quinta-feira, janeiro 14, 2010

Lição De Vida – O Inverno Entristece A Nossa Alma...

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Paisagens de Inverno

Passou o outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.


Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?


Ficai, cabelos dela, flutuando,
E, debaixo das águas fugidias,
Os seus olhos abertos e cismando...


Onde ides a correr, melancolias?
- E, refratadas, longamente ondeando,
As suas mãos translúcidas e frias...

in Clepsidra

Pintura de John Everett Millais, Ofélia

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Qual Foi A Maior Invenção Da Humanidade?

Em apenas vinte anos, o mundo mudou radicalmente: há vinte anos atrás não existia o Youtube, nem o Facebook, nem o Twitter, nem a Wikipedia, nem as escolas online, os quadros interactivos eram coisa de FBI e da CIA, os computadores portáteis eram dez vezes mais caros do que são agora, não era assim tão fácil espiar o vizinho do lado, a pen era um monstro gigantesco que só dava para armazenar 30 mb clip_image002de arquivos, o tele-trabalho era uma miragem de poucos, o DVD competia com a velhinha cassette de video.

Há vinte anos atrás, não se tinha descoberto ainda um par de óculos que nos permitisse restituir a visão a cegos, a guerra contra o cancro estava quase perdida, 120 exo-planetas ainda não tinham sido descobertos (e alguns deles, segundo vários cientistas, podem muito possivelmente abarcar algum tipo de vida), a existência da anti-matéria ainda não tinha sido provada em laboratório, o teletransporte era ficção-científica e não existia tal coisa chamada “efeitos especiais feitos em computador”. O computador caseiro era um luxo de poucos e o melhor mesmo é nem falar da internet e dos telemóveis. Nasciam os primeiros anti-vírus, o muro de Berlim tinha acabado de ser demolido, palavras como “aquecimento global” ou “reciclagem” só eram sussurradas por alguns loucos e cientistas, a Genética era um ramo da ciência que começava a ter impacto na vida de todos os seres humanos, a tvcabo era uma coisa que só existia “lá fora” (usavam-se antes as antenas parabólicas) e era um luxo de poucos. O Jaccuzzi era um capricho dos grandes abastados (ainda é, mas já não tanto), fumava-se em todos os lugares, inclusivamente nos autocarros e salas de aula (eu tive professores que fumavam na sala de aula!), os solários eram desconhecidos em Portugal, a Feira Popular ainda mexia...

Se continuarmos a pensar em todas as mudanças que ocorreram no mundo e no nosso país, no curtíssimo espaço de apenas vinte anos, nunca mais saímos daqui. Porém, fazendo um balanço geral, quais terão sido as 50 invenções que realmente mudaram a face deste planeta? O jornal Expresso aceitou este desafio tão difícil e fez a sua lista muito pessoal e subjectiva. Muitas destas descobertas/invenções são já um consenso geral: não nos passa pela cabeça não incluir nesta lista as invenções da roda ou da televisão ou da internet. O que torna esta síntese interessante é o grau de importância que todos nós damos a cada uma delas. O que marcou mais a Humanidade? A imprensa (imagem no cimo) ou o preservativo? O frigorífico ou a pilha? A electricidade ou o avião? A Agricultura ou a invenção do relógio solar?

Cada um tem a sua lista pessoal. E se me perguntarem qual foi a mais perfeita invenção do Homem, a minha resposta está pronta: o cão.

E tu? Se tivesses que escolher apenas uma, qual seria? Dá uma espreitadela à fotogaleria do Expresso.pt (http://aeiou.expresso.pt/50-invencoes-que-mudaram-a-nossa-vida=f554598) e vamos lá a ver se concordas ou não com as escolhas da equipa deste semanário.

Já agora, diverte-te com “As dez piores invenções do Homem”. A revista inglesa Focus realizou em 2007 um inquérito a mais de 4164 pessoas, perguntando-lhes qual teria sido a pior invenção da Humanidade, e alguns resultados foram, no mínimo, surpreendentes...

As dez piores invenções da Humanidade

Imagem retirada de:

http://blog.projetovida.com.br/up/p/pr/blog.projetovida.com.br/img/Buchdrucker_1568_ok.gif

terça-feira, janeiro 12, 2010

As estrelas Vieram e Encantaram!

clip_image002[6] Na sexta-feira passada, a nossa escola recebeu a visita do planetário móvel da Escola Secundária Diogo Gouveia. O objectivo consistia em ensinar a várias turmas, de uma forma divertida e pedagógica, a melhor maneira de encontrarmos as constelações no céu. Por fora, parecia um gigantesco iglo insuflado (para entramos no mesmo, tínhamos que o fazer de gatas, o que provocou muitos risos bem-dispostos entre todos os participantes). Mas, por dentro, um céu bem estrelado e límpido aguardava a chegada de todos. E nestes dias tão cheios de chuva e de cores cinzentas, soube bem matar saudades dos astros...

De início, o professor Luís Miranda explicou aos alunos presentes a razão porque algumas constelações se chamam Cassiopeia ou Orion, ou por que motivo os nossos horóscopos incluem figuras como o Capricórnio, os Gémeos, Balança ou Peixes, em vez do Galo, do Cão, do Rato ou do Dragão, típicos do horóscopo chinês. Ficámos todos a saber que todas estas personagens astrais foram imaginadas pela antiga Civilização Grega.

 

clip_image004 Como era de se esperar, todas estas figuras apresentam uma lenda, e cerca de vinte minutos foram bem passados a ouvir histórias engraçadas dos deuses do Olimpo, as suas brigas, vinganças, “espertezas saloias”, paixonetas e eternas guerras. Quando finalmente as histórias mais conhecidas foram relatadas, passou-se ao “teste de avaliação”: olhando para o céu estrelado (que, por fora, nada mais era do que uma bola de plástico), perguntou-se aos alunos se conseguiam detectar as várias constelações, desta vez sem a ajuda de desenhos. Quase todos passaram o teste e muitos ainda se lembravam onde estava o cão Sirius, companheiro de Orion ou onde estava o seu signo.

O sucesso desta actividade promovida pelo Plano Nacional de Leitura foi tão grande que vários professores do Secundário, que não tiveram oportunidade de assistir a este evento, pediram um segundo round. Se a tua turma não foi contemplada desta, pede ao teu professor para que inscreva os teus colegas da próxima vez!

E, já agora, por que motivo o horóscopo chinês é tão diferente do nosso? Reza a lenda que Buda, um dia, convidou todos os animais deste planeta para festejarem a chegada de doze meses novinhos em folha. No entanto, só apareceram doze. Por isso mesmo, em agradecimento pela boa vontade destes “amigos não-humanos”, baptizou cada novo ano com o nome de cada um deles...planeta

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Livro Da Semana

A Mecânica do Coração, de Mathias Malzieu

São cada vez mais as obras do Género Fantástico que apostam num tema muito peculiar: as máquinas e engenhocas mágicas, que rivalizam com os sentimentos humanos ou transformam o Homem num ser muito mais especial e mais completo. Tanto na história A Cidade das Sombras, de Jeanne Duprau, como na sequela Túneis, de Roderick Gordon e Brian Williams, sociedades debaixo da terra dependem exclusivamente das máquinas para sobreviver. E estas engenhocas milagrosas conseguem a proeza de criarem condições de vida fabulosas e são o produto da imaginação de homens e mulheres geniais. Já o lindíssimo livclip_image002ro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick, narra-nos a história de uma criança fascinada por relógios e, durante um dos seus passeios habituais, encontra uma máquina muito especial: um autómato/robot avariado, sentado ao pé de uma mesa, e que precisa de “voltar a viver” para escrever uma mensagem importante num papel que está à sua frente. No jogo de computador Syberia, a heroína passeia em cidades mecanizadas, perdidas em desertos de gelo e quase desertas. E até na literatura Tim Burton brinca com o leitor, inventando crianças que são meio-ostras, meio-robots. Todos estes universos reflectem um século XXI em constante, acelerada e esquizofrénica mudança, um mundo que nos torna cada vez menos “humanos” e cada vez mais mecanizados ou “transformados” em algo “transgénico” ou “clonado”.

O nosso livro da semana segue precisamente esta temática: poderá um coração de metal suportar as dores e as alegrias do Amor num ser humano? Até que ponto estamos nós dispostos a aceitar o nosso lado emocional, mesmo que este destrua a nossa saúde e, talvez, a própria vida? Eis uma questão bastante importante no nosso século, se pensarmos que vivemos num mundo onde as pessoas se refugiam cada vez mais na realidade virtual, pois esta faz-nos sofrer menos do que a realidade concreta que nos rodeia. Fugimos da vida porque esta nos magoa cada vez mais, pensamos muito ingenuamente que assim seremos mais felizes e, ironicamente, continuamos frustrados e descontentes com a nossa existência.

A história começa na cidade de Edimburgo, em 1874, no dia mais frio que os habitantes alguma vez na vida conheceram. A descrição deste dia é de uma poesia surpreendente: As árvores parecem grandes fadas em camisa de noite, dançando de braços abertos à luz do luar () os pássaros gelam em pleno voo antes de se esmagarem no solo. O barulho que fazem ao cair é incrivelmente suave, nem parece um som de morte. Ora, é precisamente nesse dia que uma criança chamada Jack nasce. E o frio é de tal forma frio que o pobre bebé nasce com o seu coração totalmente congelado. Em desespero de causa, a parteira da cidade (que tem a fama de ser bruxa) consegue salvar a vida deste menino, introduzindo-lhe um relógio de madeira no seu coração.

O menino, graças à inteligência e engenho da parteira, consegue sobreviver. Porém, nunca será uma criança igual às outras: não pode chorar, não pode rir, não pode sentir raiva, não pode sentir rancor, não pode sentir stress, desgosto, euforia, nada. Eis o preço a pagar pela sobrevivência: deixar de ser humano. Mas… será que podemos mesmo desistir da nossa Humanidade? Entretanto, Jack cresce, torna-se adolescente e apaixona-se por uma linda cantora de rua. E é bom que o nosso herói se prepare: o amor é um sentimento que tanto nos pode levar ao Céu como nos pode levar ao Inferno…

Viver é o mesmo que durar? Já Fernando Pessoa tinha colocado esta questão a si mesmo e a todos os heterónimos que foi inventando. O que é que nos torna, afinal, humanos? Onde é que acaba a máquina biológica que é o nosso corpo e começa esta entidade chamada “alma”? E a alma existe?

Escrito numa atmosfera muito “Tim Burtoniana”, esta é uma história que fará as delícias de todos os amantes da boa literatura.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Amanhã As Estrelas Descerão À Escola!

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O Planetário móvel da Escola Secundária Diogo Gouveia fará amanhã uma visita à nossa escola e sete turmas terão o prazer de receber uma bela lição de Astronomia, a partir das dez da manhã. Se o espaço o permitir, será realizada na nossa biblioteca.

E a propósito desta actividade planeada pelo Plano Nacional de Leitura, deixamos-te aqui uma belíssima canção de Jorge Palma, de nome Estrela do Mar. Neste poema, este belo ser marinho representa a Eternidade, o Amor e a Liberdade.

Porque as estrelas são também amigas da poesia…

Imagem retirada de:

http://simples-devaneios.blogspot.com/2009/02/descritos-pelas-estrelas.html

Jorge Palma – Estrela do Mar

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Balanço Do Primeiro Período

O tempo passa realmente muito depressa: parece que foi ontem que o ano lectivo começou! Passados cerca de três meses, que balanço geral podemos fazer do empenho, esforço e trabalho das equipas da Biblioteca, Centro de clip_image002Recursos e Plano Nacional de Leitura?

Para começar, vários projectos e actividades que fizeram sucesso no ano transacto continuaram a ter “pés para andar” como, por exemplo, o nosso blog, que se mantém fiel à sua imagem e personalidade. O nosso cantinho persiste em publicar vários artigos e textos que tentem agradar a alunos, professores, pais e funcionários da escola. Desde novidades musicais até artigos de opinião; desde histórias de fotos que mudaram o mundo, até textos sobre Ciência; desde críticas de filmes a sugestões de livros; tudo isto tem enriquecido o nosso espaço digital e tem criado um público fiel. Por fim, temos valorizado sempre o trabalho dos nossos alunos e professores.

clip_image004O Livro da Semana, bem como a Estante do Mês são apostas que criaram raízes e a nossa comunidade escolar já adquiriu o hábito de consultar nos locais próprios as novidades do momento. Mais ainda, os responsáveis pela biblioteca e Plano Nacional de Leitura já foram chamados, a pedido dos directores de turma, às suas turmas para darem uma pequena “palestra”, e estas sessões tiveram como objectivo motivar os alunos para o gosto da leitura. Foi o caso da turma B do sétimo ano, que em Outubro recebeu a visita da coordenadora do Plano Nacional de Leitura, com o objectivo de dar sugestões de várias obras literárias e não literárias aos discentes. A mesma professora acompanhou-os também à Biblioteca da Câmara Municipal durante a última semana de aulas, de forma a ajudá-los a escolher o seu livro de férias, e teve o apoio das funcionárias deste estabelecimento municipal. Resta salientar que este apoio personalizado é realizado todos os dias, pois são vários os alunos oriundos de várias turmas que nos vêm pedir conselhos de obras literárias, a propósito da actividade Contrato de Leitura, exigida nas disciplinas de Língua Portuguesa ou estrangeira.

clip_image006 À semelhança do ano passado, a biblioteca tem ido sempre ao encontro das necessidades e pedidos dos vários docentes desta escola. Por isso mesmo, a biblioteca está sempre em fase de actualização, graças à aquisição de novos livros e de novos DVDs. Neste momento, estamos empenhados em alargar a escolha de filmes, séries de televisão e de documentários que possam preencher as necessidades e gostos da nossa comunidade escolar.

Ao longo deste período, a equipa da biblioteca/Centro de Recursos recorreu também a um serviço de newsletter: diariamente, a Comunidade Escolar tem recebido via mail as novidades do dia ou da semana. Assim, muitos têm-se mantido a par dos nossos projectos e sugestões. Para além desta actividade, recorremos também a um constante serviço personalizado, auxiliando sempre todos os alunos e professores que necessitem de um apoio relacionado com as novas tecnologias. Esta ajuda tem sido sempre efectuada pelo coordenador da Biblioteca José Filipe e pela professora Carmen Cruz.

clip_image008 Outras actividades planeadas foram cumpridas: para além da já tradicional Feira do Livro, que teve como sempre uma boa adesão, efectuada na última semana de aulas do primeiro período, também foi comemorado o Halloween. A biblioteca foi decorada pelos alunos das turmas A e B do oitavo ano e foi feita uma pequena festa para toda a comunidade escolar. Estiveram presentes os pais dos alunos, responsáveis pelo Plano Nacional de Leitura e equipa da Biblioteca Escolar, foram lidos contos de terror elaborados pelos membros das duas turmas, tendo sido premiados os três melhores. Quanto à actividade As Estrelas Desceram À Escola, esta foi adiada por motivo de doença do professor responsável. Assim, estas sessões serão realizadas já na próxima sexta-feira, 8 de Janeiro, no período da manhã.

clip_image010 Foi realizada uma exposição, no âmbito da comemoração dos 50 anos de Astérix. Esta actividade foi feita e montada pela turma A do 9º ano e foi da responsabilidade da professora Maria João Brasão.

Durante o período passado, têm sido efectuadas reuniões entre os projectos Eco-Escolas, Educação Para a Saúde e Clube das Artes, existentes na nossa escola. Tais contactos são necessários, uma vez que a Semana da Adolescência está programada para o segundo período, bem como a Semana da Leitura e vários projectos relacionados com a disciplina de Ciências Naturais e Geografia, a propósito do Ano da Biodiversidade. Encontram-se também planeadas sessões com a Seguranet, o Centro de Saúde de Serpa e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Por fim, o Departamento de Línguas tenciona reabrir o Clube das Línguas e trabalhará em conjunto com a Biblioteca Escolar e o Plano Nacional de Leitura, através da actividade Dois Dedos de Conversa.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Bibliomúsica

Foram considerados pelo jornal Público e pelo semanário Expresso como tendo sido uma das bandas que criou um dos melhores álbuns do ano. E digam lá se não sentem aqui um cheirinho a Genesis em início de carreira…

Animal Collective – In the Flowers

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Livro Da Semana

1808, de Laurentino Gomes

É mesmo caso para dizermos: contado, ninguém acredita. clip_image002Esta história – que é verdadeira – mais parece uma novela mexicana ou, melhor ainda, um filme de Emir Kusturica repleto de gangsters, caos generalizado, corrupção, muitas gargalhadas, luxo a escorrer pelas quatro paredes de uma casa e tiros por todos os lados. E, no entanto, voltamos a dizê-lo, esta história é verdadeira.

A começar pela própria Família Real: D. João VI era um homem cobarde, eternamente indeciso, preguiçoso, cheio de manias e de “picuinhices”, não se lavava, a sua roupa estava tão suja e sebosa que se parecia mais com um mendigo do que com um rei e fartava-se de comer a partir do momento em que saía da cama. A rainha, Carlota Joaquina era inteligente, hiperactiva, irascível, tinha a mania das grandezas, adorava o luxo e o dinheiro, era traidora (conspirou cinco vezes contra o próprio marido) e violenta. Quanto à mãe de D. João… bem, essa era louca varrida, de tal forma que foi dada como interdita e quem governava (supostamente…) Portugal era o “príncipe regente”, ou seja, D. João.

Ora, no ano de 1807, Napoleão decide fazer um ultimato a Portugal: ou a Família Real portuguesa entrega-lhe o comando do país e ajoelha-se perante o seu poder, ou a Dinastia de Bragança terminará os seus dias. clip_image004Já do outro lado, a Coroa Inglesa promete que irá proteger D. João VI… desde que obedeça aos seus desejos. Pois bem: que fez o nosso corajoso e bravo rei? Como diz o povo na sua infinita sabedoria, “deu de frosques” para o Brasil. Vocês bem podem imaginar a total estupefacção do povo português, quando viu dezenas de naus carregadas de livros, comida, dinheiro, jóias e toda a família Real e Corte pisgarem-se de mansinho, pela calada, com uma rainha louca a dizer a verdade aos berros, diante da multidão atarantada: “não andem tão depressa, que assim eles pensam que nós estamos a fugir!”. A pressa de sair de Portugal foi tal que centenas de malas, carregadas de livros e de jóias, ficaram no porto, para grande satisfação dos invasores franceses. O nosso rei era Absolutista, isto é, todo o poder do país estava nas suas mãos, e sem ele, Portugal pararia. Concluindo: na manhã de 29 de Novembro de 1807, os Portugueses foram literalmente “abandonados às feras” e, sozinhos, tiveram que se desenvencilhar como podiam.

Como é que é possível que um rei tão cobarde, tão indeciso e tão preguiçoso tenha sido uma peça-chave indispensável na criação desta gigantesca nação que hoje conhecemos pelo nome de “Brasil”? É que, vendo bem as coisas, se D. João VI foi um péssimo rei português, por outro lado foi um excelente governador nas terras do Samba: em apenas dez anos, o Brasil deixou de ser um amontoado de colónias pré-históricas e miseráveis e passou a ser uma nação com capacidades para tomar conta de si mesma e de se tornar independente (e como nós bem o sabemos, foi isso mesmo que aconteceu). Odiado – e com toda a razão! – pelos Portugueses, D. João foi muito amado e muito respeitado pelos Brasileiros. Construiu escolas, hospitais, pavimentou ruas e casas, instituiu normas de higiene e de saneamento básico, abriu universidades, abriu as portas para o mundo das Ciências e das Artes (pelo menos, tentou…) criou frotas brasileiras, introduziu o tão desejado comércio nacional (esta colónia estava proibida de pclip_image006roduzir o que quer que fosse…), abriu um banco e introduziu pela primeira vez a moeda brasileira, etc, etc, etc.

Cobarde ou “espertalhão”? Raposa manhosa ou “medricas”? Bom rei ou mau rei? Só lendo o livro é que chegamos às nossas próprias conclusões. É que ainda hoje esta personagem histórica é polémica. Esta Edição Juvenil Ilustrada (poderão comprar a versão oficial e mais detalhada em qualquer livraria do país) é soberbamente divertida, de rir até às lágrimas, e está deliciosamente ilustrada. Laurentino Gomes descreve com mestria a viagem da família real por via marítima durante mais de dois meses (imperdível!), o Rio de Janeiro de então, os costumes e o caos de uma cidade que, antes de D. João, era quase uma mata abandonada, à mercê da sujidade, da criminalidade e dependendo da mão-de-obra escrava (um em cada três brasileiros era um “objecto” e não um ser humano). Escrito por um brasileiro, este livro pretende ser uma homenagem a um rei cobarde que criou, numa simples década, um país inteiro e deu-lhe “pernas para andar”.

Lá que este episódio histórico é muito estranho, ninguém o nega. De qualquer forma, Napoleão Bonaparte, antes de morrer, escreveu nas suas Memórias, referindo-se a D. João VI: foi o único que me enganou.

E isto já nos diz alguma coisa.

domingo, dezembro 20, 2009

Tudo Começa Em Casa

No mês de Julho deste ano, o governo mexicano decidiu criar uma campanha pela Honestidade. Mostramos aqui o anúncio, que não só devia ser visto por todos os portugueses como, ainda por cima, este é a época certa para ser exibido.

Decidimos também dar-vos a conhecer outra campanha, que tem como objectivo mostrar aos pais que aquilo que fizerem, será imitado pelos seus próprios filhos.

Vejam e pensem.

Mês da Honestidade (México)

As Crianças vêm, as crianças fazem (Children See, Children Do)

 

sexta-feira, dezembro 18, 2009

UUpsss!!!! Desta Vez, Tenho Mesmo Que Ir Ao Cinema!

clip_image002Desta vez é que os hackers dos quatro cantos deste planeta foram tramados: ou a malta vai mesmo ao cinema ou nada feito. E se a má qualidade das cópias piratas do Harry Potter e companhia já criam pesadelos aos verdadeiros amantes da sétima arte, agora imaginem ver o filme Avatar, do realizador James Cameron, nestas condições. É que este projecto megalómano (como aliás, são todos os projectos de James Cameron…) conta com um trunfo que há já muito tempo não era utilizado: a técnica 3D. Para quem não sabe (será possível???), o filme é visto através de uns óculos especiais. Estes criam no espectador a sensação de termos entrado no filme ou, no mínimo, parece que as personagens da história vão saltar do ecrã a qualquer momento, parece que as naves espaciais vão de encontro a nós… Enfim, não é a monotonia do ecrã 2D dos nossos computadores. Blue Ray, rói-te de inveja!

“Oh, grande coisa”, pensarão vocês, “eu já vi filmes a 3D”. Certo, têm toda a razão. Porém, é a primeira vez que esta técnica é utilizada num “filme sério”, isto é, um filme de série A. Não se trata de um simplório filme de terror (série B) ou de um desenho animado, para alegrar a pequenada. Além disso, a tecnologia a três dimensões sofreu progressos extraordinários. Já estamos longe dos tais rectângulos vermelho e verde que, ao fim de 20 minutos, criavam uma monumental dor de cabeça ao espectador. Avatar é um longo melodrama espacial ou, como o próprio realizador afirma, “É uma história de amor, nada mais” (se queres conhecer a bonita e muito ecológica história deste filme, clica no link abaixo indicado: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1449316).

A indústria do cinema está cada vez mais assustada com o crescimento astronómico dos downloads piratas, e estes maus hábitos das gerações mais jovens estão a levar a indústria da “sétima arte” à bancarrota. O cinema é uma arte estupidamente cara e, por detrás das faces sorridentes dos actores, existe um verdadeiro exército de câmaras, efeitos especiais e de luzes, banda sonora, montagem, direcção, cenários, cozinheiros, cabeleireiros, profissionais de maquilhagem, pessoal de hotelaria, etc, etc, etc. São, no mínimo, centenas de salários para pagar. Ora, se as pessoas não vão ao cinema, quem é que vai pagar a toda esta boa gente? Por isso mesmo, Avatar é olhado com muita expectativa: se gerar bons resultados de bilheteira, pode ser “a salvação” da sétima arte.

clip_image004Desta vez, apostou-se na técnica 3D para aliciar as multidões às salas de cinema. E parece que está a resultar: os que já viram ficaram tão deslumbrados com os efeitos especiais que têm andado a “passar palavra” uns aos outros. E quando falamos de “efeitos especiais”, é bom salientarmos que quem está por detrás dos mesmos é a lendária Weta Digital, a extraordinária companhia neo-zelandesa que deu vida à saga do Senhor dos Anéis. Portanto, estamos a falar de verdadeiros profissionais, que sabem muito bem o que estão a fazer.

Avatar é uma história de amor com ficção científica à mistura. Uma história de amor entre um humano paraplégico e uma extra-terrestre. Dá para agradar aos dois sexos: as meninas ficam contentes com os beijinhos e o sentimentalismo, os meninos deliram com os voos das naves espaciais e da bem conseguida acção. James Cameron não tem vergonha nenhuma de admitir que a sua verdadeira inspiração está nos grandes clássicos do Cinema: Casablanca, O Crepúsculo dos Deuses, Citizen Kane. No fim, utiliza as velhas técnicas de filmar de sempre, para criar um universo só seu. Com muita acção, heróis dispostos a morrer por nós e muito romance à mistura. James Cameron é o típico cidadão americano: um “cowboy durão” com um gigantesco coração de manteiga.

E não é assim que a vida devia ser?

Imagens retiradas de:

http://images.google.pt/url?source=imgres&ct=ref&q=http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/avatar-caixa-pandora-519494.shtml&usg=AFQjCNG4D0TNBNegb4hNWMHsHU2b9yXbTw

http://images.google.pt/url?source=imgres&ct=ref&q=http://www.fmanha.com.br/blogs/fabioabud/%3Fp%3D1434&usg=AFQjCNG6AA-xnTlRRumvPr1eSNcEYkylcw

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Os Jovens Falam

O tempo não volta atrás

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O tempo passa cada vez mais depressa,

Ninguém o consegue parar.

Pessoas passam pela nossa vida

Sem olhar para trás.

Mas o que podemos fazer?

A saudade fica

Mas o tempo não volta atrás.

Existem palavras que não devemos dizer,

Que devem ficar apenas para nós,

Mas para quê?clip_image004

Se o tempo não volta atrás.

Este brilho nos meus olhos e dessas pessoas

Este brilho nos meus olhos

São as lágrimas que guardo dentro de mim,

A desejar que o tempo volte atrás.

Por vezes, fingimos ser

O que não somos,

Dizemos o que a nossa cabeça pensa

Mas não o que o nosso coração sente.

Mas para quê?

Se o tempo não volta atrás…

De: Ana Borralho

Imagens retiradas de:

http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/as-time-goes-by.jpg

http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/75/1288tempo.jpg

A Propósito de Tempo, eis duas excelentes música sobre este tema:

Pink Floyd – Time (legendado)

Pink Floyd – Eclipse (legendado)

terça-feira, dezembro 15, 2009

Fotos Que Mudaram O Mundo

 

O Primeiro 11 de Setembro

clip_image001 Estávamos no ano de 1911. Enquanto o gigantesco Titanic estava a ser construído na Irlanda, para futuro (e fatal!) entretenimento dos ricos, as classes pobres trabalhavam em condições sub-humanas, amontoadas em armazéns e edifícios de pedra, lixo, ratos e paredes a cair aos bocados, espaços estes conhecidos pelo nome requintado de “fábricas” ou “Companhias”.

Um dos grupos mais discriminados de todos era, como não podia deixar de ser, o das mulheres. Particularmente o das mulheres imigrantes. Trabalhando duas vezes mais do que os homens e ganhando duas vezes menos do que eles, ainda por cima eram fechadas à chave nas fábricas, não fossem cometer o horrível pecado de saírem cinco minutos para irem à casa de banho ou roubarem algum material dos patrões. A “cela” destas infelizes residia no nono andar.

Mas nem pensem que as vítimas eram só as mulheres: nestas “fábricas” também trabalhavam muitos homens, quase todos ligados às manutenções das máquinas.

Quando no dia 25 de Março a firma Triangle Shirtwaist Company, uma firma de têxteis, sofreu um violento incêndio, o destino destes pobres escravos estava selado: em apenas meia hora, 146 morreram carbonizados, asfixiados ou morreram por se atirarem das janelas do edifício. Quase todos eles eram do sexo feminino… As tais mulheres, que estavam trancadas no nono andar, e que só se aperceberam das chamas quando já era tarde demais.

De início, os vizinhos, ao verem vultos que se pareciam com peças de roupa “a voarem” do edifício, pensaram que os donos da firma estavam a atirar os seus produtos de melhor qualidade pelas janelas, de forma a minimizarem os danos financeiros. Porém, depressa compreenderam que não se tratava de roupas: eram mulheres e homens que saltavam das janelas, tentando fugir do fogo, e vários despediram-se uns dos outros com um beijo. Uma vez já livres de perigo, esperaram ansiosamente que os restantes familiares ou amigos conseguissem livrar-se da morte.

Segundo rezam os jornais da época, a multidão estava em estado de choque: as mulheres estavam histéricas, várias desmaiavam e os homens choravam enquanto, frenéticos, gritavam contra a fila de polícias. Foram imensas as testemunhas que clip_image003assistiram apavoradas a mulheres que, do altíssimo nono andar, olhavam para baixo e atiravam-se, transformando-se em segundos numa poça de sangue. Sem cerimónias, as vítimas eram enfiadas em caixões à frente de toda a gente (ver segunda foto).

O espectáculo foi tão terrível e causou um impacto tão profundo na cidade de Nova Iorque, que depressa o Congresso Americano aprovou uma série de medidas de segurança no local de trabalho. Uma delas, entre muitas, ficou para a História: em todos os edifícios deve haver sempre uma porta de emergência e esta nunca deve estar fechada. Foi graças a estas leis eficazes que a mortalidade dos trabalhadores desceu em Nova Iorque.

Esta cidade só voltaria a assistir a um espectáculo tão assustador no dia 11 de Setembro de 2001.

Se quiseres saber mais deste trágico episódio da História, clica no seguinte link:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Inc%C3%AAndio_na_f%C3%A1brica_da_Triangle_Shirtwaist

Imagens Retiradas de:

http://digitaljournalist.org/issue0309/lm24.html

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Triangle_Shirtwaist_coffins.jpg

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Os Quinze Mandamentos Dos Índios Americanos

Todos os povos dos quatro cantos da terra têm os seus dez mandamentos. No clip_image002entanto, é interessante notarmos que os índios americanos possuem uma outra maneira de ver as coisas. De facto, ao lermos as suas regras de boa conduta neste planeta, reparamos em três aspectos que diferem e bem do Antigo Testamento: em primeiro lugar, estes mandamentos não são ordens, são conselhos. O tom é optimista, positivo. Os índios acreditavam (e acreditam) que a Humanidade não precisa de um chicote para aprender a ser boa. Reparem que a palavra não é evitada o mais possível; em segundo lugar, dá-se relevância ao crescimento interior do próprio indivíduo. Este deve respeitar o grupo mas continua a ser um ser humano com ideias próprias e uma personalidade única; por fim, a Mãe Natureza faz parte da nossa existência e sem ela não somos nada nem ninguém.

E depois eles é que eram os selvagens…

Código de Ética dos Índios Americanos

1-Levante com o Sol para orar.clip_image004
Ore sozinho. Ore com frequência.
O Grande Espírito o escutará, se você ao menos falar.

2-Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho.
A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza,
originam-se de uma alma perdida.

Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

3-Procure conhecer-se por si mesmo.
Não permita que outros façam seu caminho por você.
É sua estrada e somente sua.
Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você
.

4-Trate os convidados em seu lar com muita consideração.clip_image006
Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama
e trate-os com respeito e honra.

5-Não tome o que não é seu.
Seja de uma pessoa, da comunidade,
da natureza, ou da cultura.
Se não lhe foi dado, não é seu.

6-Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra.
Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas.

7-Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite.
Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

Nunca fale dos outros de uma maneira má.
A energia negativa que você colocar para fora no universo,
voltará multiplicada a clip_image008você.

Todas as pessoas cometem erros.

E todos os erros podem ser perdoados.

8-Pensamentos maus causam doenças da mente,
do corpo e do espírito.
Pratique o optimismo.

9-A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós.
Toda a natureza faz parte da nossa família Terrena.

As crianças são as sementes do nosso futuro.
Plante amor nos seus corações e regue com sabedoria e lições da vida.
Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

10-Evite machucar os corações das pessoas.
O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

11-Seja sincero e verdadeiro em todas as situações.
A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.

12-Mantenha-se equilibrado. Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental,
seu corpo Emocional e seu corpo Físico:
todos necessitam de ser fortes, puros e saudáveis.
Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental.
Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.

13-Comece sendo verdadeiro consigo mesmo.clip_image010
Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

14-Respeite outras crenças religiosas.
Não force suas crenças sobre os outros.

15-Compartilhe sua boa fortuna com os outros.
Participe com caridade.

CONSELHO INDÍGENA INTER-TRIBAL NORTE AMERICANO
Deste conselho participaram as seguintes tribos : Cherokee Blackfoot, Cherokee,
Lumbee Tribe, Comanche, Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora,
Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana)

Imagens Retiradas de:

http://www.google.pt/url?source=imgres&ct=ref&q=http://www.elianepotiguara.org.br/noticia35.html&usg=AFQjCNHQ3YKJihspdtRKgbo3gIU-wN6flw

http://images.google.pt/url?source=imgres&ct=ref&q=http://www.pbaesse.net/2008/02/10/uma-maneira-diferente-de-encarar-a-vida/&usg=AFQjCNGwpno2L0tKiIqGdXCwOD62Pd2gEA

http://images.google.pt/url?source=imgres&ct=ref&q=http://mariaselmadr.blogspot.com/2009/03/1-levante-com-o-sol-para-orar.html&usg=AFQjCNHCqSfUysf4fZjHPeAq0deIE1iHNg

http://images.google.pt/url?source=imgres&ct=ref&q=http://www.mongolia-web.com/culture-%26-history/1124-american-indian-exhibit-to-be-seen-in-mongolia&usg=AFQjCNGkOWtyVQ0pdrYKjJLa4RlfUgwhUA

domingo, dezembro 13, 2009

Livro Da Semana

 

A Missão de Az Gabrielson, de Jay Amory (Livro Primeiro)

Lembram-se da loucura do Código Da Vinci? Não podíamos entrar numa livraria clip_image002sem tropeçarmos numa “Teoria da Conspiração” qualquer. Ou era uma ordem secreta que queria matar o papa; ou era um pergaminho encontrado num deserto e que “matava” todos aqueles que lhe davam uma espreitadela; ou era uma relíquia sagrada encontrada pelos Cruzados, que passava de mão em mão, e que “matava” toda a gente; etc, etc, etc.

Lembram-se do Marley e Eu? Não podíamos entrar numa livraria sem tropeçarmos numa história qualquer, que falasse de um gato, de um cão, de um papagaio, de um hamster, de um porquinho-da-índia, todos eles animaizinhos prodigiosos que se agarravam ao dono e, num estilo muito “ecologista” ou “anti-aquecimento global”, glorificavam os serezinhos nossos amigos, levando-nos a concluir, à maneira de um fã da Greenpeace, que a Natureza deve ser preservada e acarinhada.

Agora estamos na fase dos vampiros. Adeus aos nossos amigos de quatro patas e adeus aos pergaminhos desaparecidos. Não podemos entrar numa livraria sem tropeçarmos num gajo “bom como o milho” que gosta de cravar dentinhos nos delicados pescocinhos das virgens angélicas. Consoante o autor, são maus como as cobras ou são uns incompreendidos pela sociedade do século XXI. E mesmo aqueles que sempre adoraram o mito do vampiro (que é o meu caso) já não têm paciência para esta histeria colectiva. Como dizem os nossos avozinhos, não há fome que não dê em fartura.

Desta vez vamos ser diferentes: em vez de gatos e de cães, teorias da conspiração e de vampiros, vamos falar de… anjos. Não só é mais original como, ainda por cima, estamos na época certa para falarmos deles. Mas se vocês pensam que já leram tudo o que havia para ler sobre este tema, preparem-se para a surpresa: estes anjos não são nada tradicionais.

Segundo Jay Amory, o autor deste livro, os anjos são exactamente iguais a nós. Em tempos que já lá vão, e de que nós já nos recordamos, teve lugar uma catástrofe. Vários seres humanos alados, para fugirem às nuvens negras (pela descrição, podemos perceber que houve provavelmente uma catástrofe nuclear ou uma repentina e violenta mudança climática), esta gente construiu toda uma civilização nos ares. A Humanidade ficou, assim, dividida em duas: Os Alados, que moram nos céus, e os Terrenos, que moram no planeta Terra. A partir daí, não houve praticamente nenhum contacto entre as duas espécies. Os Alados sentem-se seres superiores e, através dos elevadores mecânicos que descem à terra (que têm como único objectivo abastecer a cidade de cima de comida) arrecadam o seu alimento e dedicam-se a coisas mais dignas da sua casta como, por exemplo, compor poesia, música, filosofar, etc. Os Terrenos só servem para os sustentar. Mais nada.

Ora, um dia as coisas começam a correr mal: os antiquíssimos elevadores mecânicos começam finalmente a dar de si, o que quer dizer que a sociedade dos Alados, sem comida, arrisca-se a desaparecer para sempre. Pior ainda, começam a chegar vazios…Quem irá, então, resolver este problema?

A tarefa de reparar este assunto bicudo é dada a Az Gabrielson, um anjo que… nasceu sem asas. É através desta personagem que nós nos apercebemos o quanto estes humanos alados são iguais a nós: apesar de muito amado e respeitado pelos seus pais e irmão, Az é sistematicamente gozado e humilhado pelos seus colegas de escola e pela restante sociedade. Mas uma criança vítima de Bullying constante só tem duas opções: ou passa a ter ódio a si mesma ou aprende a ser forte e a dar-se ao respeito. Az optou pela segunda hipótese. Por não ter asas e por ser um rapaz determinado, os membros do seu “governo” confiam-lhe uma missão secreta, que convém não ser do conhecimento do povo: descer à Terra, saber o que se passa com os elevadores de abastecimento e tentar, se possível, resolver o problema. Ora, Az sempre teve curiosidade de conhecer os Terrenos que, como ele, não podem voar. A nossa personagem sente, pois, um enorme fascínio e empatia por estes humanos que nunca teve oportunidade de conhecer…

A partir daqui, não diremos mais nada. Leiam o livro, que vale a pena. Segundo Rui Pedro Baptista (autor do site Bela Lugosi is Dead, um site dedicado exclusivamente à literatura fantástica: http://belalugosiisdead.blogspot.com/) A escrita do livro é extremamente fluida e fácil de ler. É aquele tipo de livro que nos prende de uma maneira subtil, mas bastante forte, que não nos deixa largá-lo até estar terminado. O autor teve uma ideia brilhante e conseguiu desenvolvê-la bem. A descrição das cidades e dos mecanismos faz-nos entrar naquele mundo e tentar imaginar ao máximo como ele será.

Divirtam-se!

sábado, dezembro 12, 2009

Ler Devia Ser Proibido!

Pensando a respeito, eu acho que ler devia ser proibido. (…) ler não é nada bom. A leitura nos torna clip_image002incapazes de suportar a realidade. A leitura tira o homem de sua vida pacata e o transporta a lugares nada convencionais. Para a criança o perigo é ainda maior porque ela pode crescer inconformada com os problemas do mundo e querer até mudá-lo. Dá para imaginar? E tem outra coisa: ler pode estimular a criatividade e você não quer uma criancinha bancando o geniozinho por aí, quer? Além disso, a leitura pode tornar o homem mais consciente e ia ser uma confusão se todo mundo resolvesse exigir o que merece! Nada de vagar pelos caminhos da imaginação simplesmente porque leu um bom livro. (…) Quer um conselho? Silêncio! Ler só serve aos sonhadores e sua vida não é uma brincadeira. Cuidado! Ler pode tornar as pessoas perigosamente mais humanas.

E foi com este discurso absolutamente genial que a Universidade de Salvador (Brasil) começou a sua campanha de incentivo à leitura (vejam o anúncio em baixo). O texto é de Guiomar de Grammon e mostra o quanto os livros nos podem fazer bem: tornam-nos mais inteligentes, mais criativos, mais conscientes do mundo à nossa volta. Não é por acaso que os alunos “carolas” da turma são sempre aqueles que lêem mais.

Na quarta e quinta-feira da semana que vem, a nossa biblioteca irá utilizar o seu espaço para fazer aquilo que já se tornou um hábito na nossa escola: promover a leitura. Estamos, é claro, a falar da nossa feira do livro. E, para quem não se lembra, as escolhas do ano lectivo passado eram tantas, que chegámos a usar cadeiras para colocar mais livros.

Nada faltou: romances, poesia, testemunhos reais, receitas de culinária saudáveis e ecológicas, obras de divulgação científica ou de conteúdos de disciplina, ficção científica, literatura de fantasia, policiais, livros para crianças… Sem falar, é claro, que todas estas publicações têm um desconto, o que quer dizer que estarás a oferecer um belo presente a alguém, a um preço mais barato do que estaria numa livraria.

Eis, pois, uma óptima ocasião para ires adiantando alguns presentes de Natal, e evitares a “lufa-lufa” dos últimos dias desta época natalícia. E com uma escolha tão variada, é praticamente impossível não encontrares algo a um preço acessível e que seja do agrado de um familiar ou amigo!

Ler Devia Ser Proibido (anúncio)

Imagem Retirada de:

http://www.middletownjournal.com/blogs/content/shared-gen/blogs/dayton/butlerentertainment/entries/2009/01/index.html

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Tenha Um Natal Arrepiante, São Os Votos Da Nossa Equipa!!!

 

clip_image002 Ao contrário do que muita gente pensa, criar um filme de terror não é nada fácil. Que o digam os donos de Hollywood que, ultimamente, têm-se visto gregos para encontrar uma longa-metragem que seja suficientemente assustadora. É que estas novas gerações já viram tudo o que tinham a ver e não são assim tão facilmente impressionáveis. Como se não bastasse tudo isto, os produtores e criadores de cinema estão a passar por (mais) uma crise de inspiração, chegando ao ponto de “roubarem” ideias de outros cineastas de terror, sobretudo se estes forem da Ásia, onde a arte de criar medo é uma verdadeira arte.

Com efeito, os americanos ainda não entenderam que o verdadeiro terror não se mostra, sente-se. E, por isso mesmo, O Projecto Blair Witch é, ainda hoje, considerado uma das longas-metragens mais assustadoras que foram imaginadas. Para quem viu esta história, sabe muito do que estamos a falar: espaços escuros e fechados, sons terríveis vindos do nada, uma câmara enlouquecida…

Ora, Oran Peli, o realizador de Paranormal Activity, deve ter aprendido as liçõezinhas todas que Blair Witch deixou ao mundo. Para se criar uma história que nos crie pesadelos não precisamos de orçamentos milionários e de grandes efeitos especiais. Tudo do que precisamos é de uma atmosfera credível, familiar, capaz de nos fazer pensar “isto poderia acontecer a mim”. De preferência que jogue com as sombras e o medo terrível do escuro que o Ser Humano sempre sentiu e sempre sentirá. De preferência que perturbe os espectadores com uma “banda sonora” de sons arrepiantes, vozes de fundo abafadas, ruídos que parecem vir do mais fundo do sótão de todos os sótãos. E nunca, nunca mostrar “a coisa” ou a”força” aos espectadores. Afinal, os antigos Gregos tinham toda a razão: o verdadeiro medo é aquele que nós imaginamos, é aquele que nós não vemos.

Este filme tem uma história engraçada: trata-se de um filme “caseiro”, ou seja, com actores anónimos (a personagem feminina é namorada do realizador), baixíssimo orçamento, câmaras steadycam, montagem caseira, e as gravações tendem a ser feitas na casa de um amigo ou familiar. Não há gigantesco marketing, nem gigantescas promoções, nem nada. Custou a ridícula quantia de 11.000 dólares e os fãs foram crescendo devagarinho (a publicidade foi mais do tipo “passa a palavra”). Até que, finalmente a distribuidora de filmes Paramount reparou nele…

Não sendo uma obra-prima (os actores são péssimos!), esta obra de terror é, no entanto, bastante eficaz. É capaz de não criar história mas pode, durante uns tempos, criar escola.

Vê aqui o Trailer legendado

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Hoje É O Dia Internacional Do Combate À Corrupção!!

E o que é que nos corrompe? O poder e o dinheirinho, os euros e dólares, o “vil metal”, o carcanhol, o pilim, o… Bom, chamem aquilo que quiserem. Porém, como diziam os nossos antepassados, O Poder corrompe e o Poder Absoluto corrompe absolutamente.

E por falar em Poder e Dinheiro…

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Bibliomúsica

 

Hoje, vamos dar a conhecer uma banda que durante décadas esteve clip_image002completamente esquecida: The Zombies. De facto, é graças à Internet que as suas músicas estão a ser redescobertas e poderás escutá-las em sites muito conhecidos como, por exemplo, a youtube e a lastfm.

Embora nunca tenham atingido a fama de muitas outras bandas foram, no entanto, muito amados por “colegas” como os The Beatles, os The Beach Boys, Bob Dylan e Joan Baez, entre outros. O seu estilo musical já estava a ficar “fora de moda”nos anos sessenta. As multidões queriam cada vez mais rock ou música de intervenção. Por isso mesmo, a delicada elegância e extrema beleza das suas canções (apesar de tudo, nota-se um certo toque psicadélico nos seus últimos álbuns) não tocou os corações de muita gente. Só hoje, já afastados desta época de grandes revoluções e ideais, é que podemos voltar a escutar as suas pequenas sinfonias com outros olhos e outros ouvidos.

Espero que gostem destas duas “amostras” do álbum Odessey and Oracle.

The Zombies – Brief Candles

The Zombies – A Rose For Emily

Imagem retirada de:

http://theguitarsnob.blogspot.com/2009/10/zombies-odessey-and-oracle.html

domingo, dezembro 06, 2009

Livro da Semana

As Suspeitas do Sr. Whicher, de Kate Summerscale

clip_image001 Custa-nos quase a acreditar mas, no século XIX, não existia ADN; as impressões digitais não eram valorizadas; não existia a Ciência Balística; não existiam profilers; não existia o FBI; não existiam profissionais especializados em encontrar pistas no espaço que hoje chamamos a “cena do crime”; as polícias não dispunham de laboratórios feitos especificamente para encontrarem qualquer substância química, que pudesse indiciar um possível assassinato; as autópsias ainda eram muito rudimentares e os polícias entravam no local do crime, destruindo provas e evidências; um detective não era respeitado e ganhava uma miséria de salário. Pior ainda, nem sequer estava autorizado a investigar famílias aristocratas. Quando tinha de o fazer, entrava pela porta dos fundos e tinha que “pedir a colaboração” dos suspeitos; não existiam nem câmaras nem telemóveis; não existiam profissionais especializados em ouvir gravações encontradas ao pé do/s cadáver/es por que não existia uma coisa chamada “gravador”. Em suma: aquilo que hoje chamamos a Ciência Forense (a arte de desvendar, com provas científicas, um crime) e que faz as delícias dos fãs da CSI… Não existia.

Então… Como é que se apanhava um criminoso, nesse tempo????!!!! Simples: confiava-se nas testemunhas (quando as havia, e todos nós sabemos que o olho humano pode enganar-se muitas vezes), chamava-se um detective (que fazia o que podia, quase sem recursos humanos e materiais fiáveis), acendia-se uma velinha aos deuses e rezava-se para se ter sorte. Mais nada.

É só no dia 30 de Junho de 1860 que a Ciência Forense efectivamente começa a ganhar forma e prestígio. O nosso livro da semana não é apenas um simples livro policial: trata-se, isso sim, de uma história real, que marcou a investigação criminal para todo o sempre. E este caso foi tão importante, que ainda hoje é estudado em todas as faculdades que preparam os futuros cientistas forenses.

clip_image005 Reza a sinopse: É meia-noite do dia 30 de Junho de 1860 e tudo está calmo na elegante casa da família Kent, em Road, Wiltshire. Contudo, na manhã seguinte, acordam e descobrem que o filho mais novo foi vítima de um crime extraordinariamente macabro. Pior ainda, o culpado é, de certeza, um dos seus - a casa estava trancada por dentro. Jack Whicher, o detective mais célebre da sua época, chega a Road para descobrir o assassino. Entretanto, o crime está já a provocar a histeria nacional perante a ideia dos podres que poderão existir por detrás das portas fechadas dos respeitáveis lares de classe média: clip_image003serviçais intriguistas, filhos rebeldes, insanidade, ciúme, solidão e ódio.

A autora deste romance policial, Kate Summerscale, ficou fascinada por este caso trágico e decidiu investigá-lo meticulosamente. Uma vez que não desejava ofender as pessoas que tomaram parte deste episódio histórico, a obra que escreveu foi elaborada com muito cuidado e elegância. Kate Summerscale reconstituiu passo a passo um dos crimes que mais chocaram a Inglaterra (A Imprensa da época chamou à mansão da família Kent a “Casa dos Horrores”) e mostra-nos como era feita uma investigação policial no século XIX. Este livro é também uma belíssima homenagem a Jack Whicher (última foto), um dos primeiros detectives a sério da Scotland Yard.

Um livro de leitura obrigatória e aclamado por escritores como John Le Carré e Ian Rankin.

A foto de Jack Whicher, bem como a ilustração da casa, foram retiradas do seguinte site:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1035832/The-whodunnit-How-murder-year-old-boy-gave-fictional-detectives-know-today.html

sábado, dezembro 05, 2009

O Natal Está À Porta!

Há sempre aquele amigo ou familiar que, na hora de dar presentes, só nos cria uma enorme dor de cabeça: “O que é que eu vou oferecer-lhe?”, perguntamos a nós mesmos. Ou já tem tudo ou é difícil agradá-lo/a. Pois bem, desta vez surpreenda-o/a com algo completamente diferente: um livro.

Sugerimos três prendinhas para o sapatinho, completamente diferentes umas das outras. Escolham a que mais vos convém.

 O/A seu/sua amigo/a ou familiar gosta de Sonhar e de ler? Então o presente clip_image002que lhe cai que nem uma luva é o Livro do Deslumbramento, de Lord Dunsany. Escritor do início do século passado é, segundo a editora Saída de Emergência, “O Autor de Fantasia mais influente do século XX”. Influenciou um enorme número de autores como, por exemplo, H.P. Lovecraft, Tolkien, Jorge Luis Borges, Neil Gaiman, Italo Calvino e Clark Smith, entre muitos outros. O Livro do Deslumbramento e O Novo Livro do Deslumbramento (foram publicados juntos) consistem numa compilação de pequenos contos que se lêem num abrir e fechar de olhos e, décadas depois, conseguem ainda deslumbrar-nos e surpreender-nos. Não é fácil escrever pequenas histórias (a maior parte delas não tem mais do que quatro, cinco páginas) mas Lord Dunsany é um verdadeiro mestre nesta arte. E há contos que são verdadeiramente imperdíveis: A Coroação Do Sr. Thomas Shap (um simples homem que inventou na sua cabeça todo um reino imaginário), Chu-Bu E Cheemish (uma briga caturra entre dois deuses), Porque É Que O Leiteiro Estremece Quando Se Apercebe De Que Está A Amanhecer (não vamos dizer nada!), O Gabinete De Troca De Males (o título já diz tudo) e Uma Fuga à Tangente (Londres escapou por um fio de uma destruição certa…). Escrito com imenso sentido de humor, eis um presente que agradará a todos os sonhadores.

O/A seu/sua amigo/a ou familiar não gosta de ler, mas gosta de uma boa clip_image004aventura? Então o livro que aconselhamos é o Símbolo Perdido, de Dan Brown. Não, não é Literatura (nem sequer é Ciência!), mas são horas garantidas de puro e de descarado entretenimento. Dan Brown possui o dom de agarrar o leitor da primeira à última página. O seu estilo é simples, mas eficaz: frases curtas, um vocabulário acessível, acção que só se completa no próximo capítulo (por isso é que não conseguimos largar o livro), personagens misteriosas, poderosas ordens secretas, documentos históricos guardados a sete chaves e perigosos… Por fim, a personagem principal é um professor culto. Sabe bem ler uma história, onde o herói é alguém que salva o mundo não através das armas mas através da inteligência. Ideal para todos aqueles que acham que ler “é uma seca”.

O/A seu/sua amigo/a ou familiar não gosta que lhe “enfiem o barrete”? clip_image006Então, o livro que aconselhamos é O Espectáculo Da Vida, de Richard Dawkins. Escrito neste mesmo ano, é não só uma belíssima homenagem a Charles Darwin, “inventor” da Teoria da Evolução, como é também um “ataque bombista” a todos os radicais religiosos, que juram a pés juntos que o mundo foi construído em apenas sete dias e não em milhões de anos, como a Ciência afirma e comprova. Com efeito, farto da ascensão e poder dos “Novos Cristãos” e “Novos Muçulmanos” (e nenhum deles tem nada de “novo”…), que chegam a impor às escolas que a Teoria da Evolução não seja leccionada, Richard Dawkins, através deste livro escrito numa linguagem acessível a todos, prova A+B que a Vida no planeta Terra existe há milhões e milhões de anos e que o desenvolvimento das espécies (inclusive a do Homem) foi lenta e progressiva. Prova também que todas as espécies estão interligadas e que todos nós somos, no fundo, “primos e irmãos” uns dos outros. Desde a humilde esponja, o primeiro ser complexo que surgiu no nosso planeta, até ao Homem, tudo tem uma explicação e uma razão de ser. Em poucas palavras, a Teoria da Evolução não é mais uma teoria: é um facto cientificamente comprovado! Eis uma prenda ideal para todos os seres humanos que gostam de pensar, de raciocinar e que não gostam de ser manipulados.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Por Que Razão Os Três Reis Magos São Três?

 

clip_image002 Ou estamos muito enganados ou já há para aí centenas de milhares de casas em Portugal que já estão decoradas com as típicas luzinhas douradas, a famosa árvore, os anjinhos repolhudos, o Pai Natal… E são cada vez mais os pais e as mães que se “esquecem” de colocar um presépio ou que se “esquecem” de falar da lindíssima história dos reis magos, aos seus filhos. Infelizmente, este dia que devia ser uma homenagem ao nascimento do Filho de Deus não passa hoje de um convite ao consumo desenfreado. E é uma pena que assim seja: a lenda dos reis é bastante bonita e merecia ser contada às nossas crianças.

A história ainda é conhecida por muitos: quando Jesus nasceu, três reis magos, vindos de muito longe e tendo sido guiados por uma estrela, quiseram prestar homenagem ao Filho de Deus e cada um deles trouxe um presente: ouro, incenso e mirra. Porém, quando falamos de História com “H” grande (ou seja, os acontecimentos reais) temos que dar um grande desconto: para começar, nem sequer se sabe se Jesus foi de facto visitado por estes três homens tão importantes. Com efeito, o único testemunho desta visita está na Bíblia, um livro que, como todos nós sabemos, é lindíssimo mas, muitas vezes, não é historicamente correcto. Afinal, todos nós sabemos que “quem conta um conto, acrescenta um ponto”… Além disso, o mito dos três reis magos só começa a ganhar importância a partir do século IV d.C.

Inicialmente, nem sequer existiam três reis magos (os Russos acreditam em quatro. Segundo as lendas deste povo, um deles, muito bom e piedoso, não conseguiu chegar “a horas”, porque levou o tempo todo a ajudar os pobres e necessitados que encontrou pelo caminho). O Evangelho Segundo São Mateus é o único livro da Bíblia que menciona a sua chegada e nem sequer especifica quantos foram. Presume-se que são mais do que um porque a citação está no plural: Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do Rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. Com o tempo, uns diziam que eram dois, quatro, seis ou até mesmo dez. Mas como os presentes que trouxeram eram só três, concluiu-se que cada um trouxe a sua respectiva oferenda. Finalmente, é só no século VII d.C. que estes reis passam a ter nomes e é precisamente neste momento que começamos a ver imagens de um rei mago africano.

clip_image004 Por que motivo estes homens sábios, que só aparecem uma vez na Bíblia, foram “embelezados” pela Igreja Católica? A explicação é simples: a simpática visita de três homens importantíssimos, ricos, sábios e, ainda por cima, reis, só reforçaria o valor e o poder de Jesus Cristo. Em segundo lugar, cada um destes magos representa os três continentes do planeta Terra (naquela altura, achava-se que eram só três): Melchior, sempre representado como sendo um ancião de cabelos brancos, simboliza os herdeiros de Jafé, os europeus. Estes ofereceram a Jesus ouro, o símbolo da realeza; O bonito e alourado Gaspar representa a Ásia, e este continente valorizava muito o incenso, símbolo do Poder Divino; por fim, o magro Baltazar, negro e com barba, simboliza os filhos de Cam, os africanos, que entregam a mirra, símbolo da vida eterna. A simbologia não deixa de ser bonita: a Humanidade inteira, representada por estas três personagens, veio prestar homenagem ao Salvador da Humanidade (Grão Vasco chegou a pintar um Baltasar índio, como se vê na segunda imagem)…

A palavra “Mago” era normalmente atribuída a sábios e astrónomos, vindos do Oriente. Quanto ao facto de serem “reis”… Bom, esta é outra história embelezada pela Igreja Católica, como já referimos acima.

Uma lenda da Idade Média afirma que estes três sábios acabaram por se reencontrar cinquenta anos depois, na cidade de Sewa, na Turquia e foi nessa mesma cidade que vieram a falecer. Mais tarde, os seus corpos foram trasladados para Milão, em Itália.

E já que falamos de reis magos…

Queres conhecer a história do quarto rei mago? Então, clica aqui: http://malarranha.net/2008/03/17/o-quarto-rei-mago/

Imagens Retiradas:

Primeira Imagem: pintura de Mantegna

Segunda Imagem: pintura de Grão Vasco