quinta-feira, setembro 24, 2009

Lição De Vida – Há Dias Em Que Viver Cansa…

Mário de Sá Carneiro - Caranguejola

 

- Ah, que me metam entre cobertores,

E não me façam mais nada...clip_image002

Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,

Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...

Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira -

Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado

Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais - não quero mesmo brinquedos.

Pra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...

Que querem fazer de mim com este enleios e medos?

Não fui feito pra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar...

Noite sempre plo meu quarto. As cortinas corridas,

E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor...

Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -

Plo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,

Pra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?

- Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde

Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?

E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?

Deixa-te de ilusões, Mário! Bom edrédon, bom fogo -

E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará.

Pra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?

Tenham dó de mim. Co'a breca! Levem-me prà enfermaria! -

Isto é, pra um quarto particular que o meu Pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital, higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;

Em Paris, é preferível - por causa da legenda...

Daqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda -

E depois estar maluquinho em Paris fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,

Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.

Agora, no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras:

Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Paris - novembro 1915

Foto retirada de:

http://podospampas.blogspot.com/search?q=

terça-feira, setembro 22, 2009

Qual É Aquela Música, Qual É Ela?

Quantas vezes não ouvimos um anúncio, apaixonámo-nos por uma determinada canção ou voz… E agora a quem é que eu vou ligar, para saber o nome do grupo ou do/a cantora?

Pois bem, as vossas preces foram atendidas: no blog Aquela Música do Anúncio (http://aquelamusicanuncio.blogspot.com/search?q= ), exclusivamente português, todos os spots do momento são esmiuçados (um verbo muito popular, nos dias de hoje…), desde os artistas que fazem o furor do momento até à agência publicitária que construiu o dito “mini mini mini filme”.

Só peca por um pormenor: o autor deste blog nem sempre publica os seus “textos” com regularidade. É apenas uma questão de esperarmos com paciência pelas novidades…

E já agora… Lembram-se dos gingles? Pois, aquelas músicas que eram feitas de propósito para o anúncio e que colavam nos nossos ouvidos… Deixamos aqui algumas boas recordações…

 

segunda-feira, setembro 21, 2009

Livro Da Semana

 

clip_image002Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa

O livro começa de uma maneira muito estranha: num dia de grande tempestade, Bartolomeu Falcato, a personagem principal deste romance, assiste, estupefacto, à queda vinda do céu de uma belíssima mulher negra. Caiu - veio caindo, nua, negra, de braços abertos - quase ao mesmo tempo que um raio. O raio fez explodir o imbondeiro.

Como se fosse um anjo negro amaldiçoado. Estava morta.

Mas, ainda mais estranho, sabia quem esta mulher era. Cinco dias antes deste bizarro episódio, “conheceu-a” durante uma viagem de avião. Prendeu em mim a luz impiedosa dos grandes olhos negros, tão intensamente que baixei os meus. Chamava-se Núbia e contou-lhe que Deus falava com ela. Deus tinha decidido que ela seria a nova Virgem Maria. Deus escolhera-a para ser a nova Salvadora da Humanidade. Deus decidira que Bartolomeu Falcato iria ser o pai deste futuro Jesus Cristo.

A reacção da nossa personagem é perfeitamente compreensível: assim que pode, dá-lhe um número de telefone falso e, para sermos mais precisos, “dá à sola”. Como é que, cinco dias depois – que coincidência tão incrível! – esta mulher tomba do céu e quem testemunha a sua clip_image004queda é Bartolomeu e a sua amante Kianda?

E a história continua: o nosso herói, intrigado, começa a investigar o que realmente se passou, e depressa descobre que o próximo candidato a “anjo caído” é ele mesmo. Pelo caminho, encontramos outras personagens: um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.

Importa aqui lembrar que José Eduardo Agualusa deslocar-se-á a Serpa para falar deste novo romance. A sua palestra terá lugar no espaço VOL.

Para ler, com muito prazer.

Edição integral do primeiro capítulo:

http://www.agualusa.info/agualusa/texts/barroco_tropical_capitulo1.pdf

domingo, setembro 20, 2009

Hoje É O Dia Mundial Da Limpeza Das Praias, Mares E Oceanos

Realmente, há dias para tudo, pensamos nós. Porém, segundo a revista Visão de há duas semanas atrás, apenas 9% do lixo em Portugal é reciclado. O resto vai para aterros (66%), incineração (20%) e o resto serve para “reaproveitamento orgânico”. Números patéticos, que reflectem um país atrasado e desrespeitador do Tratado de Quioto.

Sejamos honestos: perdemos assim tanto tempo a separar o lixo e a guardarmos o mesmo num saquinho, sempre que vamos à praia ou fazemos um piquenique? Precisamos de sujar, sempre que nos divertimos? E não nos esqueçamos que o tempo de vida de um saco de lixo no Planeta Terra é de QUINHENTOS anos!

As férias já acabaram mas, para o próximo ano, pense bem: vivemos neste planeta mas não somos os donos dele!

E já que falamos de água…

Adiemus (do álbum “Songs of Sanctuary”)

 

sábado, setembro 19, 2009

Jazz Para Totós

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Pois, é aquela “música esquisita”, não é? Uns tipos a “martelarem” num piano ou a largarem sons muito alienígenas de um saxofone e de um trompete, com uns cantores à mistura a fazerem uns bizarros malabarismos vocais…

Olha, por acaso, até gosto, soa bem… Mas não percebo nada, só sei dizer se o som me agrada ou não. Quem está a tocar? O Chet Baker? Importa-se de soletrar? Qual é o nome do cd (e saca-se de uma caneta e de uma folhinha do bloco de notas)?

clip_image005Não se preocupem, não são os únicos a terem estas reacções. Segundo José Duarte, o grande entendido da música Jazz deste país, a esmagadora maioria dos portugueses vai a concertos deste género musical ou para se fazerem de finos ou porque agora está na moda e soa muito bem dizermos que percebemos “da coisa” ou então porque, simplesmente, sentimos curiosidade e queremos ouvir novos sons. Mas praticamente ninguém sabe ver a diferença entre o Swing, o Cool Jazz e o Free Jazz e Praticamente ninguém consegue identificar o trompete de um Miles Davis ou de um Art Farmer, entre outros exemplos.

Foi por isso mesmo que José Duarte concebeu um lindíssimo “livrito”, “livrito” este que é claro, objectivo, muito bonito e completo. Ideal para aqueles que se querem aventurar neste território, sem terem que procurar uma agulha no palheiro (a música Jazz é um verdadeiro mundo!) e, de caminho, aprenderem algumas lições básicas deste género musical.

Por isso, José Duarte esteve hoje em Serpa, no espaço VOL. Uma multidão aconchegante aguardava-o e ouviu atentamente histórias do Jazz e da sua vida. Elogiou o povo de Serpa, o queijinho local, a gastronomia. E, para finalizar com chave de ouro, mostrou-nos cinco versões da mesma música (“Blue Room”) tocadas e interpretadas por diferentes músicos.

clip_image007Um serão bem agradável, uma hora bem passada. Para quem não esteve presente, deixamos aqui um conselho: comprem já o livro, porque o mesmo está em vias de esgotar! E já que estivemos falando de Miles Davis, Chet Baker e Art Farmer, aqui vão três músicas, tocadas por dois instrumento: o trompete e o feliscórnio (Art Farmer). Comparem os estilos de cada um!

 

 

 

 

sexta-feira, setembro 18, 2009

Vinte Anos Para Salvar O Planeta

clip_image002 Os cientistas não estão nada optimistas: se daqui a duas décadas (há quem diga que temos dez anos…) não conseguirmos reduzir drasticamente a poluição no planeta, diminuirmos o aquecimento global e arranjarmos energias alternativas e viáveis que substituam, de uma vez por todas, o petróleo, bem podemos desistir da ideia de sermos pais. Afinal, trazer a este mundo um ser inocente que estará condenado à fome e à sede é um acto de egoísmo e não de amor.

De facto, os presságios não são nada positivos: quando chegarmos ao ano de 2025, quase todos os recursos naturais da terra estarão esgotados; quando chegarmos ao ano de 2050, a população humana terá duplicado o seu tamanho (hoje, somos sete bilhões, em 2050 seremos 14 bilhões); pela primeira vez na História da Humanidade, mais de metade dos seres humanos mora em grandes metrópoles, abandonando cada vez mais o campo e agricultura; mais de 90% das espécies marítimas já desapareceram dos oceanos, e hoje precisamos de percorrer milhares de quilómetros para encontramos peixe para comercializar; 90% dos rios da China estão irremediavelmente poluídos e as novas gerações de chineses que moram em gigantescas cidades como Pequim, nunca viram a luz do sol.

Podíamos continuar aqui a desfilar o nosso rosário de tragédias. Porém, deixamos aqui duas sugestões de leitura e visionamento: o documentário Home – O Mundo É A Nossa Casa, realizado por Yaan Arthus-Bertrand, já se encontra disponível na nossa biblioteca, e é um verdadeiro murro no estômago. O início deste filme é calmo, sossegado, contemplativo, pretende imitar o ritmo sereno do planeta. Porém, quando chegamos a essa praga chamada petróleo, todo o filme resvala para um inevitável fim trágico. O Homo Sapiens, isto é, o “o ser sábio”, parece ter enlouquecido e caminha para um processo de destruição e auto-destruição. E os números são verdadeiramente assustadores: enquanto que a Humanidade não pára de crescer (a título de exemplo, em apenas 40 anos, a pequenina aldeia de pescadores chamada Xangai é hoje um monstro de 16 milhões de habitantes), todo o planeta é vítima da gula e do instinto predatório e egoísta da nossa espécie. Há esperança? Há. No fim do documentário, há sugestões concretas e optimistas para revertermos o nosso comportamento. Porém, é caso para dizermos que, terminado o visionamento deste filme, ainda levaremos umas boas horas, ansiosos e preocupados.

clip_image004 Já a obra Colapso, do filósofo e Geógrafo Jared Diamond (já não era sem tempo, uma tradução na nossa língua!), pretende mostrar que, ao longo da História da Humanidade, existiram sempre grandes civilizações que se auto-destruíram, enquanto que outras foram inteligentes o suficiente para preverem o seu fim, o que as ajudou a criar estratégias de adaptação que lhes foram úteis para a sua futura sobrevivência.

E todas elas tiveram um ponto em comum: abusaram até à exaustão dos seus recursos naturais. Os exemplos são gritantes: o povo de Rapanui (os habitantes da famosa Ilha da Páscoa) sugou literalmente toda a vegetação da sua ilha, por causa da vaidade e da ostentação; a civilização Viking não só destruiu todos os ecossistemas onde esteve, como não soube parar a tempo, acabando, assim, por desaparecer da face da terra; o lindíssimo reino de Ankhor, no Cambodja, “matou” a terra, de tantas e tantas colheitas, que serviam para alimentar as bocas de milhões de habitantes; quanto aos Maias, o seu destino foi a morte, por terem esgotado todos os recursos naturais à sua volta.

Não contente com estes exemplos do passado, Jared Diamond prevê quais serão as “grandes civilizações” que, daqui a uns anos, poderão prosperar e quais serão aquelas que ficarão reduzidas a “cidades-fantasma”. Uma delas será a nação do Dubai: pode ser uma civilização próspera e visionária, mas não tem água, não tem agricultura, não aposta nos painéis solares… Não tem nada, a não ser o petróleo. E quando este terminar, será o fim desta civilização. Jared Diamond aproveita também para falar das razões que originaram o genocídio em Ruanda; demonstra as consequências trágicas dos pesticidas e da agricultura industrializada em muitas partes do planeta (um dos países mencionados é a Austrália); compara a estupidez do povo do Haiti, por ter espatifado as suas florestas, com o espírito visionário da República Dominicana, por ter sabido preservar o seu ecossistema. Finalmente, deixa-nos dois recados muito importantes: em primeiro lugar, são as populações que têm que mudar a mentalidade dos políticos, nunca o contrário. Estes não farão nada, enquanto o povo não se importar. Em segundo lugar, as civilizações que perdurarão serão aquelas que souberem respeitar e preservar os seus recursos naturais. Terá que haver, portanto, um equilíbrio entre o crescimento de uma determinada população e o impacto que este mesmo cria na mãe natureza.

Portugal escapará à sua morte? Segundo Jared Diamond, é bem possível que não. Segundo o mesmo, as nações que estão condenadas ao Colapso apresentam pelo menos quatro destes requisitos:

1) desflorestação e destruição do habitat natural,

2) problemas do solo (erosão, salinização e perda de fertilidade do solo),

3) problemas de gestão dos recursos hídricos,

4) caça excessiva,

5) pesca excessiva,

6) efeitos da introdução de novas espécies sobre as espécies autóctones,

7) aumento demográfico

8) aumento per capita do impacto dos seres humanos.

Ora, segundo esta lista, já temos quatro maus requisitos para a sobrevivência…

Para ler, com muita lucidez!

Se queres saber mais deste livro, poderás ler este site:

http://resistir.info/varios/jared_diamond_p.html

quinta-feira, setembro 17, 2009

Bibliomúsica

covers que conseguem ser tão boas ou melhores do que a canção original. Neste caso, permanecemos na dúvida. Tim Buckley ainda é hoje considerado um dos grandes génios da música dos anos sessenta e seguintes. Quantos aos This Mortal Coil, decidiram fazer-lhe uma pequena homenagem, através de uma versão lindíssima e muito marítima da sua famosa Song To The Siren. Descubra qual destas pequenas joiazinhas poderá encantar com mais facilidade as sereias de todo o mundo…

 

quarta-feira, setembro 16, 2009

Tenha Medo, Tenha Muito Medo!!!!!!

 

clip_image002 Já se sabe como é que as coisas funcionam em Portugal: se não forem os “carolas” do costume, bem podemos ficar a ver os navios passar. E quando se trata de editoras de livros… Bom… O panorama está mesmo de meter medo.

Se não acreditam naquilo que estamos a dizer, então acreditem na escritora e cronista Inês Pedrosa. Numa das suas crónicas da revista Ler, esta grande senhora relata um facto real caricato: há uns meses atrás, um engraçadinho decidiu pregar uma bela partida aos presidentes das nossas queridas editoras. Pegou numa das grandes obras-primas da literatura portuguesa, a obra Até ao Fim de Vergílio Ferreira, mudou o nome do livro e das personagens e enviou o falso manuscrito às supostas “divulgadoras da cultura”, só para saber se este fabuloso romance seria aceite ou não. Resultado: todas as editoras, todas elas (!) recusaram publicá-lo, afirmando que “não era vendável”. Pior ainda, nem sequer reconheceram o livro que estavam a ler! Já tínhamos aqui dito, há cerca de uns três meses atrás, que as livrarias do nosso país estão reduzidas a romances light, obras de auto-ajuda e histórias de famosos. Agora já sabemos porquê: não é que não existam escritores com talento. O que não existem mais são editoras com visão.

Mas lá que ainda sobram algumas, isso é verdade: a Relógio de Água, a Assírio e Alvim e a Saída de Emergência são três grandes senhoras da cultura, cada uma delas especializada em vários estudos e géneros: a primeira é conhecida sobretudo por dar preferência à Filosofia, Antropologia entre outros saberes, a segunda sempre teve um carinho especial pela poesia e a terceira aborda as grandes obras da literatura fantástica. E se não fosse a Saída de Emergência, muitos leitores de hoje nunca teriam ouvido falar de um dos maiores mestres da literatura de terror: Howard Phillips Lovecraft.

clip_image004H.P.Lovecraft conseguiu a proeza extraordinária de influenciar uma enorme quantidade de escritores e artistas como, por exemplo, Stephen King, Umberto Eco, Jorge Luis Borges, Clive Barker, Tim Burton, Peter Jackson, John Carpenter, Chris Carter (o criador da famosa série Ficheiros Secretos) e até J.R.R.Tolkien. E, no entanto, custa a acreditar que tenha morrido por volta dos quarenta anos quase ignorado pelo mundo inteiro. Para sermos sinceros, ainda hoje este grande escritor é considerado um “autor de culto”, lido por um bando de “iluminados” ou “aluarados”, como preferirem chamá-los. E se não fosse um pequeno e quase anónimo grupo de ferozes fãs, que decidiram, durante as suas vidas, publicitar os contos e poemas do seu ídolo, hoje o legado literário deste grande mestre do terror estaria provavelmente esquecido nos caixotes de uma empoeirada loja alfarrabista.

Temos, portanto, que agradecer à “carolice” de um professor da Universidade Lusófona, José Manuel Lopes, por se ter dado ao trabalho de traduzir um gigantesco número de contos para a nossa língua. Neste estranho e fascinante “passatempo”, acompanharam-no um grupo de estudantes, convertidos ao sinistro e arrepiante mundo de Lovecraft, e, a reboque, o vocalista dos Moonspell também nos oferece uma mãozinha para completar o terror absoluto. Pois este é um mundo onde as sombras de um passado, ainda mais longínquo que o passado dos dinossauros, ainda faz enlouquecer os habitantes do nosso presente. E, pelos vistos, os portugueses parecem adorar o medo. É que a série Os Melhores Contos de Lovecraft já vai no quarto volume!

Preparem-se, portanto, para terem medo de dormir. Depois de lerem contos como O Despertar de Chtulhu, a Criatura na Soleira da Porta, A Sombra sobre Innsmouth e, sobretudo, A Sombra Vinda do Tempo, a vossa ideia do que é a realidade nunca mais será a mesma! Aliás, como o próprio Índice destes livros deixa bem claro,

NOTA IMPORTANTE:

OS EDITORES NÃO SE RESPONSABILIZAM POR MANIFESTAÇÕES DE INSANIDADE OU TENTATIVAS DE SUICÍDIO INDUZIDAS PELA LEITURA DESTA OBRA.

Se querem saber mais da obra deste escritor consultem:

http://intergalacticrobot.blogspot.com/2007/05/os-melhores-contos-de-howard-phillips.html

Boa leitura… E tentem dormir bem…

Ilustração retirada de: http://dreamhours.com/news.htm

terça-feira, setembro 15, 2009

Regressámos À Escola!!

E Aproveitamos para vos apresentar todos os cartoons famosos do momento, relativos a este tema. Não são lá muito felizes, mas nada como um bom par de gargalhadas para não levarmos a vida muito a sério.

No entanto, lá que dão que pensar, dão…

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1- A Gripe A…

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2- A Violência nas escolas…

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3- Turmas difíceis…

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4- Um pai falido a pensar em vender um rim, para comprar manuais e pagar a escola…

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5- Cada um tem a sua opinião…

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6- E pequeninos pesos sem importância…

Pela nossa parte…

Desejamos a todos um excelente começo!!!

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sábado, julho 04, 2009

Poesia Matemática

     millor                                            Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.


Texto extraído do livro "
Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.
Tudo sobre Millôr Fernandes e sua obra em "Biografias".

quarta-feira, julho 01, 2009

Morreu Pina Bausch

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A maior parte dos portugueses nunca ouviu falar dela. Porém, para o mundo das artes, particularmente o mundo da dança, Pina Bausch é um ícone, uma lenda que, hoje sabemos, vinha sofrendo de um cancro destrutivo, que lhe levou a luz dos palcos e a clarividência dos visionários. Cinco dias antes, os médicos detectaram-lhe este monstro maligno no corpo, cinco dias depois morria na sua terra natal, Wuppertal, Alemanha, com apenas 68 anos.

Extraordinariamente tímida, refugiava-se no silêncio, na música, na leitura e nos amigos (sempre, sempre os mesmos). E refugiava-se nos cigarros. Eram estes que a mantinham calma nas entrevistas, pois não sabia o que fazer com as mãos, nesses momentos de agonia em que mais tinha que se expor.

Quando em 1973 iniciou a sua carreira como coreógrafa, o mundo não estava preparado para ela. Bailarinos que gritavam, que choravam, que riam no palco, gestos que se repetiam até à exaustão, tudo isto deixou mais da metade da Alemanha em choque, enquanto a restante parte a aplaudia entusiasticamente. Pouco a pouco, impôs o seu estilo, fez escola, granjeou respeito e admiração.

Até ao fim, confiou sempre no seu instinto. Se no início da sua carreira apostou na tristeza, na depressão, na fúria e na redenção, tornou-se com o tempo mais “sossegada”, mais serena, mais “tradicionalista”. Mas o génio, esse, foi sempre o mesmo.

Hoje, os palcos de todo o mundo ficaram mais vazios…

Vídeo: princípio do filme “Fala com Ela”, de Almodovar. Coreografia de Pina Bausch

segunda-feira, junho 22, 2009

domingo, junho 21, 2009

Tão Velhinhos E Ainda Tão Novos!!

clip_image002 Está bem, pronto, cá na biblioteca somos todos suspeitos: a “malta” cresceu a ver a série Star Trek (em português, chamava-se Caminho das Estrelas). Eram poucos os que perdiam um episódio e nem a praia nos fazia esquecer que, à tarde, era hora de termos um encontro com o capitão James T.Kirk, o Scottie, o Sulu, a tenente Uhura, o médico rezingão, sempre a entrar em fricção com uma das personagens mais amadas dos fãs da ficção científica: o cientista meio-humano meio-vulcano Spock.

clip_image005E, no entanto, sejamos honestos: os actores da primeira série eram péssimos, nota-se que os cenários eram feitos de plástico e de esferovite, os monstros alienígenas provocam-nos hoje mais gargalhadas do que medo, os efeitos especiais eram da era pré-digital… Por que razão, então, o Caminho das Estrelas é ainda tão amado e tão respeitado, a ponto de sentirmos vergonha (quase um acto de traição!) de admitirmos que a melhor série de ficção científica de todos os tempos é, provavelmente, a Babylon 5 (foi exibida na Sic Radical, há uns atrás)?

A resposta é simples: as histórias. Ainda hoje nos fascinam, de tal forma são complexas e colocam questões bastante pertinentes à nossa sociedade. Por detrás de todo um cenário de alienígenas e de naves espaciais, os enigmas e problemas que a série propõe ao público não são mais do que críticas construtivas ao mundo real em que vivemos. Star Trek falou de tudo: do racismo, da intolerância (a tripulação da nave Enterprise foi revolucionária: foi a primeira série de televisão que apresentou a clip_image008personagem de uma mulher negra que, em vez de ser uma mulher a dias, era uma tenente brilhante), foi uma série muitíssimo ecológica antes de este tema ser uma moda, falou de política, de desafios científicos e tecnológicos e, por mais absurdo que pareça, inspirou um gigantesco número de inventores e de cientistas, que cresceram a devorar todos os episódios desta série. Por exemplo: sabia que o telemóvel foi criado porque o dono da Motorola ficou fascinado com o tricorder que os tripulantes usavam, para comunicarem à distância? Sabia que a invenção do laser deve-se a esta série? Sabia que a invenção do disco rígido dos nossos computadores deve-se ao Caminho das Estrelas? Sabia que uma série de ideias científicas que hoje são discutidas (como, por exemplo, a velocidade da luz e a velocidade warp) foram buscar inspiração à nave Enterprise? E foi também graças a Spock e os seus amigos que, actualmente, há cérebros de todo o mundo a descobrirem a chave daquela que será, provavelmente, a descoberta científica mais importante de todas: o teleporte. No dia em que tal acontecer, a paisagem do planeta Terra sofrerá um abalo gigantesco: poderemos viver em Nova Iorque e trabalharmos em Serpa! Por outras palavras: Gene Roddenberry, o criador da Star Trek, não se limitou a imaginar o futuro: construiu-o!

Mas por que razão estamos a falar disto tudo? Porque as novas gerações podem agora ver o filme Star Trek, que já está nas salas de cinema, desde o dia 7 de Maio. Nele, voltamos a encontrar as velhinhas personagens da primeira série. Porém, a diferença reside no facto de que ficamos a conhecer o passado de Spock e James T.Kirk antes de fazerem parte da tripulação da nave Enterprise. Importa referir que muitas personagens sofreram modificações (quase que não reconhecemos a tenente Uhura!), mas o Spock, esse, permaneceu intocável. É que os fãs nunca perdoariam o realizador de cinema, se este mudasse nem que fosse o dedo mindinho dele!

Já agora, fiquem sabendo que o primeiro beijo entre duas raças, que o mundo viu na televisão, teve lugar… na série Star Trek. E só foi aprovado pelo Comité de Censura porque a culpa foi dos alienígenas! Se não acreditem, confirmem! (http://www.youtube.com/watch?v=WG_bHeoqaOc )

Vejam o trailer e, já agora, dêem uma espreitadela ao site oficial: é que podem dar um belo passeio na nave! http://www.startrekmovie.com/

Trailer (legendado):

sábado, junho 20, 2009

PNL: À Conversa Com…

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A propósito da Semana da Leitura (já os últimos dias do ano lectivo), o escritor João Mário Caldeira foi convidado para “bater uma prosa”, como dizem os brasileiros, com os alunos mais jovens desta escola. Ex-professor e eterno apaixonado pelo Alentejo, suas paisagens e pessoas, não lhe foi difícil estabelecer contacto com o seu público.

clip_image004 Após a exposição de um mini-filme de três minutos, onde foi feito o balanço geral do Plano Nacional de Leitura e da equipa da biblioteca/Centro de Recursos (está no fim deste texto), iniciou-se o “bate-papo”. Para surpresa de alguns, João Mário Caldeira elogiou as novas tecnologias, afirmando que a Internet, os blogs, o Messenger - e muitas outras plataformas de conhecimento e de redes sociais - têm oferecido às novas gerações um manancial de informações e de saberes que, antes, pura e simplesmente não existiam. Com efeito, os “audiovisuais”, no seu tempo de estudante, não passavam de slides expostos numa máquina que já podia estar velha. Quanto ao resto, a televisão era um luxo e ouvia-se mais a rádio.

Por isso mesmo, o estímulo vinha dos livros. As bibliotecas itinerantes da Calouste Gulbenkian marcaram toda uma geração de portugueses que, não tendo acesso às grandes obras da Literatura Nacional e Mundial – e muitas vezes porque não tinham dinheiro para as comprar – podia, assim, usufruir clip_image006do prazer de ler e de aprender, através da leitura. O Plano Nacional de Leitura é, na opinião deste escritor, um bom projecto nacional, uma vez que pode (re)ensinar os jovens a descobrir o gosto pelos livros. O “Admirável Mundo Novo” da Era Digital também traz, como é óbvio, as suas desvantagens, que podem ser suplantadas pelo gosto da escrita e da leitura.

Falou-se, por fim, daquilo que pode motivar a vontade de escrever. No caso de João Mário Caldeira, o Alentejo vive dentro da sua mente, e este amor desencadeia a escrita. Foram lidas passagens do seu mais recente livro, Discurso Do Sol, da “Edições Colibri”, e vários alunos colocaram questões interessantes, como, por exemplo, “Qual foi o livro que mais gostou de escrever?” ou “Quando começou o seu gosto pela escrita?” ou “Os alunos de hoje são menos criativos?” e, por fim, “É Possível motivar alguém a gostar de ler?”.

clip_image008Foram apenas quarenta minutos de conversa, mas valeu a pena. No fim, vários alunos levaram para casa… livros. É que a equipa da biblioteca decidiu motivar os jovens para a leitura… oferecendo-lhes “Um Rebuçado Para A Alma”, outra das actividades inseridas no PNL.

Não sabem do que estamos falando? Então, vejam as fotos e confirmem. Até ao final da próxima semana (estamos a aproveitar “a boleia” dos exames nacionais”), todos os alunos, professores e funcionários podem levar para as férias vários livros. Mais de vinte já voaram das estantes. Apressa-te, senão não sobrará nenhum!

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Video do Balanço Geral do Plano Nacional de Leitura:

sexta-feira, junho 19, 2009

PNL: Tratados Como Duques E Duquesas

A nossa escola já sabe que a turma A do sétimo ano ficou em segundo lugar, no concurso Inês de Castro, patrocinado pelo Plano Nacional de Leitura. Porém, e tendo em conta que este dia foi motivo de diversão, de convívio e de cultura, vale a pena mostrar aqui os bons momentos passados ao pé da famosa Quinta das Lágrimas, em Coimbra.

Vale a pena referir que, durante o almoço, todos nós tivemos a bonita ilusão de sermos membros da mais fina nata da Aristocracia: a refeição foi muito bem confeccionada, os empregados que nos atendiam eram de uma simpatia e de uma competência a toda a prova, os espaços verdes eram deslumbrantes e, após a entrega dos prémios, ainda tivemos tempo para fazermos uma visita guiada à Quinta das Lágrimas, onde toda a história e recuperação do local foram mostradas ao público, até ao último pormenor.

De volta a Serpa ainda houve tempo (como não podia deixar de ser!) para um pulinho ao McDonald’s. Chegámos tarde e a más horas, mas a boa disposição nunca diminuiu.

Resta-nos agradecer à professora de Espanhol Ana Galvão, que se disponibilizou para acompanhar a turma, a simpatia dos motoristas e a boa vontade da Câmara Municipal de Serpa, por nos ter cedido o seu autocarro. Sem o apoio de todos eles, a viagem teria sido irrealizável.

Para o ano, há mais!

Música dos Deolinda, obrigado.

 

quarta-feira, junho 17, 2009

Vejam e Leiam (VI)

Dos alunos do 7ºA: Amélia Alves, Cristian Soeiro, Margarida Machado e Miguel Monteiro - Primavera Interrompida", de Daniel Marques

segunda-feira, junho 15, 2009

Lição de Vida – O que é a Felicidade?

Pão e Poesia

Composição: Moraes Moreira - Fausto Nilo (poema cantado por Simone)

clip_image002Felicidade
É uma cidade pequenina
É uma casinha, é uma colina
Qualquer lugar que se ilumina
Quando a gente quer amar.


Se a vida fosse trabalhar
Nessa oficina,
Fazer menino ou menina,
Edifício e maracá,
Virtude e vício,
Liberdade e precipício,
Fazer pão, fazer comício,
Fazer gol e namorar.
Se a vida fosse o meu desejo,
Dar um beijo em teu sorriso
Sem cansaço
E o portão do paraíso
É teu abraço
Quando a fábrica apitar.


Não há passagemclip_image004
Entre o pão e a poesia
Entre o quero e o não queria
Entre a terra e o luar.
Não é na guerra
Nem a saudade
Nem futuro
É o amor no pé do muro
Sem ninguém policiar.
É a faculdade de sonhar,
É a poesia que principia
Quando eu paro de pensar.
Pensa na luta desigual,
Na força bruta, meu amor,
Que te maltrata
Entre o almoço e o jantar.


O lindo espaçoclip_image006
Entre a fruta e o caroço,
Quando explode é um alvoroço
Que distraiu o teu olhar.
É a natureza onde eu apareço
Metade da tua mesma vontade
Escondida em outro olhar.


E como doce
Não esconde a tamarinda
Essa beleza só finda
Quando a outra começar.
Vai ser bem feito
Nosso amor daquele jeito,
Nesse dia é feriado
Não precisa trabalhar.


Para não dizer
Que eu não falei da fantasia
Que acaricia o pensamento popular
O amor que fica entre a falaclip_image007
E a tua boca,
Nem mesmo a palavra mais louca
Consegue significar felicidade.


Felicidade
É uma cidade pequenina
É uma casinha, é uma colina
Qualquer lugar que se ilumina

Quando a gente quer amar.

 

Já agora, ouçam a música!

http://www.youtube.com/watch?v=Di3U6tZ7O9E

Imagens retiradas de:

http://www.elosmarketing.com.br/blog/?m=200712

http://iguanafricana.blogspot.com/search?q=

http://fundodaterra.blogspot.com/search?q=

sábado, junho 13, 2009

A Ciência Explica

Por que razão, ao fim de um dia, os biscoitos ficam moles e as carcaças ficam duras?

clip_image002

Não há português que não tenha assistido a este fenómeno: se nos distrairmos e deixarmos ficar um bolinho ou uma baguete “ao relento” durante uma noite, no dia seguinte reparamos que o primeiro está molinho e desfaz-se, ao passo que, no caso do “panito”, podemos utilizá-lo como arma de crime, comê-lo (com dificuldade!) e escaparmos aos tribunais. Como é que isto é possível se, afinal, o ar é o mesmo??!!

O segredo está no sal e no açúcar. Uma vez que os biscoitos têm muito mais sal e açúcar do que uma carcaça ou baguete, a tendência é para ficarem mais moles, visto que estes dois ingredientes absorvem a humidade do ar (é por isso que as nossas avós nos ensinam a pôr bagos de arroz no sal, para que este não fique “molhado”, nos dias de Inverno!). Como a estrutura do bolinho é mais densa do que a de um pão, a humidade fica mais concentrada dentro do seu “corpo”.

As baguetes não contêm açúcar, mas contêm, é óbvio, muito amido, um composto químico que existe nos vegetais. Este é composto por 20 por cento de amilose e 80 por cento de amilopectina. São nomes esquisitos, mas basta-nos saber que existem na farinha. Ora, acontece que a farinha não está minimamente interessada na humidade e, por isso mesmo, não “atrai” a água que existe no ar. As moléculas da amilopectina, que ficam separadas pela humidade enquanto o ar está fresco, aproximam-se umas das outras e arrumam-se melhor à medida que o pão vai secando. A baguete, durante a noite, perde a água que existe dentro do seu corpo, ficando, assim, dura.

O truque para amolecer o pão é… borrifá-lo com pingas de água e depois metê-lo no microondas ou no forno. O “milagre” nota-se logo: em vez de termos nas nossas mãos uma “arma do crime”, voltamos a ter “alimento” para o nosso estômago.

(informações retiradas do livro Porque Não Congelam os Pinguins?, da editora Casa das Letras.)

Imagem retirada de: http://bangalore-city.blogspot.com/search?q=

sexta-feira, junho 12, 2009

Hoje Rufaram Os Tambores Na Escola!

 

clip_image002 E não, ninguém declarou guerra a ninguém. Para quem tem acompanhado o programa cultural organizado pela Câmara Municipal de Serpa (já agora, aqui vai o site com toda a programação: http://www.cm-serpa.pt/) não perdeu a excelente performance dos Meninos de Minas, um grupo de bem-dispostos adolescentes brasileiros de Minas Gerais. Mas a surpresa foi grande quando, sem que ninguém soubesse, apareceram na nossa escola e ofereceram-nos meia-hora de muito boa disposição.

clip_image004 O projecto Meninos de Minas tem como objectivo integrar adolescentes em risco de exclusão social. Através da música, da dança e da criação dos seus próprios instrumentos musicais, pretende-se proporcionar a estes jovens brasileiros a possibilidade de um futuro melhor.

O espectáculo tinha terminado, mas os alunos da Escola Secundária de Serpa desafiaram os artistas a dar-lhes umas lições de Capoeira. É que o show tinha sido pequenino e a “galera” ainda queria mais…

Que voltem sempre!

Para saberes mais, podes consultar o site da Embaixada do Brasil em Portugal: http://www.embaixadadobrasil.pt/docs/noticias_detalhe.asp?idNoticia=73.

E, neste vídeo, podes dar uma espreitadela ao bem que este projecto faz bem ao meio ambiente:

http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=11531/noticia_interna.shtml

quinta-feira, junho 11, 2009

Bibliomúsica

Poucos conhecem-nos em Portugal, mas a sua música enfeitiça de tal forma, que vale a pena publicitarmos esta faixa, provavelmente uma das mais belas do seu álbum. Eis, senhoras e senhores, a música folk no seu melhor.

Como ainda não existe um vídeo para esta lindíssima canção, fiquem-se só pela canção.

E afinal… vídeo para quê? As boas músicas não precisam de vídeos…

The Fleet Foxes – Tiger Mountain Peasant song.

 

quarta-feira, junho 10, 2009

10 De Junho: Cinco Pequenos “Truques” Que Fazem Milagres

Não existe povo mais lamuriento do que o povo português. Levamos a vida a dizeclip_image002r mal de tudo e de todos. Levamos a santa vida a queixarmo-nos dos políticos, dos poderosos, dos colegas de trabalho, do patrão, da família, dos amigos, do empregado que serve os cafés, do funcionário da repartição das finanças, dos pombos, dos cães, dos gatos, de (já agora) Deus, dos santos, do mau tempo e do bom tempo e, por fim… de tudo o resto. O resultado está à vista: em vez de sermos uma nação bem-disposta e optimista, somos uns velhos precoces, incapazes de olharmos para o futuro com esperança e entusiasmo.

Longe vão os tempos em que os portugueses eram conhecidos mundialmente por serem “pobretes mas alegretes”. Como é que nós nos tornámos no povo mais depressivo da Europa é uma questão que ainda hoje é discutida, até porque existem nações europeias e mundiais com muito mais problemas do que a nossa e não é por isso que gastam o tempo todo a chorar e a dizer mal de tudo o que se mexe e pensa.

Ora bem: não se pode mudar as mentalidades de um dia para o outro, mas podemos melhorar o presente que nos rodeia. Serve este pequeno texto para falarmos de cinco pequenos gestos diários que podem fazer milagres ao nosso país. Experimentem e confirmem.

Truque número um: a boa educação abre portas – Sabe bem ouvir um “bom dia” ou “boa tarde” ou “boa noite”. Sabe bem ouvir um “se faz favor”, um “com licença”, um “obrigado”, um “desculpe”. Sabe bem ver uma cara sorridente, alguém que tenta comunicar connosco, em vez de impor a sua força e a sua agressividade. Quando as pessoas se sentem respeitadas, a sua disposição para ajudar o próximo aumenta exponencialmente. Aqueles nossos colegas, familiares ou amigos que “conseguem tudo dos outros” mais não fazem do que exercerem a boa educação. É por isso que eles passam sempre à nossa frente, saem das lojas com uma carrada de amostras, são sempre os primeiros a serem atendidos nos cafés e toda a gente lhes resolve um problema. Sorria mais, resmungue menos, respeite o próximo. Vai ver que não dói e não paga mais impostos por isso.

Truque número dois: não se atrase – Este item devia estar inserido no tópico da “boa educação”, mas é tantas vezes subestimado, que vale a pena ser destacado. O atraso é, segundo estudos internacionais, uma das razões porque Portugal está sempre… atrasado. Reuniões que começam meia-hora depois, encontros com empresários que começam uma hora depois, pessoas “penduradas” na mesa do café, porque os amigos chegam meia-hora depois… Chegar atrasado não é uma mania “tuga”: é uma grosseria. Os seres humanos não são imortais e, por isso mesmo, não se podem dar ao capricho de perderem tempo. Respeite a vida dos outros, cumpra prazos, não se alongue em conversas inúteis. Se todos os portugueses pensassem assim, sem dúvida que Portugal produziria mais riqueza.

Truque número três: divirta-se com pouco dinheiroclip_image004 – Um piquenique não é caro e garante uma boa tarde passada entre amigos e familiares. Uma ida ao jardim zoológico alegra qualquer criança. Um livro requisitado na biblioteca municipal não custa um tostão e alimenta a alma. Uma visita ao museu do lado está ao preço da uva mijona e é grátis para a pequenada. Um jantar entre amigos é garantia de boa disposição. O dinheiro proporciona-nos bem-estar e conforto mas não traz a felicidade. Se fosse assim, os ricos seriam as pessoas mais luminosas do planeta. E Deus sabe como muitos deles são infelizes. Pare de olhar com masoquismo para as montras dos centros comerciais e “vá para fora cá dentro”.

Truque número quatro: organize-se – Estudos confirmam: os clip_image006portugueses são dos povos mais desorganizados do mundo. E toda a gente sabe como a desorganização atrasa, mói o juízo, não traz satisfação pessoal e contribui para o aumento de problemas financeiros e mentais, a médio prazo. Fazer as coisas “em cima do joelho” é um hábito que temos de perder, de uma vez por todas. Não é fácil, mas é possível. Planeie as coisas com antecedência e tente o mais possível não deixar para amanhã o que pode fazer hoje. Vai ver que o seu stress diário irá diminuir!

Truque número cinco: arranje um passatempo – Não importa se é ponto-cruz, croché, bricolage, jardinagem, pintura, sessão de fitness, jogging, tirar fotografias, escrever, coleccionar selos, tocar um instrumento musical ou ler um livro. As pessoas que têm um passatempo são mais optimistas, mais mentalmente equilibradas, mais jovens e sentem-se mais realizadas. Uma vida de “trabalho-casa-casa-trabalho” e depois televisão não satisfaz ninguém. Você é um ser humano, você é importante: MIME-SE!

Fotos retiradas de:

http://newzar.wordpress.com/2009/01/

www.healingoutreach.com

http://www.eb1-dornelas-pampilhosa-serra.rcts.pt/actividades.htm

segunda-feira, junho 08, 2009

Livro Da Semana

clip_image002Crepúsculo, de Stephenie Meyer

Pronto, já chegou! Agradeçam à turma A do sétimo ano, porque foi graças ao segundo prémio do concurso “Inês de Castro”, do Plano Nacional de Leitura, que a escola ganhou um vale de cheques-Fnac, no valor de cinquenta euros. À justa para comprar os três volumes já saídos do mais romântico e famoso par de namorados da primeira década do século XXI (o lançamento do quarto volume, Amanhecer, está previsto, se não estivermos enganados, para o dia 9 de Junho).

Não vale a pena contar a história: a não ser que haja OVNIS a rondar Serpa e arredores, já toda a gente a conhece. Um belo vampiro apaixona-se por uma bela humana, e a simpática família de Edward protege-a e defende-a com garras e (desta vez literalmente) dentes. Para apimentar ainda mais a narrativa, temos uma luta milenar entre lobisomens (do lado do Bem) e vampiros (supostamente do lado do Mal). Por fim, ficamos a saber no segundo volume que esta raça de seres frios e imortais não é tão boazinha como pensamos. Talvez os Cullen sejam uma das grandes excepções que confirmam a regra…

Não sendo uma obra-prima literária, por que razão a biblioteca desta escola aconselha a leitura deste livro? Para começar, a história não se lê, devora-se. Qualquer leitor está ansioso para chegar ao fim, saber o que aconteceu, e fica a roer ansiosamente as unhas, à espera de próximo volume. Crepúsculo é aquele tipo de livros que pode criar em nós o tal desejado “clic!” que nos impulsionará para o gosto da leitura. É, repetimos, aquele tipo de livro que comprova aquilo que todos os amantes da leitura afirmam: ler é um prazer, não é uma seca. E é a maneira mais barata de viajarmos.

Em segundo lugar, o mito do vampiro está muitíssimo bem imaginado. Poucos são os escritores e realizadores de filmes que se apercebem de um facto muito importante: o vampiro não representa apenas a sensualidade e a liberdade. Representa também a solidão, o medo de ficarmos eternamente sozinhos num mundo onde toda a gente é feliz, menos nós. Porque, no fim de contas, há sempre um preço a pagar pelas nossas escolhas, e a Imortalidade é um “bem” que se paga muito caro. Os realizadores de cinema Friedrich Murnau e Francis Ford Coppola foram dos pouquíssimos artistas que abordaram este lado triste dos “filhos de Drácula”. Ao contrário da sanguessuga sensual que adora destruir e matar por puro e simples prazer, Stephenie Meyer opta por descrever uma família composta por seres solitários, que se juntam com o objectivo de se ampararem uns aos outros, e de proporcionarem uns aos outros o amor que não conseguiram ter, quando eram humanos.

De leitura compulsiva, vale a pena mergulharmos no universo ternurento desta escritora, a grande sensação da década, a seguir a J.K.Rowling.

quinta-feira, junho 04, 2009

Bibliomúsica

Eternamente Eternos

A moda pode mudar quinhentas vezes ao ano. Os computadores podem logo ficar fora de moda, ao fim de três meses. As novelas só ficam no ar durante seis meses. Os perfumes ficam rançosos, os Óscares são uma vez por ano, os artistas de rock podem ou não ficar para a História. Os casamentos vão e vêm. Mas os The Beatles serão sempre os The Beatles. Quer tenhamos dez, vinte, trinta, quarenta anos ou até mais, os “fabulous four” serão sempre uma marca de referência. Acompanham todas as gerações, assistem a todos os acontecimentos mundiais, e daqui a cinco séculos continuarão a ser escutados.

Por isso, aqui vai a nossa (uma de muitas) homenagem!

 

terça-feira, junho 02, 2009

Vejam e Leiam (V)

É da aluna Maria Rebocho, 7º A , o BookTrailer de hoje sobre “Adozinda” da escritora Sofia Ester.

segunda-feira, junho 01, 2009

Hoje É O Dia Mundial Da Criança!

E nada melhor do que o poeta Augusto Gil, para nos pôr de lagrimazinha nos olhos…

BALADA DA NEVE

clip_image002Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
clip_image004na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...


Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
. ..e cai no meu coração.

Augusto Gil

Fotos retiradas de:

http://xtremevssnow.blogspot.com/search?q=

www.rawa.org

Livro da Semana

 

clip_image002As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

As palavras que actualmente mais ouvimos e lemos, assim que abrimos uma televisão, uma rádio, um jornal, uma revista ou um blog, são as palavras “Crise Mundial”, “bolha”, “Crash”, “Bolsa de Valores”, “especulação”, entre outras. Talvez para os mais distraídos e para os jovens, estes termos sejam uma verdadeira novidade, especialmente se tivermos em conta que, pela primeira vez, muitos adolescentes já ouvem os pais dizerem “não” a muitos luxos ou mimos que lhes pedem. Passou a ser uma regra de ouro em todas as casas portuguesas apertar o cinto, desligar a luz dos quartos desocupados, fechar a torneira de água, parar de fumar, cortar nas despesas supérfluas… E rezar para que nenhum dos cônjuges seja despedido do seu emprego.

Porém, para os mais atentos e mais instruídos, a palavra Crash (que, em inglês, significa “queda”, “quebra”, “choque”, “embate”) provoca muitas más memórias, todas elas ligadas a um dos dias mais negros da História do Século XX.

Corria o ano de 1929 e parecia que tudo dançava ao som de uma orquestra formidável: o admirável mundo novo criado pelos americanos suscitava a inveja mundial. Os americanos estavam todos eles ricos e prósperos, todos tinham acções, carros, casa própria, terrenos, rádio, comida na dispensa (não estamos, obviamente, a incluir as minorias étnicas. Essas sempre foram pobres e discriminadas). Até que numa terça-feira do dia 24 de Outubro (a célebre Quinta-feira Negra”) um homem, que ainda hoje ninguém sabe quem foi, entra na Bolsa de Valores bastante exaltado, e pede para que as suas acções sejam imediatamente postas à venda. Pelo menos, esta é uma das lendas urbanas que se contam para aí…

E é então que o pânico se instala no mundo inteiro: como um jogo de dominó, cada país arrasta o outro para a falência e, de um dia para o outro, gigantescas fortunas entraram em colapso. Diariamente as pessoas atiravam-se dos prédios e muitas morriam literalmente à fome, deixando-se ficar estendidas nas ruas, até a senhora morte as vir buscar. À noite, recolhiam-se os cadáveres, enquanto os vivos dormiam. O desespero era tal que chegava-se inclusivamente a arrancar as pedras das ruas para as poder vender no mercado negro. O Grande Crash da Quinta-feira Negra deixou traumas irreversíveis nas bolsas de valores, e basta, actualmente, um pequeno número de acções começar a cair dia após dia, para os corretores começarem a suar frio. Concluindo, a Crise Mundial de hoje é apenas uma das muitas que já apareceram e, por enquanto, não se compara nem um pouco à de 1929 (para quem ficou interessado neste tema, consultem a excelente página da revista brasileira Veja: http://veja.abril.com.br/historia/crash-bolsa-nova-york/especial-quebrou-panico-acoes-wall-street.shtml). clip_image004

O que é que tudo isto tem a ver com o livro da semana? Muito simples: As Vinhas da Ira contam precisamente o desespero de uma família de agricultores que, não tendo dinheiro para pagar ao banco as suas propriedades, é literalmente escorraçada da sua casa. Juntamente com milhares e milhares e milhares de famílias na mesma situação, decidem rumar até ao paraíso prometido: a Califórnia, terra da fartura e das laranjeiras que, de tão cheias, dão para encher a barriga de milhões de crianças, mulheres, velhos, adultos. Entusiasmados, compram uma carripana a cair aos bocados e metem-se a caminho deste novo Eldorado. A “Estrada 66”, uma gigantesca auto-estrada que percorre os Estados Unidos da América de uma ponta à outra, tornou-se lendária e símbolo da luta e do sonho. Take the Route 66 tornou-se uma canção emblemática, escutada com amor e esperança por ricos e pobres (http://www.youtube.com/watch?v=dCYApJtsyd0). Ao longo do livro, estes miseráveis são explorados, enganados, espancados, humilhados por tudo e todos. A “Terra das Oportunidades” não dá, afinal, oportunidades a todos… E a família Joads vê-se, pouco a pouco, destruída e mutilada.

E há personagens que nos marcam para sempre, particularmente a mãe Joads, que faz tudo por tudo para que a família não se desintegre, e assiste, cada vez mais resignada, ao fim da sua vida segura e tranquila. O fim desta história é um fim aberto: a jovem Rosaharn, depois de descobrir que o filho que pariu estava morto, oferece o leite dos seus seios a um velho moribundo, um dos muitos também expulsos das suas terras. É impossível ler este livro sem chorarmos, nem que seja uma só vez. Não estamos a falar de números, de estatísticas, estamos a falar de pessoas, de dramas reais que efectivamente tiveram lugar naqueles dias.

clip_image005John Steinbeck teve sérios problemas, graças a este libelo anti-capitalismo: acusado de ser comunista (um dos piores insultos que se pode dizer a um americano), o governo e os poderosos, picados por se reconhecerem nesta obra-prima, tentaram destruir-lhe a vida e a carreira. Em vão: Steinbeck ganhou o prémio Pulitzer, um dos mais prestigiados prémios que se podem dar a um escritor. E ganhou o prémio Nobel. E ganhou o respeito. E ganhou a imortalidade…

E tão actual, que este livro é…

Imagens retiradas de:

Revista Veja (já mencionada acima)

http://www.designlessbetter.com/blogless/tags/the-new-economy