”, Inês Pedrosa (foto em cima) quis, desta vez, centrar o seu olhar no mundo dos homens e, por isso mesmo, todas as personagens desta história são masculinas. São cinco amigos que se juntam para falar de coisas “de macho”: Futebol, mulheres, profissões, carros. Serão os homens assim tão diferentes das mulheres, ou é tudo uma questão cultural, e nada mais?

clip_image003 Logo percebemos que esta intimidade masculina pouco ou nada tem a ver com a das mulheres. Estas gostam de se juntar para conversar, andam sempre em bando, confessam tudo, contam tudo às suas amigas, acreditam nessa coisa chamada “auto-estima”. Porém, como uma das personagens do livro nos diz, Um homem não tem de pedir que, por favor, lhe poupem a auto-estima. Um homem ri-se da palavra auto-estima. Auto-estima nem sequer é uma palavra: é um adereço, um postiço de salvação.

Os homens não precisam de falar, basta-lhes estar. Gostam de estar uns com os outros e de desfrutar da companhia dos seus amigos. O que não os torna mais estúpidos do que elas. Segundo as palavras da própria escritora, Interessava-me perceber porque há certo tipo de rituais exclusivos entre homens, como o dos encontros para ver um jogo de futebol no estádio ou num restaurante. Queria falar de uma cultura latina e marialva que está em extinção mas vai sobrevivendo e ser mais ousada na escrita, polir as frases, tirar-lhes o verniz e escrever sobre sexo de uma forma tão clara e crua quanto possível. O discurso dos homens ajudava.

Inesperado e ousado, este é um livro feminino que, desta vez, irá ser lido também por homens.

Imagens retiradas de:

http://vaocombate.blogs.sapo.pt/225535.html

http://www.saraivaconteudo.com.br/Artigo.aspx?id=345