quarta-feira, abril 29, 2009

Onde É Que Você Estava No 25 de Abril?

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Há uns anos atrás, o escritor Baptista Bastos dirigia um pequeno programa na RTP, de nome Conversas Secretas, e que servia para entrevistar escritores, músicos ou até políticos. Durante a “amena cavaqueira”, colocava sempre a mesma questão ao convidado do momento: “Onde é que você estava no 25 de Abril?” Tornou-se, assim, uma espécie de “piada” que pegou, e era normal os portugueses, em jeito de brincadeira, fazerem essa pergunta uns aos outros. Mais tarde, o próprio comediante Herman José inventou uma rábula, parodiando precisamente estas “conversas” (ver a inesquecível “entrevista a Deus” do excelente programa Herman Enciclopédia: http://www.youtube.com/watch?v=Bo6t7QL_k4Q&feature=related). Aproveitamos para dizer que Baptista Bastos adorou a “gracinha”!

Pois é, essa questão serviu de mote para duas actividades que foram realizadas na nossa escola, a propósito da “Revolução dos Cravos”: no dia 23 de Abril, a turma A do 7º ano assistiu a uma “palestra” do professor de História Nuno Prates, que teve como objectivo explicar a esta nova geração de alunos como era o Portugal pré e pós-25 de Abril. Nessa aula, falou-se do fim da Monarquia, da implantação da República, das razões que levaram António de Oliveira Salazar a tomar o poder. clip_image004Falou-se de Humberto Delgado, da Guerra Colonial, do crescente descontentamento do povo português, mencionaram-se as diferenças entre a Escola do “tempo da outra senhora” e a Escola que hoje temos (os alunos tiveram acesso a manuais escolares daquele tempo, gentilmente emprestados por uma Encarregada de Educação). Por fim, foram colocadas questões sobre a PIDE e ainda houve tempo para ouvir o primeiro comunicado do MFA, transmitido na rádio às 4 da manhã do dia 25 de Abril. A sessão terminou (como não podia deixar de ser) com a canção emblemática Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.

Esta actividade serviu de introdução para a série de testemunhos que foram escutados no dia seguinte, na biblioteca da escola. O espaço estava tão cheio, que foi preciso arranjar à pressa mais cadeiras. Os convidados presentes (um “Capitão de Abril”, Manuel Soares Monge; a Educadora Guadalupe Pataca; a colaboração de Domingos Borralho e, por fim, os testemunhos da professora Arlete Sesinando) falaram das suas experiências pessoais e de um Portugal que, para todos os efeitos, já está muito distante destas novas gerações de alunos. clip_image008De facto, poucos tinham ouvido falar dos “ratinhos”; dos “cidadãos de primeira, segunda e terceira classe” do Estado Novo; poucos sabiam que o direito ao voto era um privilégio de muito poucos e que o candidato tinha que passar por vários “testes” para ter acesso ao cartão de eleitor (mulheres, é claro, à parte); não sabiam que, até 1974, o marido tinha o direito legal de abrir a correspondência da sua esposa; sabiam muito vagamente que as escolas e as universidades tinham “bufos” anónimos, pagos pela PIDE, para espiarem as conversas dos colegas e professores, e que bastava uma denúncia anónima para alguém ser preso; não sabiam que, para se ter um isqueiro, era necessária uma licença especial; que havia profissões em que as mulheres estavam literalmente proibidas de casar (a telefonista era uma delas); que era proibido haver “ajuntamentos” na rua que ultrapassassem o número singelo de duas pessoas.clip_image006

No fim, a sessão foi terminada com um aviso e um conselho: é mais fácil instalar uma Democracia do que mantê-la. Cabe às novas gerações velarem e lutarem para que todos os direitos conquistados não sejam memórias de tempos passados, e sejam sempre uma garantia do presente e do futuro. Sem participação cívica, sem espírito crítico, tudo aquilo que foi conseguido à custa de muito trabalho e esforço, perder-se-á facilmente.

O futuro pertence-lhes. Esperemos que este presente dos avós não acabe extraviado e perdido no sótão da indiferença ou da apatia.

Resta-nos agradecer a colaboração de todos os envolvidos, agradecer aos professores e alunos que quiseram assistir a este evento, e não é demais dizer “obrigado” à equipa da Biblioteca e do Centro de Recursos, por ter dado o seu apoio e uma “mãozinha” na decoração e organização do espaço.

Segue-se uma pequena exposição das duas actividades realizadas!

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terça-feira, abril 28, 2009

Hoje é o Dia Nacional da Prevenção e Segurança no Trabalho!

E, por falar nisso, aqui vai um elogio a todos os operários e trabalhadores deste mundo:

Chico Buarque – Construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se clip_image002[4]fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou para descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a únicaclip_image002[6]
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
clip_image004[4]Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou para descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão para comer, por esse chão para dormir
A certidão para nascer e a concessão para sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira para nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,

Deus lhe pague.

Fotos de Sebastião Salgado

segunda-feira, abril 27, 2009

E Se Dois PNLs Decidissem Trabalhar Em Conjunto?

clip_image002 Foi precisamente o que aconteceu na cidade de Serpa: as Educadoras Ana Doudinho, Guadalupe Pataca, Lídia Cuiça e Lurdes Caracóis, da Escola Abade Correia da Serra (Educação Pré-Escolar) pensaram numa actividade, integrada no seu Plano Nacional de Leitura, que pudesse envolver os pais dos seus alunos, que fosse criativa e divertida. Vai daí…convidaram a Coordenadora do Plano Nacional de Leitura da Escola Secundária de Serpa para se juntar à festa! Durante várias sessões, as responsáveis pelo evento trocaram ideias, procuraram materiais para o mesmo e organizaram juntas o espaço onde iriam decorrer estas divertidas horas (o local da acção teve lugar no pavilhão da Escola Secundária de Serpa).

clip_image004Foi pedido aos pais presentes que escutassem, antes de tudo, uma música e que, através dos sons, pensassem em imagens, paisagens, sensações. Uns deitaram-se nos colchões preparados para a ocasião, fecharam os olhos e deixaram-se levar. Outros optaram por se sentar neles, escutando a música atentamente. Os restantes preferiram as cadeiras e os bancos do pavilhão. Porém, no fim da melodia, todos tinham já uma imagem bem nítida: uma cabana junto ao rio, uma floresta, um barco e um pescador, entre outras sensações.

clip_image006 Após este agradável momento, os pais foram convidados a elaborar uma história criativa, através das imagens invocadas pela música e através de umas palavras-chave escolhidas ao acaso. Os resultados, como verão neste pequeno vídeo, foram bastante divertidos e imaginativos. Em grupos de seis, os Encarregados de Educação presentes falaram de castelos, de cisnes, de barcos piratas, de camponeses, de espelhos que nos levam ao mundo da magia, entre outras histórias bem engraçadas.

clip_image008 Ficou feita a promessa que, para o final do ano lectivo, será criada uma peça de teatro em conjunto com o grupo Baal 17, que tentará integrar todas estas pequeninas jóias literárias inventadas no momento. E, claro, as professoras desejam que os seus alunos também possam participar na mesma!

Resta-nos agradecer ao Conselho Executivo da Escola Secundária de Serpa, por ter cedido o seu pavilhão para esta actividade, ao Centro de Recursos (do mesmo estabelecimento escolar) por nos terem “emprestado” alguns materiais, às funcionárias do pavilhão pela ajuda que nos deram e, por fim, aos pais que estiveram presentes!

Livro Da Semana

 

clip_image002O Deus Das Moscas, de William Golding

Publicado em 1954, em Inglaterra, esta é uma das obras literárias que bem podem figurar na lista dos “livros malditos”, juntamente com 1984, de George Orwell, Escuta Zé Ninguém, de Wilhem Reich, Se Isto É um Homem, de Primo Levi, Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago e até o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Trata-se daquelas leituras profundamente incómodas, que são verdadeiros murros no estômago, que abalam as nossas consciências, que nos fazem pensar no mundo absurdo em que vivemos e que nos mudam para sempre. Por isso, aproveitamos já para avisar: quem quer que leia O Deus das Moscas, é bom que esteja preparado para pousar o livro várias vezes, de tal forma a história é sufocante e, infelizmente, muito premonitória do futuro que nos espera.

Porque este livro não podia, de facto, ser mais actual: o autor imagina uma guerra à escala planetária e, na sequência da mesma, várias crianças vêem-se “abandonadas” numa ilha deserta. Sem nenhum adulto que as guie e controle os instintos mais básicos que existem em todos os seres humanos (e estarão sempre dentro de nós, por mais que os “empurremos” para o nosso subconsciente), não demorará muito para que os miúdos mais agressivos e violentos comecem a impor a sua lei e a sua tirania. Os mais “fracos” serão pura e simplesmente engolidos e “escravizados”, enquanto os mais “fortes” exigirão o total domínio sobre os outros, sempre à custa da violência, da sova, da ameaça e do medo.

William Golding não é ingénuo nem parece ter muita fé na Humanidade: para todos os efeitos, o Homem é um demónio cujos instintos precisam de ser controlados desde a tenra infância. Compete aos adultos educarem (e reprimirem) os seus filhos, ensiná-los a ouvir, a serem perseverantes, a conseguirem aceitar a diferença do outro, ensiná-los a saber respeitar as hierarquias, fazê-los perceber que a paciência é sagrada e motivá-los para a importância que é sentirmos compaixão pelo sofrimento ou fragilidade dos outros. Porque, um dia, cada um de nós também irá precisar da paciência e da empatia do vizinho do lado e sem a solidariedade e a união, não há sociedade ou grupo que sobreviva.

Então, por que razão esta obra literária é tão actual? Olhemos para as famílias de hoje: disfuncionais e desestruturadas, os pais encontram-se cada vez mais ausentes, porque os empresários e os patrões sugam-lhes a vida; os avós estão enfiados em lares de terceira idade ou então encontram-se distantes dos seus netos, uma vez que é cada vez mais comum uma pessoa viver onde há trabalho, e não onde tem a sua família; há cada vez mais filhos únicos, o que quer dizer que as crianças de hoje já nem sequer têm um irmão com quem possam brincar ou desabafar. Praticamente sozinhas e famintas de amor, aos três anos vêem-se “abandonadas” numa espécie de parque de estacionamento para crianças, eufemísticamente chamado “pré-escolar”. São muitas vezes os professores que “tapam buracos” e fazem as vezes dos pais que, ausentes à força ou porque querem, já não estão presentes para educarem os seus próprios filhos. Os sinais já estão à vista: gangs de miúdos que assaltam adultos; crianças cada vez mais stressadas e agressivas; o aumento do Bullying nas escolas; filhos que agridem pais; aumento do insucesso escolar; miúdos que não conseguem aceitar um “não” como resposta; violência física e psicológica no namoro; crianças que revelam uma cada vez maior ausência de ressonância afectiva… Não tardará muito para que a nossa sociedade se pareça cada vez mais com a dos meninos desta perturbante história…

Seria bom que os poderosos deste país fossem obrigados por lei a lerem este livro. Talvez muitos erros futuros pudessem ser evitados. E, tendo em conta que esta obra já foi escrita há mais de cinquenta anos, não podem dizer que não foram avisados.

sábado, abril 25, 2009

Assim, não Iremos a Lado Algum!!

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Em pleno dia da “Revolução dos Cravos”, é com bastante mágoa que continuamos a assistir à falta de visão e mentalidade provinciana dos nossos empresários: um grupo de cientistas portugueses, chefiados por Rodrigo Martins e Elvira Fortunato, criaram algo que, até agora, só existia nos filmes de ficção científica: inventaram um simples e barato transístor que permite mudar a cor das nossas paredes, sofás, carro, livros, o que quisermos (vejam o vídeo de 2 minutos, em http://aeiou.expresso.pt/video-os-transistores-magicos=f510831)! É bastante económico, amigo do ambiente, revolucionário e deixou de boca aberta as empresas de informática do mundo inteiro. Aliás, nós os portugueses tornámo-nos pioneiros numa série de tecnologias de ponta que fariam inveja até aos cientistas prestigiados da grande instituição americana, que é a MIT. Uma das nossas últimas proezas (precisamente a mesma equipa!) foi a invenção do Paper-e, o transístor em papel, cuja notícia fez correr rios de tinta em todo o mundo. O registo das patentes (isto é, os “direitos de autor” dos inventores) custou 70 mil euros mas, segundo a universidade do Texas, o seu valor é superior a mais de 10 milhões de euros! Com esta descoberta, Elvira Fortunato ganhou um prémio internacional da European Research Council, no valor de 2,5 milhões de euros e, graças a ela, todos os aparelhos digitais passarão a ser 10 vezes mais baratos do que já são, uma vez que o papel é dos objectos mais económicos que existem.

Para grande espanto da equipa, nem a Portucel nem a Renova mostraram qualquer interesse por esta estupenda (e bastante lucrativa!) descoberta. Quem agarrou a oportunidade com ambas as mãos foi a papeleira brasileira Suzano e, como narra Rodrigo Martins, foram tratados como príncipes, à chegada da sua sede, em São Paulo. Estivemos cinco dias com tudo pago pela Suzano, fomos recebidos ao mais alto nível, mas quando nos deslocámos à Portucel nem o almoço nos ofereceram…

Não admira que Portugal esteja eternamente na cauda da Europa. Temos brilhantes e promissores cientistas, jovens visionários cheios de projectos revolucionários a nível mundial, e em vez dos nossos empresários os valorizarem, rejeitam-nos, sem sequer serem capazes de se aperceberem do potencial destas invenções completamente originais e únicas no planeta. Preferem apostar na eterna e serôdia fabricazeca de calçado, com empregados semi-escravos, semi-analfabetos, e apostarem na “linda e na lindinha”.

Portugal está cheio de cérebros, de mentes iluminadas. Infelizmente, tudo mudou, excepto os nossos “empresários”. E com patrões como estes, a nossa nação estará irremediavelmente condenada à miséria…

Foto retirada de:

http://4.bp.blogspot.com/_kbn8MFkCWGI/SS6HpjQh2OI/AAAAAAAACqU/hGWvy2kIKSo/s320/F1-P341.jpg

25 de Abril: Fragmentos

 

clip_image002As minhas memórias dos tempos da revolução cingem-se a um período eufórico, de uma tempestade febril de emoções. A música andava à solta e eu própria numa idade em que os vocábulos despontam de vontade de dizer coisas, lá trauteava a Grândola Vila Morena. A consciência da importância político-social veio mais tarde. Pouco aprendi nos manuais de história sobre este período, a matéria aparecia envergonhada nas derradeiras, últimas folhas do livro escolar. Na génese, existiam ideologias de fundo e nos anos 80 havia ainda alguns pruridos em documentar o facto como uma viragem de uma ditadura para um regime de expressão democrática.

Mais do que uma revolução politica (a coisa era iminente), o que perdura na memória das pessoas de trinta anos que não viveram o antes e o depois foi o legado de uma nova corrente cultural rica nas vertentes musical, literária-poética, plástica e nos movimentos sociais de contestação ao regime, que tinham lugar nos círculos académicos e em grupos mais politizados.

Com Abril, surgiram importantes mudanças. A dessacralização de patamares de escolarização em função da classe social de referência deu lugar a sucessivas gerações de pessoas mais escolarizadas e informadas. O estado laico (sem contaminações de valores religiosos) trouxe alterações profundas a nível social. A integração de Portugal no mapa da Europa trouxe constrangimentos e oportunidades, mas sobretudo pôs os portugueses mais a par do que se passa nos outros países e também, do nosso tamanho real.

Abril chegou com um cheiro de promessas, de o fim de uma era. Mas sobretudo trouxe um referencial de direitos cívicos, de apelo à opinião individual, de participação pública no interesse comum e de que as mudanças podem acontecer num colectivo de vontades.

A pedido, escolhi alguns versos alusivos ao 25 de Abril.

De: Helena Guerreiro

 

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ABRIL

Brinca a manhã feliz e descuidada,

como só a manhã pode brincar,

nas curvas longas desta estrada

onde os ciganos passam a cantar.

Abril anda à solta nos pinhais

coroado de rosas e de cio,

e num salto brusco, sem deixar sinais,

rasga o céu azul num assobio.

Surge uma criança de olhos vegetais,

Carregados de espanto e de alegria,

E atira pedras às curvas mais distantes

-onde a voz dos ciganos se perdia.

EUGÉNIO DE ANDRADE

 

clip_image002[7]ABRIL DE ABRIL

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.

MANUEL ALEGRE

25 de Abril, Sempre!

Um pequeno mini-video sobre a “Revolução dos Cravos”!

sexta-feira, abril 24, 2009

Será Que, Afinal, Não Estamos Sós?

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Estávamos nos anos setenta do século passado, quando o realizador americano Steven Spielberg decidiu criar um filme de ficção científica que fez história: Encontros Imediatos do Terceiro Grau. Ao contrário de muitos outros filmes dessa época, os “homenzinhos cinzentos” não vieram a este mundo para nos dominar mas sim, para comunicar com a nossa espécie e deixar bem claro que não estamos sós no universo.

De facto, há centenas de anos que os homens se interrogam se haverá vida inteligente noutros sistemas solares, e documentos históricos que atestam estranhas luzes e formas vindas dos céus já datam do Egipto Antigo. Porém, a loucura dos “ETs” é um fenómeno típico da Primeira Grande Guerra Mundial quando, pela primeira vez, começam a ser gravados relatos estranhos avistados por pilotos militares e pilotos das companhias aéreas.

Actualmente, existe um grupo de cientistas, cujo objectivo é procurar provas que atestem (ou não) a possível existência de planetas “vivos”. Esse grupo chama-se SETI (Search for Extraterrrestial Intelligence), e são considerados loucos por metade da Humanidade, ao passo que a metade restante prefere chamá-los “visionários”. Sendo homens da Ciência, são cépticos e realistas. No entanto, é preciso investigar para se chegar a alguma conclusão…

Vendo bem as coisas, é possível que eles tenham a razão do seu lado: um grupo de cientistas da Organização Europeia para a Pesquisa Astronómica no Hemisfério Austral (ESO) encontraram, há cerca de dois dias, um planeta fora do nosso sistema solar, planeta esse que é quase igual ao nosso! Ora vejamos: as temperaturas são bastante humanas e provavelmente possui água. Se isto é verdade, então este líquido precioso pode ser encontrado em estado líquido, pois o clima oscila entre os 0 e os 40 graus.

Obviamente que existem diferenças: a sua massa é cinco vezes superior à Terra e um mês dura apenas treze dias. No entanto, é o primeiro “exo-planeta” (isto é, um planeta fora da nossa galáxia) que possui as características ideais para ser o candidato número um à “caça ao extra-terrestre”. Encontra-se localizado na constelação Libra e gira à volta da estrela Gliese 581, uma das estrelas mais próximas do nosso sistema solar (como dizem os alentejanos mais velhinhos, “é já ali”: 20 anos-luz de distância).

A Astronomia é uma ciência que tem avançado bastante, graças às novas e potentes tecnologias, conseguidas à custa da cooperação de grupos de cientistas vindos dos quatro cantos do planeta. A NASA, o CERN e a ESO são algumas das muitas existentes. Desde os anos oitenta do século passado até agora, já foram descobertos mais de 100 planetas que se parecem com o nosso. Este último é quase uma fotocópia da nossa querida Terra…

Eles andam aí? Façamos figas…

Ilustração (simulação do novo planeta encontrado) retirada de:

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1571809-EI301,00.html

quinta-feira, abril 23, 2009

Hoje É O Dia Mundial Do Livro!

clip_image002 Em dias de chuva, de sol, de calor, de frio e de névoa, eles acompanham-nos e ajudam-nos a passar o tempo. Quem tem um livro na mão, nunca se aborrece. Podemos estar numa fila tremenda para pagarmos um recibo; podemos estar entalados numa longa fila de trânsito; podemos estar num café à espera daquele amigo que, para não variar, chega sempre atrasado; podemos estar cheios de preocupações, de dívidas, de problemas de saúde; o livro é sempre uma porta para o sonho ou para a aprendizagem, o tempo pára quando folheamos as suas páginas e nos embrenhamos na história e da atmosfera de uma obra.

O livro, como dizia um amigo meu, é a maneira mais barata de viajarmos. Mais interessante ainda, é uma excelente máquina do tempo! Para onde quer o leitor dar um passeio? À Idade Média? Então, leia O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Quer dar uma voltinha à Inglaterra do Século XIX? Experimente ler o O Oliver Twist ou Tempos Difíceis, de Charles Dickens. Ou será que a sua paixão é o Império Romano? Leia a colecção “Rosa Sub Rosa” de Steven Saylor. Então e o Japão? Aconselhamos a leitura de A História de Genji, a Ilíada desta nação. Para quem gosta da Grécia antiga, dá sempre prazer ler uma Odisseia ou um Édipo Rei. Para quem queira ficar apenas em Portugal, poderá optar por um Camilo Castelo Branco, um Eça de Queirós, um Almeida Garrett.

Mas para aqueles que, não contentes com tudo isto, gostam de voar para outros mundos, nada como dar uma voltinha no futuro (Dune, de Frank Herbert) ou conhecer mundos subterrâneos (a série Túneis), amar vampiros (o livro Crepúsculo), passear por civilizações esquecidas do passado (O Senhor dos Anéis), estudar magia (Harry Potter) e fazer amizades com dragões (Eragon).

E ainda há espaço para o amor, a poesia, o teatro, os livros que explicam a ciência, o mundo, a economia, o passado e futuro…

Eis aqui uma lista (obviamente muito pessoal e subjectiva) de cem livros que mudaram o mundo, segundo a revista Bravo (edição brasileira). Dêem uma espreitadela e vejam lá quantas obras deste rol já leram!

1. Ilíada, Homero
2. Odisseia, Homeroclip_image002[12]
3. Hamlet, William Shakespeare
4. Dom Quixote, Miguel de Cervantes
5. A Divina Comédia, Dante Alighieri
6. Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
7. Ulysses, James Joyce
8. Guerra e Paz, Leo Tolstoi
9. Crime e Castigo, Dostoievski
10. Ensaios, Michel de Montaigne
11. Édipo Rei, Sófocles
12. Otelo, William Shakespeare
13. Madame Bovary, Gustave Flaubert
14. Fausto, Goethe
15. O Processo, Franz Kafka
16. Doutor Fausto, Thomas Mann
17. As Flores do Mal, Charles Baudelaire
18. Som e a Fúria, William Faulkner
19. A Terra Desolada, T.S. Eliot
20. Teogonia, Hesíodo
21. As Metamorfoses, Ovídio
22. O Vermelho e o Negro, Stendhal
23. O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerauld
24. Uma Estação No Inferno, Arthur Rimbaud
25. Os Miseráveis, Victor Hugo
26. O Estrangeiro, Albert Camus
27. Medeia, Eurípedes
28. A Eneida, Virgílio
29. Noite de Reis, William Shakespeare
30. Adeus às Armas, Ernest Hemingway
31. Coração das Trevas, Joseph Conrad
32. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley
33. Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf
34. Moby Dick, Herman Melville
35. Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe
36. A Comédia Humana, Balzac
37. Grandes Esperanças, Charles Dickens
38. O Homem sem Qualidades, Robert Musil
39. As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift
40. Finnegans Wake, James Joyce
41. Os Lusíadas, Luís de Camões
42. Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
43. Retrato de uma Senhora, Henry James
44. Decameron, Boccaccioclip_image002[10]
45. Esperando Godot, Samuel Beckett
46. 1984, George Orwell
47. Galileu Galilei, Bertold Brecht
48. Os Cantos de Maldoror, Lautréamont
49. A Tarde de um Fauno, Mallarmé
50. Lolita, Vladimir Nabokov
51. Tartufo, Molière
52. As Três Irmãs, Anton Tchekov
53. O Livro das Mil e uma Noites
54. Don Juan, Tirso de Molina
55. Mensagem, Fernando Pessoa
56. Paraíso Perdido, John Milton
57. Robinson Crusoé, Daniel Defoe
58. Os Moedeiros Falsos, André Gide
59. Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
60. Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
61. Seis Personagens em Busca de um Autor, Luigi Pirandello
62. Alice no País das Maravilhas, Lewis Caroll
63. A Náusea, Jean-Paul Sartre
64. A Consciência de Zeno, Italo Svevo
65. A Longa Jornada Adentro, Eugene O’Neill
66. A Condição Humana, André Malraux
67. Os Cantos, Ezra Pound
68. Canções da Inocência/ Canções do Exílio, William Blake
69. Um Eléctrico Chamado Desejo, Teneessee Williams
70. Ficções, Jorge Luis Borges
71. O Rinoceronte, Eugène Ionesco
72. A Morte de Virgilio, Herman Broch
73. As Folhas da Relva, Walt Whitman
74. Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati
75. Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
76. Viagem ao Fim da Noite, Louis-Ferdinand Céline
77. A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós
78. Jogo da Amarelinha, Julio Cortazar
79. As Vinhas da Ira, John Steinbeck
80. Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar
81. O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger
82. Huckleberry Finn, Mark Twain
83. Contos de Hans Christian Andersen
84. O Leopardo, Tomaso di Lampedusa
85. Vida e Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy, Laurence Sterne
86. Passagem para a Índia, E.M. Forster
87. Orgulho e Preconceito, Jane Austen
88. Trópico de Câncer, Henry Miller
89. Pais e Filhos, Ivan Turgueniev
90. O Náufrago, Thomas Bernhard
91. A Epopeia de Gilgamesh
92. O Mahabharata (a “bíblia” dos hindus)
93. As Cidades Invisíveis, Italo Calvino
94. On the Road, Jack Kerouac
95. O Lobo da Estepe, Hermann Hesse
96. Complexo de Portnoy, Philip Roth
97. Reparação, Ian MacEwan
98. Desonra, J.M. Coetzee
99. As Irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki
100 Pedro Páramo, Juan Rulfo

Pinturas: Kathy Pilgrim, Pieter Janssens e Vermeer

Dia Mundial do Livro – 23 de Abril

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quarta-feira, abril 22, 2009

Dia mundial da Terra - 22 de Abril

 

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O Dia da Terra foi instituído em 1970 pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto a nível nacional contra a poluição. A partir de 1990 a data internacionalizou-se, ao mobilizar 200 milhões de pessoas em 141 países.

Desde então, neste dia, nos mais dispersos e diversos locais do mundo (ou seja, Terra), o número de participantes em protestos contra a poluição tem sido sempre bastante elevado.

Também governantes de vários países se têm afirmado preocupados com o enorme problema ‘Poluição’. Alguns até têm apresentado estratégias, sendo em parte aplicadas. Mas por vezes, os governos demonstram pensamentos do cidadão comum, com menos formação… «Talvez faça algo depois de os outros fazerem.» como se … «Para quê fazer se os outros não fazem?» trouxesse algum ganho no futuro!

Cuidar da Terra é apenas cuidar de nós, da nossa higiene básica e das nossas condições de vida. – ela é a nossa casa, independentemente do ponto onde nos encontramos!

A comemoração desta data continua a ter como objectivo alertar cada cidadão, independentemente do seu “lugar” na sociedade, para o facto de que o nosso futuro depende de todos os nossos actos do presente. Se continuamos a acumular lixo em Casa e a gastar, sem regras, os mantimentos guardados na Despensa, em breve ela ficara inabitável.

Afinal, todos nós sabemos o que podemos e devemos fazer no nosso dia-a-dia para que o futuro seja tão mau, a tão curto prazo! Mas não fazemos! «Que diferença eu faço se os outros não fazem?» Será vergonha, timidez? Se tanta gente gosta de ser notado, porque não fazê-lo por uma boa causa? – por si mesmo.

Só algumas regras elementares…

Reutilizar sempre e tudo o que for possível

Reciclar – já há imensos ecopontos e não é necessário ir lá todos os dias, pode “acumular-se” em casa.

Reaproveitar a água e gastar a necessária, apenas.

Manter desligados todos os aparelhos que consomem energia, se o seu uso não é necessário.

 

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Vida

Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!
Calquem. Recalquem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.
Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.
Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
_ E se arde tudo? _ Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...


Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'

Há Novidades Fresquinhas!

A Biblioteca da escola acabou de adquirir doze novos DVDs para a sua colecção. Eis a lista:

1) Herói, de Zhang Ymou

2) Estranhos de Passagem, de Stephen frears

3) Volver, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, Tudo Sobre a Minha Mãe, de Pedro Almodóvar

4) Uma Segunda Juventude, de Francis Ford Coppola

5) O Carteiro de Pablo Neruda, de Michael Radford

6) Monster’s Ball- Depois do Ódio, de Marc Forster

7) Breakfast on Pluto, de Neil Jordan

8) O Segredo de Borkeback Mountain, de Ang Lee

9) Censurado, de Brian de Palma

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Aproveitamos também para agradecer a excelente oferta de uma ex-aluna da nossa escola (um enorme caixote de livros!): desde banda desenhada (Astérix e Tintin) até pequenas enciclopédias temáticas; desde adaptações de obras de língua inglesa para a Penguin Readers até literatura infanto-juvenil, há muito por onde escolher. A Biblioteca e o Centro de Recursos agradecem o seu valioso contributo!

terça-feira, abril 21, 2009

Actividade PNL

Onde é que Você Estava no 25 de Abril?

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No dia 24 de Abril, às 14.30 minutos, vem à biblioteca trocar ideias com um “Capitão de Abril” e vários portugueses que viveram este momento inesquecível!

Contaremos com a colaboração de: Domingos Borralho, o jornalista João Honrado, professora Guadalupe Pataca, professora Arlete Sesinando e General Manuel Soares Monge.

segunda-feira, abril 20, 2009

Livro Da Semana

 

clip_image00225 de Abril, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

 

Este foi um dos dias mais marcantes e mais inesquecíveis da história de Portugal, e quem testemunhou as horas de euforia que se seguiram à primeira transmissão por rádio do Movimento das Forças Armadas, é sempre com um enorme brilho nos olhos que essa pessoa relata todas as emoções que sentiu, no decorrer dos dias seguintes. Mesmo que mais tarde se tenha desiludido; mesmo que mais tarde tenha chegado à conclusão que as “conquistas de Abril” contaram-se pelos dedos; mesmo assim, como dizia José Mário Branco no seu manifesto “FMI”, valeu a pena.

Há que dizer que os nossos militares são muito particulares: ao contrário dos outros, que criam golpes de Estado com o objectivo de instalarem ditaduras, o nosso derrubou uma ditadura para instalar uma democracia. E quando tudo apontava que Portugal iria resvalar para uma guerra civil sangrenta, o Movimento das Forças Armadas voltou a arregaçar as mangas e a reinstalar a ordem até às eleições (foi o famoso 25 de Novembro). Por isso, os portugueses têm boas razões para se orgulharem dos nossos soldados: foram uma lição de vida para o mundo e chegaram a inspirar desejos de liberdade em outras nações oprimidas (poucos sabem hoje que a nossa “Revolução dos Cravos” deu um enorme empurrão à democracia no Brasil, país este que, na altura, também era vítima de um regime ditatorial).

Como não podia deixar de ser, o livro da semana é dedicado à famosa “Revolução dos Cravos”. Este pequenino estudo está escrito de uma forma muito acessível e está muito bem ilustrado. Afinal, estamos a falar do par mais célebre da literatura juvenil! Lê-se (e vê-se!) com gosto, e quase que não acreditamos que aquele Portugal já existiu. Custa-nos a acreditar que existia uma coisa chamada Censura, que havia rusgas nas casas, que bastava uma chamada anónima para destruir a vida de um ser humano, que existiam cidadãos de primeira, segunda e terceira classe, que as mulheres não podiam votar e que havia escolas para rapazes e escolas para raparigas. Esperemos que este Portugal continue a fazer parte do passado…

Juntamente com o “Livro da Semana”, serão realizadas outras actividades na clip_image004escola: para começar, a “estante do mês” será uma “estante da Semana”: As Portas que Abril Abriu. Como a alma dos portugueses esteve sempre ligada à poesia (e não há nada mais rebelde do que a poesia…) decidimos juntar o útil ao agradável e fazer uma homenagem a todos os poetas que, através do poder da palavra, lutaram sempre pela Liberdade. A partir de Quarta-feira, o ambiente da biblioteca será preenchido com músicas alusivas a este feriado. Por fim, nas tardes de Quinta-feira e Sexta-feira, terá lugar o evento “Onde é que Você Estava no 25 de Abril?” (14.30 minutos, na biblioteca). A primeira sessão contará com a colaboração do professor Nuno Prates e da psicóloga Helena Guerreiro, e terá como objectivo efectuar um enquadramento histórico do Portugal pré e pós 25 de Abril. A segunda sessão contará com a presença de pessoas que viveram “no tempo da outra senhora”, e que presenciaram as 24 horas mais importantes do século XX português.

Aguardamos a sua presença!

S.C.

domingo, abril 19, 2009

Bibliomúsica

Já não era sem tempo! O novo álbum dos Blasted Mechanism, Mind At Large, já chegou. A banda portuguesa mais estranha do universo está de volta. Para quem os viu em Paredes de Coura ou em Oeiras já não aguentava a espera. Infelizmente, o vocalista carismático optou por largar este projecto, mas o estilo muito galáctico mantém-se. Eis o vídeo de lançamento.

 

sábado, abril 18, 2009

A VOL Recomenda

O 25 de Abril e o Dia Mundial do Trabalhador estão à porta. Por isso, desta vez, vamos abalar as consciências…

O Império do Mal, de Steven A. Grasse clip_image002

Há que admitir a verdade: a Inglaterra é aquilo que os americanos chamam um Case Study, ou seja, um assunto único, digno de ser estudado e analisado com muita paciência. Porquê? Porque ninguém se lembra das atrocidades e injustiças que os ingleses cometeram, ao longo de séculos de poder.

Vejamos, então: toda a gente se lembra dos genocídios que os espanhóis fizeram com os índios da América Latina; toda a gente se lembra dos danos que os americanos causaram aos índios americanos, a escravatura, a Klux Klux Klan, a guerra do Vietname, entre outros tristes episódios; toda a gente sabe que o Império Romano foi brilhante e grandioso, mas este foi construído à base de um exército poderoso que pilhava, violava, espancava, matava e impunha a sua lei à força; toda a gente se lembra da santa Igreja Católica, das cruzadas sangrentas e muito pouco cristãs, da sua tenebrosa Inquisição e das suas intermináveis perseguições aos judeus, muçulmanos, mulheres e todos aqueles que se revelavam contra o seu poder; toda a gente se lembra dos alemães e dos campos de concentração nazis. Podíamos continuar com a nossa interminável e sangrenta lista de atrocidades humanas. No entanto, um país é sempre esquecido: a Inglaterra. E, no entanto, foi uma das nações que mais injustiças e banhos de sangue criou! Bom, pelo menos é assim que Steven A. Grasse afirma…

O subtítulo é bastante sugestivo: 101 maneiras de como a Inglaterra deu cabo do mundo. E, segundo ele,

Eles detestam a liberdade
Eles escravizaram o mundo para terem o seu chazinho
Eles inventaram o trabalho infantil
Eles caçam animais espertos com animais burros, por desporto
Eles deram-nos o primeiro assassino em série moderno.

A última “gracinha” dos ingleses foi a guerra entre palestinianos e israelitas: por terem oferecido aos judeus terrenos impraticáveis para a agricultura e quase sem água, tal “presentinho” fez com que os israelitas se vissem forçados a invadir terras palestinianas, para garantirem a sua sobrevivência. Tal caridade tão cristã desencadeou uma das guerras mais sangrentas, cujo fim está bem longe de ser vislumbrado. E enquanto os judeus e os muçulmanos atiram as culpas uns aos outros, ninguém se lembra que foram os ingleses que começaram esta confusão toda!

Como afirma a contra-capa deste livro, Quanto mais se analisa a história inglesa, mais se percebe que eles não estão em posição de apontar aos outros o que quer que seja. Uma ultrajante acusação que fará certamente correr rios de tinta, dos dois lados do Atlântico.

Deliciosamente controverso (a editora Guerra e Paz é conhecida por ser muito pouco “politicamente correcta”), vale a pena ler este”manifesto Anti-Inglaterra” com muita atenção.

Aristides de Sousa Mendes, Um Justo Contra a Corrente, de Miriam Assor

Um Povo sem memória é um povo clip_image004sem alma. Assim afirma a jornalista e investigadora Miriam Assor, a propósito dos portugueses. E tem toda a razão: como é possível que a nossa nação não se orgulhe de um dos maiores heróis da História da Humanidade?!

A vida de Aristides Sousa Mendes é um exemplo de coragem que merece ser analisado, debatido e imitado no nosso país. Damos demasiado valor a futebolistas, apresentadores de concursos, Cinhas Jardins e companhia, mas desprezamos completamente o valor de um homem, que literalmente sacrificou a sua vida e da família para salvar mais de 30.000 seres humanos, durante a Segunda Guerra Mundial, contra as ordens expressas de Salazar. Pagou muito caro pelo seu erro: homem riquíssimo e muito generoso para com os pobres, morreu na absoluta miséria, e só não morreu à fome porque a comunidade judaica em Portugal deu-lhe livre acesso às suas cantinas.

Salazar não perdoava quem se atrevia a desobedecer-lhe, por mais razão que essa pessoa tivesse. O nosso ditador foi elogiado por imensos governos estrangeiros, pois todos estavam convencidos de que Aristides tinha agido segundo as suas ordens. Porém, a verdade era muito mais sinistra: Salazar perseguiu este pobre homem até à sua morte, impedindo-o de arranjar trabalho, de se defender num tribunal, de ter direito à honra. Os próprios filhos tiveram que se exilar, visto que a “família Mendes” passou a ser sinónimo de “traição à Pátria”. A maldade de Salazar era tão grande, que se deu à crueldade perversa de enviar um telegrama à viúva do cônsul, aquando do seu falecimento: As minhas condolências.

Hoje, a casa de Aristides Sousa Mendes está à beira da ruína. Fosse Portugal uma região espanhola, e esta grande mansão já estaria restaurada e seria hoje um museu para todos testemunharem a coragem de um grande homem.

Infelizmente, Aristides Sousa Mendes era português…

S.C.

sexta-feira, abril 17, 2009

DIA MUNDIAL DOS HEMOFÍLICOS

17 de Abril de 2009

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Esta data é assinalada por iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), e comemora-se desde 1989. Neste ano de 2009, o tema da comemoração é "juntos, tratamos", no sentido de destacar a importância do tratamento integrado e também da abordagem multidisciplinar (por hematologistas, enfermeiros, ortopedistas, psicólogos, dentistas, etc.).

A hemofilia é um distúrbio da coagulação do sangue, pouco comum, que afecta cerca de 400 mil pessoas em todo o mundo. É uma doença genética, não contagiosa, transmitida de forma hereditária, e que se manifesta essencialmente em homens (é extremamente rara em mulheres, embora estas sejam portadoras).

Não tem cura, mas pode ser tratada eficazmente.

É uma consequência da falta ou diminuição, no sangue, dos factores de coagulação, provocando hemorragias, especialmente a nível das articulações (tornozelos, joelhos, quadris e cotovelos) ou dos músculos; são também comuns os sangramentos intracranianos.

A hemorragia pode ser interna ou externa, pode surgir após um trauma ou sem motivo aparente. Sendo os sangramentos, geralmente, internos, não são visíveis e como tal só tardiamente detectáveis. As hemorragias mais graves surgem nas articulações, cérebro, olhos, língua, garganta, aparelho digestivo, órgãos internos e órgãos genitais.

A doença costuma manifestar-se desde a infância, geralmente a partir dos 3 a 6 meses de idade, quando a criança começa a caminhar e a dar as primeiras quedas ou com o surgimento dos primeiros dentes.

O tratamento é feito através da reposição dos factores de coagulação em falta, por meio de medicação intravenosa, que pode ser administrada em casa, depois de o paciente ou alguém responsável por ele ser devidamente treinado. Na vida prática, quando alguém se corta e começa a sangrar, as proteínas que são os elementos responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento de todos os tecidos do corpo, entram em acção para estancar o sangramento. Uma pessoa com hemofilia, não possui essas proteínas e por isso sangra mais do que o normal (durante mais tempo), o que pode conduzir à morte, se não for muito rapidamente assistido.clip_image004

Há três tipos de hemofilia: tipo A (a mais comum), tipo B e tipo C. Todos os tipos de hemofilia partilham os mesmos sintomas. A gravidade da doença está relacionada com o grau de deficiência do factor da coagulação em causa, no sangue, podendo ser classificada em “grave”, “moderada” ou “leve”. Aqueles que têm hemofilia moderada ou leve geralmente só apresentam problemas hemorrágicos após um ferimento evidente ou uma operação e muitos dos casos leves somente após, por exemplo, uma extracção dentária ou cirurgia.

Quando a doença é diagnosticada, a entidade de saúde emite um documento que descreve o tipo de hemofilia e a sua gravidade. O doente deve sempre fazer-se acompanhar por este documento, para que possa ser mostrado em caso de necessidade. É importante que qualquer médico ou outro profissional de saúde seja informado acerca do défice do factor de coagulação específico e da sua gravidade, a fim de tomar as medidas adequadas.

Especialistas da coagulação, enfermeiras qualificadas, geneticistas, cirurgiões ortopedistas, dentistas, infecciologistas e hematologistas, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais devem trabalhar em estreita colaboração para assegurar o cuidado da pessoa com hemofilia.

Por esta razão, o seu acompanhamento deverá ser realizado em centros multidisciplinares de hemofilia que colaborem estreitamente com os hospitais de proximidade.

Actualmente, as pessoas com hemofilia já conseguem ter uma vida normal, em qualquer aspecto: profissional, social, sentimental, cultural, desportivo, etc. Desportos como a caminhada, a natação, andar de bicicleta, são recomendados, pois permitem fortalecer a massa muscular, tornando as articulações mais resistentes às hemorragias.

A.S.

quinta-feira, abril 16, 2009

Para Que Serve A Poesia?

ESTE É O PRÓLOGO

clip_image002Deixaria neste livro
toda a minha alma.
este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Que tristeza tão funda
é olhar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta!

Ver passar os espectros
de vida que se apagam,
ver o homem desnudo
em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.

Um livro de poesias
é o Outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos
- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza
clip_image004que explica sua grandeza
por meio de palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam !

Deixaria neste livro
toda a minha alma...

Federico Garcia Lorca

Tradução de:  William Agel de Melo

Fotos retiradas de: http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/arquivos/2006_08.html

Roadshow do Diário de Notícias “N@escolas”

A Escola Secundária de Serpa foi uma das seleccionadas para a passagem do Roadshow “N@escolas,” do Diário de Notícias. Foi no passado dia 20 de Março,clip_image002 pelas 10 horas, que esta actividade teve lugar na nossa escola. As turmas envolvidas neste projecto, 8º ano turma B, TGEI, TAP e núcleo de jornalismo, trabalharam com três jornalistas deste diário e realizou a primeira página de um jornal. Foi uma manhã muito interessante. Desta manhã ressalvo o interesse expresso dos jovens e, claro, a curiosa constatação de que todos eles reflectem um interesse pelo mundo que os rodeia, tendo-se empenhado e participado activamente nas actividades propostas. clip_image004Foi elaborada a primeira página de um jornal, tendo os alunos participantes escolhido, num debate dinâmico e bem fundamentado, qual a notícia, de entre todas as redigidas pelos diversos grupos participantes, que iria servir de manchete a essa primeira página. Foi um projecto enriquecedor, uma vez que se constatou que, quando assim o querem, os alunos são capazes de “trabalhar” ao nível dos melhores profissionais do jornalismo e, ao mesmo tempo, apreenderem alguns dos conceitos básicos para, futuramente, se tornarem em bons jornalistas (caso assim o desejem). Ficam algumas fotos deste encontro…

O N@Escolas é um projecto educativo, lançado pelo Diário de Notícias (DN), que tem como destinatários alunos e professores do 3.º ciclo e do ensino secundário, de norte a sul do país. É um projecto educativo no qual o Diário de Notícias lança o desafio a professores e a jovens alunos entre os 12 e os 18 anos, os quais são convidados a entrar no mundo do jornalismo e participarem no desafio de serem os novos protagonistas do jornalismo do século XXI, em Portugal.
O projecto “N@ Escolas” visa aproximar os jovens da produção noticiosa e do ambiente febril de construção de um jornal. Visa, também, estimular a comunidade clip_image006escolar para a criação de uma nova geração de cidadãos informados, interessados e despertos para a compreensão do mundo que os rodeia. Os participantes ficam a conhecer o essencial do trabalho dos profissionais da informação. As actividades N@ESCOLAS são simples de concretizar e permitem aprender, ao mesmo tempo que são divertidas. São propostos desafios e passatempos, constituídos por tarefas inerentes a uma verdadeira redacção de jornal. As equipas vão aprender como se organiza um jornal, que temas são tratados nas diferentes secções, quais as tarefas desempenhadas pelos jornalistas para construir um jornal rigoroso, isento e do interesse dos leitores. Através de uma plataforma de comunicação no site www.nescolas.dn.pt, os participantes têm acesso a informação pedagógica e podem aprender a construir e interpretar notícias, ficando aptos a desenvolver actividades práticas e a aplicar os conhecimentos adquiridos.

Cristina Lucas

quarta-feira, abril 15, 2009

Amanhã É O Dia Mundial Da Voz!!

E quem melhor do que Amália Rodrigues, a voz de Portugal, para celebrar este dia?

Só uma curiosidade: este belíssimo poema foi escrito pela própria Amália.

Poema:

ESTRANHA FORMA DE VIDA
Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.
Amália Rodrigues

quarta-feira, abril 01, 2009

Uma Pérola em Pessoa!!!

Encontrada AQUI. Que bonito.

Ao seu autor, Halden Beaumont, muitos parabéns e obrigado.

A quem aqui chegar... desejamos bom proveito!