quinta-feira, outubro 08, 2009

Os Jovens Falam

A Influência dos grupos

 Ano após ano, milhares de adolescentes são influenciados por grupos considerados “fixes”, e todos os jovens que queiram fazer parte do mesmo, têm que “praticar” algumas actividades ou hábitos clip_image002próprios, para que possam ser aceites como, por exemplo, fumar, tomar drogas, roubar, beber bastante, etc.

Apesar dos esforços dos pais e dos professores, pouco se faz para parar com este tipo de comportamentos! Afinal, de quem é a culpa ou, melhor dizendo, o que é que está a falhar? Os professores, em todas as escolas, falam destes problemas com os alunos, criam debates e oferecem-se sempre para nos ajudar; os pais criticam a alertam os seus filhos para o “mau caminho” que estão a seguir; por fim, o cinema, a televisão e as revistas abordam cada vez mais este assunto actual, de modo a mostrarem aos jovens que não estão sozinhos e para “aconselhá-los” a tomarem as melhores decisões para a sua vida. Então, o que está falhando?

Normalmente, o que leva certos adolescentes a quererem fazer parte destes grupos são jovens cujos pais e familiares se encontram ausentes. Sentem-se sós e, por isso, sentem a necessidade de serem amados. Os professores não são vistos como amigos.

Este tipo de adolescentes tem como ideia de que os “amigos” são simplesmente as pessoas que estão com eles diariamente. O problema é que eles, por vezes, não os ajudam e levam-nos a cometer erros e a “desperdiçar” a sua vida, em vez de serem aqueles os verdadeiros companheiros que todos nós desejamos: alguém que está pronto para nos ajudar e que tenta guiar-nos para caminhos melhores, mas sempre sem nos influenciar.

Os adolescentes devem escolher! E casos raros como estes são a prova de que uma vida melhor está apenas nas suas mãos!

Texto de opinião de Ana Borralho, 8º B (com a colaboração de Mariana Neca, 8ºB)

Foto retirada de:

http://oteumundo.wordpress.com/2009/03/11/o-mundo-obscuro-da-adolescencia/

terça-feira, outubro 06, 2009

Ontem foi o Dia Mundial do Professor…

Artista Anónimo


Sou profissional excepcionalclip_image002[10]
Competente, polivalente
Dois, três e até dez em um.
Eu "rebolo", represento,
Faço mágica,
Um talento!
Sou psicólogo, conselheiro,
Palhaço e até biscateiro.
Ah! Se eu ganho muito dinheiro?
Não tanto quanto devia
Pra não ter de trabalhar
Dia e noite, noite e dia.
Sou réu, sou advogado
Defendido, acusado,
Querido e também odiado.
Sou babá, sou vigilante
E em alguns instantes
Também sou policial
Com a arma na memória
Vou fazendo a minha história
Nesta luta desigual.
Carrego dentro do peito
Uma sede de respeito
Ao meu merecido valor
E assim vou continuando
Com firmeza, desempenhando
Minha arte de ser professor.


de Eleusa Ribeiro da Silva Dias (Brasil)


…E Hoje faz dez anos que Amália Rodrigues morreu.

Já agora, aproveitamos para avisar que Portugal tem uma nova rádio: a Rádio Amália, exclusivamente dedicada ao fado. A frequência é 92.0 FM. Poderás também sintonizá-la online, através deste link: http://www.amalia.fm/?page_id=20

Gaivota clip_image002

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.


Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.


Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.


Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.


Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.


Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

(música de Alain Oulmain e letra de Alexandre O’Neill)

Amália Rodrigues – Gaivota

http://www.youtube.com/watch?v=EiDcL2pFwtA&feature=related

Amália Hoje - Gaivota

http://www.youtube.com/watch?v=BgQeJ6BqRLI

segunda-feira, outubro 05, 2009

5 de Outubro de 1910: Implantação da República

Para quem leva a santa vida a queixar-se do atraso do nosso país, sericlip_image002a interessante darmos uma espreitadela nos inícios do século passado. De há cerca de 100 anos para cá, a nossa nação tem evoluído bastante em todos os aspectos: Sociedade, Cultura, Política, Educação e Saúde. De facto, quase nos custa a acreditar que aquele Portugal era o nosso Portugal!

Façamos, portanto, uma viagem no tempo: há cem anos atrás, três em cada quatro portugueses e seis em cada sete portuguesas não sabia ler nem escrever. Apenas uma pequena elite cultural (políticos, professores, advogados, médicos, intelectuais, etc) tinha acesso a este privilégio. Como este grupo tinha uma coisa chamada tempo e não levava a vida a trabalhar até à exaustão, podia dar-se ao supremo luxo de se reclinar na cama, no sofá da sala de estar ou num café elegante, e ler com muita paciência e seriedade jornais com letrinhas tão minúsculas, que, actualmente, só os amantes da História se dão ao trabalho de fazer o mesmo. Lisboa, tal como o Porto, era uma capital dolorosamente atrasada, onde o comércio ainda era feito nas ruas, no meio de muitos “pregões”, lixo acumulado e condições sanitárias de meter medo ao susto. O telefone era um luxo destas duas cidades e o restante país tinha que se contentar com os serviços de um correio que, em muitos locais, precisava de burros ou cavalos para chegar ao destino.

clip_image004O progresso lá ia chegando: devagarinho, muito, muito, muito devagarinho. Os eléctricos começaram a ser instalados, as primeiras lojas (hoje, o “comércio tradicional”) começaram a fazer furor e, lentamente, foram destruindo os negócios feitos nas ruas. A publicidade era uma agradável novidade e já se falava do gramofone, da electricidade, dos aviões. O carro era um luxo das classes endinheiradas. Quanto às mulheres, estas estavam autorizadas a serem professoras e pouco ou nada mais. A sua função era casar, ter filhos e obedecer ao marido. Não tinham direito ao voto e não tinham acesso às faculdades. A religião católica dominava toda a educação e vida dos portugueses e não permitia que a mulher ascendesse intelectual e socialmente (há excepções, obviamente. Veja-se o exemplo de uma grande feminista e republicana, de nome Maria Veleda, em http://www.aph.pt/recursos/download/outros/Maria_Veleda.pdf). Mas todas estas ideias modernas estavam circunscritas às grandes cidades. No restante país, assistia-se a um penoso atraso de séculos. Com efeito, muitos portugueses nasciam, cresciam, envelheciam e morriam na sua terra. Quanto muito, conheciam a aldeia do lado e nada mais.

O rei D.Carlos era muito boa pessoa. Era também um homem culto, educado, amante das ciências e das letras. Mas era, como muitos o acusavam, “um rei clip_image006ausente”. Temos que admitir que não foi um bom governante. Sua “Real Majestade” estava muito mais interessada em pintar aguarelas (bastante boas, diga-se de passagem) do que em criar, por exemplo, um sistema de Ensino funcional, que libertasse o povo português de uma constante e eterna pobreza. O Jet Set da época andava a fazer o costume: caçadas, garden parties, ir à Ópera ou ao teatro, pavoneando as suas novas fatiotas. O povo, esse, contentava-se com passeios domingueiros, piqueniques, as romarias e pouco mais. E a ida ao teatro. Para os nossos antepassados, o teatro era tudo. Grandes actrizes, quer fossem rainhas da revista ou da comédia quer fossem rainhas do drama (o dito teatro sério), esgotavam salas e arrastavam multidões (ver foto à direita).

Nas colónias portuguesas, particularmente as africanas, uma minoria de portugueses endinheirados vivia à grande e à francesa, enquanto a esmagadora maioria dos nativos vivia no limiar da extrema pobreza. E ai daqueles que se revoltassem e quisessem mais!: eram logo reprimidos e humilhados clip_image008perante a indiferente máquina fotográfica.

Sim, este era o nosso país. E a elite de Portugal já estava a ficar farta. Queriam um país mais evoluído, mais civilizado, mais educado. Ou seja, mais europeu, capaz de competir com os outros e de não causar vergonha “lá fora”. Queriam uma Educação melhor e mais eficaz. Queriam um povo mais culto e menos religioso. E a Monarquia era cada vez mais vista como um “trambolho”, um empecilho que só atrasava os sonhos de um Portugal mais risonho. Estamos a falar, é claro, dos “fãs” da República, que sonhavam com um Estado onde quem decidisse seria o povo e não o rei (se bem que, nesta altura, a monarquia já não tinha um peso assim tão grande, nas decisões de uma nação).

clip_image010

E não se mudava nada: as contas públicas derrapavam, o país continuava atrasado e os líderes de ambas as facções políticas foram “acarinhados” com alcunhas nada simpáticas: Hintze Ribeiro era conhecido como o “Casaca de Ferro”, ao passo que José Luciano de Castro recebeu a linda alcunha de “bacoco”. O rei despede e nomeia quem bem quer, as guerras entre políticos resolvem-se cada vez mais nos bastidores, várias vezes à estalada e ao murro. Os “grandes” e “sábios” clip_image012do país estão fartos. Quanto ao povo, esse, trabalha, indiferente às birrinhas daqueles que os governam.

É então que a tragédia tem lugar: no dia 1 de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos é assassinado (baleado nas costas) por um fanático Republicano, de nome Alfredo Costa. Manuel Buíça é o seu “companheiro de armas” e alveja o príncipe D. Manuel no braço. A rainha Amélia, em pânico, bate no agressor com o ramo de flores que trazia na mão. Era suposto este triste episódio causar emoção nos portugueses. Porém, “o rei ausente” despertou apenas a indiferença num povo, que há muito tempo perdera a fé nos seus governantes.

A partir daqui, é o descalabro: o ódio entre Republicanos e Monarcas acentua-se, os confrontos são cada vez mais directos e mais clip_image014violentos. O país divide-se em dois: no norte, os portugueses são cada vez mais conservadores e católicos, ao passo que, no sul, predominam cada vez mais as ideias liberais e republicanas. Estamos, é claro, a falar de uma minoria culta e cheia de ideais políticos. O povo, esse… trabalha.

Quem vai ganhar a guerra? Os republicanos, é claro. No dia 4 de Outubro de 1910, dá-se a “Insurreição Republicana” em Lisboa. Um exército constituído por médicos, caixeiros, estudantes, advogados, sargentos, oficiais e muitos outros, teve acesso a uma enorme quantidade de armas e, juntamente com o apoio da Marinha, da Carbonária e da Maçonaria, declararam guerra às forças da Monarquia. A batalha termina no dia 5 de Outubro, e quem vence são os republicanos. No início da manhã, vários membros desta facção sobem à varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa e proclamam o fim da monarquia. A família real, essa, opta por fugir.

Como reagiram os portugueses? Com total e clip_image016absoluta indiferença. A maior parte recebeu a notícia por telégrafo (ficaram a sabê-lo pelos jornais locais) e nem sequer se deram ao trabalho de manifestar pesar, indignação ou alegria. “De careca a coxo”, pensaram…

Independentemente de gostarmos ou não da Monarquia, esta data marcou o país. E quase 100 anos depois, coloca-se esta questão: teríamos evoluído mais depressa, se Portugal ainda tivesse reis e rainhas? Nunca o saberemos. Temos simplesmente que entender que os tempos e as preocupações eram outras e as circunstâncias, naquele tempo, não estavam do lado de D.Carlos. 5 de Outubro foi apenas mais uma tentativa de criarmos um Portugal melhor.

Uma de muitas…

(Todas as ilustrações foram retiradas da excelente enciclopédia temática “Portugal Século XX”, de Joaquim Vieira)

sábado, outubro 03, 2009

Bibliomúsica

clip_image002

Apresentamos uma das melhores bandas de rock do momento: os Kasabian. O seu novo álbum, West Ryder Pauper Lunatic Asylum, já se encontra à venda e vale a pena escutá-lo com muita atenção. E numa época em que tudo é digitalizado e aperfeiçoado, é mesmo agradável escutar um som cru, genuíno e despido de efeitos de mesa de misturas. Quanto ao vocalista, Tom Meighan, este deve, de certeza absoluta, ter uma pancada bem forte por Robert Plant (vejam-no a “a dar à anca”, neste vídeo e todos os fãs dos Led Zeppelin sorrirão).

clip_image004O nome do álbum faz referência a um hospital psiquiátrico do século XIX. Quanto à sua capa, esta é uma verdadeira “piscadela de olho” ao trabalho artístico de outro álbum: o lendário Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones (segunda fotografia, à esquerda). Vejam as fatiotas e descubram as diferenças!

 

Kasabian – Underdog

Fotos retiradas de:

http://www.rollingstone.com.br/secoes/novas/noticias/5307/

http://www.usm.maine.edu/~rabrams/00Dyl089.html

sexta-feira, outubro 02, 2009

Os papás dos “Gato Fedorento”: Monty Python

clip_image002Tudo começou aqui: na típica confusão dos anos sessenta, um grupo composto por seis “cromos” doidos varridos decidiu criar a série de comédia mais absurda, mais bizarra e mais provocadora que alguma vez existiu na história da televisão. É o non sense no seu melhor! E o mais estranho de tudo residiu no facto de que Monty Python Flying Circus passou na BBC, o canal de estado inglês que, diga-se de passagem, ainda hoje é bastante conservador e sóbrio. Mas os tempos eram outros…

Mais de quarenta anos depois, ainda hoje fazem escola, ainda hoje conseguem influenciar muitos aspirantes ao mundo do riso. Os “Gato Fedorento” não são excepção e, se derem uma espreitadela aos próximos três pequenos vídeos (mas haverá alguém que ainda não os tenha visto??), facilmente encontrarão a influência destes seis génios em programas como Diz Que É Uma Espécie de Magazine ou a Série Zé Carlos.

Divirtam-se!

O Garfo Sujo (a ASAE adora…)

O cavaleiro (demasiado) corajoso (do Filme “O Cálice Sagrado”)

Ajudem os ricos

Foto retirada de: http://pythonline.com/comment/reply/7097691

quinta-feira, outubro 01, 2009

Praxes: Sim Ou Não??

O nosso país, infelizmente, já se habituou às histórias do costume: sempre que chega o mês de Setembro, o que mais ouvimos são relatos de estudantes universitários que, debaixo da capa da “integração e camaradagem académica”, clip_image002vêem-se forçados por colegas mais velhos a ter atitudes e comportamentos que consideram humilhantes e que pouco ou nada têm a ver com a razão pela qual muita gente frequenta um curso: para aperfeiçoarmos a nossa cultura geral, alargarmos os nossos horizontes e conseguirmos um melhor futuro.

Claro que ir para a faculdade não é só “marrar”. Todos nós precisamos de conviver, de fazermos amigos, de sairmos à noite, de vivermos “à grande e à francesa”, enquanto ainda temos tempo e ainda podemos pintar o cabelo de verde e azul, se assim bem o desejarmos. É que a vida dos adultos, apesar das suas imensas compensações, também tem os seus inconvenientes: temos que ser pais responsáveis e presentes, temos que pagar prestações da casa e do carro, temos que aturar patrões e, só com muita “sorte”, não vamos ter um papá e uma mamã a safar-nos de todas as asneiras que fizermos ao longo da nossa vida. Como dizem os nossos avós, “é aproveitar enquanto ainda podemos”.

Todas as culturas têm os seus “rituais de passagem”. Há muitos anos atrás, sempre que uma criança chegava à adolescência, toda a comunidade festejava esta “entrada para o mundo dos adultos” com uma espécie de celebração pública. O baptizado, a primeira comunhão, o casamento, a queima das fitas, o aniversário, entre outros exemplos, são outras pequenas “festas” que assinalamos nas nossas vidas e todas as sociedades, todas elas, possuem várias. Como afirma a cronista brasileira Elline Kullock, na religião judaica, há o Bar-Mitzvah. Quando o rapaz completa 13 anos, realiza-se uma cerimónia para marcar este momento. Mas o que isto significa é que ele, a partir de então, é considerado um homem e pode até ler a Torah, o livro sagrado dos judeus. Mas 13 anos não é cedo para ser um homem? Sim, mas é bom lembrar que este rito data de uma época em que a expectativa de vida era menor. Ora, as praxes são exactamente isto: um ritual de passagem. É suposto festejarmos uma nova etapa da nossa vida. De preferência, com muita festa e muito riso.

Porém, a “brincadeira” passa a ser um “problema” quando o caloiro diz “não” e o seu pedido não é respeitado. São muitos os estudantes universitários que se sentem pressionados a participar nas praxes. Caso não o façam, serão rejeitados por todos porque, segundo eles, quem não participa nestas “brincadeiras” é “quadrado” ou “anti-social”.

clip_image004 Ora bem, farto desta “tirania da maioria”, o Ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago (foto à esquerda), deixou um aviso à navegação: ou os direitos de um ser humano são respeitados ou os praxistas irão ter problemas a sério. Como afirma a notícia no Público Online, “Sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes”, Mariano Gago ameaça dar “imediato conhecimento ao Ministério Público” e usar “os meios aptos a responsabilizar, civil e criminalmente, por acção ou omissão os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo”, não tenham feito nada para as evitar. Trocando por miúdos: se houver o mais pequeno abuso de poder, os praxistas serão criminalmente denunciados pelo próprio ministro (ver notícia completa em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1402779&idCanal=74)!

O ministro justifica-se: “A degradação física e psicológica dos mais novos como rito de iniciação é uma afronta aos valores da própria educação e à razão de ser das instituições de ensino superior e deve ser eficazmente combatida por todos: estudantes, professores e, muito especialmente, pelos próprios responsáveis das instituições”.

Em suma: o ministro não é contra as praxes nem vai sequer proibi-las. No entanto, não irá tolerar exageros e abusos, por parte dos “mais velhos”. Um “não” é um “não”, e se uma associação de estudantes não sabe respeitar as escolhas pessoais dos novos colegas, deverá ser responsabilizada por tal.

Estará Mariano Gago a exagerar ou será que, segundo a opinião de muitos, é um homem corajoso? Afinal, esta é a primeira vez em muitos anos que um político não só critica abertamente as praxes violentas como, inclusivamente, faz tenção de punir criminalmente aqueles que as praticam…

Ilustração retirada de:

http://tdias.wordpress.com/2009/09/22/praxes-academicas-20092010/

quarta-feira, setembro 30, 2009

Amanhã É O Dia Mundial Da Música!

clip_image002

Goste-se ou não de ópera, rock, hip hop, jazz ou música tradicional, a música acompanha-nos desde a barriga da nossa mãe até à nossa morte. Estudos científicos confirmaram que as sinfonias de Mozart acalmam um feto de três meses, desenvolvem a inteligência das crianças e fazem dos nossos petizes craques à disciplina de Matemática. E quanto mais complexa é a melodia, melhor! Outros estudos comprovaram que uma térmita rói a madeira três vezes mais rapidamente, quando a dita cuja está a escutar rock muito pesado. Por isso, se o teu armário começar a ter estranhos buracos, o melhor mesmo é verificares as canções que se encontram no teu i-pod. Ou então, coloca os teus headphones

Deixamos aqui para a navegação uma banda que representa no seu melhor a Globalização: eles são tuaregs, um povo do deserto do Sahara, e descobriram maravilhados o som belíssimo da guitarra eléctrica. Vai daí, misturaram-no com os seus instrumentos tradicionais. O resultado é este:

Tinariwen: Lulla

Foto retirada de: http://guilhermejaques.wordpress.com/2007/10/page/2/

terça-feira, setembro 29, 2009

Livro Da Semana

Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg, de Daniel Estulin

clip_image002Há livros que ainda incomodam

Quem decide o nosso destino? Deus? Os políticos? As empresas? Os donos dos bancos? As máfias de todo o mundo? Ou será que nós é que somos os donos das nossas próprias vidas? Será que a felicidade ou um destino risonho está ao alcance de qualquer um?

E lá vamos nós com o balde de água fria: não, a felicidade não é assim tão fácil de atingir. Para começar, precisamos de uma família que esteja presente nos bons e maus momentos da nossa existência; precisamos de uma sociedade activa, que lute pelos seus direitos e que cumpra as suas responsabilidades; precisamos de sentir que a nossa etnia, a nossa religião, a nossa idade e as nossas escolhas pessoais são respeitadas; por fim, há já quem diga que a felicidade é uma predisposição que vem dos nossos genes: duas crianças que cresceram na mesma casa e que tiveram a mesma educação podem ser completamente diferentes uma da outra. A primeira pode ter um temperamento triste e a segunda pode ser um saco de riso e de alegria. Porquê? Porque, segundo alguns geneticistas (e Deus queira que eles estejam errados!), já nascemos tristes ou felizes. Finalmente (e isto é muito importante!), precisamos de ter a sorte de vivermos num país que nos ofereça condições mínimas para “triunfarmos na vida”e precisamos de uma classe política consciente, que lute pelo bem-estar de todos.

Com efeito, se os governantes e poderosos não cumprirem as suas obrigações viveremos num inferno, onde a felicidade é apenas um privilégio de poucos e a restante maioria viverá debaixo do medo, da insegurança e de uma escravatura mascarada de “emprego precário”. Roberto Saviano, na sua obra Gomorra, deixa esta mensagem bem clara: a cobardia e corrupção da classe política italiana permitiram que as máfias italianas possuíssem actualmente o poder supremo de destruírem quem eles bem quiserem. Os napolitanos, portanto, não são felizes. Não vivem, sobrevivem.

O Clube de Bilderberg é o exemplo perfeito de tudo aquilo que acabámos de dizer: um grupo misterioso, constituído pelas pessoas mais poderosas e mais ricas deste planeta, junta-se todos os anos em hotéis de luxo, com o objectivo de decidirem… o destino de vocês, caros leitores. Tudo começou em 1954, no hotel Bilderberg (Holanda) e, inicialmente, este conjunto de gente muito chic tinha como intenção criar uma política comum mundial. Desde esse ano até aos dias de hoje, cerca de 130 empresários, políticos e milionários influentes de vários países reúnem-se para decidir como serão as políticas do trabalho, quais serão os aumentos dos salários de um simples trabalhador, que país merece ou não a paz, que nações terão direito à bomba nuclear, se o meio-ambiente merece ser preservado ou não, se a privacidade de um cidadão deve ser ou não protegida, a quem pertence a água deste planeta, entre muitos outros assuntos. Em suma: são eles que decidem se a Humanidade tem direito à felicidade, ou se esta deve ser um privilégio de poucos.

Só se entra nesse clube por convite e é preciso que esse “afortunado” ocupe um cargo de poder muito proeminente. Supostamente, não existem actas e os convidados têm que jurar que nunca revelarão as conversas aos jornalistas. Terminadas as reuniões, os políticos terão que cumprir escrupulosamente as decisões que foram tomadas nessa reunião.

Teoria da Conspiração ou a mais pura das verdades? Será que estamos a ser paranóicos ou este grupo secreto decide, de facto, o nosso destino? Daniel Estulin, o autor deste livro, decidiu investigar a verdade do mito. E o que descobriu não foi nada agradável. Tirando partido de muitos documentos e depoimentos acumulados ao longo dos anos, Estulin deixa um recado ao mundo: o clube Bilderberg deve ser temido e não pode, de maneira alguma, ser subestimado.

Porque o poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe absolutamente.

domingo, setembro 27, 2009

Não!, Isto Não É Um Filme de Extra-Terrestres!!!

Estreou no dia 24 passado, nos cinemas portugueses, um dos filmes mais perturbantes e polémicos do ano: District 9, realizado por Neill Blomkamp e produzido por Peter Jackson, o famoso realizador da trilogia O Senhor dos Anéis. E para quem está à espera de ver uma história vulgar de ETs, só por puro entretenimento e para desanuviar a cabecita, é bom mesmo que pense duas vezes em comprar o bilhetinho. É que clip_image002a boa ficção-científica nunca serviu para entreter. A boa ficção-científica obriga-nos a questionar a nossa sociedade, obriga-nos a colocar questões incómodas que, muitas vezes, preferimos evitar na vida real. Daí que estas mesmas sejam, actualmente, o petisco preferido das “artes menores”. Não é por acaso que, presentemente, os escritores mais “incómodos” sejam os escritores do género da Fantasia e do género da Ficção-Científica. Graças ao “Politicamente Correcto”, as pessoas deixaram de falar naquilo que é realmente importante: Quem somos? De onde Vimos? Para onde Vamos? A literatura e o Cinema de hoje servem para vender, não servem para pôr as multidões a pensar.

Mas falemos deste filme: uma nave espacial aterra no nosso planeta. Os alienígenas que a pilotaram andaram à deriva no espaço e vêem cansados, esfomeados e assustados. Inicialmente, nós, humanos, temos muita peninha deles. Tentamos ajudá-los e até oferecemos um “cantinho” para eles morarem. O problema é que eles não se vão embora. O problema é que eles crescem em número. O problema é que eles passam a “estar a mais”. E passam a ser “os indesejados”, “os outros”, “os gafanhotos”. O “cantinho” passa a ser um guetto, um “bairro social”, uma espécie de Cova da Moura na África do Sul. E voltamos à descriminação racial: há espaços para “Humans only”, há espaço para “Aliens only”. Terrestres e extra-terrestres são separados. E o segundo grupo é explorado por máfias, por gangs que não hesitam em tirar proveito da sua miséria e do seu desespero.

Ora bem: isto não vos faz lembrar nada? Não vos soa familiar? Onde é que vocês já ouviram isto?

Toda a realização deste filme foi feita segundo as regras dos documentários: as câmaras andam em movimento, há testemunhos das duas espécies, notícias na televisão, imagens retiradas “em directo”. Como se este “nono districto” fosse uma província do Afeganistão ou uma reportagem da CNN sobre a prisão de Guantánamo. Neill Blomkamp criou uma atmosfera de realismo que, longe de agradar ao público, só nos perturba ainda mais. Pior ainda, a imagem que mostra dos seres humanos não é nada positiva: nós, os humanos, somos uma espécie egoísta, incapaz de comunicar, de entender a diferença. Somos incapazes de partilhar o nosso espaço com “os outros” (não é precisamente isto que já fazemos com os restantes animais deste planeta?). Queremos tudo e pouco ou nada damos em troca. Mas também sejamos honestos: se nós não conseguimos sequer tolerar a cultura e a cor dos habitantes dos países vizinhos, como é que alguma vez na vida iremos tolerar a diferença de um grupo de alienígenas?

Terminamos esta crítica com um convite: dêem uma espreitadela ao absolutamente extraordinário site oficial deste filme (http://www.d-9.com/ ). Poderão entrar como “gafanhotos” ou como “humanos”!

Trailer (legendado em Português)

 

sábado, setembro 26, 2009

Hoje Só Temos Algumas Palavritas Para Dizer:

Vá VOTAR!!!!

bilhões de seres humanos neste planeta que dariam tudo para ter acesso a um privilégio que muitos portugueses desprezam: o luxo incrível de podermos decidir o que queremos para o nosso país. Que o digam as mulheres do Afeganistão, que esperaram anos e anos para terem acesso a tal privilégio (ver foto).

clip_image001Uma verdadeira democracia só funcionará se os cidadãos não se demitirem das suas responsabilidades. Portanto, pare de deixar que os outros decidam por si: vote!

Foto retirada de:

http://maierovitch.blog.terra.com.br/2009/08/17/talebans-avisam-afegaos-que-atacarao-os-locais-de-votacao-na-quinta-feira/

sexta-feira, setembro 25, 2009

E Que Tal Um Stradivarius Ao Preço Da Uva Mijona?

clip_image002

Para quem não sabe, aqui fica uma pequenina informação: Antonio Giacomo Stradivarius foi um dos maiores (e há quem diga o melhor) fabricante de violinos da História da Humanidade. Viveu entre os séculos XVII e XVIII e ainda hoje ninguém faz a menor ideia por que razão os seus violinos possuem o som mais belo do planeta. Será do verniz? Será da madeira? Serão as duas coisas? Ou serão… Fungos?

Fungos?????? Pois, aqui temos uma teoria um tanto ou quanto estranha que, cientificamente, pode ter a sua pertinência: o centro de estudos Empa, filiado na Suíça, decidiu criar um violino, cuja madeira foi manipulada através de fungos. Este projecto científico original teve a colaboração do cientista Francis Schwarze (foto, à esquerda) e do construtor de violinos Michael Rhonheimer.

Para testarem o seu “brinquedinho”, baptizado com o nome “Opus 58”, convidaram o excelente violinista Matthew Trusler (foto, à direita) para tocá-lo no dia 1 de Setembro num auditório com 180 pessoas, atrás de uma cortina. Os resultados foram surpreendentes: após terem escutado os sons de cinco violinos diferentes (e um deles era um Stradivarius!!), a maioria afirmou que o som mais bonito de todos tinha vindo do… “Opus 58”.

Apesar de Antonio Stradivarius desconhecer o resultado da acção dos fungos sobre a madeira, ele deverá ter beneficiado de, no período entre 1645 e 1715, a Europa Central ter sido afectada por longos Invernos e Verões frios, o que levou a que as árvores crescessem lentamente e de modo uniforme, condições ideais para que tenham fornecido madeira com excelentes qualidades acústicas.

Acredita-se que esta descoberta científica poderá ser excelente para muitos estudantes de violino: este instrumento foi sempre caro e quanto maior é a sua qualidade, mais os preços são proibitivos. Estas pesquisas recentes poderão desencadear um comércio de violinos cujos preços podem ser acessíveis… E cuja acústica conseguirá ser tão boa ou melhor do que a acústica de um Stradivarius!

Já agora, fiquem sabendo: pensa-se que existam cerca de 600 violinos Stradivarius mas apenas cerca de 94 se encontram em perfeitas condições de uso. Além disso, custam no mínimo para a volta de 200.000 a 400.000 euros. Na verdade, muitos destes instrumentos são considerados heranças de famílias muito antigas, que emprestam o violino a um intérprete digno de o tocar. Quando este morre, a “jóia” é devolvida à família.

O Som de Um Stradivarius

Foto e notícia retirados de:

http://aeiou.expresso.pt/stradivarius-o-segredo-esta-nos-fungos=f537103

quinta-feira, setembro 24, 2009

Lição De Vida – Há Dias Em Que Viver Cansa…

Mário de Sá Carneiro - Caranguejola

 

- Ah, que me metam entre cobertores,

E não me façam mais nada...clip_image002

Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,

Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...

Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira -

Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado

Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais - não quero mesmo brinquedos.

Pra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...

Que querem fazer de mim com este enleios e medos?

Não fui feito pra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar...

Noite sempre plo meu quarto. As cortinas corridas,

E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor...

Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -

Plo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,

Pra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?

- Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde

Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?

E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?

Deixa-te de ilusões, Mário! Bom edrédon, bom fogo -

E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará.

Pra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?

Tenham dó de mim. Co'a breca! Levem-me prà enfermaria! -

Isto é, pra um quarto particular que o meu Pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital, higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;

Em Paris, é preferível - por causa da legenda...

Daqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda -

E depois estar maluquinho em Paris fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,

Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.

Agora, no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras:

Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Paris - novembro 1915

Foto retirada de:

http://podospampas.blogspot.com/search?q=

terça-feira, setembro 22, 2009

Qual É Aquela Música, Qual É Ela?

Quantas vezes não ouvimos um anúncio, apaixonámo-nos por uma determinada canção ou voz… E agora a quem é que eu vou ligar, para saber o nome do grupo ou do/a cantora?

Pois bem, as vossas preces foram atendidas: no blog Aquela Música do Anúncio (http://aquelamusicanuncio.blogspot.com/search?q= ), exclusivamente português, todos os spots do momento são esmiuçados (um verbo muito popular, nos dias de hoje…), desde os artistas que fazem o furor do momento até à agência publicitária que construiu o dito “mini mini mini filme”.

Só peca por um pormenor: o autor deste blog nem sempre publica os seus “textos” com regularidade. É apenas uma questão de esperarmos com paciência pelas novidades…

E já agora… Lembram-se dos gingles? Pois, aquelas músicas que eram feitas de propósito para o anúncio e que colavam nos nossos ouvidos… Deixamos aqui algumas boas recordações…

 

segunda-feira, setembro 21, 2009

Livro Da Semana

 

clip_image002Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa

O livro começa de uma maneira muito estranha: num dia de grande tempestade, Bartolomeu Falcato, a personagem principal deste romance, assiste, estupefacto, à queda vinda do céu de uma belíssima mulher negra. Caiu - veio caindo, nua, negra, de braços abertos - quase ao mesmo tempo que um raio. O raio fez explodir o imbondeiro.

Como se fosse um anjo negro amaldiçoado. Estava morta.

Mas, ainda mais estranho, sabia quem esta mulher era. Cinco dias antes deste bizarro episódio, “conheceu-a” durante uma viagem de avião. Prendeu em mim a luz impiedosa dos grandes olhos negros, tão intensamente que baixei os meus. Chamava-se Núbia e contou-lhe que Deus falava com ela. Deus tinha decidido que ela seria a nova Virgem Maria. Deus escolhera-a para ser a nova Salvadora da Humanidade. Deus decidira que Bartolomeu Falcato iria ser o pai deste futuro Jesus Cristo.

A reacção da nossa personagem é perfeitamente compreensível: assim que pode, dá-lhe um número de telefone falso e, para sermos mais precisos, “dá à sola”. Como é que, cinco dias depois – que coincidência tão incrível! – esta mulher tomba do céu e quem testemunha a sua clip_image004queda é Bartolomeu e a sua amante Kianda?

E a história continua: o nosso herói, intrigado, começa a investigar o que realmente se passou, e depressa descobre que o próximo candidato a “anjo caído” é ele mesmo. Pelo caminho, encontramos outras personagens: um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.

Importa aqui lembrar que José Eduardo Agualusa deslocar-se-á a Serpa para falar deste novo romance. A sua palestra terá lugar no espaço VOL.

Para ler, com muito prazer.

Edição integral do primeiro capítulo:

http://www.agualusa.info/agualusa/texts/barroco_tropical_capitulo1.pdf

domingo, setembro 20, 2009

Hoje É O Dia Mundial Da Limpeza Das Praias, Mares E Oceanos

Realmente, há dias para tudo, pensamos nós. Porém, segundo a revista Visão de há duas semanas atrás, apenas 9% do lixo em Portugal é reciclado. O resto vai para aterros (66%), incineração (20%) e o resto serve para “reaproveitamento orgânico”. Números patéticos, que reflectem um país atrasado e desrespeitador do Tratado de Quioto.

Sejamos honestos: perdemos assim tanto tempo a separar o lixo e a guardarmos o mesmo num saquinho, sempre que vamos à praia ou fazemos um piquenique? Precisamos de sujar, sempre que nos divertimos? E não nos esqueçamos que o tempo de vida de um saco de lixo no Planeta Terra é de QUINHENTOS anos!

As férias já acabaram mas, para o próximo ano, pense bem: vivemos neste planeta mas não somos os donos dele!

E já que falamos de água…

Adiemus (do álbum “Songs of Sanctuary”)

 

sábado, setembro 19, 2009

Jazz Para Totós

clip_image001clip_image003

Pois, é aquela “música esquisita”, não é? Uns tipos a “martelarem” num piano ou a largarem sons muito alienígenas de um saxofone e de um trompete, com uns cantores à mistura a fazerem uns bizarros malabarismos vocais…

Olha, por acaso, até gosto, soa bem… Mas não percebo nada, só sei dizer se o som me agrada ou não. Quem está a tocar? O Chet Baker? Importa-se de soletrar? Qual é o nome do cd (e saca-se de uma caneta e de uma folhinha do bloco de notas)?

clip_image005Não se preocupem, não são os únicos a terem estas reacções. Segundo José Duarte, o grande entendido da música Jazz deste país, a esmagadora maioria dos portugueses vai a concertos deste género musical ou para se fazerem de finos ou porque agora está na moda e soa muito bem dizermos que percebemos “da coisa” ou então porque, simplesmente, sentimos curiosidade e queremos ouvir novos sons. Mas praticamente ninguém sabe ver a diferença entre o Swing, o Cool Jazz e o Free Jazz e Praticamente ninguém consegue identificar o trompete de um Miles Davis ou de um Art Farmer, entre outros exemplos.

Foi por isso mesmo que José Duarte concebeu um lindíssimo “livrito”, “livrito” este que é claro, objectivo, muito bonito e completo. Ideal para aqueles que se querem aventurar neste território, sem terem que procurar uma agulha no palheiro (a música Jazz é um verdadeiro mundo!) e, de caminho, aprenderem algumas lições básicas deste género musical.

Por isso, José Duarte esteve hoje em Serpa, no espaço VOL. Uma multidão aconchegante aguardava-o e ouviu atentamente histórias do Jazz e da sua vida. Elogiou o povo de Serpa, o queijinho local, a gastronomia. E, para finalizar com chave de ouro, mostrou-nos cinco versões da mesma música (“Blue Room”) tocadas e interpretadas por diferentes músicos.

clip_image007Um serão bem agradável, uma hora bem passada. Para quem não esteve presente, deixamos aqui um conselho: comprem já o livro, porque o mesmo está em vias de esgotar! E já que estivemos falando de Miles Davis, Chet Baker e Art Farmer, aqui vão três músicas, tocadas por dois instrumento: o trompete e o feliscórnio (Art Farmer). Comparem os estilos de cada um!

 

 

 

 

sexta-feira, setembro 18, 2009

Vinte Anos Para Salvar O Planeta

clip_image002 Os cientistas não estão nada optimistas: se daqui a duas décadas (há quem diga que temos dez anos…) não conseguirmos reduzir drasticamente a poluição no planeta, diminuirmos o aquecimento global e arranjarmos energias alternativas e viáveis que substituam, de uma vez por todas, o petróleo, bem podemos desistir da ideia de sermos pais. Afinal, trazer a este mundo um ser inocente que estará condenado à fome e à sede é um acto de egoísmo e não de amor.

De facto, os presságios não são nada positivos: quando chegarmos ao ano de 2025, quase todos os recursos naturais da terra estarão esgotados; quando chegarmos ao ano de 2050, a população humana terá duplicado o seu tamanho (hoje, somos sete bilhões, em 2050 seremos 14 bilhões); pela primeira vez na História da Humanidade, mais de metade dos seres humanos mora em grandes metrópoles, abandonando cada vez mais o campo e agricultura; mais de 90% das espécies marítimas já desapareceram dos oceanos, e hoje precisamos de percorrer milhares de quilómetros para encontramos peixe para comercializar; 90% dos rios da China estão irremediavelmente poluídos e as novas gerações de chineses que moram em gigantescas cidades como Pequim, nunca viram a luz do sol.

Podíamos continuar aqui a desfilar o nosso rosário de tragédias. Porém, deixamos aqui duas sugestões de leitura e visionamento: o documentário Home – O Mundo É A Nossa Casa, realizado por Yaan Arthus-Bertrand, já se encontra disponível na nossa biblioteca, e é um verdadeiro murro no estômago. O início deste filme é calmo, sossegado, contemplativo, pretende imitar o ritmo sereno do planeta. Porém, quando chegamos a essa praga chamada petróleo, todo o filme resvala para um inevitável fim trágico. O Homo Sapiens, isto é, o “o ser sábio”, parece ter enlouquecido e caminha para um processo de destruição e auto-destruição. E os números são verdadeiramente assustadores: enquanto que a Humanidade não pára de crescer (a título de exemplo, em apenas 40 anos, a pequenina aldeia de pescadores chamada Xangai é hoje um monstro de 16 milhões de habitantes), todo o planeta é vítima da gula e do instinto predatório e egoísta da nossa espécie. Há esperança? Há. No fim do documentário, há sugestões concretas e optimistas para revertermos o nosso comportamento. Porém, é caso para dizermos que, terminado o visionamento deste filme, ainda levaremos umas boas horas, ansiosos e preocupados.

clip_image004 Já a obra Colapso, do filósofo e Geógrafo Jared Diamond (já não era sem tempo, uma tradução na nossa língua!), pretende mostrar que, ao longo da História da Humanidade, existiram sempre grandes civilizações que se auto-destruíram, enquanto que outras foram inteligentes o suficiente para preverem o seu fim, o que as ajudou a criar estratégias de adaptação que lhes foram úteis para a sua futura sobrevivência.

E todas elas tiveram um ponto em comum: abusaram até à exaustão dos seus recursos naturais. Os exemplos são gritantes: o povo de Rapanui (os habitantes da famosa Ilha da Páscoa) sugou literalmente toda a vegetação da sua ilha, por causa da vaidade e da ostentação; a civilização Viking não só destruiu todos os ecossistemas onde esteve, como não soube parar a tempo, acabando, assim, por desaparecer da face da terra; o lindíssimo reino de Ankhor, no Cambodja, “matou” a terra, de tantas e tantas colheitas, que serviam para alimentar as bocas de milhões de habitantes; quanto aos Maias, o seu destino foi a morte, por terem esgotado todos os recursos naturais à sua volta.

Não contente com estes exemplos do passado, Jared Diamond prevê quais serão as “grandes civilizações” que, daqui a uns anos, poderão prosperar e quais serão aquelas que ficarão reduzidas a “cidades-fantasma”. Uma delas será a nação do Dubai: pode ser uma civilização próspera e visionária, mas não tem água, não tem agricultura, não aposta nos painéis solares… Não tem nada, a não ser o petróleo. E quando este terminar, será o fim desta civilização. Jared Diamond aproveita também para falar das razões que originaram o genocídio em Ruanda; demonstra as consequências trágicas dos pesticidas e da agricultura industrializada em muitas partes do planeta (um dos países mencionados é a Austrália); compara a estupidez do povo do Haiti, por ter espatifado as suas florestas, com o espírito visionário da República Dominicana, por ter sabido preservar o seu ecossistema. Finalmente, deixa-nos dois recados muito importantes: em primeiro lugar, são as populações que têm que mudar a mentalidade dos políticos, nunca o contrário. Estes não farão nada, enquanto o povo não se importar. Em segundo lugar, as civilizações que perdurarão serão aquelas que souberem respeitar e preservar os seus recursos naturais. Terá que haver, portanto, um equilíbrio entre o crescimento de uma determinada população e o impacto que este mesmo cria na mãe natureza.

Portugal escapará à sua morte? Segundo Jared Diamond, é bem possível que não. Segundo o mesmo, as nações que estão condenadas ao Colapso apresentam pelo menos quatro destes requisitos:

1) desflorestação e destruição do habitat natural,

2) problemas do solo (erosão, salinização e perda de fertilidade do solo),

3) problemas de gestão dos recursos hídricos,

4) caça excessiva,

5) pesca excessiva,

6) efeitos da introdução de novas espécies sobre as espécies autóctones,

7) aumento demográfico

8) aumento per capita do impacto dos seres humanos.

Ora, segundo esta lista, já temos quatro maus requisitos para a sobrevivência…

Para ler, com muita lucidez!

Se queres saber mais deste livro, poderás ler este site:

http://resistir.info/varios/jared_diamond_p.html

quinta-feira, setembro 17, 2009

Bibliomúsica

covers que conseguem ser tão boas ou melhores do que a canção original. Neste caso, permanecemos na dúvida. Tim Buckley ainda é hoje considerado um dos grandes génios da música dos anos sessenta e seguintes. Quantos aos This Mortal Coil, decidiram fazer-lhe uma pequena homenagem, através de uma versão lindíssima e muito marítima da sua famosa Song To The Siren. Descubra qual destas pequenas joiazinhas poderá encantar com mais facilidade as sereias de todo o mundo…

 

quarta-feira, setembro 16, 2009

Tenha Medo, Tenha Muito Medo!!!!!!

 

clip_image002 Já se sabe como é que as coisas funcionam em Portugal: se não forem os “carolas” do costume, bem podemos ficar a ver os navios passar. E quando se trata de editoras de livros… Bom… O panorama está mesmo de meter medo.

Se não acreditam naquilo que estamos a dizer, então acreditem na escritora e cronista Inês Pedrosa. Numa das suas crónicas da revista Ler, esta grande senhora relata um facto real caricato: há uns meses atrás, um engraçadinho decidiu pregar uma bela partida aos presidentes das nossas queridas editoras. Pegou numa das grandes obras-primas da literatura portuguesa, a obra Até ao Fim de Vergílio Ferreira, mudou o nome do livro e das personagens e enviou o falso manuscrito às supostas “divulgadoras da cultura”, só para saber se este fabuloso romance seria aceite ou não. Resultado: todas as editoras, todas elas (!) recusaram publicá-lo, afirmando que “não era vendável”. Pior ainda, nem sequer reconheceram o livro que estavam a ler! Já tínhamos aqui dito, há cerca de uns três meses atrás, que as livrarias do nosso país estão reduzidas a romances light, obras de auto-ajuda e histórias de famosos. Agora já sabemos porquê: não é que não existam escritores com talento. O que não existem mais são editoras com visão.

Mas lá que ainda sobram algumas, isso é verdade: a Relógio de Água, a Assírio e Alvim e a Saída de Emergência são três grandes senhoras da cultura, cada uma delas especializada em vários estudos e géneros: a primeira é conhecida sobretudo por dar preferência à Filosofia, Antropologia entre outros saberes, a segunda sempre teve um carinho especial pela poesia e a terceira aborda as grandes obras da literatura fantástica. E se não fosse a Saída de Emergência, muitos leitores de hoje nunca teriam ouvido falar de um dos maiores mestres da literatura de terror: Howard Phillips Lovecraft.

clip_image004H.P.Lovecraft conseguiu a proeza extraordinária de influenciar uma enorme quantidade de escritores e artistas como, por exemplo, Stephen King, Umberto Eco, Jorge Luis Borges, Clive Barker, Tim Burton, Peter Jackson, John Carpenter, Chris Carter (o criador da famosa série Ficheiros Secretos) e até J.R.R.Tolkien. E, no entanto, custa a acreditar que tenha morrido por volta dos quarenta anos quase ignorado pelo mundo inteiro. Para sermos sinceros, ainda hoje este grande escritor é considerado um “autor de culto”, lido por um bando de “iluminados” ou “aluarados”, como preferirem chamá-los. E se não fosse um pequeno e quase anónimo grupo de ferozes fãs, que decidiram, durante as suas vidas, publicitar os contos e poemas do seu ídolo, hoje o legado literário deste grande mestre do terror estaria provavelmente esquecido nos caixotes de uma empoeirada loja alfarrabista.

Temos, portanto, que agradecer à “carolice” de um professor da Universidade Lusófona, José Manuel Lopes, por se ter dado ao trabalho de traduzir um gigantesco número de contos para a nossa língua. Neste estranho e fascinante “passatempo”, acompanharam-no um grupo de estudantes, convertidos ao sinistro e arrepiante mundo de Lovecraft, e, a reboque, o vocalista dos Moonspell também nos oferece uma mãozinha para completar o terror absoluto. Pois este é um mundo onde as sombras de um passado, ainda mais longínquo que o passado dos dinossauros, ainda faz enlouquecer os habitantes do nosso presente. E, pelos vistos, os portugueses parecem adorar o medo. É que a série Os Melhores Contos de Lovecraft já vai no quarto volume!

Preparem-se, portanto, para terem medo de dormir. Depois de lerem contos como O Despertar de Chtulhu, a Criatura na Soleira da Porta, A Sombra sobre Innsmouth e, sobretudo, A Sombra Vinda do Tempo, a vossa ideia do que é a realidade nunca mais será a mesma! Aliás, como o próprio Índice destes livros deixa bem claro,

NOTA IMPORTANTE:

OS EDITORES NÃO SE RESPONSABILIZAM POR MANIFESTAÇÕES DE INSANIDADE OU TENTATIVAS DE SUICÍDIO INDUZIDAS PELA LEITURA DESTA OBRA.

Se querem saber mais da obra deste escritor consultem:

http://intergalacticrobot.blogspot.com/2007/05/os-melhores-contos-de-howard-phillips.html

Boa leitura… E tentem dormir bem…

Ilustração retirada de: http://dreamhours.com/news.htm

terça-feira, setembro 15, 2009

Regressámos À Escola!!

E Aproveitamos para vos apresentar todos os cartoons famosos do momento, relativos a este tema. Não são lá muito felizes, mas nada como um bom par de gargalhadas para não levarmos a vida muito a sério.

No entanto, lá que dão que pensar, dão…

clip_image002

1- A Gripe A…

clip_image004

2- A Violência nas escolas…

clip_image005

3- Turmas difíceis…

clip_image006

4- Um pai falido a pensar em vender um rim, para comprar manuais e pagar a escola…

clip_image008

5- Cada um tem a sua opinião…

clip_image009

6- E pequeninos pesos sem importância…

Pela nossa parte…

Desejamos a todos um excelente começo!!!

clip_image002[5]

sábado, julho 04, 2009

Poesia Matemática

     millor                                            Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.


Texto extraído do livro "
Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.
Tudo sobre Millôr Fernandes e sua obra em "Biografias".

quarta-feira, julho 01, 2009

Morreu Pina Bausch

clip_image002

A maior parte dos portugueses nunca ouviu falar dela. Porém, para o mundo das artes, particularmente o mundo da dança, Pina Bausch é um ícone, uma lenda que, hoje sabemos, vinha sofrendo de um cancro destrutivo, que lhe levou a luz dos palcos e a clarividência dos visionários. Cinco dias antes, os médicos detectaram-lhe este monstro maligno no corpo, cinco dias depois morria na sua terra natal, Wuppertal, Alemanha, com apenas 68 anos.

Extraordinariamente tímida, refugiava-se no silêncio, na música, na leitura e nos amigos (sempre, sempre os mesmos). E refugiava-se nos cigarros. Eram estes que a mantinham calma nas entrevistas, pois não sabia o que fazer com as mãos, nesses momentos de agonia em que mais tinha que se expor.

Quando em 1973 iniciou a sua carreira como coreógrafa, o mundo não estava preparado para ela. Bailarinos que gritavam, que choravam, que riam no palco, gestos que se repetiam até à exaustão, tudo isto deixou mais da metade da Alemanha em choque, enquanto a restante parte a aplaudia entusiasticamente. Pouco a pouco, impôs o seu estilo, fez escola, granjeou respeito e admiração.

Até ao fim, confiou sempre no seu instinto. Se no início da sua carreira apostou na tristeza, na depressão, na fúria e na redenção, tornou-se com o tempo mais “sossegada”, mais serena, mais “tradicionalista”. Mas o génio, esse, foi sempre o mesmo.

Hoje, os palcos de todo o mundo ficaram mais vazios…

Vídeo: princípio do filme “Fala com Ela”, de Almodovar. Coreografia de Pina Bausch