sábado, março 14, 2009

Ainda Bem que A Internet Existe!

Dia Internacional Contra a Censura Na Internet

Estas imagens foram feitas por uma câmara francesa que assistiu a esta tragédia humana. Foi primeiro publicada na Internet.clip_image002

Ano:14 de Julho de 2008

Muhammad e o seu pai encontram-se atrás de um barril

clip_image003

Jamal, o pai, protege o seu filho

clip_image004“Não atirem, por favor”!!!

clip_image005Tiros. Uma criança morta.

clip_image006 A criança cai morta nos braços do pai.

clip_image007

Jamal fica chorando, no meio do tiroteio.

Retirado de: http://photosthatchangedtheworld.com/palestinian-father-shields-son/

quinta-feira, março 12, 2009

Ontem, Foi O Dia Europeu Das Vítimas Do Terrorismo

 

clip_image002

Poema da Morte na Estrada

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
estão quinhentos mortos com os olhos abertos.
A morte, num sopro, colheu-os aos molhos.
Nem tiveram tempo para fechar os olhos.
Eles bem sabiam dos bancos da escola
como os homens dignos sucumbem na guerra.
Lá saber, sabiam.
A mão firme empunhando a espada ou a pistola,
morrendo sem ceder nem um palmo de terra.
Pois é.
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis,
não lhes deu tempo para serem heróis.
Eles bem sabiam que o último pensamento
devia estar reservado para a pátria amada.
Lá saber, sabiam.
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento.
Não lhes deu tempo para pensar em nada.
Agora,
na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
são quinhentos mortos com os olhos abertos.

António Gedeão, in 'Linhas de Força'

clip_image004

quarta-feira, março 11, 2009

Baú da Avozinha

Um Perfume Só Para Mim!!

clip_image003 Há cerca de duzentos atrás, o perfumista era considerado um artista de génio, alguém que criava fórmulas químicas que ofereciam o amor eterno, a fortuna imediata, os favores dos poderosos, a juventude perpétua. O perfumista, nos tempos das grandes monarquias, possuía um poder invejável, a ponto de ser temido na corte e de ter ele próprio a sua legião de admiradores. Mas foi nos princípios do século XX, que a indústria do perfume começou a contemplar também a mulher da classe média, cada vez mais independente e mais vaidosa.clip_image001

Actualmente, vivemos num mundo absolutamente massificado. Não importa se vamos visitar o Irão, o Japão, a Tailândia, a Rússia, a China ou os Estados Unidos da América. Acabamos sempre por encontrar as mesmas marcas de telemóvel, as mesmas boutiques, os mesmos restaurantes de fast food. Vemos os mesmos filmes, as mesmas séries de televisão, os mesmos anúncios publicitários, ouvimos as mesmas músicas, vamos aos mesmos espectáculos e às mesmas lojas. E, claro, compramos os mesmos perfumes.

Talvez seja por isso mesmo que cada vez mais pessoas, fartas de fazer parte de uma cultura de massas, tenha tomado a decisão de criar os seus próprios perfumes em casa. Aliás, quem quer que visite a Internet, depressa descobrirá que as perfumarias caseiras são hoje um fenómeno mundial sem precedentes, de tal forma que os famosos órgãos de perfumista (ver primeira foto) “ressuscitaram”, para alegria de todos os amantes da tradição e da ecologia. Os criadores de perfume voltaram a ser artistas de renome, eternos amantes dos aromas, alquimistas entre o céu e a terra. Nomes como Annick Goutal, Serge Lutens (foto à esquerda) e Patricia de Nicolai circulam pelos salões de beleza, cocktails, exposições, galerias, empresas de cosméticos. E voltaram a fazer algo que já não se fazia há muito tempo: criar um perfume por encomenda.clip_image005

Vamos imaginar que estamos em Paris ou Florença. Se entrarmos no Salon Du Palais Royal ou na Ofissina Farmaceutica de Santa Maria Novella, encontraremos mestres dos aromas que estarão disponíveis para criar o perfume dos nossos sonhos. Primeiro, testarão a nossa pele e averiguarão quais são as notas de perfume que mais se ajustam à nossa epiderme. Há seres humanos que se dão extremamente bem com cítricos, mas não suportam cheiros emadeirados; e há aqueles cujos aromas florais combinam na perfeição com o seu PH, mas não conseguem suportar tons marinhos. Passada esta primeira fase, o/a cliente escolherá o seu aroma. Poderá ser um manjar de canela e pau-rosa, poderá ser uma essência que faça lembrar as estrelas ou uma selva amazónica. E pronto! Aqui temos algo único e pessoal: uma fragrância só nossa, que não existirá em parte alguma do planeta! Sem dúvida que estes perfumes por encomenda serão mais caros do que aqueles que compramos nos supermercados ou perfumarias. Mas o chic é sempre caro…

Para quem não tem dinheiro, mas não lhe falta imaginação, pode começar por construir o seu próprio aroma (há imensos blogs que explicam como fazê-la). Os perfumes são uma ciência, uma arte e um prazer. Não exigem muito tempo (para os amadores, é claro), mas exigem paciência. E são excelentes presentes para oferecermos à família, aos amigos e à nossa cara-metade.

E não há nada mais divertido do que usarmos um perfume feito por nós, que combina com a nossa cara, e que mais ninguém no mundo inteiro tem!

Um Blog que adora perfumes

http://perfumes-etc.blogspot.com/search?q=

Fotos retiradas de:

http://www.mimifroufrou.com/scentedsalamander/2008/06/index8.html

http://memoryanddesire.typepad.com/blog/2008/03/mandy-aftel.html

terça-feira, março 10, 2009

segunda-feira, março 09, 2009

Livro da Semana

 

clip_image002Mutilada, de Khady Koita

Ainda no rescaldo do Dia Internacional da Mulher, apresentamos uma obra biográfica que ainda hoje nos demonstra, com toda a sua honestidade crua, a condição de vida de muitos milhões de mulheres.

Todos nós já sabemos que ser um membro do sexo feminino não é nada fácil, mesmo nos países mais “progressistas” e mais “modernos”. As estatísticas comprovam-no: mais de metade das mulheres no mundo ocidental, possuem salários menores do que os dos seus colegas masculinos, mesmo que estejam a fazer exactamente a mesma coisa que eles; elas têm quatro ou cinco mais possibilidades de serem despedidas do que eles; são quatro vezes mais vítimas de violência física ou psicológica do que os homens; por fim, a pobreza na terceira idade dispara entre os membros do sexo feminino, devido ao facto de, ao longo da vida, terem tido sempre acesso a salários bastante menores do que os dos homens.

Mesmo assim, até podemos dizer que a vida das portuguesas é um paraíso, comparada com a de muitas outras, espalhadas pelos quatro cantos do planeta. Um dos rituais mais bárbaros e mais perigosos, consiste em submeter uma adolescente a uma mutilação aos órgãos genitais, de nome excisão. A história de Khady é um exemplo de vida para todos nós. Esta senhora passou por tudo: vinda do Senegal, escapou da fome; foi submetida contra a vontade à operação da excisão; teve que sofrer a tirania das tradições muçulmanas contra as mulheres; sofreu também a tirania das próprias mulheres; escapou do marido, ao refugiar-se num apartamento só para ela; escapou da chantagem emocional da própria família; escapou do fantasma da poligamia; conseguiu, à custa de muito esforço e empenho, o divórcio; tentaram raptar-lhe os filhos para o Senegal…

Por isso, da próxima vez que nos queixarmos do quanto somos infelizes e incompreendidos, o melhor mesmo é observarmos esta mulher e a força que, sozinha, conseguiu encontrar.

Mesmo quando o mundo inteiro estava contra ela.

Para saberes mais o que é a excisão: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Mutilacao_Genital_Feminina.htm

domingo, março 08, 2009

8 De Março - Dia Internacional Da Mulher

Deixemos os homens dar a sua opinião…

Por William Shakespeare:clip_image002

"Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam"
"A mulher que não sabe pôr as culpas no marido por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma."
"Se os maridos das esposas infiéis desesperassem, enforcar-se-ia a décima parte da humanidade."


Por Friederich Nietzche:
"Os homens trataram até agora as mulheres como pássaros que, vindos das alturas, perderam-se e vieram refugiar-se ao pé deles. Enfim, como algo mais delicado, mais vulnerável, mais selvagem, mais esquisito, mais doce, com mais alma. Mas algo que se deve engaiolar, para que não fuja."
"Tema o homem a mulher, quando a mulher odeia: porque, no fundo, o homem é simplesmente mau, ao passo que a mulher é perversa."
"Os mesmos sentimentos na mulher e no homem encontram-se desencontrados no tempo."


clip_image006Por Oscar Wilde:
"Um homem tem a idade da mulher que ele ama."
"Desconfia da mulher que confessa a verdadeira idade. Pois nesse caso, ela é capaz de dizer qualquer coisa."
"O maior castigo que o destino aplica ao homem é ver a sua mulher acabar parecida com a sua sogra."
"Os homens casam por que estão cansados. As mulheres, por curiosidade. Ambos acabam desiludidos.”

clip_image004Outros:
"Para Adão, o paraíso era onde estava Eva."- Mark Twain
"O casamento é uma excelente instituição. Se tu gostares de viver numa instituição..." -Groucho Marx
"Um bom casamento exige que o homem seja surdo e a mulher cega."-Sócrates
"Arranja uma mulher e casa. Senão, tornar-te-ás num filósofo."-Sócrates
"As mulheres precisam de uma razão para fazer sexo. Os homens, apenas de um lugar."-Billy Cristal
"O que é que as mulheres querem?"-Sigmund Freud
"Comecei a beber por causa de uma mulher e nunca tive oportunidade de lhe agradecer."-anónimo
"A língua é a última coisa que morre numa mulher."-Hipócrates george_bernard_shaw_2 (2)
"Presume-se que a mulher deva esperar imóvel, até ser cortejada. Mais ou menos como a aranha espera a mosca."-George Bernard Shaw
 

E, já agora, uma musiquinha muito feminista, feita por um homem! Para ouvir o poema com muita atenção…

Chico Buarque - Olhos Nos Olhos

http://www.youtube.com/watch?v=tNe3HqZiyyw&feature=related

sábado, março 07, 2009

Estante Do Mês

Este mês a Estante junta-se ás comemorações do Dia da Mulher!

 estantemulher

…E Os Papiros Cantaram!!!

clip_image002

Uma equipa de cientistas/arqueólogos franceses, chefiada por Annie Bélis, conseguiu transcrever e reproduzir, através de papiros do tempo de Alexandre o Grande, as letras, a melodia e os instrumentos musicais que então se utilizavam. Estamos a falar de pequenas canções da Grécia Antiga, que fizeram as delícias de pessoas como Júlio César ou o Imperador Adriano.

Quem já escutou estas pequenas joiazinhas do passado (estão disponíveis na página da revista Sciences et Avenir, a morada encontra-se no fim deste artigo) deve ter sentido uma enorme estranheza. Afinal, os nossos antepassados tinham outros gostos e a música tem sofrido imensas evoluções, ao longo de milhares de anos. De facto, estas canções parecem muito mais “orientais” do que ocidentais.

Os instrumentos preferidos de então eram a lira ou cítara de oito cordas, a flauta e o scabellum, uma espécie de sola de sapato em madeira, ligadas por uma charneira ou dobradiça. Por fim, o Tympanum, um tipo de tamborete, também fazia as delícias dos gregos e dos romanos.

Para escutares as músicas:

http://tempsreel.nouvelobs.com/actualites/sciences/homme_et_societe/20090217.OBS5198/des_papyrus_remis_en_musique.html

A imagem do “Hino à Trindade” (século IV depois de Cristo) foi retirada da mesma morada.

sexta-feira, março 06, 2009

Boas acções!! Participem…






Área de Projecto - 12ºD




Recolha de donativos para o centro de Acolhimento temporário – Buganvília


Um grupo de alunos da turma D do 12º ano, está a proceder a recolha de donativos para a instituição “centro de Acolhimento temporário – A Buganvília”. Pretende recolher, de acordo com o solicitado pela instituição:




  • Jogos para crianças



  • Livros de contos



  • Livros de pintar



  • Canetas



  • Lápis de cor



  • Lápis de cera



  • Plasticinas



  • Lápis



  • Apara-lápis



  • Borrachas



  • Cadernos

Solicitamos a colaboração da comunidade escolar com o seu contributo, para podermos tornar a vida destas crianças mais feliz.


Poderão entregar os donativos na biblioteca da escola, junto da respectiva funcionária, a partir do dia 2 de Março.


Obrigado pela colaboração

Grupo de alunos do 12ºD

Lição de Vida- Quando amamos, tudo é suportável…

clip_image002

O amor é tudo na vida dos homens: quando aparece é como se o mundo se transformasse, como se tudo se cobrisse de rosas, como se a atmosfera se perfumasse, como se os homens ficassem melhores. Todos pensam na sua amada durante o dia, nas horas de trabalho. Seja o milionário que ganha rios de dinheiro com um simples telefonema, seja a dactilógrafa que bate à máquina no escritório medíocre, seja o revolucionário que espera a morte num campo de concentração, seja o inútil que dorme até o meio-dia e que não tem o que fazer durante a tarde, seja o mestre de saveiro atravessando as águas com seu barco. Todos pensam um momento em seu amor, pensam com alegria, aquilo os descansa dos milhões, da sua máquina de escrever, da morte próxima, da inutilidade que igualmente pesa.

Jorge Amado

(Escultura de Camille Claudel, século XIX)

quinta-feira, março 05, 2009

World Press Photo 2009 – Foto do Ano

clip_image002 Mais uma casa abandonada. Mais uma família despejada. Mais um Banco que exigiu o “lar doce lar” de volta. Revoltados, os habitantes saíram. Mas antes, deixaram uma surpresa desagradável: espatifaram a sua moradia.

Este é um retrato cada vez mais comum, nos Estados Unidos da América. São às centenas de milhar os americanos que, recentemente, perderam as suas casas, sendo obrigados, muitos deles, a voltar para as habitações dos pais ou, pior ainda, não terem outra escolha senão morarem em roulottes de segunda mão ou na rua.

Esta foto tornou-se um símbolo da crise mundial, e o pobre agente Robert Koel limita-se a fazer, completamente impotente, o trabalho que lhe coube: averiguar se ainda vivia lá alguém. É o descalabro da sociedade ocidental, tão arrogante e tão convencida de que nada poderia derrubá-la…

A foto vencedora é da autoria de Anthony Suau.

Se queres ver a galeria dos vencedores, visita a página oficial:

http://www.worldpressphoto.org/index.php?option=com_photogallery&task=blogsection&id=19&Itemid=223&bandwidth=high

quarta-feira, março 04, 2009

A Ciência Explica

Por que motivo alguns cadáveres não se decompõem?

clip_image002Durante centenas e centenas de anos, as pessoas achavam que um corpo morto em excelente estado de preservação, apesar de ter sido enterrado décadas antes, só podia ter pertencido a um santo ou santa. Esse ser humano tinha sido, em vida, tão especial e tão puro, que nem a terra conseguia “comê-lo/a”… No entanto, ao contrário do que muita gente pensa, a preservação de corpos mortos não é frequente, mas também não é tão raro como se pensava. E hoje sabe-se que este fenómeno natural não tem qualquer ligação com deuses, purezas ou milagres.

Um corpo humano fica num estado de perfeita conservação, se o tecido adiposo conseguir criar uma substância que se parece ligeiramente com o sabão, de nome adipocera. Esta estranha “mistela” é feita de ácidos gordos saturados e sais de ácidos gordos. Esta camada gelatinosa já é conhecida pelos médicos forenses há muito tempo, e já tem ajudado a desvendar muitos crimes, devido ao excelente estado do corpo encontrado. Estas múmias naturais são conhecidas pelo nome “múmia de sabão”, embora as pessoas religiosas, que acreditem nestes “sinais sobrenaturais” usem mais o termo “múmia de santo”.clip_image004

Mas o que é que causa esta fenómeno? Obviamente, as condições climatéricas. O calor e a humidade são os grandes mestres da preservação. E é por isso mesmo que os “santos” e as “santas” encontram-se com mais facilidade nos países mediterrânicos. A Itália, por exemplo, está cheia deles, ao passo que, em países frios como a Inglaterra, não é muito comum encontrar estas múmias. A título de exemplo, foi encontrado recentemente um cemitério da época renascentista em Itália, e vários cadáveres, apesar de terem sido enterrados há centenas de anos atrás, estavam como novos… Na verdade, o caso mais extraordinário de todos é o da Santa Bernardette (ver segunda imagem) que, ainda hoje, está em perfeito estado de conservação.

Alguns factos curiosos: os cadáveres das mulheres têm tendência para se degradarem menos, uma vez que os membros do sexo feminino possuem mais quantidade de gordura no seu corpo. Além disso, são as pessoas gordas que mais se podem candidatar ao prémio “múmia do ano”, visto que a adipocera forma-se muitíssimo depressa nos seres humanos obesos. Também ajuda envolver o corpo numa mortalha húmida, composta por fibras sintéticas, e se encontrarmos a existência de uma substância chamada formaldeído, no túmulo ou cova.

(imagens retiradas de:

http://clareiradigital.ontudo.net/2008/10/27/sobrenatureba-mumia-de-santos/ )

terça-feira, março 03, 2009

De onde é que vem a expressão…

Lançar poeira nos olhos

clip_image002 Quase nos custa a acreditar que, há umas simples décadas atrás, as ruas estavam inundadas de pó! E tal situação desagradável agudizava-se nas grandes capitais. O número gigantesco de pessoas a circular de um lado para o outro; as carroças e, mais tarde, os carros; a quantidade infindável de animais que partilhavam o espaço da cidade com os humanos (cães, gatos, cavalos, porcos, ovelhas, burros, etc); sem falarmos das construções de edifícios e reparações de muitas estruturas; tudo isto provocava imensas avalanches de pó a pairar no ar. Diz-se que, no início do século XX, Nova Iorque era um lugar onde só se podia circular com um lenço na boca, tal era a massa das multidões e tal era o seu galopante crescimento. Hoje, a esmagadora maioria das urbanizações do mundo ocidental possuem ruas e estradas devidamente pavimentadas, o que facilita e muito a diminuição da poluição no ar.

Hoje, o efeito desagradável do pó (comichão no nariz, tosse compulsiva, falta de ar e olhos a arder) só é sentido, actualmente, nas grandes corridas de automóveis. Porém, na Grécia antiga, os atletas dos jogos olímpicos corriam em caminhos arenosos. Ora, aqueles que corriam à frente levantavam imensas massas de poeira àqueles que estavam mais atrasados, o que os confundia bastante e os atrasava ainda mais!

Podemos concluir que, embora o sentido literal da expressão se tenha perdido, a mensagem continua a ser a mesma: “lançar poeira nos olhos” é confundir o vizinho do lado, distraí-lo, para podermos fazer sossegadamente aquilo que nos interessa.

 

Larga o osso! (ou Larga o osso, piranha!, no Brasil)

clip_image004 É o que costumamos dizer, quando um homem/mulher não pára de perseguir teimosamente a sua presa, ou seja, o seu futuro namorado ou futura namorada. Mas esta expressão, curiosamente, está mesmo ligada a um monte de ossos!

Expliquemo-nos então. Quando Vasco da Gama morreu, os seus ossos foram inicialmente trasladados para a Capela da Quinta do Carmo, na Vidigueira, e lá ficaram sossegadinhos durante doze anos (não nos esqueçamos que este português famoso era conde da Vidigueira). Porém, assim que a construção do célebre mausoléu do Mosteiro dos Jerónimos terminou, o governo de então achou por bem transferi-los para a capital do país. Como devem calcular, os vidigueirenses, orgulhosos da honra de terem restos mortais tão ilustres, não acharam piada nenhuma à decisão das autoridades. Vai daí… Trocaram os esqueletos!

A mentira não durou muito tempo: a comissão encarregada de recolher o defunto depressa constatou que aqueles ossos não podiam, de forma alguma, pertencer ao grande Vasco da Gama. Para começar, este português era conhecido por ser um homem muito forte e espadaúdo. Além disso, sabia-se que os ossos, enquanto estiveram enterrados na Índia, tinham adquirido uma coloração avermelhada, devido à natureza do solo que os cobrira. Com efeito, os restos mortais que tinham nas suas mãos, não correspondiam a nenhuma destas características.

Como é de se calcular, foi enviada outra delegação a Vidigueira e, desta vez, debaixo da fúria da multidão, levaram o verdadeiro defunto para Lisboa. E, durante muito tempo, os vidigueirenses passaram a ser conhecidos por “Larga o osso”…

Corredores olímpicos retirados de:

http://www.britannica.com/EBchecked/topic-art/1453062/76169/Ancient-Greek-vase-depicting-Olympic-runners-525-BC

Túmulo de Vasco da Gama retirado de:

http://tumulosfamosos.blogspot.com/search?q=

segunda-feira, março 02, 2009

Livro Da Semana

clip_image002

Lisboa Triunfante, de David Soares

A literatura portuguesa do género fantástico está finalmente a dar frutos, a nível internacional. Escritores como Filipe Faria, Ricardo Pinto e David Soares começam a ser conhecidos em países como Inglaterra, Estados Unidos da América, França e até Irlanda. No caso da editora portuguesa, Saída De Emergência, foi tomada a decisão de se criar duas capas e não uma, para a mesma obra: o leitor pode optar por comprar o lagartinho ou a raposa, dependendo do gosto de cada um. Convém lembrar que esta editora é apenas um dos melhores cantinhos literários em Portugal, se não o melhor, onde se pode encontrar “a fina nata” do género fantástico. Nesta colecção, já se publicaram verdadeiras obras-primas emblemáticas, como A Voz do Fogo, de Alan Moore e Titus: O Herdeiro de Gormenghast, de Mervyn Peake.clip_image004

E porquê as duas capas? Bom, vamos dar voz à contra-capa do livro: “Lisboa Triunfante” é um romance épico sobre a rivalidade entre duas figuras misteriosas (a raposa e o lagarto), cuja contenda milenária se cruza com a história da capital portuguesa. Desde as origens pré-históricas de Lisboa até aos anos turbulentos que antecederam a implantação da República, passando pela elevação da cidade a capital do Reino por Afonso III e pela construção enigmática do Mosteiro dos Jerónimos, a galeria de personagens que dão vida a Lisboa Triunfante contém figuras como Frei Gil de Santarém, D. João V e Aquilino Ribeiro.

Ao estilo de A Voz do Fogo, de Alan Moore, esta obra é uma série de mosaicos, e quase que podemos lê-la a partir do meio, do fim ou do princípio. O universo de David Soares é tão estranho que, simplesmente, não conseguimos pousar o livro, nem sequer para tomarmos um banho. Convém, porém, avisarmos que esta história tem que ser lida até à última página, uma vez que muitas das questões que nos surgirão, à medida que acompanhamos as personagens, só serão respondidas nas últimas páginas do romance.

Eis um livro para todos aqueles que possuem uma imaginação selvagem e adoram voar para outras realidades paralelas…

S.C.

domingo, março 01, 2009

Um Pedaço Da Nossa Escola

clip_image002

clip_image004PROGRAMA EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE

Ano lectivo 2008/2009

Clube Dos Sabores

A equipa da Educação para a Saúde, no âmbito da temática da educação alimentar, tomou a iniciativa de criar o “ Clube dos Sabores” onde os alunos podem aprender a cozinhar pratos saudáveis, normas de higiene e bons hábitos alimentares.  Essa ideia surgiu inspirada pela participação da equipa do Projecto de Saúde no Seminário sobre Educação alimentar realizado, em Lisboa, no dia Mundial da alimentação (16 de Outubro de 2008).

O Clube dos Sabores funciona, quinzenalmente, à 4ª feira das 15h às 16h:30m, na cantina da escola. O Clube é formado por 22 alunos do ensino básico e secundário, por professores da Equipa do projecto de Saúde, professores voluntários e funcionárias da cozinha.

O programa do Clube apresenta as seguintes actividades: sopas; saladas (pratos frios); peixe; carne; arroz; sobremesas; pratos vegetarianos e sandes saudáveis. Na semana antes de cada uma das sessões práticas (confecção das refeições) nos chamados “encontros com receitas”, alunos e professores seleccionam duas de várias receitas trazidas, para depois serem aplicadas.

No final de cada sessão, com os pratos devidamente confeccionados, alunos e professores reúnem-se à mesa e saboreiam verdadeiros manjares.

Ensinando os alunos a confeccionar refeições mais saudáveis, a escola consegue, assim, ajudar a criar adultos saudáveis. É, sem dúvida, um bom ensinamento.

A equipa de Educação para a Saúde

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Lição de Vida – Dois Poemas de Amor do Antigo Egipto

Há flores de Zait no jardim. clip_image002[8]
Corto e junto flores para ti,
Faço-te uma grinalda,
E quando ficares ébrio
E te deitares com esse sono,
Sou eu quem te lava os pés para lhes tirar o pó.

…………..

São tão pequenas as flores de Seanu

Que quem as olha se sente clip_image002[6]um gigante.

Sou a primeira entre os teus amores,

Como jardim há pouco regado de ervas e perfumadas flores.

Ameno é o canal que tu cavaste

Pela frescura do vento norte.

Tranquilos os nossos caminhos

Quando a tua mão descansa na minha em alegria.

A tua voz dá vida, como o néctar.

Ver-te é mais do que alimento e bebida.

 

Imagens retiradas de:

http://mouraaveirense.blogspot.com/search?q=

http://historylink101.net/egypt_1/a-marriage.htm

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

E Os Óscares foram para …

Oito Óscares para "Slumdog Millionaire"("Quem quer ser Bilionário?"), Sean Penn melhor actor, Heath Ledger melhor actor secundário, Kate Winslet melhor actriz.

A história de um rapaz dos bairros de lata de Mumbai que conquista um prémio milionário num concurso de televisão conquistou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, deixando de fora dos principais prémios o recordista das nomeações do ano "O Estranho Caso de Benjamin Button" (13), que conquistou apenas três estatuetas, todos em categorias técnicas (caracterização, efeitos visuais e direcção artística).

Se quiseres saber mais clica AQUI.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Ena!!! Mais Seis Distinções!!!

clip_image001

O nosso blog está a ficar “famoso”: o blog “Projecto Lê” (http://projectole.blogspot.com/ ), de uma turma do 12º ano da Escola Secundária de Serpa ofereceu-nos cinco galardões: Olha que Blog Maneiro, Prémio Dardos, Blog de Ouro, Pedagogia do Afecto e Vale a Pena Acompanhar este Blog. Já agora, este último também nos foi gentilmente dado por Isabel Maia, do blog “Na Companhia dos Livros” (http://nacompanhiadoslivros.blogspot.com/ ).

A todos os nossos “fãs”, muito obrigado pelo vosso carinho. Em breve, iremos fazer também a nossa lista dos “dez mais”.

clip_image003 clip_image005 clip_image006

clip_image007

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Bibliomúsica

Dead Can Dance, The Host of Seraphim

Que têm o filme O Gladiador e O Nevoeiro em comum? A voz e génio de uma extraordinária compositora chamada Lisa Gerrard. Há décadas que vem criando partituras que têm encantando pais e filhos, e a sua música é absolutamente intemporal.

Aqui fica a arrepiante “canção”, que faz parte do filme O Nevoeiro, criada em meados dos anos noventa do século passado”. Nesta altura, Lisa fazia parte de um dueto, conhecido pelo nome de Dead Can Dance.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Palavras

clip_image002  Com palavras, demonstro tudo o que de mim quer sair, mas que, de outra maneira, me impede de sorrir, impede-me de viver a vida, de viver a felicidade. Nas palavras confio, com elas tento falar, são elas que me aturam, sem reclamar, sem pedir algo em troca. É a escrever que me sinto bem, sem medos, sem temer que alguém fique a saber. Elas percebem-me e, para mim, é o essencial. Por vezes, parece que não faz sentido, mas faz.

E gosto de me divertir com elas, porque esqueço a realidade que tento esconder. Mas é impossível. Em tudo o que nós fazemos, ela entra, há sempre algo que nos faz lembrá-la. E, com palavras, posso fazer histórias, com histórias posso construir tudo, tal como nos sonhos.

Um sonho. Entrei num sonho cheio de fantasia, dele tirava a felicidade, que tentava esconder no mundo real, que não conseguia enxergar. Todos os dias, entrava nesse sonho, cada dia que passava, adorava-o ainda mais, mais me fascinava, ia com ele até ao fim. Entrava sem querer voltar, tinha pena de acordar, de voltar à realidade.

O sonho tinha campos verdes, papoilas e margaridas, laranjeiras e pessegueiros. E havia um rio, onde nele mergulhava e nadava cercado de peixes. Brincava com as rãs e os cisnes.

Que mais queria? A felicidade estava nesse sonho. Mas havia que voltar, e isso entristecia-me. Porque uma voz disse-me: “Não podes cá morar. Porém, desde que tenhas este sonho e te lembres dele, poderás sempre voltar”.

Desde aí, compreendi que, se fechasse os olhos, o sonho seria a realidade. Porque eles não são para serem vividos. São para serem sentidos.

Paulo Estradas

(Ilustração retirada de:

http://alethink.blogspot.com/2008/08/dream-world.html)

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Fantasmas à Solta na Escola!!

No dia seis de Fevereiro, a equipa da biblioteca desenvolveu mais uma sessão de “Dois Dedos de Conversa”, desta vez dedicada ao tema dos fantasmas. Mas antes de tudo, pediu-se aos alunos que trouxessem lanternas: a noite de “histórias de horror” era para ser vivida completamente às escuras. E assim o foi: todas as luzes do bloco A foram desligadas!

À espera deles, a médium-espírita Zandra Kostof saudou os alunos e os Pais presentes (embora poucos) , e informou-os que todos eles estavam ali com um propósito: libertar as almas penadas que sobrevoavam a biblioteca. Para isso, teriam que encontrar as suas fotografias, escondidas em vários cantos, estantes, prateleiras e computadores, contar a história das suas vidas e dizer alto o nome destes seres falecidos… Mas ainda bem vivos! Só assim poderiam ajudá-los e encaminhá-los para a luz… Como era de se esperar, os participantes deram asas à sua imaginação, e cada um deles narrou o triste destino destas gentes…

Libertados os fantasmas, todos falaram de experiências estranhas que já vivenciaram, supostamente paranormais. Uns falaram de casas assombradas, outros falaram de poltergeists, vários confessaram já ter passado por essa estranha sensação que se chama “dèjá vu”, debateu-se o fenómeno dos sonhos proféticos e dos grandes “mistérios” que a Ciência talvez um dia, quem sabe, possa explicar. Para acalmar os ânimos, esteve lá o professor José Filipe. Quando ninguém estava à espera, lá saía com uma piadinha certeira…

A sessão, acima de tudo, serviu para estimular a imaginação, criar laços de cumplicidade entre professores e alunos e… Prepararmo-nos para a sexta-feira treze!

Para a próxima sessão “Dois Dedos de Conversa”, iremos falar de coisas mais terrenas. Abordaremos o poder das novas tecnologias na vida das crianças e jovens. Terá lugar no espaço VOL, no dia 27 de Fevereiro, por volta das 21 horas.

Até lá… Que as boas energias estejam convosco!

S.C.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Livro Da Semana

Mocidade Portuguesa Feminina, de Irene Flunser Pimentel

clip_image002 A primeira coisa que este livro nos transmite é uma sensação de enorme estranheza: estamos a falar de um Portugal que já não existe mas que, bizarramente, ainda está muito perto de nós. Ao lermos esta excelente investigação histórica, apercebemo-nos até que ponto a nossa nação ainda preserva alguns resquícios da mentalidade instituída pelo Estado Novo: obediência servil, pouca capacidade de raciocínio e de pensamento próprio, o culto dos chefes e dos “salvadores da pátria”, e a eterna bandeira portuguesa a festejar as glórias da nossa “brava terra”. E quem duvida de tal, o melhor mesmo é começarmos a pensar: por que motivo estamos sempre à espera de alguém que nos resolva os problemas, em vez de sermos nós a arregaçar as mangas e lutarmos por aquilo que achamos ser justo? Por que motivo nós, os portugueses, obedecemos com tanta subserviência, e confundimos “crítica construtiva” com “insulto”? Por que motivo nós, os portugueses, queixamo-nos tanto das injustiças do nosso país, mas ao mesmo tempo somos inactivos, apáticos e donos de uma eterna baixa auto-estima? Toda a nossa forma de estar e de pensar revela o quanto os ideais de uma sociedade igualitária ainda precisam de ser muito trabalhados e limados: sem consciência cívica e cultura de participação, qualquer regime democrático corre o risco de se transformar numa ditadura mascarada de democracia. Porque uma democracia não se restringe a apenas rabiscarmos uma cruzinha num papel, de quatro em quatro anos. Implica muito mais do que isso.

E como eram as crianças, adolescentes e mulheres deste regime? A resposta está na capa: a mulher era Educada Para Ser Boa Esposa, Boa Mãe, Católica e Obediente. Era ensinada a ser modesta; a vestir-se com elegância mas discrição; a obedecer com um sorriso às ordens do pai e do marido; a saber conversar sem ser uma sabichona; a concorrer para profissões de “índole feminina”, ao mesmo tempo que invejava o “doce paraíso” da esposa feliz e fada do lar (Que Pena da Mulher que Trabalha!); a ler livros que não alimentassem os seus baixos instintos; a fazer exercício físico de uma maneira decente, porque Os rapazes ao sol! As raparigas mais na sombra!; a não usar permanente no cabelo, porque A menina do liceu, a criada, a mulher, da hortaliça (…) parecem angolanas; eram ensinadas a ser beatas católicas, a fazer a chamada “caridadezinha” e ajudar os coitadinhos dos pretinhos (Presas por um laço de família àqueles cristãozinhos/Trabalhemos Para os Pobrezinhos!); por fim, era instruída para ser uma feroz lusitana (Nem hitleriana nem balila. Portuguesa, clip_image004portuguesa!”).

Terminada a leitura deste livro fascinante, que conclusão poderemos tirar? Apesar de algumas boas intenções como, por exemplo, ensinar as crianças e as jovens a não serem egoístas e aprenderem a partilhar os seus bens com todos, independentemente da raça ou classe social, a sociedade do Estado Novo fica-se pelas palavras. O Paternalismo, que não passa de uma máscara chamada “desprezo”, está presente em todos ou quase todos os artigos das revistas da Mocidade. Note-se o exemplo dos “inhos”: os “pobrezinhos”, os “pretinhos”, os “cristãozinhos”. Por fim, a mulher é sempre a subalterna, a criatura dócil e servil, que nasceu para obedecer ao sexo masculino. Reza, assim, um boletim do MPF: Raparigas da Mocidade, o vosso dever é reagir contra tudo o que é mau. Vesti com orgulho o fato de banho da Mocidade: ele fala por vós e diz aos que vos vêem quem sois vós: verdadeiras raparigas alegres e saudáveis – mas puras!

Uma vez que a biblioteca desta escola celebra o Mês da Adolescência, é bom que os adolescentes de hoje, particularmente as adolescentes, se apercebam do quanto ganharam com o 25 de Abril. E, já agora, que comecem a ser mais activos, de forma a poderem construir uma democracia mais válida e que preserve os seus direitos já adquiridos. Para que não corramos o risco de voltarmos ao passado…

S.C.

domingo, fevereiro 15, 2009

O Ano de Charles Darwin

clip_image002

Qualquer criança portuguesa que comece a estudar Ciências Naturais aprenderá que todos nós descendemos, há bilhões de anos atrás, de uma simples célula, que se foi ramificando em múltiplas e mais complexas espécies. Sabemos que o nosso planeta tem mais de 5 bilhões de anos, que milhões e milhões de espécies, ao longo dos tempos, nasceram, evoluíram e desapareceram, devido a múltiplos factores, e sabemos também que o ser humano que somos hoje não apareceu do nada. Muito pelo contrário: dos múltiplos “protótipos” ou “esboços” da Humanidade, apenas sobreviveu um ramo popularmente conhecido por Homo Sapiens Sapiens. Isto é, nós.

Porém, há duzentos anos atrás, um homem chamado Charles Darwin publicou uma obra polémica, de nome A Origem das Espécies. A partir deste momento, o mundo nunca mais foi o mesmo. Se não fosse ele, ainda hoje acreditaríamos que a terra tinha sido construída em sete dias; se não fosse ele, ainda hoje pensaríamos que Adão e Eva realmente tinham existido. A teoria do Evolucionismo (actualmente, um facto cientificamente comprovado) foi um enorme escândalo para a época, uma dor de cabeça para as igrejas e uma revolução de mentalidades sem precedentes na História da Humanidade.

Com Darwin, não se vira uma página da  Ciência, rasga-se.clip_image004

É por isso que o mundo inteiro está a festejar com pompa e circunstância os 200 anos desta brilhante publicação. Portugal, claro, não escapa à euforia. Para quem adora Ciência, o melhor mesmo é dar uma espreitadela à página online do jornal Expresso (www.expresso.pt) e usufruir dos imensos eventos que estão a comemorar esta data importantíssima. Para quem quiser saber mais sobre Charles Darwin, é imperativo visitar o blog http://a-evolucao-de-darwin.weblog.com.pt/, exclusivamente dedicado ao estudo e obra deste notável homem. Por fim, a Fundação Calouste Gulbenkian abriu na quinta-feira passada uma mega-exposição, toda ela dedicada à Origem Das Espécies. Quem já a viu, saiu de lá “nas nuvens”.

Preparem-se, portanto, para um fim-de-semana em família muito bem passado. Tragam o “farnel”, o portátil, um livro e uma toalhinha para se estenderem na relva do jardim desta fundação: após uma exposição enriquecedora, nada como uma tarde de preguiça, no meio do verde e da água. É barato, é perfeito e os museus são grátis para as crianças. Quem disse que a cultura é cara?

Terminamos este texto com um vídeo, narrado pelo cientista Carl Sagan. É extraordinário como, em sete minutos, se pode contar tão bem a origem da vida no nosso planeta!

(Publicação antiga da Origem Das Espécies retirada de:

http://www.rinr.fsu.edu/fall2002/features/librarycollection.html)

Evolução da Vida Na Terra (Narrada por Carl Sagan)

http://www.youtube.com/watch?v=k3I_qWIlF8o&feature=related

sábado, fevereiro 14, 2009

Bibliomúsica – Homenagem a Lux Interior (1946-2009)

The Cramps – Tear It Up

A vida é muito irónica: depois de ter vivido à grande e à francesa, é precisamente quando decide reformar-se e dedicar-se a plantar batatas no seu quintal, que Lux Interior, o vocalista dos The Cramps, morre de ataque de coração. Para quem os viu em Paredes de Coura, nunca mais se esquecerá de duas horas bem passadas. Para quem não os viu… Restam-lhes os discos.

Esperemos que esteja a dar uma grande festa, juntamente com Elvis Presley, na vida além-túmulo!

S.C.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Mês da Adolescência: Debater É preciso

clip_image002Nos dias 12 e 13 de Fevereiro, a equipa da Biblioteca Escolar e do Centro de Recursos, de acordo com a planificação do Plano Nacional de Leitura, desenvolveu duas sessões de debate e troca de ideias, de nome “Afectos e Sexualidade”. Para que este evento ficasse ainda mais enriquecido, foram convidadas duas enfermeiras do Centro de Saúde de Serpa, a psicóloga da escola e pediu-se também a colaboração de professores que fazem parte do Gabinete de Educação Para a Saúde.

clip_image004 Muitos assuntos foram abordados, tais como a importância de respeitarmos o próximo, a diferença entre amor e paixão, a idade certa para se começar uma vida sexual, a tolerância, as orientações sexuais, o valor da partilha e do diálogo, a procura da nossa identidade e a fase da descoberta do nosso corpo, o aprender com as experiências, o impacto da sociedade nas nossas vidas…

No final da sessão, os professores pediram aos alunos presentes que, em casa, enumerassem uma lista de perguntas que gostariam de ver respondidas. O objectivo consistirá em, daqui a umas semanas, elaborar uma palestra, onde as questões mais comuns acerca da sexualidade serão esclarecidas com objectividade e rigor científico.

Esta actividade foi muito apreciada pelos alunos das duas turmas do sétimo ano. Uns (é claro!) sentiram-se acanhados, e demonstraram ainda alguma insegurança clip_image006e pouco à-vontade em debater o tema da sexualidade. Outros, envergonhados, não sabiam muito bem o que dizer. Mas a maioria revelou-se curiosa, participativa e aberta a um diálogo mais franco e mais enriquecedor. Por fim, as suas opiniões pessoais foram sinceras e mostraram que a sociedade portuguesa está a passar sem dúvida por mudanças positivas. A título de exemplo, já começa a ser normal os filhos pedirem conselhos aos pais, sempre que lhes surge qualquer dúvida relacionada com a sexualidade. Há vinte anos atrás, isto era quase impossível…

clip_image008 Só nos resta agradecer a todos os nossos colegas e aos restantes intervenientes que aceitaram fazer parte deste evento: um bem-haja aos professores Marcelino Cassamá, Jorge Ferreira e Carla Fernandes, do Gabinete de Educação Para a Saúde. Esta actividade, sem eles, não teria tido um impacto tão grande nos alunos; a colaboração, apoio e experiência das enfermeiras Jesus e Márcia foram enriquecedoras para o debate; agradecemos também à professora Isabel da Ponte, por nos ter cedido a hora da sua aula; finalmente, a contribuição assertiva e ponderada da psicóloga Helena Guerreiro estimulou a troca de ideias entre alunos e professores.

No final da segunda sessão, uma aluna do 7º B confessou: “Temos que fazer isto mais vezes, professora!”. A promessa, é claro, será cumprida!

S.C.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A VOL Recomenda

Já há muito tempo que não fazíamos publicidade de novidades literárias. Aqui vão algumas delas:

clip_image002Crepúsculo, de Stephenie Meyer

Juntamente com a nova saga Túneis, esta série tem sido a loucura de muitos jovens. E foca precisamente um dos mitos mais fascinantes (e mais românticos!) da Humanidade: o vampiro. Só este primeiro volume já vendeu mais de cinco milhões de exemplares em todo o mundo, e Hollywood já se rendeu a esta história.

Mas falemos um bocado da trama: Isabella Swam (mais conhecida por Bella) mudou-se aos 17 anos para a cidade de Forks, em Washington, para morar com o seu pai. É na escola que conhece um rapaz misterioso e belíssimo, de nome Edward Cullen. Para espanto e confusão dela, o lindíssimo jovem faz os possíveis para evitar a sua companhia.

É graças a Jacob Black, e o seu imenso repertório de lendas locais, que Bella descobre que toda a família de Edward é uma família de vampiros…

 

clip_image004

Deserto, J.MG. Le Clézio

O Comité Nobel sublinha que a obra de Le Clézio contém, nessa obra, “imagens magníficas de uma cultura perdida no deserto do Norte de África, em contraste com uma descrição da Europa vista pelos olhos de imigrantes indesejados. A personagem principal do livro, Lalla, é uma antítese utópica da fealdade e da brutalidade da sociedade europeia”.

Assim escreveu o Jornal diário Público, no dia 9 de Outubro do ano passado, após ter recebido a notícia de que este escritor tinha recebido um dos prémios de literatura mais importantes do mundo: o prémio Nobel. Le Clézio sempre revelou um fascínio muito especial pelos povos do deserto africano e da América do Sul.

O livro conta a história de Lalla, descendente de um grupo de exilados, fugidos do deserto e das guerras intermináveis. De simples criada num horrível e sinistro hotel de Marselha, tornar-se-á uma famosa cover girl, descoberta por um fotógrafo famoso. No entanto, a fama nunca abafará a sua vontade de retornar ao deserto…

Al-Mu’Tamid – Poeta do Destino (Selecção e estudo de Adalberto Alves)

Apesar de ter sido governador de Huelva aos onze anos e de ter conquistado Silves aos treze, Al-Mu’Tamid ficou para a História da Humanidade como um dos poetas mais extraordinariamente talentosos que alguma vez pisaram este planeta azul. Adalberto Neves, mais uma vez, dedica um livro à vasta obra poética desta grande figura da península ibérica.

Mas deixemos a musa falar:

EVOCAÇÃO DE SILVES

clip_image002[5]
Saúda, por mim, Abg Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca os esqueceu.
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
E tão estreitas cinturas!
Mulheres níveas e morenas
Atravessavam-me a alma
Como brancas espadas
E lanças escuras.
Ai quantas noites fiquei,
Lá no remanso do rio,
Nos jogos do amor
Com a da pulseira curva
Igual aos meandros da água
Enquanto o tempo passava
E me servia de vinho:
O vinho do seu olhar
Às vezes o do seu copo
E outras vezes o da boca.
Tangia cordas de alaúde
E eis que eu estremecia
Como se estivesse ouvindo
Tendões de colos cortados.
Mas retirava o seu manto
Grácil detalhe mostrando:
Era ramo de salgueiro
Que abria o seu botão
Para ostentar a flor.

Para saberes mais de Al-Mu’Tamid: http://pt.wikipedia.org/wiki/Al-Mu'tamid