Dos alunos do 7ºB: Ana Borralho, Mariana Neca, Melinda Ramani e Steve Abrantes
segunda-feira, junho 22, 2009
domingo, junho 21, 2009
Tão Velhinhos E Ainda Tão Novos!!
Está bem, pronto, cá na biblioteca somos todos suspeitos: a “malta” cresceu a ver a série Star Trek (em português, chamava-se Caminho das Estrelas). Eram poucos os que perdiam um episódio e nem a praia nos fazia esquecer que, à tarde, era hora de termos um encontro com o capitão James T.Kirk, o Scottie, o Sulu, a tenente Uhura, o médico rezingão, sempre a entrar em fricção com uma das personagens mais amadas dos fãs da ficção científica: o cientista meio-humano meio-vulcano Spock.
E, no entanto, sejamos honestos: os actores da primeira série eram péssimos, nota-se que os cenários eram feitos de plástico e de esferovite, os monstros alienígenas provocam-nos hoje mais gargalhadas do que medo, os efeitos especiais eram da era pré-digital… Por que razão, então, o Caminho das Estrelas é ainda tão amado e tão respeitado, a ponto de sentirmos vergonha (quase um acto de traição!) de admitirmos que a melhor série de ficção científica de todos os tempos é, provavelmente, a Babylon 5 (foi exibida na Sic Radical, há uns atrás)?
A resposta é simples: as histórias. Ainda hoje nos fascinam, de tal forma são complexas e colocam questões bastante pertinentes à nossa sociedade. Por detrás de todo um cenário de alienígenas e de naves espaciais, os enigmas e problemas que a série propõe ao público não são mais do que críticas construtivas ao mundo real em que vivemos. Star Trek falou de tudo: do racismo, da intolerância (a tripulação da nave Enterprise foi revolucionária: foi a primeira série de televisão que apresentou a
personagem de uma mulher negra que, em vez de ser uma mulher a dias, era uma tenente brilhante), foi uma série muitíssimo ecológica antes de este tema ser uma moda, falou de política, de desafios científicos e tecnológicos e, por mais absurdo que pareça, inspirou um gigantesco número de inventores e de cientistas, que cresceram a devorar todos os episódios desta série. Por exemplo: sabia que o telemóvel foi criado porque o dono da Motorola ficou fascinado com o tricorder que os tripulantes usavam, para comunicarem à distância? Sabia que a invenção do laser deve-se a esta série? Sabia que a invenção do disco rígido dos nossos computadores deve-se ao Caminho das Estrelas? Sabia que uma série de ideias científicas que hoje são discutidas (como, por exemplo, a velocidade da luz e a velocidade warp) foram buscar inspiração à nave Enterprise? E foi também graças a Spock e os seus amigos que, actualmente, há cérebros de todo o mundo a descobrirem a chave daquela que será, provavelmente, a descoberta científica mais importante de todas: o teleporte. No dia em que tal acontecer, a paisagem do planeta Terra sofrerá um abalo gigantesco: poderemos viver em Nova Iorque e trabalharmos em Serpa! Por outras palavras: Gene Roddenberry, o criador da Star Trek, não se limitou a imaginar o futuro: construiu-o!
Mas por que razão estamos a falar disto tudo? Porque as novas gerações podem agora ver o filme Star Trek, que já está nas salas de cinema, desde o dia 7 de Maio. Nele, voltamos a encontrar as velhinhas personagens da primeira série. Porém, a diferença reside no facto de que ficamos a conhecer o passado de Spock e James T.Kirk antes de fazerem parte da tripulação da nave Enterprise. Importa referir que muitas personagens sofreram modificações (quase que não reconhecemos a tenente Uhura!), mas o Spock, esse, permaneceu intocável. É que os fãs nunca perdoariam o realizador de cinema, se este mudasse nem que fosse o dedo mindinho dele!
Já agora, fiquem sabendo que o primeiro beijo entre duas raças, que o mundo viu na televisão, teve lugar… na série Star Trek. E só foi aprovado pelo Comité de Censura porque a culpa foi dos alienígenas! Se não acreditem, confirmem! (http://www.youtube.com/watch?v=WG_bHeoqaOc )
Vejam o trailer e, já agora, dêem uma espreitadela ao site oficial: é que podem dar um belo passeio na nave! http://www.startrekmovie.com/
Trailer (legendado):
sábado, junho 20, 2009
PNL: À Conversa Com…
A propósito da Semana da Leitura (já os últimos dias do ano lectivo), o escritor João Mário Caldeira foi convidado para “bater uma prosa”, como dizem os brasileiros, com os alunos mais jovens desta escola. Ex-professor e eterno apaixonado pelo Alentejo, suas paisagens e pessoas, não lhe foi difícil estabelecer contacto com o seu público.
Após a exposição de um mini-filme de três minutos, onde foi feito o balanço geral do Plano Nacional de Leitura e da equipa da biblioteca/Centro de Recursos (está no fim deste texto), iniciou-se o “bate-papo”. Para surpresa de alguns, João Mário Caldeira elogiou as novas tecnologias, afirmando que a Internet, os blogs, o Messenger - e muitas outras plataformas de conhecimento e de redes sociais - têm oferecido às novas gerações um manancial de informações e de saberes que, antes, pura e simplesmente não existiam. Com efeito, os “audiovisuais”, no seu tempo de estudante, não passavam de slides expostos numa máquina que já podia estar velha. Quanto ao resto, a televisão era um luxo e ouvia-se mais a rádio.
Por isso mesmo, o estímulo vinha dos livros. As bibliotecas itinerantes da Calouste Gulbenkian marcaram toda uma geração de portugueses que, não tendo acesso às grandes obras da Literatura Nacional e Mundial – e muitas vezes porque não tinham dinheiro para as comprar – podia, assim, usufruir
do prazer de ler e de aprender, através da leitura. O Plano Nacional de Leitura é, na opinião deste escritor, um bom projecto nacional, uma vez que pode (re)ensinar os jovens a descobrir o gosto pelos livros. O “Admirável Mundo Novo” da Era Digital também traz, como é óbvio, as suas desvantagens, que podem ser suplantadas pelo gosto da escrita e da leitura.
Falou-se, por fim, daquilo que pode motivar a vontade de escrever. No caso de João Mário Caldeira, o Alentejo vive dentro da sua mente, e este amor desencadeia a escrita. Foram lidas passagens do seu mais recente livro, Discurso Do Sol, da “Edições Colibri”, e vários alunos colocaram questões interessantes, como, por exemplo, “Qual foi o livro que mais gostou de escrever?” ou “Quando começou o seu gosto pela escrita?” ou “Os alunos de hoje são menos criativos?” e, por fim, “É Possível motivar alguém a gostar de ler?”.
Foram apenas quarenta minutos de conversa, mas valeu a pena. No fim, vários alunos levaram para casa… livros. É que a equipa da biblioteca decidiu motivar os jovens para a leitura… oferecendo-lhes “Um Rebuçado Para A Alma”, outra das actividades inseridas no PNL.
Não sabem do que estamos falando? Então, vejam as fotos e confirmem. Até ao final da próxima semana (estamos a aproveitar “a boleia” dos exames nacionais”), todos os alunos, professores e funcionários podem levar para as férias vários livros. Mais de vinte já voaram das estantes. Apressa-te, senão não sobrará nenhum!
Video do Balanço Geral do Plano Nacional de Leitura:
sexta-feira, junho 19, 2009
PNL: Tratados Como Duques E Duquesas
A nossa escola já sabe que a turma A do sétimo ano ficou em segundo lugar, no concurso Inês de Castro, patrocinado pelo Plano Nacional de Leitura. Porém, e tendo em conta que este dia foi motivo de diversão, de convívio e de cultura, vale a pena mostrar aqui os bons momentos passados ao pé da famosa Quinta das Lágrimas, em Coimbra.
Vale a pena referir que, durante o almoço, todos nós tivemos a bonita ilusão de sermos membros da mais fina nata da Aristocracia: a refeição foi muito bem confeccionada, os empregados que nos atendiam eram de uma simpatia e de uma competência a toda a prova, os espaços verdes eram deslumbrantes e, após a entrega dos prémios, ainda tivemos tempo para fazermos uma visita guiada à Quinta das Lágrimas, onde toda a história e recuperação do local foram mostradas ao público, até ao último pormenor.
De volta a Serpa ainda houve tempo (como não podia deixar de ser!) para um pulinho ao McDonald’s. Chegámos tarde e a más horas, mas a boa disposição nunca diminuiu.
Resta-nos agradecer à professora de Espanhol Ana Galvão, que se disponibilizou para acompanhar a turma, a simpatia dos motoristas e a boa vontade da Câmara Municipal de Serpa, por nos ter cedido o seu autocarro. Sem o apoio de todos eles, a viagem teria sido irrealizável.
Para o ano, há mais!
Música dos Deolinda, obrigado.
quarta-feira, junho 17, 2009
Vejam e Leiam (VI)
Dos alunos do 7ºA: Amélia Alves, Cristian Soeiro, Margarida Machado e Miguel Monteiro - Primavera Interrompida", de Daniel Marques
segunda-feira, junho 15, 2009
Lição de Vida – O que é a Felicidade?
Pão e Poesia
Composição: Moraes Moreira - Fausto Nilo (poema cantado por Simone)
Felicidade
É uma cidade pequenina
É uma casinha, é uma colina
Qualquer lugar que se ilumina
Quando a gente quer amar.
Se a vida fosse trabalhar
Nessa oficina,
Fazer menino ou menina,
Edifício e maracá,
Virtude e vício,
Liberdade e precipício,
Fazer pão, fazer comício,
Fazer gol e namorar.
Se a vida fosse o meu desejo,
Dar um beijo em teu sorriso
Sem cansaço
E o portão do paraíso
É teu abraço
Quando a fábrica apitar.
Não há passagem
Entre o pão e a poesia
Entre o quero e o não queria
Entre a terra e o luar.
Não é na guerra
Nem a saudade
Nem futuro
É o amor no pé do muro
Sem ninguém policiar.
É a faculdade de sonhar,
É a poesia que principia
Quando eu paro de pensar.
Pensa na luta desigual,
Na força bruta, meu amor,
Que te maltrata
Entre o almoço e o jantar.
O lindo espaço
Entre a fruta e o caroço,
Quando explode é um alvoroço
Que distraiu o teu olhar.
É a natureza onde eu apareço
Metade da tua mesma vontade
Escondida em outro olhar.
E como doce
Não esconde a tamarinda
Essa beleza só finda
Quando a outra começar.
Vai ser bem feito
Nosso amor daquele jeito,
Nesse dia é feriado
Não precisa trabalhar.
Para não dizer
Que eu não falei da fantasia
Que acaricia o pensamento popular
O amor que fica entre a fala
E a tua boca,
Nem mesmo a palavra mais louca
Consegue significar felicidade.
Felicidade
É uma cidade pequenina
É uma casinha, é uma colina
Qualquer lugar que se ilumina
Quando a gente quer amar.
Já agora, ouçam a música!
http://www.youtube.com/watch?v=Di3U6tZ7O9E
Imagens retiradas de:
http://www.elosmarketing.com.br/blog/?m=200712
sábado, junho 13, 2009
A Ciência Explica
Por que razão, ao fim de um dia, os biscoitos ficam moles e as carcaças ficam duras?
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Não há português que não tenha assistido a este fenómeno: se nos distrairmos e deixarmos ficar um bolinho ou uma baguete “ao relento” durante uma noite, no dia seguinte reparamos que o primeiro está molinho e desfaz-se, ao passo que, no caso do “panito”, podemos utilizá-lo como arma de crime, comê-lo (com dificuldade!) e escaparmos aos tribunais. Como é que isto é possível se, afinal, o ar é o mesmo??!!
O segredo está no sal e no açúcar. Uma vez que os biscoitos têm muito mais sal e açúcar do que uma carcaça ou baguete, a tendência é para ficarem mais moles, visto que estes dois ingredientes absorvem a humidade do ar (é por isso que as nossas avós nos ensinam a pôr bagos de arroz no sal, para que este não fique “molhado”, nos dias de Inverno!). Como a estrutura do bolinho é mais densa do que a de um pão, a humidade fica mais concentrada dentro do seu “corpo”.
As baguetes não contêm açúcar, mas contêm, é óbvio, muito amido, um composto químico que existe nos vegetais. Este é composto por 20 por cento de amilose e 80 por cento de amilopectina. São nomes esquisitos, mas basta-nos saber que existem na farinha. Ora, acontece que a farinha não está minimamente interessada na humidade e, por isso mesmo, não “atrai” a água que existe no ar. As moléculas da amilopectina, que ficam separadas pela humidade enquanto o ar está fresco, aproximam-se umas das outras e arrumam-se melhor à medida que o pão vai secando. A baguete, durante a noite, perde a água que existe dentro do seu corpo, ficando, assim, dura.
O truque para amolecer o pão é… borrifá-lo com pingas de água e depois metê-lo no microondas ou no forno. O “milagre” nota-se logo: em vez de termos nas nossas mãos uma “arma do crime”, voltamos a ter “alimento” para o nosso estômago.
(informações retiradas do livro Porque Não Congelam os Pinguins?, da editora Casa das Letras.)
Imagem retirada de: http://bangalore-city.blogspot.com/search?q=
sexta-feira, junho 12, 2009
Hoje Rufaram Os Tambores Na Escola!
E não, ninguém declarou guerra a ninguém. Para quem tem acompanhado o programa cultural organizado pela Câmara Municipal de Serpa (já agora, aqui vai o site com toda a programação: http://www.cm-serpa.pt/) não perdeu a excelente performance dos Meninos de Minas, um grupo de bem-dispostos adolescentes brasileiros de Minas Gerais. Mas a surpresa foi grande quando, sem que ninguém soubesse, apareceram na nossa escola e ofereceram-nos meia-hora de muito boa disposição.
O projecto Meninos de Minas tem como objectivo integrar adolescentes em risco de exclusão social. Através da música, da dança e da criação dos seus próprios instrumentos musicais, pretende-se proporcionar a estes jovens brasileiros a possibilidade de um futuro melhor.
O espectáculo tinha terminado, mas os alunos da Escola Secundária de Serpa desafiaram os artistas a dar-lhes umas lições de Capoeira. É que o show tinha sido pequenino e a “galera” ainda queria mais…
Que voltem sempre!
Para saberes mais, podes consultar o site da Embaixada do Brasil em Portugal: http://www.embaixadadobrasil.pt/docs/noticias_detalhe.asp?idNoticia=73.
E, neste vídeo, podes dar uma espreitadela ao bem que este projecto faz bem ao meio ambiente:
http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=11531/noticia_interna.shtml
quinta-feira, junho 11, 2009
Bibliomúsica
Poucos conhecem-nos em Portugal, mas a sua música enfeitiça de tal forma, que vale a pena publicitarmos esta faixa, provavelmente uma das mais belas do seu álbum. Eis, senhoras e senhores, a música folk no seu melhor.
Como ainda não existe um vídeo para esta lindíssima canção, fiquem-se só pela canção.
E afinal… vídeo para quê? As boas músicas não precisam de vídeos…
The Fleet Foxes – Tiger Mountain Peasant song.
quarta-feira, junho 10, 2009
10 De Junho: Cinco Pequenos “Truques” Que Fazem Milagres
Não existe povo mais lamuriento do que o povo português. Levamos a vida a dize
r mal de tudo e de todos. Levamos a santa vida a queixarmo-nos dos políticos, dos poderosos, dos colegas de trabalho, do patrão, da família, dos amigos, do empregado que serve os cafés, do funcionário da repartição das finanças, dos pombos, dos cães, dos gatos, de (já agora) Deus, dos santos, do mau tempo e do bom tempo e, por fim… de tudo o resto. O resultado está à vista: em vez de sermos uma nação bem-disposta e optimista, somos uns velhos precoces, incapazes de olharmos para o futuro com esperança e entusiasmo.
Longe vão os tempos em que os portugueses eram conhecidos mundialmente por serem “pobretes mas alegretes”. Como é que nós nos tornámos no povo mais depressivo da Europa é uma questão que ainda hoje é discutida, até porque existem nações europeias e mundiais com muito mais problemas do que a nossa e não é por isso que gastam o tempo todo a chorar e a dizer mal de tudo o que se mexe e pensa.
Ora bem: não se pode mudar as mentalidades de um dia para o outro, mas podemos melhorar o presente que nos rodeia. Serve este pequeno texto para falarmos de cinco pequenos gestos diários que podem fazer milagres ao nosso país. Experimentem e confirmem.
Truque número um: a boa educação abre portas – Sabe bem ouvir um “bom dia” ou “boa tarde” ou “boa noite”. Sabe bem ouvir um “se faz favor”, um “com licença”, um “obrigado”, um “desculpe”. Sabe bem ver uma cara sorridente, alguém que tenta comunicar connosco, em vez de impor a sua força e a sua agressividade. Quando as pessoas se sentem respeitadas, a sua disposição para ajudar o próximo aumenta exponencialmente. Aqueles nossos colegas, familiares ou amigos que “conseguem tudo dos outros” mais não fazem do que exercerem a boa educação. É por isso que eles passam sempre à nossa frente, saem das lojas com uma carrada de amostras, são sempre os primeiros a serem atendidos nos cafés e toda a gente lhes resolve um problema. Sorria mais, resmungue menos, respeite o próximo. Vai ver que não dói e não paga mais impostos por isso.
Truque número dois: não se atrase – Este item devia estar inserido no tópico da “boa educação”, mas é tantas vezes subestimado, que vale a pena ser destacado. O atraso é, segundo estudos internacionais, uma das razões porque Portugal está sempre… atrasado. Reuniões que começam meia-hora depois, encontros com empresários que começam uma hora depois, pessoas “penduradas” na mesa do café, porque os amigos chegam meia-hora depois… Chegar atrasado não é uma mania “tuga”: é uma grosseria. Os seres humanos não são imortais e, por isso mesmo, não se podem dar ao capricho de perderem tempo. Respeite a vida dos outros, cumpra prazos, não se alongue em conversas inúteis. Se todos os portugueses pensassem assim, sem dúvida que Portugal produziria mais riqueza.
Truque número três: divirta-se com pouco dinheiro
– Um piquenique não é caro e garante uma boa tarde passada entre amigos e familiares. Uma ida ao jardim zoológico alegra qualquer criança. Um livro requisitado na biblioteca municipal não custa um tostão e alimenta a alma. Uma visita ao museu do lado está ao preço da uva mijona e é grátis para a pequenada. Um jantar entre amigos é garantia de boa disposição. O dinheiro proporciona-nos bem-estar e conforto mas não traz a felicidade. Se fosse assim, os ricos seriam as pessoas mais luminosas do planeta. E Deus sabe como muitos deles são infelizes. Pare de olhar com masoquismo para as montras dos centros comerciais e “vá para fora cá dentro”.
Truque número quatro: organize-se – Estudos confirmam: os
portugueses são dos povos mais desorganizados do mundo. E toda a gente sabe como a desorganização atrasa, mói o juízo, não traz satisfação pessoal e contribui para o aumento de problemas financeiros e mentais, a médio prazo. Fazer as coisas “em cima do joelho” é um hábito que temos de perder, de uma vez por todas. Não é fácil, mas é possível. Planeie as coisas com antecedência e tente o mais possível não deixar para amanhã o que pode fazer hoje. Vai ver que o seu stress diário irá diminuir!
Truque número cinco: arranje um passatempo – Não importa se é ponto-cruz, croché, bricolage, jardinagem, pintura, sessão de fitness, jogging, tirar fotografias, escrever, coleccionar selos, tocar um instrumento musical ou ler um livro. As pessoas que têm um passatempo são mais optimistas, mais mentalmente equilibradas, mais jovens e sentem-se mais realizadas. Uma vida de “trabalho-casa-casa-trabalho” e depois televisão não satisfaz ninguém. Você é um ser humano, você é importante: MIME-SE!
Fotos retiradas de:
http://newzar.wordpress.com/2009/01/
http://www.eb1-dornelas-pampilhosa-serra.rcts.pt/actividades.htm
segunda-feira, junho 08, 2009
Livro Da Semana
Crepúsculo, de Stephenie Meyer
Pronto, já chegou! Agradeçam à turma A do sétimo ano, porque foi graças ao segundo prémio do concurso “Inês de Castro”, do Plano Nacional de Leitura, que a escola ganhou um vale de cheques-Fnac, no valor de cinquenta euros. À justa para comprar os três volumes já saídos do mais romântico e famoso par de namorados da primeira década do século XXI (o lançamento do quarto volume, Amanhecer, está previsto, se não estivermos enganados, para o dia 9 de Junho).
Não vale a pena contar a história: a não ser que haja OVNIS a rondar Serpa e arredores, já toda a gente a conhece. Um belo vampiro apaixona-se por uma bela humana, e a simpática família de Edward protege-a e defende-a com garras e (desta vez literalmente) dentes. Para apimentar ainda mais a narrativa, temos uma luta milenar entre lobisomens (do lado do Bem) e vampiros (supostamente do lado do Mal). Por fim, ficamos a saber no segundo volume que esta raça de seres frios e imortais não é tão boazinha como pensamos. Talvez os Cullen sejam uma das grandes excepções que confirmam a regra…
Não sendo uma obra-prima literária, por que razão a biblioteca desta escola aconselha a leitura deste livro? Para começar, a história não se lê, devora-se. Qualquer leitor está ansioso para chegar ao fim, saber o que aconteceu, e fica a roer ansiosamente as unhas, à espera de próximo volume. Crepúsculo é aquele tipo de livros que pode criar em nós o tal desejado “clic!” que nos impulsionará para o gosto da leitura. É, repetimos, aquele tipo de livro que comprova aquilo que todos os amantes da leitura afirmam: ler é um prazer, não é uma seca. E é a maneira mais barata de viajarmos.
Em segundo lugar, o mito do vampiro está muitíssimo bem imaginado. Poucos são os escritores e realizadores de filmes que se apercebem de um facto muito importante: o vampiro não representa apenas a sensualidade e a liberdade. Representa também a solidão, o medo de ficarmos eternamente sozinhos num mundo onde toda a gente é feliz, menos nós. Porque, no fim de contas, há sempre um preço a pagar pelas nossas escolhas, e a Imortalidade é um “bem” que se paga muito caro. Os realizadores de cinema Friedrich Murnau e Francis Ford Coppola foram dos pouquíssimos artistas que abordaram este lado triste dos “filhos de Drácula”. Ao contrário da sanguessuga sensual que adora destruir e matar por puro e simples prazer, Stephenie Meyer opta por descrever uma família composta por seres solitários, que se juntam com o objectivo de se ampararem uns aos outros, e de proporcionarem uns aos outros o amor que não conseguiram ter, quando eram humanos.
De leitura compulsiva, vale a pena mergulharmos no universo ternurento desta escritora, a grande sensação da década, a seguir a J.K.Rowling.
quinta-feira, junho 04, 2009
Bibliomúsica
Eternamente Eternos
A moda pode mudar quinhentas vezes ao ano. Os computadores podem logo ficar fora de moda, ao fim de três meses. As novelas só ficam no ar durante seis meses. Os perfumes ficam rançosos, os Óscares são uma vez por ano, os artistas de rock podem ou não ficar para a História. Os casamentos vão e vêm. Mas os The Beatles serão sempre os The Beatles. Quer tenhamos dez, vinte, trinta, quarenta anos ou até mais, os “fabulous four” serão sempre uma marca de referência. Acompanham todas as gerações, assistem a todos os acontecimentos mundiais, e daqui a cinco séculos continuarão a ser escutados.
Por isso, aqui vai a nossa (uma de muitas) homenagem!
terça-feira, junho 02, 2009
segunda-feira, junho 01, 2009
Hoje É O Dia Mundial Da Criança!
E nada melhor do que o poeta Augusto Gil, para nos pôr de lagrimazinha nos olhos…
BALADA DA NEVE
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
. ..e cai no meu coração.
Augusto Gil
Fotos retiradas de:
Livro da Semana
As Vinhas da Ira, de John Steinbeck
As palavras que actualmente mais ouvimos e lemos, assim que abrimos uma televisão, uma rádio, um jornal, uma revista ou um blog, são as palavras “Crise Mundial”, “bolha”, “Crash”, “Bolsa de Valores”, “especulação”, entre outras. Talvez para os mais distraídos e para os jovens, estes termos sejam uma verdadeira novidade, especialmente se tivermos em conta que, pela primeira vez, muitos adolescentes já ouvem os pais dizerem “não” a muitos luxos ou mimos que lhes pedem. Passou a ser uma regra de ouro em todas as casas portuguesas apertar o cinto, desligar a luz dos quartos desocupados, fechar a torneira de água, parar de fumar, cortar nas despesas supérfluas… E rezar para que nenhum dos cônjuges seja despedido do seu emprego.
Porém, para os mais atentos e mais instruídos, a palavra Crash (que, em inglês, significa “queda”, “quebra”, “choque”, “embate”) provoca muitas más memórias, todas elas ligadas a um dos dias mais negros da História do Século XX.
Corria o ano de 1929 e parecia que tudo dançava ao som de uma orquestra formidável: o admirável mundo novo criado pelos americanos suscitava a inveja mundial. Os americanos estavam todos eles ricos e prósperos, todos tinham acções, carros, casa própria, terrenos, rádio, comida na dispensa (não estamos, obviamente, a incluir as minorias étnicas. Essas sempre foram pobres e discriminadas). Até que numa terça-feira do dia 24 de Outubro (a célebre Quinta-feira Negra”) um homem, que ainda hoje ninguém sabe quem foi, entra na Bolsa de Valores bastante exaltado, e pede para que as suas acções sejam imediatamente postas à venda. Pelo menos, esta é uma das lendas urbanas que se contam para aí…
E é então que o pânico se instala no mundo inteiro: como um jogo de dominó, cada país arrasta o outro para a falência e, de um dia para o outro, gigantescas fortunas entraram em colapso. Diariamente as pessoas atiravam-se dos prédios e muitas morriam literalmente à fome, deixando-se ficar estendidas nas ruas, até a senhora morte as vir buscar. À noite, recolhiam-se os cadáveres, enquanto os vivos dormiam. O desespero era tal que chegava-se inclusivamente a arrancar as pedras das ruas para as poder vender no mercado negro. O Grande Crash da Quinta-feira Negra deixou traumas irreversíveis nas bolsas de valores, e basta, actualmente, um pequeno número de acções começar a cair dia após dia, para os corretores começarem a suar frio. Concluindo, a Crise Mundial de hoje é apenas uma das muitas que já apareceram e, por enquanto, não se compara nem um pouco à de 1929 (para quem ficou interessado neste tema, consultem a excelente página da revista brasileira Veja: http://veja.abril.com.br/historia/crash-bolsa-nova-york/especial-quebrou-panico-acoes-wall-street.shtml). ![]()
O que é que tudo isto tem a ver com o livro da semana? Muito simples: As Vinhas da Ira contam precisamente o desespero de uma família de agricultores que, não tendo dinheiro para pagar ao banco as suas propriedades, é literalmente escorraçada da sua casa. Juntamente com milhares e milhares e milhares de famílias na mesma situação, decidem rumar até ao paraíso prometido: a Califórnia, terra da fartura e das laranjeiras que, de tão cheias, dão para encher a barriga de milhões de crianças, mulheres, velhos, adultos. Entusiasmados, compram uma carripana a cair aos bocados e metem-se a caminho deste novo Eldorado. A “Estrada 66”, uma gigantesca auto-estrada que percorre os Estados Unidos da América de uma ponta à outra, tornou-se lendária e símbolo da luta e do sonho. Take the Route 66 tornou-se uma canção emblemática, escutada com amor e esperança por ricos e pobres (http://www.youtube.com/watch?v=dCYApJtsyd0). Ao longo do livro, estes miseráveis são explorados, enganados, espancados, humilhados por tudo e todos. A “Terra das Oportunidades” não dá, afinal, oportunidades a todos… E a família Joads vê-se, pouco a pouco, destruída e mutilada.
E há personagens que nos marcam para sempre, particularmente a mãe Joads, que faz tudo por tudo para que a família não se desintegre, e assiste, cada vez mais resignada, ao fim da sua vida segura e tranquila. O fim desta história é um fim aberto: a jovem Rosaharn, depois de descobrir que o filho que pariu estava morto, oferece o leite dos seus seios a um velho moribundo, um dos muitos também expulsos das suas terras. É impossível ler este livro sem chorarmos, nem que seja uma só vez. Não estamos a falar de números, de estatísticas, estamos a falar de pessoas, de dramas reais que efectivamente tiveram lugar naqueles dias.
John Steinbeck teve sérios problemas, graças a este libelo anti-capitalismo: acusado de ser comunista (um dos piores insultos que se pode dizer a um americano), o governo e os poderosos, picados por se reconhecerem nesta obra-prima, tentaram destruir-lhe a vida e a carreira. Em vão: Steinbeck ganhou o prémio Pulitzer, um dos mais prestigiados prémios que se podem dar a um escritor. E ganhou o prémio Nobel. E ganhou o respeito. E ganhou a imortalidade…
E tão actual, que este livro é…
Imagens retiradas de:
Revista Veja (já mencionada acima)
http://www.designlessbetter.com/blogless/tags/the-new-economy
domingo, maio 31, 2009
O Dia Que Pertenceu às Línguas
No dia 19 de Maio, a Escola Secundária engalanou-se toda para
o “Dia Das Línguas”, à semelhança do que tem sido feito nos anos anteriores.
E o espectáculo teve início na biblioteca da escola, com a casa cheia, melhor dizendo, a rebentar pelas costuras. Era a “abertura oficial” de uma série de actividades que iriam preencher este dia.
Duas turmas de Literatura Portuguesa, sob a direcção do professor Vítor Brasão dedicaram cerca de quarenta minutos à poesia pré e pós 25 de Abril. Pelo caminho, grandes poetas foram homenageados: Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Sophia de Mello Breyner Andersen, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa… entre outros. Recitou-se, cantou-se, ouviram-se músicas de Zeca Afonso.
Houve de tudo neste dia: booktrailers exibidos na biblioteca, durante os intervalos; “Olimpíadas do Conto” (a cerimónia de entrega dos prémios será já na terça-feira!); torneios de Karaoke; teatro do grupo da escola “En Cena” (“Alto! Que a Barca Vai para o Inferno!”); danças de sevilhanas… Mini-feira do livro, patrocinada pelo saudoso “Projecto Lê”…![]()
Foi pena ter sido apenas um dia. Mas o ano lectivo já vai no fim e muitas outras actividades serão realizadas. Para o ano há mais!
Terminamos este texto com um pequeno vídeo da abertura oficial do Departamento de Línguas.
Infelizmente, a câmara de vídeo não estava a funcionar bem, pelo que só nos foi possível apresentar pequeninos trechos deste evento. No entanto, a homenagem, da nossa parte, é sincera!
Agradecemos, por fim, a todos os professores que colaboraram neste dia, assim como aqueles que, não sendo do Departamento de Línguas, gentilmente cederam as suas aulas e o seu tempo, de forma a proporcionarem bons momentos aos alunos e a toda a restante comunidade escolar.
sábado, maio 30, 2009
sexta-feira, maio 29, 2009
Voar em Grupo (1)
Uma vez que as turmas do sétimo ano estão, neste momento, a estudar a poesia (e a lê-la e a escrevê-la e a ouvi-la e a compreendê-la), a professora desafiou os alunos a criarem um poema em conjunto.
O tema e as fotografias eram exactamente os mesmos… Mas as turmas eram diferentes! Por isso mesmo, os resultados não podiam ser mais inesperados e mais deslumbrantes!
Deixamos aqui a pequena jóia criada pela turma A do 7º ano. Amanhã, será a vez dos alunos do B. Comparem e decidam quem são os melhores poetas!
quinta-feira, maio 28, 2009
Lição de Vida – Ser “original” ou fazer “figuras tristes”?
Durante muito tempo, as perucas fizeram moda, quer entre homens quer entre mulheres. Porém, no século XVIII, esta mania atingiu as raias do ridículo: os cabeleireiros de então (eram conhecidos como “os arquitectos do cabelo”) imaginavam penteados com perucas, que chegavam a atingir mais de um metro de altura.
O grande poeta satírico Nicolau Tolentino escreveu um poema que apresentamos abaixo, provavelmente a sua criação poética mais conhecida e famosa. Nela, encontramos uma mãe desesperada, porque descobre que há um colchão a menos na sua casa…
Por isso, da próxima vez que fores a uma festa, presta atenção aos conselhos do teu espelho. Existe uma diferença muito grande entre a originalidade e a figura triste!
O colchão dentro do toucado
Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a Mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.
A filha, moça esbelta e aperaltada
Lhe diz co´a doce voz que o ar serena:
“Sumiu-se-lhe um colchão, é forte pena!
Olhe não fique a casa arruinada …”
“Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?” E dizendo isto,
Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.
Ilustrações retiradas de:
terça-feira, maio 26, 2009
Bibliomúsica
Como tínhamos prometido na semana passada, colocamos neste blog mais uma música do grande cantor/poeta Patxi Andión, desta vez dedicada aos professores. Para ouvir muito atentamente...
Patxi Andion- El Maestro (O professor)
Con el alma en una nube
y el cuerpo como un lamento
viene el problema del pueblo
viene el maestro
el cura cree que es ateo
y el alcalde comunista
y el cabo jefe de puesto
piensa que es un anarquista
le deben 36 meses
del cacareado aumento
y el piensa que no es tan malo
enseñar toreando un sueldo
en el casino del pueblo
nunca le dieron asiento
por no andar politiqueando
ni ser portavoz de cuentos
las buenas gentes del pueblo
han escrito al "menestrerio"
y dicen que no esta claro
como piensa este maestro
dicen que lee con los niños
lo que escribió un tal Machado
que anduvo por estos pagos
antes de ser exilado
les habla de lo innombrable
y de otras cosas peores
les lee libros de versos
y no les pone orejones
al explicar cualquier guerra
siempre se muestra remiso
por explicar claramente
quien vencio y fue vencido
nunca fue amigo de fiestas
ni asiste a las reuniones
de las damas postulantes
esposas de los patrones
por estas y otras razones
al fin triunfó el buen criterio
y al terminar el invierno
le relevaron del puesto
y ahora las buenas gentes
tienen tranquilo el sueño
porque han librado a sus hijos
del peligro de un maestro
con el alma en una nube
y el cuerpo como un lamento
se marcha,se marcha el
padre del pueblo
se marcha el maestro.
segunda-feira, maio 25, 2009
Hoje é o Dia Internacional da Criança Desaparecida
Um homem vagueia pela cidade de Lisboa. Ao contrário dos alegres e solarengos postais para os turistas, a capital de Portugal é um atoleiro de carros, carros, carros. As pessoas são zombies, não são seres humanos. Não sorriem, não falam umas com as outras, não parecem ter sentimentos. Tão novas e já tão esvaziadas das suas almas…
Um homem vagueia pela cidade de Lisboa. A sua menina Alice desapareceu. Desapareceu, ponto final. Esfumou-se, saiu deste mundo sem deixar qualquer rasto. Nem uma impressão digital, nem um fio de cabelo, nem uma voz, nem uma testemunha.
E este pai vagueia pela cidade de Lisboa. Morto-vivo, quase sem dormir, recusa-se a desistir. Coloca câmaras por todos os cantos da capital, e todas as noites vê as cassetes, à espera de “tropeçar” na imagem da filha.
Até que um dia, parece que a viu mesmo…
Alice é um filme baseado numa trágica história verdadeira: o desaparecimento do Rui Pedro, há mais de dez anos. Hoje é o Dia Mundial da Criança Desaparecida. Em Portugal, desaparecem por dia duas crianças. Felizmente, a maior parte dos casos resolvem-se depressa. Mas há TANTAS que se esfumam, minuto a minuto…
Livro Da Semana
Um Crime no Expresso Oriente, de Agatha Christie
Todo o criminoso tem sempre um grande amigo, afirma esta grande escritora. Agatha Christie elevou o romance policial à categoria de “literatura de qualidade”. Antes dela, este tipo de histórias não eram consideradas obras de arte, eram vistas pelos intelectuais e académicos como sendo entretenimento de segunda classe, um divertimento feito para agradar as massas. Não eram romances dignos de ficarem para a História da Literatura.
Hoje, sabemos que estamos errados. Grandes mestres como Raymond Chandler (imperdível, O Grande Adeus), Georges Simenon, Rex Stout, Patricia Highsmith e Ruth Rendell, entre outros, demonstraram que as famosas murder stories podem ser verdadeiros rasgos de literatura da boa e da melhor que para aí se faz.
Inglesa até à raiz dos cabelos, Agatha Christie, no entanto, era exímia em criticar a sua própria sociedade. Criticava a mentalidade xenófoba dos ingleses que consideravam os estrangeiros pessoas suspeitas e inferiores (Poirot nunca será um ser humano visto como um “igual entre iguais”, quanto muito será tolerado pela classe alta da Inglaterra); criticava a mentalidade de castas sociais, bastante forte no seu tempo; criticava o machismo dos “cavalheiros” (e das próprias inglesas!); e são muitas as referências a personagens “dúbias”, meio masculinizadas ou efeminadas. Acima de tudo, Agatha Christie foi uma das grandes senhoras do romance policial “dedutivo”, ou seja, o crime descobre-se através da lógica e não através de perseguições com carros policiais, balas de um lado para o outro e xerifes fanfarrões e destemidos. São as famosas “células cinzentas” que desvendam a chave desse grande enigma que é sempre o crime.
Mas falemos da história: durante uma viagem no famoso “Expresso do Oriente” (a propósito: ainda se pode fazer esse percurso! Consulte a agência de turismo mais próxima), um americano antipático e arrogante é assassinado na sua cama. O cadáver é encontrado crivado de facadas. Há doze passageiros, para além do célebre detective Poirot, e todos têm um álibi, todos são insuspeitos! Como se tudo isto não bastasse, o comboio fica entalado na neve, em terra de ninguém. Poirot terá de desvendar o crime, antes de as autoridades chegarem e os passageiros dispersarem, cada um à sua vida…
Uma história empolgante, personagens fabulosamente descritas e um fim absolutamente inesperado. Agatha Christie, “A Rainha do Crime”, “A Duquesa da Morte”, no seu melhor!
domingo, maio 24, 2009
Vejam e Leiam (IV)
Aqui vai mais um "Booktrailer", desta vez dedicado à obra "Viagem ao Centro da Terra", de Júlio Verne. (Madalena Figueira, João Batista, Diogo Infante e Beatriz Mestre)
sábado, maio 23, 2009
Foi encontrado o “Elo Perdido”!!!! (Ou não?....)
Desde que o grande Charles Darwin desenvolveu a sua Teoria das Espécies, a justificação dos religiosos fanáticos, para contrariar as suas ideias tem sido sempre esta: se as espécies evoluem ao longo dos tempos, têm que existir “seres mistos”, isto é, animais que comprovem essa evolução, pelo simples facto de serem híbridos. E embora a teoria da Evolução seja, de facto, aquela que cientificamente é a mais correcta, encontrar espécies intermédias tem sido um bico-de-obra para os cientistas de todo o mundo.
Para começar, os fósseis são raríssimos, verdadeiras preciosidades que, miraculosamente, sobreviveram ao tempo e chegaram até nós. Além disso, muitos mas muitos destes espécimes encontram-se debaixo da terra e só acidentalmente é que são descobertos. Por fim, sempre que um objecto raro como este é encontrado, os cientistas dividem-se. O que torna tudo muito confuso para o público leigo (nós), que acompanha estas notícias.
Jorn Hurum, investigador do Museu de História Natural em Oslo (Noruega) chama-lhe “um sonho tornado realidade”, mas Jenz Franzen vai mais longe: as ossadas de Ida são, na sua opinião “a oitava maravilha do mundo”.
Para quê este “banzé” todo? A pequena Ida pode muito bem ser a ligação entre os actuais lémures… e os primeiros primatas humanos. “Este fóssil foi, até agora, o que pudemos encontrar mais próximo de um ancestral directo do Homem”, afirmou Jorn Hurum à televisão inglesa BBC.
À primeira vista, parece que estamos à frente de um esqueleto de um lémure (foto dois). Porém, o olhar atento e sábio dos cientistas fizeram-nos concluir que há ali qualquer coisa que não bate certo: o seu esqueleto assemelha-se mais aos dos primatas humanos, tem unhas em vez de garras, o polegar, à semelhança dos humanos, é oponente, os olhos não são laterais mas encontram-se, isso sim, no mesmo plano, possui talos nos tornozelos. O que nos faz chegar à conclusão de que estes ossos não pertencem a um primata humano, são os dentes, estes muito iguais aos de um lémure.
Como diz Jens Franzen, “não se trata de um antepassado directo dos humanos, sendo mais uma tia do que uma avó”.
Como era de se esperar, os cientistas estão muito, muito cautelosos. O esqueleto encontrado tem fortes probabilidades de ser um “elo perdido”, mas ainda há muito a estudar. Além disso, a gigantesca campanha publicitária, desenvolvida pelos jornais, internet e televisões de todo o mundo, pode criar uma reacção contrária: depois do enorme entusiasmo, podemos passar por uma enorme desilusão e uma maior descrença nas virtudes da Ciência. Não nos esqueçamos que os fanáticos religiosos andam, há mais de cem anos, a tentar desacreditar a Teoria da Evolução (os religiosos mais agressivos preferem acreditar na famosa e controversa Teoria do Criacionismo: http://pessoas.hsw.uol.com.br/criacionismo1.htm). Um passo em falso, expectativas goradas e a Ciência sofreria um abalo muito forte…
Esperemos pelas conclusões finais…
Fotos retiradas de:
Semanário Expresso (esqueleto de Ida)
sexta-feira, maio 22, 2009
O “Adeus” do Projecto/Lê
Num país onde o futebol é mais importante do que a descoberta da cura de uma doença; num país onde os centros comerciais são as novas catedrais e os cartões de crédito os novos deuses: num país onde o medo de perder o emprego leva-nos a pisar o colega do lado e a declarar guerra a quem não pensa como nós; num
país onde a palavra “jornalismo” é sinónimo de “obediência aos poderosos” ou “vamos lançar o escândalo para as audiências”; num país onde as escolas são vistas como lugares inúteis e os professores como mandriões que não sabem inspirar os alunos; eis que, neste estabelecimento escolar, um
grupo composto por quatro alunos de uma turma do 12º ano (Ana Aragão, Andreia Sebastião, João Pereira e Margarida Pires) escolheram como Área de Projecto o impensável: falar de livros e incentivar a comunidade escolar a descobrir o prazer da leitura.Foi hoje a “festa de despedida”… e a sala estava cheia. Cheia de turmas dos 7ºs aos 12ºs anos. Durante 90 minutos, o “quarteto-maravilha” expôs as razões que os levaram a escolher uma Área de Projecto tão insólita, explicaram os benefícios da leitura desde tenra idade, mostraram mini-filmes que corroboram a sua opinião e, acima de tudo, tiveram o cuidado de chamar duas pessoas que enriqueceram a sua palestra: a Dra. Cristina Galvão, membro do Plano Nacional de Leitura e o professor Vítor Encarnação, também ele escritor.
Foram 90 minutos bem passados, e quase que nem se deu pela passagem do tempo. Mostrou-se, através de exemplos práticos, como conquistar uma criança para o gosto dos livros desde muito pequena, truques para os pais poderem incentivar os seus petizes a se habituaram alegremente à presença destes instrumentos que nos proporcionam tantas horas de prazer, ouviram-se as opiniões de um escritor que iniciou a alegria da escrita graças a um desgosto de amor, e daí nunca mais parou… E foi um prazer enorme ver pais presentes, professores presentes, membros do Conselho Executivo presentes, elogios dos quatro cantos do País, um blog que, desde Novembro, chegou aos 5.400 visitantes… E a lagriminha no olho da nossa querida colega Dília Fournigault, a coordenadora da disciplina da Área de projecto.
Discretamente, e ao longo dos meses… Deram nas vistas. Foram excelentes
profissionais, dedicaram-se de corpo e alma à sua longa actividade, ouviram com humildade e entusiasmo os conselhos de pessoas mais experientes, foram elogiados e respeitados por todos aqueles que tiveram contacto com o seu trabalho. Foram de um rigor e de um brio a toda a prova. Por isso mesmo, a equipa da Biblioteca, Centro de Recursos e Plano Nacional de Leitura dedica este artigo a quatro “miúdos” que conseguiram surpreender sempre, e nunca esperaram mais deles mesmos do que a perfeição. A todos eles, um grande bem-haja!
Que pena já ser o 12º ano…
quarta-feira, maio 20, 2009
Bibliomúsica
O fim do Amor
Esta lindíssima canção, escrita por um “rapaz” de 23 anos, fala-nos de um casamento que, ao fim de 20 anos de existência, já não tem nada para dar ou oferecer. Passou a ser uma espécie de rotina tolerada entre duas pessoas.
Mostramos uma das grandes músicas de um dos cantores do século XX mais fabulosos… E injustamente muito esquecidos…
Na próxima semana, convidamos-te a ouvir a a canção “El Maestro” (O professor), também uma das mais emblemáticas deste cantor-poeta.
Patxi Andión, 20 Aniversário
Letra da Música
20 Aniversario-Palabras
20 años de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti, flores, perfumes.
Para mí.......! Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas
porque, porque no me habrían salido.
Ya sabes cosas de viejos!
Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
abonar nuestro destino,
tú bajabas la persiana,
yo, yo apuraba mi último vino.
Hoy, en esta noche fría,
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los niños.
Y... y ya ves, sólo palabras
sobre notas me han salido,
que al igual que tú y que yo,
ni se importan, ni se estorban,
se soportan amistosas,
mas, mas no son.....no son una canción.
Que helada que está esta casa!
Será que está cerca el río!
O es que entramos en invierno
y están llegando......están llegando
los fríos!
Fotos de:
http://jefftovar.com/wp-content/uploads/2007/07/fv_2005-06-23_loneliness-is-a-place.jpg
terça-feira, maio 19, 2009
Vejam e Leiam (III)
Aqui vai mais um booktrailer, da autoria de Pedro Rações, 7ºA… com música!
Divirtam-se!!!
segunda-feira, maio 18, 2009
Livro Da Semana
O Erro De Descartes, António R. Damásio
Estamos no ano de 1848. O calor aperta na Nova Inglaterra (Estados Unidos da América), o ar condicionado não existe e a multidão refresca-se como pode.
Phineas P.Gage não se pode dar a esse luxo: excelente “capitão” de uma equipa de trabalhadores encarregados de construir o futuro comboio que atravessará a cidade de Vermont, divertido, bem-disposto, um líder nato, bom colega de trabalho, é considerado pelos seus patrões o homem mais eficiente e capaz que se encontra a trabalhar para a Companhia Rutland & Burlington.
Mas este destino promissor irá mudar para sempre: no dia 13 de Setembro, um terrível acidente de trabalho marcará a história da Neurologia. Uma barra de ferro entra pela face esquerda de Gage, trespassa a base do crânio, atravessa a parte anterior do cérebro e sai a alta velocidade pelo topo da cabeça (ver segunda imagem). Gage aterra no chão a mais de trinta metros de distância do local do acidente e, para espanto de todos, está vivo e consciente. Horas depois, caminha, fala, ouve muito bem, consegue ver (se bem que apenas de um dos olhos) e parece estar na posse das suas faculdades.
Mas, como dizem os nossos avós, “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”: a personalidade amável e profissional de Phineas Gage esfumou-se. Tornou-se um homem caprichoso, egoísta, insensível aos problemas dos outros, utilizava uma linguagem cheia de palavrões e insultos extremamente agressivos, e não durou muito tempo para ser despedido, por “conduta imprópria”. Acabou os seus dias num bairro de má reputação, alcoólico, epiléptico e irascível. Tinha 38 anos de idade.
Foram precisos mais de 100 anos para que todas as peças deste puzzle se começassem a unir: Elliot, um paciente de António Damásio sofreu um acidente bastante semelhante ao de Gage. Para espanto de todos, os sintomas foram exactamente os mesmos: mudança repentina da personalidade, agressividade, ausência de sentimentos bons, um intelecto perfeitamente preservado. Foi a partir deste momento que Damásio começou a colocar uma hipótese: e se as emoções são as grandes criadoras do ser humano?
Somos educados a pensar que as emoções são, no geral, negativas.
A Razão, pelo contrário, sempre foi glorificada. As nossas avozinhas sempre nos ensinaram que as pessoas “com cabecinha” vão longe e a mente torna-nos mais inteligentes, mais humanos. Quanto aos outros que se deixam levar pelas emoções, esses são uns “totós”, uns fracos que não sabem controlar o seu destino. Pelo menos era assim que todos nós pensávamos, graças a um filósofo chamado Descartes: “Penso, logo Existo”, dizia ele. O corpo só funcionava porque a mente era dona e senhora dele. O corpo era um pacote para alma, nada mais.
No entanto, e através de muitos relatos coleccionados de acidentes de trabalho e de estranhas lesões cerebrais, os neurologistas não só compreenderam que a nossa mente é um aglomerado de zonas interligadas entre si como, inclusivamente, conseguiram detectar qual é a zona da fala, a zona do movimento, das memórias, das emoções, entre muitas outras.
E descobriram, completamente espantados, uma verdade que há cinquenta anos atrás seria inconcebível: são as emoções que nos ensinam a escolher os bons caminhos e as boas decisões da nossa vida, ao contrário da razão e da lógica. Este livro prova cientificamente que a “razão do coração” é correcta e real, não é uma história de contos de fadas e de pirosices de novelas da TV. Este livro explica-nos como o cérebro humano funciona, que partes do mesmo estão envolvidas na criação das emoções e das nossas escolhas pessoais, que “explosões químicas” ocorrem quando passamos por períodos de dúvida e de contemplação. E mostra-nos A+B que quem tem a última palavra é sempre a “Senhora Dona Emoção”, não a chata, altiva e arrogante “Doutora Razão”.
Afinal, os nossos avós é que eram sábios: segue o teu coração.
Quanto ao coração ser um segundo cérebro… Bem, essa é matéria para outro texto.
S:C:
domingo, maio 17, 2009
De Onde É Que Vem A Expressão…
Para Inglês Ver
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irónica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
(Excerto do poema Navio Negreiro, de Castro Alves)
Para quem está ou esteve atento às aulas de História, as palavras “navio negreiro” não são desconhecidas. Tratava-se de embarcações que tinham como objectivo capturar negros e “despachá-los” para as zonas de comércio de escravatura.
As condições desses mesmos barcos são lendárias e ainda hoje arrepiam: estes pobres seres humanos eram amontoados como se fossem sacos de batatas, não recebiam quaisquer tratamentos médicos, morriam de fome e as mulheres negras eram sistematicamente violadas pelos marinheiros (para quem quiser saber mais pormenores, consultem o artigo http://www.geocities.com/zumbi2000/trafico.htm). É triste dizer isto, mas foi graças aos portugueses e o seu vasto império que a escravatura foi reintroduzida na Europa e, mais tarde, nos Estados Unidos da América. É uma herança muito dura que o nosso país carrega. Porém, a História é a História, não se pode branqueá-la ou modificá-la. Serve-nos o consolo de sabermos que o Passado oferece-nos sempre lições de vida e pistas para aquilo que será o futuro da Humanidade.
Por volta do século XVIII, o Brasil firmou laços diplomáticos, políticos e económicos com a Inglaterra. Supostamente, um desses tratados tinha como objectivo reprimir o tráfico de escravos. Era suposto as duas nações estarem atentas às chegadas desses navios e impedir que estes “empresários” enriquecessem à custa do sofrimento de muitos seres humanos. O governo brasileiro tinha a obrigação expressa de patrulhar os mares e avisar os ingleses de qualquer embarcação suspeita.
Porém (onde é que já ouvimos isto…), ficou tudo no papel. Segundo o filólogo brasileiro R. Magalhães, (…) o tráfico continuava, fazendo o governo vista grossa à traficância. Dizia-se, por isso, que o nosso patrulhamento era fictício, isto é, apenas para inglês ver, como uma satisfação platónica aos acordos oficialmente firmados.
Desde então, a expressão “para inglês ver” serve para falarmos de algo que é “só fachada”, algo que não passa de uma mentira, de uma farsa. Ou, utilizando uma expressão que já referimos, “atirar poeira para os olhos”.
Ilustrações retiradas de:
















